Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O fingido e o verdadeiro morto

Os Fioretti (Pequenas flores) foram escritos em latim, no século XIII, recolhendo historietas e milagres que se contavam de Francisco de Assis. Também nasceram “Fioretti” em torno da vida de Antônio, de Lisboa ou de Pádua. O “Livro dos Milagres” foi escrito por Arnaldo de Serranno, na segunda metade do século XIV, dentro da visão e da mentalidade da época, que todos sabemos compreender. Selecionamos aqui “O fingido e o verdadeiro morto”.

Durante o seu giro missionário pelo Friuli e pela Ístria, Santo Antônio chegou aos arredores de Údine. Lá os franciscanos ainda não eram conhecidos. Ele mesmo era uma figura que suscitava mais desconfiança do que simpatia, mais aversão do que acolhimento.

Desejoso de pregar ao povo trepou numa árvore. Todavia, como referem as tardias tradições locais, em vez de provocar ao menos a curiosidade dos que se achegavam, causou entre o povo reações de insolência, caçoadas e insultos. O Santo jamais enfrentara tal situação na sua vida de pregador. Por isso, imitando o gesto de indignação ensinado por Cristo, sacudiu a poeira dos pés e se afastou.

Impressionado, o povo se arrependeu de sua aspereza e acabou abrindo o coração a uma sincera devoção para com o arauto de Cristo.

Passou então a Gemona, onde sua pregação colheu grandes frutos entre a população. Aquela gente o levou a erigir uma capela em honra da Virgem Santíssima. Para construí-la iniciaram-se os trabalhos numa atmosfera de intenso entusiasmo. As despesas, naturalmente, corriam por conta das esmolas livres dos devotos.

Um belo dia passou por aquelas paragens um agricultor guiando uma carroça. Antônio lhe pediu ajuda no transporte de pedras. Respondeu o camponês que não podia fazê-lo, porque, infelizmente, estava levando para o cemitério o corpo do seu próprio filho que jazia no fundo do carro. “Seja como dizeis”, replicou o Santo.

O vilão prosseguiu sua viagem. Chegando a uma distância onde não podia ser ouvido pelo homem de Deus, aproximou-se do rapaz e o despertou, para juntos rirem-se do frade. Mas o sorriso se lhe apagou súbito na boca, pois, por mais que o chamasse e sacudisse, o jovem não respondeu. Estava morto de fato.

Assaltado pelo remorso, o camponês zombeteiro apressou-se em retornar ao Santo, e, entre gemidos, lhe contou tudo. Antônio se enterneceu e confortou o pobre homem. Então, aproximando-se da carroça, com um sinal da cruz, devolveu o jovem à vida.

Fonte: Convento Santo Antonio

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Aniversário e Nunca teve um dia mau

Ontem o Blog fez mais um aniversário. Que Deus me dê forças para continuar fazendo meu trabalho. A todos desejo muita paz. Na foto a benção do Papa São Pio X. Vamos à nossa história de hoje:

Nunca teve um dia mau

O famoso místico Eckehart (1260-1329), certo dia, cumprimentou assim um mendigo assentado junto à porta da igreja:

— Bom-dia! Deus lhe dê um bom dia, meu irmão.

— Agradeço esse bom desejo. Mas até agora nunca tive um dia mau.

— Como foi possível isso? — perguntou assustado o mestre.

— Porque suportei todos os sofrimentos que Deus me mandou, por amor dele.

— Então, quem é você?

— Eu sou um rei.

— Se é rei, deve ter um reino. Onde está o seu reino?

— No meu coração.

— Então é um santo...

— Não sei se sou santo. Sei apenas que procurei sempre a Deus. Onde o achei, encontrei também a paz.

Fonte: Padre Pelágio.

sábado, 5 de abril de 2014

Tudo está bem, Senhora Marquesa!

