Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Em cima do muro


Não queiras agradar a todos, por que quem quer agradar a todo mundo acaba não agradando ninguém. Tem coisas na vida que tem que se tomar uma posição. Ninguém pode agradar a Deus e ao diabo ao mesmo tempo.

Eis o que meu grande amigo, Pe. Sávio, colocou no seu Blog Capelania Hospitalar de São Camilo:

Havia um grande muro separando dois grandes grupos. De um lado do muro estavam Deus, os anjos e os servos leais de Deus. Do outro lado do muro estavam Satanás, seus demônios e todos os humanos que não servem a Deus.E em cima do muro havia um jovem indeciso, que havia sido criado num lar cristão, mas que agora estava em dúvida se continuaria servindo a Deus ou se deveria aproveitar um pouco os prazeres do mundo.
O jovem indeciso observou que o grupo do lado de Deus chamava e gritava sem parar para ele:

- Ei, desce do muro agora... Vem pra cá!

Já o grupo de Satanás não gritava e nem dizia nada.
Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a Satanás:

- O grupo do lado de Deus fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do lado deles. Por que você e seu grupo não me chamam e nem dizem nada para me convencer a descer para o lado de vocês?

Grande foi a surpresa do jovem quando Satanás respondeu:

- É PORQUE O MURO É MEU.

Nunca se esqueça:
Não existe meio termo.
O muro já tem dono.

fonte: Capelania Hospitalar de São Camilo:
http://capelaniasaocamilo.blogspot.com

sábado, 29 de janeiro de 2011

Do Egito ao Calvário


"Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.

José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito."

(São Mateus, 2 - 13:14)

Na tradição popular encontramos um conto muito interessante:

Quando Nossa Senhora fugiu com a Sagrada Família para o Egito, durante o caminho teve que parar várias vezes. Numa dessas paradas, numa região muito pobre, quis Nossa Senhora dar um banho no Menino Jesus. São José bateu numa casa e explicou que estava de viajem e que precisava dar banho no menino.

A dona da casa abriu a porta olhou bem para eles e pediu para entrarem.

Nossa Senhora lavou o Menino Jesus numa bacia, renovando a água por duas vezes.

A mulher observava atentamente Nossa Senhora e o cuidado que Ela tinha com o Menino Jesus. Fazia perguntas: de onde eram, quem eram... Nossa Senhora explicava para aquela pobre mulher a grandeza das coisas santas e falava de Nosso Senhor. Imaginem Nossa Senhora fazendo apostolado... Nossa Senhora falando das coisas do céu...

Ora, a conversa com Nossa Senhora deixou a mulher extasiada.
Sentindo uma alegria muito grande dentro de si, a mulher acabou confessando que seu marido era um ladrão e moravam ali na mais extrema pobreza. Também falou que seu filho que tinha mais um menos a idade do Menino Jesus andava doente há dias e não havia meio de ser curado.

Então, na hora de irem embora, Nossa Senhora agradeceu a mulher e disse:

- Dê banho no seu filho com a mesma água que banhei Meu Filho e ele ficará curado.

Grande Milagre. A mulher fez o que Nossa Senhora tinha pedido, e seu filho ficou curado imediatamente. Saiu na rua a procura daquela Santa Família, correu por todos os lados, mas já era tarde e a Sagrada Família não estava mais lá... seguia seu caminho protegida por miríades de anjos.

A notícia correu por aquela região desértica, mas ninguém sabia onde Nossa Senhora estava. O tempo foi passando e o filho, pelo mau exemplo do pai, acabou sendo um ladrão também. E o milagre acabou caindo no esquecimento.

Mas de que vale curar o corpo se a alma está doente? Que fruto colheria esse menino dessa graça tão grande a ele concedida?

Anos mais tarde, esse menino que havia crescido, acabou sendo preso e condenado à morte.

Como era costume na época, foi mandado para ser crucificado juntamente com dois outros condenados. De repente a graça toca-lhe o coração e, sem saber, estava sendo crucificado ao lado d’Aquele que quando menino lhe salvara a vida e agora iria lhe salvar a alma. Sim, era Dimas tocado pela graça e arrependido de seus pecados que disse: “Senhor, lembrai de mim quando entrares em seu Reino.”

A passagem é muito bonita. Transcrevo o que está nas sagradas escrituras, pois esse menino acabou sendo conhecido no futuro como “o bom ladrão”.

“A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!
Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:

Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus.

Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele:

Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!

Mas o outro o repreendeu:

Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.

E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.

Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.
Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.

Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.
Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: Na verdade, este homem era um justo. E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito.”

(São Lucas, 23, 35:48)

(Autoria desconhecida, mas reunida em “Contos da Tradição Popular – Reuniões de Ouro” de Jorge de Almas Castelos)

Blog Almas Castelos e demais Blogs são premiados


Selo "Quero Mais!"

É com muita alegria que recebo este selo da minha amiga Lucinha cujo maravilhoso Blog é http://lucinhasdreamgarden.blogspot.com/

Agradeço de coração esse carinho e amizade.

Receber este selo representa o reconhecimento para os blogueiros que dedicam aos seus seguidores na apresentação de suas idéias, opiniões, literaturas, entre outros.
É prova de reconhecimento e amizade.
Por isso fica muito difícil indicar alguns blogs para receber este selo, pois na verdade são muitos os Blogs Bons. Gostaria de indicar todos, mas não haveria espaço neste blog para fazer essa lista infindável de Blogs maravilhosos. Por isso desde já indico para receber o selo TODOS OS BLOGS QUE ESTÃO RELACIONADOS NO MEU BLOG ALMAS CASTELOS NA LATERAL DIREITA SOB O TÍTULO “MINHA LISTA DE BLOGS”, BEM COMO A LISTA COM O TÍTULO “BLOGS PARA MULHERES” POIS TODOS ELES SÃO EXCELENTES.
Mas por uma obrigatoriedade de indicação de alguns expressamente, então faço a relação:

