Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.
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sábado, 23 de julho de 2011

Milagres do Céu


Com esta postagem, encerro o assunto sobre Santa Clara. Eu devia isso às irmãs clarissas, como gratidão, pois muito rezaram por todos nós.

DEPOIS DA MORTE DE SANTA CLARA:

CURA DE POSSESSO:

Um menino de Perussa, chamado Jacobino, parecia não tanto doente, mas antes possesso de um espírito mau. Pois às vezes jogava-se desesperadamente no fogo, outras vezes debatia-se no chão ou mordia as pedras, até quebrar os dentes. Feria assim terrivelmente a sua cabeça e manchava o corpo com sangue. Ficava de boca torta e com a língua de fora. Dobrava os membros com tanta facilidade, colocando uma perna no pescoço. Duas vezes por dia o menino era atacado por essa loucura. Dois homens nem sequer eram capazes de impedir que ele se despisse.

Já fora pedida ajuda de médicos afamados, mas não se encontrou alguém que pudesse resolver o caso.

O pai dele, Guidoloto, não achando entre os homens solução para tanta desgraça, recorreu aos méritos de Santa Clara:

- Ó Clara, santíssima virgem, digna de veneração de todo mundo, ofereço-te o meu filho infeliz; peço-te com toda confiança: devolve-lhe a saúde.

Cheio de fé, dirigiu-se apressadamente ao túmulo dela, levando consigo o menino e colocando-o sobre a sepultura da virgem. E no mesmo momento que pediu o favor o obteve. Pois logo o menino ficou curado daquela doença e também mais tarde nunca mais foi molestado por aquela enfermidade.

A FÚRIA:

Um jovem francês que fazia parte da corte papal foi tomado de fúria, de tal forma, que não conseguia mais falar e seu corpo tremia terrivelmente, De maneira alguma havia quem pudesse dominá-lo. Pelo contrário, ele se soltava, de um modo pavoroso, das mãos dos que queriam segura-lo. Por isso seus compatriotas amarraram-no com cordas numa maca e levaram-no, contra sua vontade, para a igreja de Santa Clara. Lá foi colocado diante do túmulo dela e logo ficou totalmente curado por causa da fé daqueles que o haviam levado.

EPILÉTICO:

Valentino de Spello sofria tanto de epilepsia que caía seis vezes por dia onde quer que estivesse. Além disso, não podia andar normalmente, pois uma de suas pernas era mais curta do que a outra. Foi levado em lombo de burro ao túmulo de Santa Clara. Lá ficou deitado durante dois dias e três noites. No terceiro dia, sem que ninguém o tocasse, sua perna deu um forte estalo e imediatamente ficou curado de ambas as doenças.

OS LOBOS:

A ferocidade sinistra de lobos cruéis castigava a região, havia muito tempo. Atacavam até pessoas e muitas vezes devoravam carne humana.

Certa mulher, de nome Bona, de Monte Galliano, na diocese de Assis, tinha dois filhos. Apenas tinha terminado o tempo de luto por um deles, morto pelos lobos, quando , com a mesma ferocidade, se precipitavam sobre o segundo. Enquanto a mãe estava dentro de casa, ocupada com os afazeres do lar, um lobo meteu os dentes no menino que brincava fora, mordendo-o no pescoço levando sua presa no mais rápido possível para a floresta.

Ouvindo os gritos do menino, alguns homens que estavam nos vinhedos gritavam para a mãe:

- Olha se o teu filho está em casa, pois acabamos de ouvir gemidos estranhos.

Percebendo a mãe que o seu filho fora raptados por um lobo, dirigiu seus clamores ao céu. E enchendo o ar com lamentações, invocou a virgem Clara dizendo:

- Ó gloriosa Santa Clara, devolve meu filho, coitado. Devolve a uma infeliz mãe o seu filhinho. Se não o fizerdes irei me afogar.

Correndo os vinhateiros atrás do lobo, encontraram a criancinha abandonada pelo lobo na floresta. Junto do menino viram um cachorro lambendo as feridas dele. A fera selvagem tinha botado primeiro seus dentes no pescoço do menino; depois, para carrega-lo melhor, o havia tomado pelo meio. Em ambas as partes deixara sinais bem visíveis de suas dentadas ferozes.