Comentário inicial:

Há um estado de espírito no mundo moderno pelo qual as pessoas só pensam em si mesmas, não se importando ao que aconteça às outras pessoas. Se o mundo está caindo de pecado em pecado, que importa? O que importa é que eu tenho meu empreguinho, minha casinha e minha familinha... ou seja, o que importa sou eu... – é esse o pensamento que certos tipos de pessoas têm neste mundo moderno. Não foi sem alegria que encontrei esta musica do ano de 1935, uma canção francesa que apresenta bem essa característica do homem moderno: “O mundo está acabando, mas eu estou bem e, portanto está tudo bem”. Uma Marquesa, estando de viagem, telefona aos seus empregados para saber como andam as coisas, e a cada telefonema ela se assusta ainda mais. Transcrevo o original em francês, e depois coloco a tradução para o português, para que vocês possam acompanhar a musica no link abaixo:


Tout va très bien, Madame la Marquise

Allô, allô James !
Quelles nouvelles ?
Absente depuis quinze jours,
Au bout du fil
Je vous appelle ;
Que trouverai-je à mon retour ?

Tout va très bien, Madame la Marquise,
Tout va très bien, tout va très bien.
Pourtant, il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien :
Un incident, une bêtise,
La mort de votre jument grise,
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô Martin !
Quelles nouvelles ?
Ma jument gris' morte aujourd'hui !
Expliquez-moi
Cocher fidèle,
Comment cela s'est-il produit ,

Cela n'est rien, Madame la Marquise,
Cela n'est rien, tout va très bien.
Pourtant il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien :
Elle a péri
Dans l'incendie
Qui détruisit vos écuries.
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô Pascal !
Quelles nouvelles ?
Mes écuries ont donc brûlé ?
Expliquez-moi
Valet modèle,
Comment cela s'est-il passé ?

Cela n'est rien, Madame la Marquise,
Cela n'est rien, tout va très bien.
Pourtant il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien :
Si l'écurie brûla, Madame,
C'est qu'le château était en flammes.
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô Lucas !
Quelles nouvelles ?
Notre château est donc détruit !
Expliquez-moi
Car je chancelle
Comment cela s'est-il produit ?

Eh bien ! Voila, Madame la Marquise,
Apprenant qu'il était ruiné,
A pein' fut-il rev'nu de sa surprise
Que Monsieur le Marquis s'est suicidé,
Et c'est en ramassant la pelle
Qu'il renversa tout's les chandelles,
Mettant le feu à tout l'château
Qui s'consuma de bas en haut ;
Le vent soufflant sur l'incendie,
Le propagea sur l'écurie,
Et c'est ainsi qu'en un moment
On vit périr votre jument !
Mais, à part ça, Madame la Marquise,
Tout va très bien, tout va très bien.

TRADUÇÃO:

Alô, alô James!
O que de novo?
Ausente depois de quinze dias,
Na linha
Eu chamo-lhe;
O que vou encontrar no meu retorno?

Tudo vai muito bem, Senhora Marquesa,
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.
No entanto, devemos, devemos dizer-lhe,
Lamento uma coisinha de nada:
Um incidente, algo estúpido,
A morte de sua égua cinza,
Mas além disso, Senhora Marquesa,
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

Alô, alô Martin!
O que de novo?
Minha égua cinza, morreu hoje!
Explique-me
Cocheiro fiel,
Como foi que isso aconteceu,

Isso não é nada, Senhora Marquesa,
Isso não é nada, tudo vai muito bem.
No entanto, devemos, devemos dizer-lhe,
Lamento uma coisinha de nada:
Ela morreu
No incêndio
Que destruiu seus estábulos.
Mas, além disso, Senhora Marquesa
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

Alô, alô Pascal !
O que de novo?
Meus estábulos estavam tão queimados?
Explique-me
Modelo de Servo,
Como isso aconteceu?

Isso não é nada, Senhora Marquesa,
Isso não é nada, tudo vai muito bem.
No entanto, devemos, devemos dizer-lhe,
Lamento uma coisinha de nada:
Se o estábulo queima, Senhora,
É que o castelo estava em chamas.
Mas além disso, Senhora Marquesa
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

Olá, olá Lucas !
O que de novo?
Nosso castelo é destruído!
Explique-me
Porque eu cambaleio
Como isso aconteceu?