http://arslitterayelizus.blogspot.com/
http://marialuizasaes.blogspot.com/
http://recordar-maria.blogspot.com/
http://reflexao-maria.blogspot.com/
http://sinaisnomundo.blogspot.com/
http://sentidomaior.blogspot.com/
http://saudedalma.blogspot.com/
http://temaspolemicosigreja.blogspot.com/
http://pelatradicao.blogspot.com/
http://audifilia.wordpress.com/
http://casapiadossantosanjos.blogspot.com/
http://jovensenamoros.blogspot.com/
http://ograndecombate.blogspot.com/
http://exercitocatolico.blogspot.com/
http://capelaniasaocamilo.blogspot.com/
http://lucianalachance.wordpress.com/
http://modestiamasculina.blogspot.com/
http://casadareconciliacao.blogspot.com/
http://cruzadocurioso.blogspot.com/
E TODOS OS DEMAIS BLOGS QUE ESTÃO RELACIONADOS NO MEU BLOG ALMAS CASTELOS NA LATERAL DIREITA SOB O TÍTULO “MINHA LISTA DE BLOGS”, BEM COMO A LISTA COM O TÍTULO “BLOGS PARA MULHERES” POIS TODOS ELES SÃO EXCELENTES.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O ateu


Ao ouvir as palavras eloqüentes de um pregador famoso, um ateu aproximou-se, arrogante, do religioso e observou-lhe:

- O sermão que o senhor acaba de proferir contém, a meu ver, argumentos que eu poderia rebater facilmente. Venho desafiá-lo, portanto, para uma discussão, em público, sobre os diversos pontos de doutrina e religião.

- Aceito o seu desafio - respondeu o pregador. - Imponho, porém, uma condição. Para assistir a essa discussão eu me comprometo a trazer cem pessoas de diferentes classes sociais que foram salvas do mau caminho (segundo poderão provar) e arrancadas do vício e do pecado pela fé cristã. O senhor será, também, obrigado a fazer-se acompanhar, não de cem, mas apenas de dez pessoas que pelos ensinamentos ateístas tenham sido afastados da vida pecaminosa e do crime.

O ateu não pode aceitar a condição imposta pelo adversário. Não lhe seria possível descobrir uma única pessoa que o ateísmo demolidor tivesse levado ao caminho do bem e da virtude.

Com efeito, a moral sem religião é incapaz de indicar ao homem o caminho do bem e da justiça; a moral sem Deus é moral falsa e ridícula. Tudo o que é perfeito e bom ditou-o a religião.

A religião é, também, um dever social. Para as sociedades como para os indivíduos, o cristianismo é a chave da felicidade, é a solução do problema da existência, é uma questão de vida ou de morte.

Para muitos, a religião não passa de atos culturais, igrejas, altares e velas; para outros, não excede o sentimentalismo de uma prece.

Ignoram, aqui, a existência da vida espiritual; conhecem-na, ali, mas tão superficialmente, que chegam a confundir o essencial com o acessório.

(“Lendas do Céu e da Terra” - Malba Tahan)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

São Francisco e Frei Bernardo


Frei Bernardo era de tanta santidade que São Francisco tinha muita reverência para com ele e muitas vezes o louvava. Um dia em que São Francisco estava devotamente em oração, Deus lhe revelou que Frei Bernardo, por divina permissão, deveria suportar muitas, diversas e pungentes batalhas por parte dos demônios. Por isso, tendo grande compaixão pelo dito Frei Bernardo, a quem amava como se fosse seu filho, ficou rezando muitos dias com lágrimas, rogando a Deus por ele e recomendando-o a Jesus Cristo, que ele devia vencer o demônio. E orando assim São Francisco devotamente, um dia Deus lhe respondeu:

“Francisco, não temas, porque todas as tentações pelas quais Frei Bernardo deve ser combatido, foram-lhe permitidas por Deus para exercício da virtude e coroa do mérito; e no fim ele vai vencer todos os inimigos, porque ele é um dos comensais do céu”.

São Francisco teve uma enorme alegria com essa resposta e agradeceu a Deus. E desde aquela hora sempre teve o maior amor e reverência por ele. E bem que o demonstrou para ele, não só durante a sua vida, mas especialmente na morte. Pois, quando São Francisco chegou à morte, à maneira daquele santo patriarca Jacó, estando ao seu redor os devotos filhos, condoendo-se e chorando por causa da partida de tão amável pai, perguntou:

“Onde está o meu primogênito? Vem cá, filho para que a minha alma te abençoe, antes que eu morra”.

Então Frei Bernardo disse em segredo a Frei Elias (que era o Vigário da Ordem):

“Pai, vai à mão direita do santo, para que te abençoe”.

E pondo-se Frei Elias do lado da mão direita, São Francisco, que tinha perdido a vista pelas demasiadas lágrimas, pôs a mão direita sobre a cabeça de Frei Elias e disse:

“Esta não é a cabeça do primogênito Frei Bernardo”.

Então Frei Bernardo aproximou-se dele do lado da mão esquerda, e então São Francisco cruzou os braços em forma de cruz e pôs a mão direita sobre a cabeça de Frei Bernardo, e a esquerda sobre a cabeça do dito Frei Elias e disse:

“Frei Bernardo, que te abençoe o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo com toda bênção espiritual e celestial em Cristo, e como tu és o primogênito escolhido nesta Ordem santa para dar exemplo evangélico, para seguir Cristo na evangélica pobreza: como não só tu deste tudo que era teu e distribuíste inteira e livremente aos pobres pelo amor de Cristo, mas ainda ofereceste a ti mesmo a Deus nesta Ordem em sacrifício de suavidade. Que, então, tu sejas abençoado pelo nosso Senhor Jesus Cristo e por mim, seu servo pobrezinho, com bênçãos eternas, andando ou parando, vigiando ou dormindo, e vivendo ou morrendo; e quem te abençoar seja repleto de
bênçãos, e se alguém te amaldiçoar não ficará sem punição. Que sejas o principal de teus irmãos e que à tua ordem todos os frades obedeçam; tens licença de receber nesta Ordem quem quiseres, que nenhum frade seja teu senhor, e que te seja lícito ir ou ficar onde te aprouver”.