A mulher, vendo suas preces atendidas, apressou-se com os vizinhos para a sua protetora, mostrando a quantos queriam ver as chagas do menino. E ela agradeceu copiosamente a Deus e a Santa Clara.

Certo dia uma menina da cidade de Cannara estava sentada no campo. Uma outra mulher tinha inclinado a cabeça no seu colo.E eis que um lobo veio com passos furtivos em sua direção em busca de uma presa. A menina o viu sim, mas não se assustou, pois pensava que fosse um cachorro. E enquanto continuava penteando os cabelos da outra, a terrível fera se lançou sobre ela, mordendo-a com a boca larga no rosto. Em seguida levou a presa para a floresta. A outra mulher, tomada de medo, levantou-se depressa e, lembrando-se de Santa Clara, gritou:

- Socorro, Santa Clara, socorro. Recomendo-te esta menina.

O lobo colocou-a imediatamente e com todo o cuidado no chão. E como um ladrão, pego em fragrante, sumiu depressa.

(Esses milagres foram testemunhados e levados a exames, cujo resultados foram fixados no Processo de Canonização. O Papa Inocêncio IV havia encarregado, aos 18 de outubro de 1253, ao Bispo Bartolomeu de Espoleto de examinar a vida e os milagres de Clara.)

“Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Uma vida feita de milagres


Na Bula de Canonização de Santa Clara, número 15, consta o seguinte episódio: O PÃO.

Havia no mosteiro apenas um pão, quando a fome já se fazia sentir e chegara a hora de comer . A Santa chama a despenseira e ordena-lhe que divida o pão em duas partes iguais, envie uma parte aos irmãos e reserve a outra para as irmãs. Em seguida, manda que da metade reservada faça cinqüenta fatias, conforme o número das irmãs, e as ponha na mesa da pobreza. E como a devota filha lhe respondesse que seriam então necessários os antigos milagres de Cristo para que tão escasso pão pudesse dar cinqüenta fatias, a mãe replicou-lhe:

- Filha, faze com toda confiança o que eu te digo.

A filha apressa-se a cumprir a ordem da mãe; e esta dirige pressurosa a Cristo piedosos suspiros em favor das filhas. Por divino favor cresceu aquela matéria entre as mãos da que cortava, de maneira que deu o suficiente para cada uma das irmãs da comunidade.

A PEDRA:

Um menino de três anos, chamado Mattiolo, da cidade de Espoleto, tinha introduzido uma pedrinha no nariz. Ninguém conseguia extraí-la do nariz, nem tampouco o menino conseguia expeli-la. Encontrando-se em grande perigo e angústia, é levado à Senhora Claram e enquanto é por ela assinalado com o sinal da cruz, no mesmo momento é lançada fora a pedrinha, ficando salvo o menino.

TERROR DOS SARRACENOS:

Por volta de 1239, a cidade de Assis foi sitiada pelos sarracenos e o convento das clarissas ficava nas portas da cidade. Os guerreiros já galgavam o muro, quando Santa Clara, que estava enferma, foi avisada. Levantou-se logo, dirigiu-se ao altar do SS.Sacramento, tomou nas mãos a custodia com a Sagrada Hóstia e, assim munida de Deus Nosso Senhor, dirigiu-lhe o seguinte apelo em voz alta:

- Quereis, Senhor, entregar aos infiéis estas vossas servas indefesas, que nutri com vosso amor? Vinde em socorro de vossas servas, pois não as posso proteger.

Após essas palavras, ouviu-se distintamente uma voz dizer:

- Serei vossa proteção hoje e sempre.

Enfrentando o invasor com o Santíssimo Sacramento em mãos, o efeito das palavras divinas se fez logo sentir: um pânico inexplicável se apoderou dos sarracenos: grande parte deles fugiram as pressas: alguns, que já haviam galgado o cimo do muro, caíram para trás. A intervenção de Santa Clara salvara o convento e a cidade do assalto inimigo.

“Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Verdadeira face de Santa Clara


Tenho visto vários filmes sobre São Francisco de Assis, inclusive o “Irmão Sol, Irmã Lua”. Os filmes normalmente são romanceados para serem atraentes ao público, por isso apresentam muitas vezes falhas ao relatarem a personalidade dos Santos. Já faz tempo que eu tinha recebido um livro, mas não tive tempo de ler. Agora achei um tempinho e então faço esta publicação para relatar a realidade de Santa Clara de Assis. O livro chama-se “Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM). Nada mais fiel à realidade do que os próprios escritos de Santa Clara, bem como os documentos e testemunhos das irmãs que conviveram com ela.