Bem! Eis, Senhora Marquesa,
Ao saber que ele estava em ruínas,
A pintura que recuperara para sua surpresa
O senhor marquês se suicidou,
E com a pá que tinha pego
Todas as velas que ele derrubou,
Ateando fogo ao castelo inteiro
Que se consome de baixo ao alto;
O vento que sopra sobre o fogo,
O propagou para o estábulo,
E, assim, num momento
Vimos perecer sua égua!
Mas além disso, Senhora Marquesa,
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

ACOMPANHE A MUSICA:

https://www.youtube.com/watch?v=T5WdpSPeQUE

quarta-feira, 19 de março de 2014

São João Câncio e os ladrões

Ia São João Câncio, certa vez, em peregrinação a Roma. Em meio de uma estrada deserta cai sobre ele uma quadrilha de ferozes salteadores que o despojam de sua bolsa que minguados haveres continha.

- Amigos – exclamou o santo – deixai-me agora prosseguir, em paz, a minha jornada.

Respondeu um dos ladrões:

- Só terás liberdade se nos entregares todo o ouro que levas.

- Sou pobre, asseguro-vos, nada mais me resta.

- Quem nos garantirá que não estás mentindo?

- Não sei mentir!

- Nesse caso, avia-te!

Retomou o santo o seu caminho como se nada houvesse acontecido, contente, sim, com a esmola que fizera, mas profundamente triste, até o fundo d’alma, com as negras ofensas que assim recebia da parte dos homens. Como fazia sempre, ofereceria, uma vez mais, o santo sacrifício pelos transviados, para que não desabasse sobre eles a justiça divina. Tinha vencido largo trecho da estrada como uma inesperada lembrança, enchendo-lhe de remorso o espírito, o fez parar. Esquecera-se de que levava, costuradas na fímbria do seu manto, algumas moedas. Sem mais hesitar, retrocedeu apressado e foi novamente ao lugar em que se achavam os bandidos.

Disse-lhes o santo ao chegar:

- Não me leveis a mal. Trago-vos aqui estas moedas. São vossas. Não me lembrava de que ainda as tinha comigo.

Diante de tão grande bondade e daquela incomparável candura, abranda-se o coração dos bandidos. Restituíram ao santo tudo o de que o haviam despojado, e deram-lhe, ainda, uma escolta fiel capaz de conduzi-lo a lugar seguro.

Autor: (E.V.M.)
Fonte: Lendas do Céu e da Terra

terça-feira, 11 de março de 2014

Um herói

Há alguns anos, uma pitoresca aldeia da Suíça foi destruída pelo fogo. Em poucas horas as lindas vivendas eram, pelas chamas, reduzidas a escombros.

Passando o furor do incêndio um dos moradores achava-se tomado de grande desespero. Já não possuía sua casa e suas vacas e, para cúmulo da desgraça, desaparecera o seu filhinho, um menino de sete anos. O pobre homem chorava sem cessar, recusando ouvir qualquer palavra de conforto. Passou toda a noite tristemente entre as ruínas do seu lar.

Quando apareceram os primeiros alvores da madrugada, ouviu um som bem conhecido e, olhando para a estrada, viu sua vaca favorita, que conduzia todas as outras e, atrás delas, seu filho querido.

- Meu filho, meu filho! – exclamou ele. – Como conseguiste escapar do incêndio?

- Muito simples papai. Quando vi o fogo, tratei logo de reunir as vacas e levei-as para o campo.

- Tu és um herói, meu filho! – proclamou, orgulhoso, o pai.

- Oh! Não, papai. Herói é aquele que pratica algum ato de valor. Eu levei as vacas para o campo somente porque as vi em perigo; sabia que era a única coisa acertada a fazer.

- Pois meu filho – tornou o pai – aquele que faz coisa acertada e tempo oportuno, é um herói.

Fonte: Lendas do Céu e da Terra
Foto: Pintura de Robert Duncan

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O santo e o impostor

Havendo um impostor querido fazer-se passar por São Francisco Borja, foi condenado às galés.

Ao ouvir relatar o caso quedou-se muito admirado o grande santo e observou:

- Parece insensato esse homem que julga honra vestir a figura e fazer o maior papel do maior dos pecadores.

E acrescentou:

- Se ele mereceu galés só por usurpar o nome de um pecador, que mereço eu que o tenho na realidade?