E depois da morte de São Francisco, os frades amavam e reverenciavam a Frei Bernardo como um pai venerável. E quando ele chegou à morte, vieram a ele muitos frades de diversas partes do mundo; entre os quais veio aquele hierárquico e divino Frei Egídio que, vendo Frei Bernardo, disse com grande alegria:

“Sursum corda, Frei Bernardo, sursum corda”.

E Frei Bernardo santo disse a um frade em segredo que preparasse para Frei Egídio um lugar apto para a contemplação, e assim foi feito. Estando Frei Bernardo na última hora da morte, fez com que o endireitassem, e falou aos frades que estavam na sua frente, dizendo:

“Caríssimos irmãos, eu não vou dizer-vos muitas palavras, mas vós deveis considerar que o estado da Religião que eu tive, vós tendes, e isso que eu tenho agora, vós ainda tereis. E encontro isto na minha alma, que por mil mundos iguais a este eu não quereria ter servido a outro senhor senão a nosso Senhor Jesus Cristo. E de toda ofensa que eu fiz, me acuso e entrego minha culpa ao meu Salvador Jesus Cristo e a vós. Peço-vos, meus irmãos caríssimos, que vos ameis juntos”.

E depois dessas palavras e de outros bons ensinamentos, repôs-se na cama, ficou com o rosto esplêndido e mais do que alegre, com admiração de todos os frades; e naquela alegria a sua alma santíssima, coroada de glória, passou da vida presente à vida feliz dos anjos.
Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

I FIORETTI de São Francisco de Assis

Apanhando macacos


Em certas regiões africanas usam os indígenas de um curioso artifício para apanhar macacos.

Amarram solidamente a uma árvore um saco de couro cheio de arroz, comida predileta dos símios. A boca desse saco, muito estreita, é do tamanho justo para só deixar passar a mão do animal; e este, se a fecha, prendendo entre os dedos um punhado de arroz, não pode mais retirá-la...

Sem desconfiar da armadilha, o macaco voraz mete a mão no saco e agarra, com força, um punhado de seu manjar favorito. Ao verificar que a mão está presa, faz caretas e agita-se, uiva, debate-se, retorce o corpo, em movimentos cada vez mais violentos. Mas todos os trejeitos e uivos são inúteis. O indígena aproxima-se, e com seu laço de couro, captura-o...

Como é tolo esse pobre macaco! Bastaria apenas, num gesto tão simples, abrir a mão e largar o arroz para recuperar a liberdade! Mas ele prefere o cativeiro e a morte, a renunciar à presa!

Toma cuidado, meu filho, que o desregrado amor ao dinheiro não te cative do mesmo modo e não te atire à prisão das mais negras paixões!

Não se pode viver sem dinheiro. De uma coisa porém não nos devemos esquecer: é de jamais sermos escravos do dinheiro. O dinheiro é que deve ser nosso servo. É ele mero instrumento, um meio apenas, não se devendo fazer dele um fim.

Assim, se não o deixares reinar como senhor em tua alma, o dinheiro pode ser para ti um bom servo. [...]

O amor desordenado às riquezas é o que se chama avareza. [...]

O avaro não dá esmolas; nega o menor auxílio aos necessitados; priva-se, ele próprio, de tudo. Passa a vida a pão duro. Quando precisa gastar, sente como se lhe arrancassem um naco da alma. É tipo ignóbil; nocivo à família, inútil à sociedade e prejudicial ao país. A economia é coisa inteiramente diversa. Consiste em regular os gastos pelos rendimentos, de sorte que aqueles não excedam a estes. Não é vício. É, antes, virtude preciosa, estímulo do trabalho e mãe da prosperidade.

autor: Malba Tahan

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Onde está Deus?


- Onde está Deus? - perguntaram a um menino.

- Em meu coração, respondeu.

- Quem o pôs ali?

- A graça.

- Quem o pode expulsar dali?

- O pecado.

Estas respostas infantis, que revelam tanta simplicidade de espírito e inteligência, resumem uma grande verdade da doutrina cristã.

"A verdade - dizia o cardeal Mercier - é que Deus vive em nós... Muitas almas cristãs ignoram este mistério interior e passam toda a vida estranhas a ele. Persuadi-vos, pois, de que Deus não vos abandonará, até que, pelo pecado, o forceis a sair do vosso interior. Fazei atos de fé voluntários, explícitos, freqüentes nesta presença real e permanente de Deus dentro de vós mesmos. Não procureis a Deus, fora, mas lá dentro de vós, onde sofre as vossas dissipações e esquecimentos".

Já um sábio comentador lamentava semelhante omissão: - "Poucos homens apreciam o dom da graça no seu justo valor. Era preciso que cada um o admirasse respeitosamente em si mesmo. Assim os cristãos aprenderiam que são templos vivos, e que trazem o mesmo Deus em seus corações; que devem, por conseguinte, andar divinamente em sua presença e viver uma vida digna de tal hóspede, que os acompanha por toda a parte e em toda a parte os vê".

Ao padre Lacroix, um ateu, certa vez, perguntou ironicamente:

- Pode dizer-me, meu amigo, se Deus é grande ou pequeno?

- É grande e é pequeno - respondeu o padre,

- Como assim? Não entendo. Parece-me disparatada a resposta.

- Deus é grande - explicou o sacerdote - porque domina o céu e a sua grandeza ocupa o universo inteiro. É pequeno porque cabe dentro do meu coração.
Deus é a honra, a glória e a majestade; Deus é o império, dominação e soberania; Deus é a graça; luz, a formosura; Deus é a virtude, fortaleza e onipotência. Deus é todo bem e acima de tudo unicamente o bem.

(“Lendas do Céu e da Terra” – Malba Tahan)

O carnaval e a quaresma


[...] "os dias de carnaval pertencem a Deus. Nenhum dia do ano é dedicado a semelhante diversão. Com efeito, lemos nas Sagradas Escrituras que tudo tem seu tempo: há tempo para plantar e tempo para colher; tempo para rir e tempo para chorar, etc. etc., mas não encontramos escrito que há tempo para pecar.
Assim como o ladrão ou assassino não pode se desculpar de ter roubado ou matado no tempo de Carnaval, do mesmo modo ninguém poderá desculpar-se diante de Deus, por ter vivido indiscretamente e pecado em tais dias, pois também no Carnaval persiste a proibição do pecado, sob pena eterna; também nos dias de Carnaval são a lascívia e a ebriaguez vícios brutais; também nos dias de Carnaval continuam a vigorar os Mandamentos de Deus e da Igreja...