Já logo no prefácio lemos: “Sem dúvida, podemos dizer que Santa Clara foi a seguidora mais fiel de São Francisco”. [...] “Os escritos que ela deixou são a Regra, o Testamento, a Benção e cinco Cartas. Incluímos aqui alguns outros documentos de valor para melhor conhecimento da Plantinha do Bem-Aventurado Pai.”

Clara nasceu em 1194 na cidade de Assis. Provavelmente ouviu Francisco pregar pela primeira vez em 1211, na Catedral de São Rufino, perto de sua casa paterna. Desde então Clara começou a se interessar pela vida religiosa.

Quando ela iniciou sua nova vida, nem os irmãos de Francisco tinham uma Regra muito formal. A de 1221 nunca foi aprovada, pois nunca apresentada às autoridades eclesiásticas para este fim. A Regra definitiva foi aprovada pelo Papa Honório III em 1223, três anos antes da morte de Francisco.

No entanto, os frades menores tinham, desde 1209, uma forma de vida, mas esta não se conservou. A este documento Francisco se refere no seu Testamento. Esse era o propósito de vida: A Altíssima Pobreza. Foi escrito com simplicidade e com poucas palavras, sendo principalmente expressões do santo Evangelho.

A Regra que Clara escreveu para suas irmãs segue em linhas gerais o texto da Regra definitiva dos frades menores de 1223. Muita coisa foi copiada ao pé da letra. Naturalmente nem tudo podia ser aplicado à vida das irmãs, uma vez que os frades viviam uma “VIDA MISTA” (isto é, uma vida meia contemplativa, meia fazendo pregações, ou se quiserem: um pouco de clausura e um pouco sem clausura), enquanto a vida das pobres damas era uma vida exclusivamente contemplativa (ou seja, na mais estrita clausura).

A admirável mulher, Clara de nome e clara por suas virtudes, nasceu em Assis, de estirpe muito ilustre. Seu pai era cavaleiro e toda sua ascendência pertencia à nobreza dos cavaleiros. Sua casa era muito rica com abundancia de bens, que contrastavam com o nível de vida do lugar. Sua mãe Hortolana era também dotada de bons e abundantes frutos. Com efeito, ainda que submissa à vontade do marido e presa aos cuidados da casa, dispunha de tempo para se dedicar quanto podia ao culto de Deus e com zelo constante às obras de piedade.

Como Clara conheceu Francisco? Ouvindo neste tempo falar de Francisco, cujo nome era famoso e que como homem novo renovava com novas virtudes o caminho da perfeição esquecida no mundo, logo o quis conhecer e ver, movida a este propósito por Deus. E sabendo Francisco que Clara queria o conhecer, logo tratou de providenciar tal encontro, pois queria almas para Deus.

A jovem Clara saia da casa paterna, acompanhada tão somente duma companheira familiar, e repetidas vezes visitava a Francisco cujas palavras a levava a desejar viver santamente.

Segundo consta na declaração de Beatriz, irmã de Clara, no Processo da Igreja (XII, 2), foi São Francisco quem primeiro visitou Clara. Ainda no Processo da Igreja (XVII, 3) declara que foi Bona de Guelfuccio quem acompanhava Clara em suas entrevistas com São Francisco. São Francisco, por sua vez, sempre estava acompanhado por Frei Felipe (Cf. Biografia de Santa Clara 37 e Lazzeri, Il Processo 489).

O Pai Francisco a exorta a desprezar o mundo, demonstrando-lhe com expressões vivas a esperança vã e o atrativo enganoso do século, exortando-a a preservar a pureza virginal para Deus que deu seu Filho ao Mundo.

Clara se converte e começa sua vida devotada a Deus, juntamente com outras moças.

No entanto, quando a notícia chega aos seus parentes, estes, com o coração dilacerado, condenam o fato de sua decisão. Todos juntos correm ao lugar, procurando conseguir o que não podem. Usando força, violência, sugestão, conselhos e afago de promessas, tentam persuadi-la a desistir de tão grande aviltamento que não condiz com sua nobreza e do qual não se encontra exemplo semelhante nos arredores. Mas ela, apesar de tudo, agarrando-se as toalhas do altar, descobre a cabeça raspada, garantindo que de maneira alguma seria mais arrancada do serviço de Cristo. Cresce-lhe o ânimo, à proporção que aumenta a oposição dos seus, até que seus parentes acabam cedendo e desistindo.