Tais palavras revelam grande humildade de espírito.

A humildade é a base de toda a vida espiritual e constitui, com a mortificação, as duas colunas do templo interior. Ninguém está dispensado de a praticar, senão que é dever ainda mais imperioso para a alma que Deus cumulou de graças de escol. Para essa, a humildade devia ascender ao grau do heroísmo, pois que o abismo é enorme entre sua própria imperfeição e os benefícios recebidos.

Nosso Senhor praticou a humildade. Foi humilde de coração, humilde em toda a sua vida. Os homens infligiram-lhe humilhações sem número suportadas com inefável doçura, sofridas com admirável nobreza. Abriu-nos o caminho para o verdadeiro desprendimento, e aí, como em tudo, Ele é nosso modelo, o exemplo perfeito que devemos seguir, mesmo de longe.

Fonte: Lendas do Céu e da Terra

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A taça transbordante

Contam que um califa de Bagdá tinha um filho, já moço, muito acanhado e tímido. Não saía à rua para que o não vissem e dessem tento do seu modo de andar e o apontassem como sucessor do rei.

O pai, a quem muito mortificava a timidez do filho, um dia chamou-o e disse-lhe:

- Toma esta taça de cristal. Hás de leva-la com água a transbordar, desde este palácio até a mesquita, sem contudo entornares uma gota sequer. É essa a minha ordem. Muito triste ficarei se me desobedeceres!

Pelas longas e tortuosas ruas sai o moço a caminhar com imensa cautela, completamente alheio ao rebuliço da massa popular e indiferente aos olhares dos curiosos espectadores. Era preciso obedecer a seu pai. E ele fez exatamente como lhe fora ordenado. Tornando a casa, perguntou-lhe o rei se havia notado a curiosidade dos transeuntes.

- Com me seria possível fazê-lo – respondeu – tendo na mão a taça a transbordar?

Assim também, se tu, meu bom amigo, andasses pela vida preocupado com uma taça a transbordar, afastaria de ti o respeito humano e caminharias pela estrada do dever com tranqüila confiança. Ora, essa taça mais frágil que o vidro, mas que deve absorver os teus sentidos, é a tua alma de cristão. E se possuis essa preciosa e delicada taça e desejas transportá-la, por que emprestar tanta importância aos olhares e críticas dos transeuntes que querem perturbar a tua jornada gloriosa pela vida?

Fonte: Lendas do Céu e da Terra - Malba Tahan

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Intimação não atendida, ameaça cumprida

No dia da Ascenção de Nosso Senhor do ano de 1429, os ingleses defensores de Orleans receberam de Santa Joana D’Arc a seguinte intimação:

- A Vós, ingleses, que não tendes nenhum direito sobre este Reino de França, o Rei dos Céus vos ordena e intima por mim, Jeanne la Pucelle: retirai-vos de vossas fortalezas e retornai a vosso país, pois senão vos farei tal mortandade que dela as guardará perpétua memória. Eis o que vos escrevo pela terceira e última vez, e não mais escreverei.

Assinado: Jesus, Maria e Jeanne la Pucelle

Os ingleses se dispensaram de responder à intimação. No dia seguinte, 8 de maio, após violento assalto, Santa Joana D’Arc entrava vitoriosa em Orleans.O cerco da praça forte durara apenas 8 dias.

“Vie et Mort de Jeanne D’Arc”
Regine Pernoud

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Papa que menos falou

Entre todos os Papas, Clemente XIV foi quem falou menos e quem mais praticou a austeridade. Foi tão pobre que "escandalizou" os romanos.

Antes de ser eleito Papa, chamava-se Lourenço Ganganelli.

Freqüentes vezes foi tido por um simples Irmão leigo. Certa vez um visitante fez a seguinte observação: "Quanta sabedoria nesse frade! É pena que uma pessoa com a sua inteligência e memória prodigiosa, não tenha estudado, devendo ser a vida inteira um simples irmão leigo. Se tivesse estudado, sabe Deus o que poderia ser mais tarde". Frei Lourenço sorriu, mas não se revelou.