E quantos cristãos se esquecem desta verdade! Vivem os três dias consagrados ao rei momo (satanás), como se Deus suspendesse nessa época as suas ordens e as suas leis...

Felizmente ainda há inúmeros cristãos cônscios dos seus deveres, que passam esses dias na oração e no recolhimento, rezando pelos que persistem na loucura de ofenderem a Deus, desprezando a sua santa lei. Oh! como é comovedor o espetáculo de milhares de jovens de ambos os sexos, retirarem-se durante o Carnaval em lugares solitários para, na oração e no silêncio, fazerem o seu Retiro Espiritual! E são eles que suspendem os braços da divina justiça, afastando do mundo os castigos que infalivelmente sobre ele viria, não fossem as suas orações e as suas reparações."


(escrito por A., Passionista. na Revista “O Calvário” – Ano XL – Março de 1961 – Número 3 – página 5 - Revista dos Padres Passionistas)

sábado, 22 de janeiro de 2011

São Paulo, apóstolo


Paulo era um perseguidor de cristãos. Entretanto, no caminho de Damasco o Senhor o esperava.

“Saulo, Saulo, por que me persegues?”.

Ele caiu do cavalo diante da fulgurante luz, deixando-o cego.

“Senhor, que quereis que eu faça?” Era a coerência falando. Se Aquele que lhe aparecia era o próprio Cristo, Filho de Deus, Saulo deveria, em vez de perseguir seus discípulos, entregar-se inteiramente e de vez a seu serviço.

Os teólogos asseguram que uma conversão é obra mais maravilhosa que a ressurreição dos mortos. Assim, a conversão de São Paulo constituiu fato maior e mais notável que a ressurreição de Lázaro, encerrado havia quatro dias no sepulcro, e já cheirando mal.

Para Santo Agostinho, se a ressurreição de um morto e a conversão de um pecador são obras de igual poder, a conversão é obra de maior misericórdia.

Realmente, vemos nessa conversão uma circunstância inteiramente milagrosa, pois é milagre na ordem da graça que uma alma tão carregada de pecados, e com disposições totalmente contrárias a ela, se converta assim inopinadamente, sem ter sido preparada antes por atos opostos a esses maus hábitos e a essas disposições perniciosas.

A transformação foi nele radical e completa. O que havia odiado, passa, da noite para o dia, a adorar; e a causa que combateu com toda a violência vai, igualmente com toda a violência, servi-la de futuro.

Quando Ananias, por ordem do Senhor, foi ver Saulo para restituir-lhe a vista, conferiu-lhe também os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem.

Convertido, instruído, consagrado, regenerado pelas águas do Batismo, o ilustre neófito tinha tudo o que era necessário para tornar-se o instrumento de grandes desígnios: a difusão da Fé no mundo inteiro, tal é o programa cuja execução lhe foi confiada por seu novo mestre. Entretanto, a essa natureza ardente era necessário, antes de percorrer sem parar sua nova carreira apostólica, uma estadia na solidão. O deserto atrai as grandes almas. Saulo permaneceu três anos em retiro, dispondo-se pela oração, meditação, recolhimento e penitência a preencher a missão à qual Deus o chamava.

Arrebatado ao terceiro Céu, viu com os olhos da alma tudo o que Cristo havia padecido e obrado na Terra e os íntimos pensamentos, dores, afetos e desejos de seu amantíssimo Coração. Acima de tudo, foi ele instruído diretamente pelo próprio Nosso Senhor, pelo que pôde afirmar:

“O Evangelho que preguei não é coisa de homens; pois não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo”.
Depois de ter sido arrebatado aos céus, passou a viver somente em função da vida futura:

“Nossa conversação está no Céu, e minha vida é Cristo; e morrer por Ele é lucro para mim”, pois “vivo, mas não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”.

E transformou-se logo num dos maiores pregadores do Evangelho.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Os quatro Evangelistas

Os quatro Santos Evangelistas:

1) São Mateus.
Inspirado pelo Espírito Santo.
Um dos apóstolos e testemunha de vários acontecimentos.
Ele era o apóstolo mais intelectual.

2) São Marcos.
Inspirado Pelo Espírito Santo.
Foi em sua casa que ocorreu a Última Ceia.
Era sobrinho de São Pedro.
Seus pais eram seguidores de Jesus.

3) São Lucas.
Inspirado pelo Espírito Santo.
Foi um médico convertido por São Paulo.
A tradição ensina que a própria Nossa Senhora lhe ditou o evangelho.

4) São João.
Inspirado pelo Espírito Santo.
Foi um dos apóstolos.
Também era chamado de discípulo amado.
Foi a ele quem Nosso Senhor disse na Cruz:
"mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo (João) : eis aí a tua mãe..."

Os Santos Apóstolos

São Pedro, o primeiro Papa
Santo André
São Bartolomeo

São Felipe
São Judas Tadeu
São Mateus, o evangelista

São Tiago, filho de Zebedeu (S. Tiago Maior)
São Tiago, filho de Alfeu (S. Tiago Menor)
São Tomé

São João, o evangelista
São Simão
São Matias, aquele que foi escolhido para substituir Judas Iscariotes

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A sabedoria do aluno



Certa vez um professor de catecismo ao verificar um aluno que não parava de conversar, quis fazer uma pergunta difícil para que ele compreendesse que deveria prestar atenção na aula.

- Felipe! A que distância fica o Céu da Terra?

Felipe que foi pego de surpresa, virou-se para frente e levantou-se respeitosamente respondendo ao professor:

- Ah! Professor essa é muito fácil. Fica muito pertinho, pois quando rezamos baixinho lá somos ouvidos.