Clara, o horror de sua família. Clara, a Glória de Deus.

Pouco tempo depois a fama de sua santidade se espalha pelas regiões vizinhas. Isso faz com que muitas moças sejam atraídas pelo mesmo tipo de vida de Clara. As virgens não abrem mão de sua virgindade. As casadas se esmeram em comportar-se mais castamente. As da nobreza e de ilustre classe, abandonando os amplos palácios, constroem para si mosteiros estreitos e têm por grande viver por amor a Cristo. Nesta inocente porfia lança-se o entusiasmo dos jovens, que movidos pelos exemplos expressivos do sexo mais fraco se animam a desprezar os enganos da carne. Enfim, muitos cônjuges vinculam-se de mútuo acordo à lei da continência entrando, os homens nas Ordens, e as mulheres nos Mosteiros, As mães convidam as filhas e as filhas convidam as mães a entrarem no Mosteiro. Logo as sobrinhas, as tias, enfim, todos querem ser religiosos.

A fama das virtudes de Clara entra pela porta das senhoras ilustres, chega até aos palácios das duquesas e penetra mesmo na mansão das rainhas. A parte mais alta da nobreza se abaixa para seguir suas pegadas e,com santa humildade, renega o orgulho do sangue nobre. Algumas merecedoras dum matrimônio com duques e reis, fazem penitência rigorosa ao convite da mensagem de Clara, e as que tinham casado com potentados imitam Clara conforme podem.

Os Mosteiros se multiplicam, a castidade aumenta, o estado virginal é colocado em evidência.

Isto foi Santa Clara.

Santa Clara, rogai por nós.

segunda-feira, 28 de março de 2011

São Francisco, Santa Clara, Frei Silvestre e os pássaros


O humilde servo de Cristo S. Francisco, pouco tempo depois de sua conversão, tendo já reunido e recebido na Ordem muitos companheiros, entrou a pensar muito e ficou em dúvida sobre o que devia fazer, se somente entregar-se à oração, ou bem a pregar algumas vezes: e sobre isso desejava muito saber a vontade de Deus.

E porque a humildade que tinha não o deixava presumir de si nem de suas orações, pensou de conhecer a vontade divina por meio das orações dos outros. Pelo que chamou Frei Masseo e disse-lhe assim:

"Vai a Sóror Clara e dize-lhe da minha parte que ela com algumas das mais espirituais companheiras rogue devotamente a Deus seja de seu agrado mostrar-me o que mais me convém: se me dedicar à pregação ou somente à oração. E depois vai a Frei Silvestre e dize-lhe o mesmo".

Este fora no século aquele monsior Silvestre, que vira uma cruz de ouro sair da boca de S. Francisco, a qual era tão alta que ia até ao céu e tão larga que tocava os extremos do mundo.

Era este Frei Silvestre de tanta devoção e de tanta santidade, que tudo quanto pedia a Deus obtinha e muitas vezes falava com Deus; e por isso S. Francisco tinha por ele grande devoção. Foi Frei Masseo, e conforme a ordem de S. Francisco, deu conta da embaixada primeiramente a S. Clara e depois a Frei Silvestre. O qual, logo que a recebeu, imediatamente se pôs em oração e, rezando, obteve a resposta divina, e voltou a Frei Masseo e disse-lhe assim:

"Isto disse Deus para dizeres ao irmão Francisco: que Deus não o chamou a este estado somente para si; mas para que ele obtenha fruto das almas e que muitos por ele sejam salvos".

Obtida esta resposta, Frei Masseo voltou a S. Clara para saber o que ela tinha conseguido de Deus; e respondeu que ela e outra companheira tinham obtido de Deus a mesma resposta que tivera Frei Silvestre.

Com isto tornou Frei Masseo a S. Francisco; e S. Francisco o recebeu com grandíssima caridade, lavando-lhe os pés e preparando-lhe o jantar. E depois de comer, S. Francisco chamou Frei Masseo ao bosque e ali, diante dele, se ajoelhou e tirou o capuz, pondo os braços em cruz, e perguntou-lhe:

"Que é que ordena que eu faça o meu Senhor Jesus Cristo?"