Depois de eleito Papa, o bom Frei Lourenço não mudou em nada seus hábitos de vida austera e modesta. Preferiu continuar como simples frade, mesmo no meio da esplêndida corte pontifícia. Sua comida era preparada por um Irmão da sua Ordem Religiosa.

Quando alguém lhe dizia que convinha ter um padrão de vida à altura de um Papa, ele respondia: O que vocês querem? São Pedro e São Francisco não me ensinaram a comer com luxo e cerimônia.

Uma princesa perguntou se ele combinava bem com seus secretários. Ele respondeu, mostrando os dedos das mãos:

"Não tenho queixas. E são dez ao todo". Na sua simplicidade, Clemente XIV dispensou até os secretários.

Clemente XIV (1705-1774) — Um dos santos contemporâneos foi Santo Afonso Maria de Ligório, seu amigo e confidente. Ele dizia sempre: A alegria não nos deixa envelhecer. Antes, conserva no semblante um ar de serenidade e paz.

Fonte: Boletim do Padre Pelágio

sábado, 1 de fevereiro de 2014

A menina dos fósforos

Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre menina seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços.

É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.

Por isso, a menina seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando:

— Quem compra fósforos bons e baratos?

Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre menina! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava.

Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa água-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores.

Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um só, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fogão de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e o fogão desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão.

Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a menina viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de louças finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e purê de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da menina.

O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria.

E acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela.

A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direcção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz.

- Foi alguém que morreu - pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muita vez: “Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.”

Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!

— Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda.

Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.

Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma menina, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… morta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos.

— Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém.

Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo.

Hans Christian Andersen
Os melhores contos de Andersen
Editora Verbo, s/d

domingo, 26 de janeiro de 2014

O lar de Deus

Pergunta, meu amigo, àquele homem qual é o lugar mais agradável do mundo. Decerto responderá:

- O meu lar. É ali que me sinto realmente feliz.

Pois bem, meu amigo, o lar de Deus é sua Igreja. Lá, vou encontrá-Lo. Sinto-me bem ao Seu lado. Comunico-me com Ele.

Davi disse: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor”.

Deus chamou à Igreja, o lar de Deus, onde recebo força para brilhar entre os homens, porque Jesus ordenou: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens. Para que vejam as vossas obras, e glorifiquem vosso Pai que estás nos céus”.

Na Igreja, falo com Deus pela voz da prece e Ele fala comigo pela Sua palavra. Aprendo lá como viver, como louvar o Seu nome e como trabalhar – cooperando com Ele.

Escreveu Jackson de Figueiredo:

“Só vejo no mundo um ideal à altura de uma verdadeira consciência: servir à Igreja, defendê-la, espalhar cada vez mais o seu espírito, aponta-la como único refúgio da bondade e do amor, como única força, como amparo, único realmente seguro, à inteligência e à sensibilidade”.

Nunca te arrependerás:
De teres refreado a língua, quando pretendias dizer o que não convinha ou o que não era verdade.
De teres formando o melhor conceito sobre o proceder de outrem.
De teres perdoado aos que te fizeram mal.
De teres contribuído para o sustento da tua Igreja e obras de beneficência.
De teres cumprido pontualmente tuas promessas bem pensadas.
De teres suportado com paciência as faltas alheias.
De teres simpatizado com os oprimidos.
De teres pedido perdão por falta cometida.
De teres recusado ouvir anedotas inconvenientes e ler escritos da mesma natureza.
De teres escolhido, com prazer, pensamentos, discursos e leituras edificantes.
De teres pensado antes de falar.
De teres honrado a teus pais e superiores.
De teres sido cortes e honesto em tudo e com todos.

(C.C.M.S.) – Lendas do Céu e da Terra.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A simplicidade que traz alegria

Um dia o tédio vem. Imaginemos uma família, onde cada um só pensa em si mesmo, a moral é ditada pela matéria, sem religião, sem amor. A mãe só tem pensamentos no luxo da vida e nas futilidades do dia-a-dia. O pai, grande e velho empresário, só tem atenção para o dinheiro que vai ganhar e para o futebol. Os filhos, coitados, sem qualquer atenção ou formação moral, são educados pelo “mundo”, entre as arrogâncias que fazem questão de portar. Que família é essa!!!