Recebido por e-mail, autor desconhecido.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O lobo de Gubio


No tempo em que São Francisco morava na cidade de Gúbio, no condado de Gúbio, apareceu um lobo muito grande, terrível e feroz, que não somente devorava os animais, mas também os homens; tanto que todos os cidadãos viviam um grande medo, pois diversas vezes ele se aproximava da cidade. E todos andavam armados quando saíam da cidade, como se fossem combater. E mesmo assim não podiam defender-se do lobo se se encontrassem sozinhos com ele. E por medo desse lobo, chegaram a uma situação em que ninguém ousava sair fora da terra.

Por esse motivo, tendo São Francisco compaixão das pessoas da terra, quis sair para encontrar o lobo, ainda que os cidadãos em conjunto não o aconselhassem. Mas, fazendo o sinal da Santíssima cruz, saiu fora da terra, ele com os seus companheiros, pondo toda a confiança em Deus. E como os outros ficassem na dúvida se deviam ir mais adiante, São Francisco tomou o caminho para o lugar onde o lobo ficava. E eis que, diante de muitos cidadãos que tinham vindo para ver esse milagre, o dito lobo foi ao encontro de São Francisco, de boca aberta. Aproximando-se dele, São Francisco lhe fez o sinal da santíssima cruz, chamou-o a si e disse assim:

“Vem aqui, frei lobo, eu te mando da parte de Cristo que não faças mal nem a mim nem a ninguém”.

Coisa admirável de dizer! Logo que São Francisco fez a cruz, o lobo terrível fechou a boca e parou de correr; e, dada a ordem, veio mansamente como um cordeiro, e lançou-se aos pés de São Francisco, deitado. E São Francisco assim lhe falou:

“Frei lobo, tu fazes muito danos por aqui, e fizeste grandes malefícios, estragando e matando as criaturas de Deus sem a sua licença. E não somente mataste e devorastes animais, mas tiveste a ousadia de matar pessoas, feitas à imagem de Deus. Por isso tu mereces a forca, como ladrão e péssimo homicida. E todo mundo grita e murmura contra ti, e toda esta terra ficou tua inimiga. Mas eu quero, frei lobo, fazer a paz entre tu e eles, de modo que tu não os ofendas mais e eles te perdoem todas as ofensas passadas, e nem os homens nem os cães continuem a te perseguir”.

Ditas essas palavras, o lobo, com gestos do corpo, da cauda e das orelhas, e inclinando a cabeça, mostrava que aceitava o que São Francisco dissera e queria observa-lo. Então São Francisco disse:

“Frei lobo, porque te agrada fazer e manter esta paz, eu te prometo que te farei com que as pessoas desta terra te dêem continuamente a comida enquanto viveres, de modo que não sofrerás fome. Pois eu sei que foi pela fome que fizeste todo o mal. Mas como eu te concedo esta graça eu quero, frei lobo, que tu me prometas que tu não prejudicarás jamais a nenhuma pessoa humana nem a algum animal: tu me prometes isso?”

E o lobo, inclinando a cabeça, fazia um sinal evidente de que estava prometendo. E São Francisco disse:

“Frei lobo, quero que me dês prova dessa promessa, para eu poder bem confiar”.

E como São Francisco estendeu a mão para receber seu juramento, o lobo levantou a pata direita e a colocou mansamente sobre a mão de São Francisco, dando-lhe o sinal que podia.
Então São Francisco disse:

“Frei lobo, eu te mando em nome de Jesus Cristo que tu venhas agora comigo, sem duvidar nem um pouco. Vamos confirmar esta paz, em nome de Deus”.

E o lobo, obediente, foi com ele como se fosse um carneirinho manso. Vendo isso, os cidadãos ficaram muito admirados. E a novidade ficou logo conhecida por toda a cidade. Por isso todas as pessoas, homens e mulheres, grandes e pequenos, jovens e velhos, foram para a praça ver o lobo com São Francisco. E estando o povo aí, em reunido, São Francisco levantou-se e pegou para eles, dizendo, entre outras coisas, como pelos pecados Deus promete coisas desse tipo e pestilências, e mais perigosa é a chama do inferno, que vai durar eternamente para os condenados, do que a raiva do lobo, que não pode matar senão o corpo:

“Então, como devemos temer a boca do inferno, quando tamanha multidão tem medo e tremor diante da boca de um pequeno animal. Por isso, voltai para Deus, caríssimos, e fazei uma penitência digna de vossos pecados, e Deus vos libertará do lobo no presente e, no futuro, do fogo infernal”.

Feita a pregação, São Francisco disse:

“Ouvi, meus irmãos: frei lobo, que está aqui na frente de vós, me prometeu, e jurou, que vai fazer as pazes convosco e que não vai mais vos ofender em coisa alguma, e vós prometeis dar-lhe cada dia as coisas necessárias, e eu entro como fiador dele, de que vai observar firmemente o pacto”.

Então todo o povo, a uma só voz, prometeu alimenta-lo continuamente. E São Francisco, diante de todos, disse ao lobo:

“E tu, frei lobo, prometes a estas pessoas observar o pacto da paz, de modo que não ofendas nem os homens, nem os animais, nem criatura alguma?”.

E o lobo, ajoelhou-se, inclinou a cabeça, e com gestos mansos de corpo, de cauda e das orelhas, mostrava, quanto possível que queria observar todo pacto. São Francisco disse:

“Frei lobo, eu quero que, como tu me juraste essa promessa fora da porta, também me dês fé da tua promessa diante de todo o povo, e que não me enganarás sobre a promessa e caução que eu fiz por ti”.

Então o lobo levantou a pata direita e colocou-a na mão de São Francisco. Daí, por causa desse ato e das outras coisas que foram ditas, houve tanta alegria e admiração em todo o povo, tanto pela devoção ao santo como pela novidade do milagre, e pela paz do lobo, que todos começaram a gritar para o céu, louvando e bendizendo a Deus, que lhes tinha mandado São Francisco, que pelos seus méritos os havia libertado da boca do cruel animal. Depois o lobo viveu dois anos em Gúbio, e entrava domesticamente pelas casas, de porta em porta, sem fazer mal a ninguém, e sem que o fizessem para ele. E foi alimentado cortesmente pelo povo. E mesmo andando assim pela terra e pelas casas, nunca um cão ladrava atrás dele. Finalmente, depois de dois anos, o lobo morreu de velho, causando muita dor aos cidadãos porque, vendo-o andar tão manso pela cidade, recordavam melhor a virtude e a santidade de São Francisco.