Respondeu Frei Masseo:

"Tanto a Frei Silvestre como a Soror Clara e à irmã, Cristo respondeu e revelou que sua vontade é que vás pelo mundo a pregar, porque ele não te escolheu para ti somente, mas ainda para a salvação dos outros".

E então S. Francisco, ouvindo aquela resposta e conhecendo por ela a vontade de Cristo, levantou-se com grandíssimo fervor e disse:

"Vamos em nome de Deus".

E tomou como companheiros a Frei Masseo e a Frei Ângelo, homens santos. E caminhando com ímpeto de espírito, sem escolher caminho nem atalho, chegaram a um castelo que se chamava Savurniano, e S. Francisco se pôs a pregar e primeiramente ordenou às andorinhas, que cantavam, que fizessem silêncio até que ele tivesse pregado; e as andorinhas obedeceram. E ali pregou com tal fervor que todos os homens e todas as mulheres daquele castelo, por devoção, queriam seguir atrás dele e abandonar o castelo. Mas S. Francisco não permitiu, dizendo-lhes:

"Não tenhais pressa e não partais; e ordenarei o que deveis fazer para a salvação de vossas almas".

E então pensou em criar a Ordem Terceira para a universal salvação de todos . E assim deixando-os muito consolados e bem dispostos à penitência, partiu-se daí e veio entre Cannara e Bevagna. E passando além, com aquele fervor levantou os olhos e viu algumas árvores na margem do caminho, sobre as quais estava uma quase infinita multidão de passarinhos; do que S. Francisco se maravilhou e disse aos companheiros:

"Esperai-me aqui no caminho, que vou pregar às minhas irmãs aves".

E entrando no campo começou a pregar às aves que estavam no chão; e subitamente as que estavam nas árvores vieram a ele e todas ficaram quietas até que S. Francisco acabou de pregar; e depois não se partiram enquanto ele não lhes deu a sua bênção.

E conforme contou depois Frei Masseo a Frei Tiago de Massa, andando S. Francisco entre elas a tocá-las com a capa, nenhuma se moveu. A substancia da prédica de S. Francisco foi esta:

"Minhas irmãs aves, deveis estar muito agradecidas a Deus, vosso Criador, e sempre em toda parte o deveis louvar, porque vos deu liberdade de voar a todos os lugares, vos deu urna veste duplicada e triplicada; também porque reservou vossa semente na Arca de Noé, a fim de que vossa espécie não faltasse ao mundo; ainda mais lhe deveis estar gratas pelo elemento do ar que vos concedeu. Além disto não plantais e não ceifais; e Deus vos alimenta e vos dá os rios e as fontes para beberdes, e vos dá os montes e os vales para vosso refúgio, e as altas arvores para fazerdes vossos ninhos e, porque não sabeis fiar nem coser, Deus vos veste a vós e aos vossos filhinhos; muito vos ama o vosso Criador, pois vos faz tantos benefícios, e portanto guardai-vos, irmãs minhas, do pecado de ingratidão e empregai sempre os meios de louvar a Deus".

Dizendo-lhes S. Francisco estas palavras, todos e todos estes passarinhos começaram a abrir os bicos, a estender os pescoços, e a abrir as asas, e a reverentemente inclinar as cabeças para o chão, e por seus atos e seus cantos a demonstrar que as palavras do santo pai lhes deram grandíssima alegria. E S. Francisco juntamente com elas se rejubilava, se deleitava, se maravilhava muito com tal multidão de pássaros e com a sua belíssima variedade e com a sua atenção e familiaridade; pelo que ele devotamente nelas louvava o Criador.

Finalmente, terminada a pregação, S. Francisco fez sobre elas o sinal-da-cruz e deu-lhes licença de partir; e então todas aquelas aves em bando se levantaram no ar com maravilhosos cantos; e depois, seguindo a cruz que S. Francisco fizera, dividiram-se em quatro grupos: um voou para o oriente e outro para o ocidente, o terceiro para o meio-dia, o quarto para o aquilão, e cada bando cantava maravilhosamente; significando que como por S. Francisco, gonfaloneiro da cruz de Cristo, lhes fora pregado e sobre elas feito o sinal-da-cruz, segundo o qual se dividiram, cantando, pelas quatro partes do mundo; assim a pregação da cruz de Cristo renovada por S. Francisco devia ser levada por ele e por seus irmãos a todo o mundo; os quais frades como os pássaros, nada de próprio possuindo neste mundo, confiam a vida unicamente à Providência de Deus.