Um dia o tédio vem. E foi assim que num desses dias, entediado o velho e grande empresário, saiu de sua casa para trabalhar em seu carro, com os vidros escuros fechados, desfrutando os “sabores” do ar condicionado. Frustrado com o seu cotidiano começou a pensar que tinha tudo, mas faltava-lhe a felicidade. Estava sempre rodeado de pessoas, mas faltava-lhe amigos. Tinha uma família, mas lhe faltava amor. Que vida é essa!!!

Ao chegar perto do cruzamento, fechou o farol e ele teve que parar. Observou que havia uma menina muito pobre com um tabuleiro de doces, oferecendo seu produto de carro em carro. Observou bem e achou muito bonito e gracioso o vestidinho que usava aquela pequena criança.

Entediado das pessoas que costumeiramente o cercam, resolveu abrir o vidro e talvez comprar um chocolate daquela menina pobrezinha, não porque queria comer, mas para se distrair um pouco.

Ao se aproximar do automóvel, vendo o rosto sério e entediado do empresário, a menina lhe perguntou:

- Qual a capital da Paraíba?

Por essa ele não esperava. Pensava em comprar um chocolate e ganhou um sorriso e amabilidade por parte da menina. Brotou um sorriso espontâneo na face do empresário que respondeu:

- João Pessoa.

- Compre um chocolate que eu saio “numa boa” – respondeu com rima a pequena menina.

Isso fez o empresário dar um sorriso ainda maior.

Vendo que ele estava gostando, mas não comprava nada, a menina insistiu:

- Qual é a capital do Piauí?

Já todo sorridente o empresário respondeu:

- Teresina.

- Então compre um chiclete que eu saio “de fina” – respondeu sorrindo a menina.

Isso fez com que o empresário desse uma boa risada.

Olhando para o carro muito elegante do empresário, e percebendo se tratar de gente que tem muito dinheiro, a menina continuou:

- Qual a capital de Pernambuco?

O empresário estava gostando desse diálogo tão relaxante e descontraído:

- Recife.

- Então compre logo tudo e mostre que tem “cacife” – imediatamente respondeu a menina.

Com um largo sorriso o empresário perguntou quanto custava todo o tabuleiro. E a menina respondeu que tudo custava cinqüenta reais... Tão pouco para tão grande conforto dado ao empresário que imediatamente comprou tudo o que ela estava vendendo.

A menina pegou o dinheiro, dobrou e colocou na sua bolsinha, e foi embora feliz. Curioso o empresário estacionou o carro e viu que a menina tinha entrado numa Igreja que havia no meio do quarteirão. Pensou: “o que aquela menina faria dentro daquela Igreja?”, e resolveu segui-la.

Desceu do carro e foi atrás da menina dentro da Igreja. Só que na Igreja não havia ninguém. O empresário inconformado procurou a menina por todos os cantos e altares da Igreja e não a encontrou. Onde foi parar a menina? Sentou num banco e começou a notar melhor o ambiente em que estava. Era o interior da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora. Aquela calma, aquele silêncio, aquele ambiente falavam mais em sua alma do que o maior e mais eloquente dos discursos. Eram palavras de paz, de amor, de silêncio. Sentia tranqüilidade. Parecia que todos os seus problemas haviam sumido. Somente então percebeu que nesse marasmo do mundo moderno, somente quem tem a Deus é que é feliz. Disse para si mesmo: Deus existe verdadeiramente, e talvez tenha enviado um anjo para me atrair para a Igreja e trazer-me a paz e a calma do espírito.

Recebido pela Internet, desconheço o autor.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O saber e a ciência

"Não presumas de alta sabedoria, mas confessa a tua ignorância" (Rom. XI, 20).

Dizia São Gregório Magno: "O sinal mais certo da condenação de uma alma é o orgulho".

Há muitos homens – disse São Bernardo – que querem saber só para saber, e é curiosidade; há outros que querem saber para serem conhecidos por sábios, e é vaidade; outros que querem saber para vender o que sabem, e é interesse; outros que querem saber para edificar o próximo, e é caridade; e, finalmente, há outros que querem saber para edificar-se a si mesmo, e é prudência.