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

(IFIORETTI – capítulo 21)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Consciência


Narra uma lenda que Artaxerxes, o antigo rei da Pérsia, que conquistou o Egito, mandara ocultar entre as penas de seu travesseiro a fabulosa quantia de 500.000 talentos de ouro a fim de se assegurar um sono tranqüilo e contínuo.

O famoso imperador Calígula, além de seu aparatoso corpo de guarda, mantinha duas terríveis panteras às portas de seu palácio para que ninguém se acercasse de seus aposentos enquanto ele dormia.

Mais estranha ainda era a mania de Artabaxo, general persa, que punha um escudo por cima da cabeça na vã esperança de que assim procedendo evitaria que o teto o esmagasse, vindo a desabar durante a noite.

De quantas preocupações inúteis e ridículas se cercam os tiranos e pecadores!

O único travesseiro que proporciona ao cristão um sono calmo e perfeito é uma consciência tranqüila. A verdadeira paz, realmente, não é senão o sossego de uma consciência pura.

Consiste ela em reprimirmos os desejos, não em satisfazê-los. Se há um lugar escondido, um emprego obscuro, um sítio desprezível aos olhos do mundo, ali está, sobretudo, a paz. Quanto mais o coração se humilha, tanto mais ela é suave e profunda.

Sê, pois, senhor de tua vontade e conserva tranqüila a tua consciência.

(“Lendas do Céu e da Terra” – Malba Tahan)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A luz de Deus


À tardinha, quando desce a noite, vêem-se os cumes azulados das montanhas receber e guardar, por muito tempo, o manto dos grandes raios rosados que lhes deixa o sol poente. E tudo, em derredor, se ilumina em deliciosa claridade.

Também, nas trevas desta vida, quando uma alma piedosa se aproxima de Deus, acende-se na Sua bondade a mais bela das luzes, cujos adoráveis reflexos vão, em seguida, incidir em tudo que é doloroso. Reanimam os enregelados, comunicando aos perdidos na escuridão da noite as celestes iluminações que lhes restituirão a alegria com a promessa da bem-aventurança.

Derramai, Senhor, derramai, sobre mim a vossa graça; orvalhai o meu coração com o orvalho celeste; dai-me as águas da devoção para regar a face da terra, para que produza fruto bom e opimo.

Elevai, Senhor, elevai meu espírito oprimido pelo peso dos pecados, e atraí todo o meu desejo para as coisas celestes, de sorte que, provada a suave felicidade do céu, me envergonhe de pensar nas terrenas.

(“Lendas do Céu e da Terra” – Malba Tahan)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O exemplo arrasta, palavras voam.


Muito mais eficaz é o exemplo do que a palavra, em se tratando da educação dos filhos e da juventude em geral. Saibam-no os pais e educadores. Sói-se dizer, que as crianças aprendem mais pelos olhos que pelos ouvidos. A obra educadora dos pais e dos mestres pecaria pela base se seus atos contrariassem às suas palavras. As crianças – que são muito mais perspicazes do que geralmente se pensa – negar-lhes-ia sua confiança e submissão.

Sempre e em toda a parte, valem mais os exemplos que as palavras. Sobre essa assunto deparam-se-nos antecedentes preciosos. Ampère que salva a Ozanam, o célebre sermão de São Francisco, quando percorre as ruas de Assis... Há outrossim textos clássicos: “Jesus começou a operar e a ensinar” – “Eu vos dei o exemplo para que façais como eu tenho feito”.

Eis a recomendação de São Paulo a Timóteo: “Sêde de exemplo aos fiéis”, e a Tito: “mostrai-vos em tudo exemplo de boas obras”.

E poderíamos multiplicar as citações. São João Crisóstomo afirma, que mais fizeram pela difusão da fé os bons exemplos dos primeiros cristãos que os mesmos apologistas. E Santo Agostinho não duvida em dizer que mais persuade o exemplo que o milagre.

Para que sejam eficazes seus ensinamentos, necessitam pais e educadores viver irrepreensivelmente a vida cristã. Que seja tal que os filhos e discípulos imitando-a, sigam a Jesus Cristo. Não é, porém, suficiente viverem cristãmente apenas diante das crianças, comportando-se alhures de modo diverso. Isto seria posição precária, hipócrita, que facilmente os trairia.

Quando ordenamos algo que não fazemos; quando aconselhamos o que não praticamos, a própria consciência se encarrega de repreender-nos, bradando a contradição que há entre nossas palavras e nossos corações. Nossas palavras são, então, débeis e sem convicção; sem força de conquista. Em nossas consciências envergonhadas ressoam as enérgicas palavras de Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que impondes aos outros pesadas cargas, enquanto vós a não tocais nem sequer com a ponta dos dedos”.

Refleti, pais de família e educadores, que a única atitude realmente digna e conseqüente é a de imitar a Nosso Senhor para que possais repetir o que dizia o Apostolo São Paulo a seus discípulos: “Sêde meus imitadores, como eu sou de Cristo”.

Assim tereis em vossas mãos força irresistível a serviço do êxito sobrenatural no que diz respeito a tudo o que ensinais a vossos filhos e discípulos.

(Revista: O Calvário – de Fevereiro de 1961 – Ano XL – número 2 – dos Padres Passionistas)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan


Malba Tahan jamais foi um árabe, embora o nome indique. Malba Tahan era um simples professor do Rio de Janeiro, nascido em 06/05/1895 e falecido em Recife (capital de Pernambuco) em 16/06/1974.

Seu nome verdadeiro era Julio César de Melo e Sousa. Exímio contador de estórias, ficou encantado com a coleção Mil e Uma Noites (livros de estórias árabes) e assim, resolveu criar um personagem:

Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan, mais conhecido apenas por Malba Tahan.

Malba Tahan jamais existiu, era um pseudônimo, era um personagem inventado e desenvolvido pelo professor Julio César de Melo e Sousa.

Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas, apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de Mil e Uma Noites.