I FIORETTI

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Santa Clara põe em fuga os Sarracenos


Aos dezoito anos, Santa Clara recebeu o habito religioso das mãos de São Francisco de Assis. Os pais, quando souberam que a filha abandonara o mundo para viver na mais perfeita pobreza, tudo fizeram para tira-la do convento. Clara apôs-lhes firme resistência, e com seu exemplo atraiu para seu gênero de vida a irmã mais moça, de quatorze anos, chamada Inês.
Com mais algumas moças, sob a direção de Clara, formou-se a primeira comunidade que, desenvolvendo-se cada vez mais, resultou na Ordem religiosa que se tornou celebérrima na Igreja Católica: a Ordem das Clarissas. Filhas da mais alta nobreza como das categorias mais humildes associaram-se a Santa Clara para viver na observância da castidade, pobreza e obediência. Na França, a bem-aventurada Isabel, irmã de São Luiz IX, consagrou-se a Deus, sob a regra de Santa Clara, num convento que ela mandou construir perto de Paris. Na Boêmia, a Bem-aventurada Inês recusou casar-se com o imperador Frederico II, para levar a vida de pobre Clarissa...
Grande foi a alegria de Santa Clara quando a própria mãe e outras parentas pediram admissão em sua ordem.
Obedecendo a Ordem de São Francisco, Santa Clara aceitou o cargo de superiora, e exerceu-o durante quarenta e dois anos.

AUSTERIDADES:
Santa Clara e suas filhas espirituais praticaram austeridades ate então desconhecidas entre as pessoas de seu sexo. Andavam de pés descalços, dormiam sobre a terra, guardavam abstinência perpetua, observavam o mais rigoroso silencio. Não contente com as mortificações gerais, Santa Clara levava sobre seu corpo um cilicio, jejuava no dia antecedente a todas as festas religiosas (que eram bem mais numerosas na Idade Media) e, em dois períodos do ano, não se alimentava senão de pão e água: desde a 4a. Feira de cinzas ate a Páscoa, e desde o dia 11 de novembro ate o Natal. E, nesses dois períodos, não tomava nenhum alimento as segundas, quartas e sextas-feiras.
Temendo por sua saúde, São Francisco de Assis ordenou-lhe que não passasse nenhum dia sem tomar pelo menos um pouco de alimento.
Apesar desse amor extraordinário pela penitencia, não se notava nela nada de sóbrio ou triste; o seu rosto, pelo contrario, era alegre e sereno, demostrando quando encontrava doçura em todas suas mortificações.

TERROR DOS SARRACENOS:

Por volta de 1239, a cidade de Assis foi sitiada pelos sarracenos e o convento das clarissas ficava nas portas da cidade. Os guerreiros já galgavam o muro, quando Santa Clara, que estava enferma, foi avisada. Levantou-se logo, dirigiu-se ao altar do SS.Sacramento, tomou nas mãos a custodia com a Sagrada Hóstia e, assim munida de Deus Nosso Senhor, dirigiu-lhe o seguinte apelo em voz alta: "Quereis, Senhor, entregar aos infiéis estas vossas servas indefesas, que nutri com vosso amor? Vinde em socorro de vossas servas, pois não as posso proteger". Após essas palavras, ouviu-se distintamente uma voz dizer: "Serei vossa proteção hoje e sempre". Enfrentando o invasor com o Santíssimo Sacramento em mãos, o efeito das palavras divinas se fez logo sentir: um pânico inexplicável se apoderou dos sarracenos: grande parte deles fugiram as pressas: alguns, que já haviam galgado o cimo do muro, caíram para trás. A intervenção de Santa Clara salvara o convento e a cidade do assalto inimigo.

Bibliografia: Pe. João Batista Lehmann, Sud - "Na Luz Perpetua", vol.II, Pag. 155 e ss.;Pe. Rohrbacher - "Vie des Saints", vol IV, pag 400 e ss.; Dom Gueranger - "L'Annee Liturgique" vol. IV, pag. 456 e ss.