Não deixa a ciência de ter suas vantagens, pois que vem de Deus; mas esconde ela um grande laço e uma grande tentação: “A ciência envaidece”, diz São Paulo, “alimenta a soberba, inspira uma secreta preferência de si próprio e, ao mesmo tempo, louca porque a mais vasta ciência não é mais que um outro gênero de ignorância e a verdadeira perfeição consiste unicamente nas disposições do coração”.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A mentira

Um padre, ao fazer seu sermão costumeiro, anunciou:

- Meus filhos, no próximo domingo falarei sobre a mentira. Para isso gostaria que vocês recordassem o que diz o oitavo mandamento: “Não levantar falso testemunho”, bem como gostaria muito que lessem o capítulo 17 do Evangelho de São Marcos!

Assim, passou-se a semana e chegou o domingo.

No momento da homilia, o padre assim falou:

- A mentira é um problema muito sério e muito atual. O oitavo mandamento da Lei de Deus proíbe que se falem mentiras. A mentira é uma coisa muito feia. Vamos analisar isso à Luz do Evangelho: Quem leu o capítulo 17 do evangelho de São Marcos, como eu pedi no domingo passado?

Todos ergueram a mão, afirmativamente.

Sorrindo maliciosamente, disse o vigário:

- Eu tinha razão ao dizer que a mentira é um problema atual.

E acrescentou marcando bem as palavras: 

- O capítulo 17 não existe no Evangelho de São Marcos.

(Desconheço o autor.)
Foto do site das Paróquias da Sé e S. Vicente

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Flores para Nossa Senhora

Vivia em Paris uma senhora piedosa e muito devota de Maria Santíssima. Era o seu prazer enfeitar a imagem de Nossa Senhora com lindas flores naturais.

Seu marido, homem sem crença, trazia, entretanto, nos sábados, flores para que sua esposa tivesse o prazer de colocá-las diante da imagem da Virgem.

Aconteceu, porém, que o homem morreu repentinamente sem ter tempo de receber os santos Sacramentos. Grande foi a dor da viúva que, conhecendo bem as prescrições da santa religião, temia pela salvação do marido.

Na sua aflição procurou o santo cura d’Ars, João Vianney. Este, recebendo-a, antes de ouvir uma palavra dela disse:

“Minha filha, console-se; a alma do seu marido está salva; Nossa Senhora, recompensando-lhe as flores que oferecia nos sábados, alcançou-lhe a graça de contrição perfeita de maneira que recebeu na última hora o perdão dos seus pecados”.

Oh ! como Maria é boa ! Recompensa divinamente umas poucas flores !

(Texto extraído da revista “O CALVÁRIO”, dos padres passionistas, número 03, de março de 1961 - Ano XL)

domingo, 17 de novembro de 2013

A Princesinha e a Lua

A Lua tem servido de inspiração para os poetas, para os contemplativos, para os que gostam da noite... A noite, com seu silêncio quase completo, nos prepara para meditar, e a Lua realmente toma um sentido muito especial. O que teria a Lua de tão especial para encantar as pessoas? Esse pequeno conto irá mostrar o encanto que a inocência vê na Lua.

Há alguns anos atrás os produtos “made in China”, coloridos, bonitinhos e de preços muito baixo, foram vendidos em grandes quantidades. Depois de um certo tempo veio a decepção: as indústrias brasileiras deixaram de produzir porque não conseguiam competir com o trabalho escravo na China, houve desemprego e queda na qualidade do que se comprava. Além do mais, totalmente descartáveis e de curta duração, os produtos “made in China” tinham um único destino: “quebrou, jogue fora e compre outro”, acabando inclusive com o trabalho artesanal de artistas que viviam dos consertos. Quem conheceu o “Lanifício Santa Branca” e o tecido que lá era produzido, inclusive uma lã de altíssima qualidade, teve que trocar seu hábito comprando roupas de microfibra ou de plástico “made in China”, pois o Lanifício fechou. Que pena! Os meus escapulários todos foram feitos da pura lã do Lanifício Santa Branca. Ainda tenho guardado um pedaço de lã.