Julio César foi um escritor e matemático brasileiro. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil. Ficou famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática, fábulas e lendas passadas no Oriente (lugares que jamais esteve). Em 2004 foi fundado na cidade de Queluz (interior do Estado de São Paulo – Brasil) - terra onde o escritor passou sua infância - o Instituto Malba Tahan, com o objetivo de fomentar, resgatar e preservar a memória e o legado de Júlio César. Em homenagem a Malba Tahan, o dia de seu nascimento – 6 de maio – foi decretado Dia da Matemática pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

Júlio César nasceu na cidade do Rio de Janeiro, mas viveu quase toda a infância na cidade paulista de Queluz. Seu pai João de Deus de Melo e Sousa e sua mãe Carolina Carlos de Melo e Sousa tinham uma renda familiar apenas suficiente para criar os oito filhos do casal. Quando criança, já dava mostras de sua personalidade original e imaginativa. Em 1905, retornou ao Rio de Janeiro para estudar. Cursou o Colégio Militar e o Colégio Pedro II. A partir de 1913, passou a freqüentar o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica.Júlio César estudou a fundo todos os aspectos da cultura árabe e da oriental. Muito influenciado pela coleção “Mil e Uma Noites” (livros de contos árabes), em 1925, propôs a Irineu Marinho, dono do jornal carioca A Noite, uma série de “contos de mil e uma noites”. Surgia aí o escritor fictício Malba Tahan, que assinava os contos que foram publicados com comentários do igualmente fictício Prof. Breno de Alencar Bianco. Seu pseudônimo tornou-se tão famoso que o então Presidente Getúlio Vargas concedeu uma permissão para que o nome aparecesse estampado em sua carteira de identidade. Até o fim da vida, Júlio César escreveu e publicou livros de ficção, recreação e curiosidades matemáticas, didáticos e sobre educação, com seu nome verdadeiro ou com o ilustre pseudônimo.

A carreira de professor

Paralelamente à carreira de escritor, Júlio César dedicou-se ao magistério. Graduou-se como engenheiro civil na Escola Politécnica e como professor na Escola Normal. Deu aulas no Colégio Pedro II e na Escola Normal, lecionando diversas matérias como história, geografia e física, até se fixar no ensino de matemática. Ensinou também no Instituto de Educação e na Escola Nacional de Educação. Além das aulas, Júlio César proferiu mais de 2000 palestras por todo o Brasil e em algumas localidades do exterior. Ficou célebre por sua técnica de contação de histórias e por sua atuação inovadora como professor. Suas aulas eram agitadas e interessantes, sempre repletas de curiosidades que atraiam a atenção dos estudantes.

Júlio César faleceu em 18 de junho de 1974 de ataque cardíaco em seu quarto de hotel, após uma palestra proferida no Recife.

Biografia de Malba Tahan (até onde vai a imaginação de um professor)

Ao criar seu pseudônimo, Júlio César criou também um personagem: Malba Tahan. Este escritor, cujo nome completo seria Ali Yezid Izz-Eddin Ibn Salim Hank Malba Tahan, teria nascido na aldeia de Muzalit, próximo a Meca, a 6 de maio de 1885. Teria feito seus estudos no Cairo (Egito) e Istambul (Turquia). Após a morte de seu pai, teria recebido vultosa herança e viajado pela China, Japão, Rússia e Índia, onde teria observado e aprendido os costumes e lendas desses povos. Teria estado, por um tempo, vivendo no Brasil. Teria morrido em batalha em 1921 na Arábia Central, lutando pela liberdade de uma minoria local Seus livros teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Professor Breno Alencar Bianco.

(Fonte: Wikipedia)

Obras:

Júlio César escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo. Abaixo, uma lista de seus títulos mais relevantes:

O Homem que Calculava (romance)
Lendas do Céu e da Terra (contos)
Lendas do Povo de Deus (contos)
Sob o Olhar de Deus (romance)
A Caixa do Futuro (romance)
A Arte de Ler e Contar Histórias (educação)
Belezas e Maravilhas do Céu (ciência)
Roteiro do Bom Professor (didática)
Páginas do Bom Professor (didática)
Antologia do Bom Professor (didática)
Contos de Malba Tahan (contos)
Amor de Beduíno (contos)
Lendas do Deserto (contos)
Lendas do Oásis (contos)
Maktub! (contos)
Minha Vida Querida (contos)
As Maravilhas da Matemática (segredos e maravilhas da matemática)
Matemática Divertida e Delirante (recreação matemática)
Matemática Divertida e Curiosa (recreação matemática)
Diabruras da Matemática (recreação matemática)
Aventuras do Rei Baribê (romance)
A Sombra do Arco-Íris (romance em 3 volumes)
O Céu de Allah (contos)
A Estrêla dos Reis Magos (contos)
Mil Histórias Sem Fim (contos em 2 volumes)
Novas Lendas Orientais (contos)
Salim, o Mágico (romance)
e muitos mais, difícil de enumera-los...

Como surgiram o + e o - ?


Qual a origem do sinal + (mais, da adição) e do sinal – (menos, da subtração)?
Como surgiram essas notações matemáticas tão práticas e tão simples?
Há uma lenda, muitas vezes citada, que explica, de forma bem curiosa, a origem desses sinais tão correntes nos cálculos e nas fórmulas.
Vamos apresentar a lenda na sua versão mais resumida:

“Havia, já lá se vão muitos anos, numa cidade da Alemanha, um homem que negociava em vinhos. Recebia esse homem, diariamente, vários tonéis de vinho. Os tonéis que chegavam do fabricante eram cuidadosamente pesados. Se o tonel continha mais vinho do que devia, o homem marcava-o com um sinal em forma de cruz: (+). Esse sinal indicava “mais”, isto é, mais vinho, um excesso. Se ao tonel parecia faltar uma certa porção de vinho, o homem assinalava-o com um pequeno traço (-). Tal sinal indicava “menos”, insto é, menos vinho, uma falta. Desses sinais, usados outrora pelo mercador de vinho (diz a lenda), surgiram os símbolos + e – empregados hoje no mundo inteiro, pelos matemáticos e calculistas.

Não aceitam alguns autores essa fantasiosa história do mercador de vinho e vão pesquisar, nos antigos manuscritos e nos velhos compêndios de matemática, origem mais racional para os sinais + (mais) e – (menos).

Cf. Ball, R., IV, 159. Escreve esse historiador: “Os símbolos + e – eram sinais comerciais que indicavam excesso ou deficiência de peso” E F.A. Vasconcelos, historiador português, acrescenta: “Esses sinais foram aceitos primitivamente, como abreviaturas e não como símbolos de operação” (Cf. Vasconcelos, H, 71). Hooper afirma: “Os sinais + (mais) e – (menos) foram empregados, a princípio, pelos negociantes e depois aproveitados pelos matemáticos” (Cf. Hooper, The River Mathematics, Londres, 1951).

(As Maravilhas da Matemática – Malba Tahan – Edições Bloch)

O Milagroso Menino Jesus de Loreto


Fato ocorrido na Áustria.

No primeiro quartel do século XVII, o Capuchinho Frei João Crisóstomo Schenk, residente em Salzburgo, na Áustria, recebeu de presente de seu Superior uma piedosa imagem do Menino Jesus, de marfim. Devotíssimo da infância divina de Salvador, o frade fez um estojo de madeira, para carregar consigo sua imagem quando nia visitar os doentes. às vezes deixava-lhes mesmo emprestado seu Menino Jesus. Quando se esqueciam de devolve-lo, a milagrosa imagem voltava por si só para junto de seu guardião.

Como Frei Crisóstomo era muito conhecido na cidade, também passou a sê-lo a piedosa imagem que trazia sempre consigo.

Quando ele faleceu em novembro de 1634, a pequena imagem, à qual já chamavam de Milagroso Menino Jesus, foi levada para o convento de Loreto, das irmãs capuchinhas, onde passou a ser visitada por muitos devotos e peregrinos.

(O Pequeno Rei, O Menino Jesus de Praga – Plínio Maria Solimeo – Artpress – São Paulo – 2001)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Luto pelo falecimento de Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Emérito de Anápolis


Faleceu em Santos (SP), na manhã deste sábado, 8, o bispo emérito da diocese de Anápolis (GO), Dom Manoel Pestana Filho com 82 anos de idade. Ele estava na casa das Irmãs da Toca de Assis. Segundo informações do bispo diocesano de Anápolis, dom João Wilk, dom Manoel estava no quarto quando foi encontrado sem sinais de vida, caído no chão. Ainda foi transportado para o pronto socorro, mas no caminho foi constatado óbito.

A pedido da família, o corpo de dom Manoel será velado em Santos, até a tarde deste domingo, 9. Em seguida será trasladado a Anápolis, onde deve chegar por volta das 9h de segunda-feira, 10.

O velório em Anápolis ocorrerá durante todo o dia e, às 19h, será celebrada na Catedral do Bom Jesus a Missa das Exéquias. O sepultamento acontece logo depois, na Capela do Santíssimo Sacramento, na Cripta da Catedral do Bom Jesus.

Biografia:

Nascido em Santos (SP), no dia 27 de abril de 1928, dom Manoel Pestana Filho foi ordenado sacerdote em 5 de outubro de 1952, em Roma, [Itália]. Sua nomeação episcopal aconteceu em 30 de novembro de 1978 e a ordenação em 30 de fevereiro de 1979. Dom Manoel Pestana foi bispo diocesano de Anápolis de 1979 a 2004. Durante esse período ele foi responsável pela Pastoral Familiar do Regional Centro-Oeste da CNBB (Distrito Federal, Goiás e Tocantins), foi professor do Seminário Maior Diocesano e do Institutum Sapientiae do Mosteiro Santa Cruz, além de professor da Faculdade de Filosofia de São Miguel Arcanjo e do Instituto Católico de Teologia de Santo Tomás de Aquino, em Anápolis.

Na comunicação, dom Manoel apresentou o programa radiofônico “A Voz do Bispo”, nas rádios São Francisco e Voz da Imaculada, em Anápolis. Na TV Tocantins ele apresentou o programa semanal Cristo em sua vida”. O livro “Igreja Doméstica”, publicado em 1980 pelas Edições Loyola, é de sua autoria. Ele se tornou bispo emérito em junho de 2004.

(fonte: CNBB)

sábado, 8 de janeiro de 2011

A lágrima do perdão


Os historiadores narram curioso episódio ocorrido com o imperador Francisco José, da Áustria.

Levaram certa vez ao velho monarca, para a formalidade da assinatura, uma sentença de morte. Com mão trêmula pôs o seu nome, mas no mesmo instante uma lágrima rolou dos olhos do ancião sobre o papel, deformando e desfazendo, em parte, a assinatura. O imperador tomou do papel e entregando-o ao secretário disse:

- Lágrimas apagam a culpa. Meu nome é ilegível e portanto sem valor. O réu está perdoado.

O grande monarca, ao praticar esse ato de piedade, fora naturalmente inspirado por uma graça de Deus.

A Igreja e os teólogos distinguem duas espécies de graças: uma é chamada graça atual, outra graça habitual.

A graça atual, assim como a indica seu nome, é transitória, passageira; é um socorro momentâneo pelo qual Deus nos excita e ampara na fuga do mal e na prática do bem. Esse socorro divino, que nos é dado em tempo oportuno, é luz que nos alumia a inteligência, excitação que nos fortalece a vontade, enfim um bom impulso que nos ajuda, mas não faz tudo sem nós: para alcançar o seu fim, a graça atual precisa da nossa cooperação. Se a ela correspondermos fielmente, adquirimos um mérito; se, por nossa vontade, a tornarmos ineficaz, somos culpados.

A graça habitual, chamada, também, santificante, permanece em nossa alma e a torna santa e agradável a Deus. Não é um socorro transitório, mas uma influencia constante, divinamente espargida na alma.
Eis porque esta graça, na Escritura Sagrada, é geralmente designada pelo nome de Vida. É, com efeito, a vida sobrenatural da alma; chama-se estado de graça, e, ainda, caridade.

(“Lendas do Céu e da Terra” – Malba Tahan)