Mas nem sempre foi assim. Antes da China ser comunista, havia o Grande Imperador. A China produzia uma seda de altíssima qualidade, disputada mundialmente, muito melhor do que a Seda produzida na Ilha de Java (Seda Javanesa). Também havia na China porcelanas finíssimas, que custavam um bom preço no mercado internacional. As pinturas das porcelanas eram verdadeiras obras de arte. Já ouviram falar nas porcelanas da Dinastia Ming? O Grande Império Ming governou a China do ano de 1368 até 1644. Ainda hoje se encontram essas porcelanas em antiquários especializados: belíssimas.

Nessa época gloriosa da China, quando havia Imperadores, aconteceu um fato que entrou na tradição das histórias transmitidas pelas gerações. Não se sabe a data, nem o nome do Imperador, mas a tradição confirma a existência da princesinha, filha do Grande Imperador, cujo episódio pode ocorrer com todas as crianças do mundo...

A filha do Grande Imperador havia ficado doente. Preocupadíssimo o Grande Imperador mandou primeiramente chamar todos os médicos famosos da China, e depois os médicos estrangeiros. Mas ninguém conseguia diagnosticar aquela doença terrível pela qual passava a doce criança. O tempo passava e ninguém conseguia, ao menos, diagnosticar o que a princesinha realmente tinha.

Sentia-se abatida, se alimentava pouco, andava tristonha e quase sempre ficava deitada no seu quarto. O que poderia ter aquela criança linda e inocente?

O Imperador mandou chamar sábios para estudar a situação, já que os médicos não tiveram êxito. Questionada pelos sábios, a princesinha dizia:

- Eu quero a Lua.

Os sábios fizeram o relato ao Imperador, chegando a conclusão que a princesinha já estava delirando, pedindo algo impossível, era fruto da doença desconhecida.

Passava o tempo e a princesinha continuava abatida com sua doença que lhe dava muita tristeza. O Imperador da China via sua filha nessa situação e se sentia impotente, pois nenhum médico ou sábio adivinhava que doença atingira a princesinha.

Esse fato era notícia por toda a China. Não só o Imperador, mas todo o povo estava entristecido pelo infortúnio da princesinha, tão nova e tão doente. Não se falava de outra coisa senão da preocupação do Imperador e da doença da princesinha que lhe causava muita tristeza. A China inteira definhava.

Mas o que a inocência não cura? Onde os grandes médicos nada puderam fazer, as coisas que os grandes sábios não puderam decifrar, a inocência pode tudo. Vejam o que aconteceu.

Ocorre que um dia, seu irmão mais velho, o principezinho chinês, pediu permissão para entrar no quarto da princesinha para visita-la, como sempre fazia, mas dessa vez entrou vestido com seu traje de guerra com espada e tudo mais.

Sentou-se nos pés da cama da princesinha, olhou bem para sua irmãzinha triste, magra e quieta e lhe perguntou com soberania heróica:

- O que sentes minha irmã? Em que posso lhe aliviar sua dor? Estou disposto a guerrear contra sua doença incurável... E sei que vencerei.

A princesinha olhando bem inocentemente para o seu irmão, disse-lhe:

- Eu tenho uma doença de tristeza. Mas sei que só um remédio iria me curar.

Então o príncipe mais de depressa respondeu:

- Diga logo, minha irmã. Pois como príncipe, não tenho medo de nada e tudo farei para trazer o remédio para você.

Ao que a princesinha disse:

- Sabe o que é? Eu sei, e tenho certeza disso, que se eu receber um presente eu ficarei curada....

- Um presente? – indagou o principezinho, seu irmão mais velho.

Ao que ela respondeu:

- Sim, um presente. Mas me entristeço em saber que tal presente é impossível, como me disseram os conselheiros do Imperador. Por isso sei que minha doença de tristeza é incurável.

- Diga, minha irmã – logo sacando a espada de principezinho – pois nada e ninguém haverão de impedir meu caminho para que eu, com minha coragem, não possa lhe trazer.

Os olhos da princesinha encheram-se de lágrimas:

- Meu heróico irmão, nada podes fazer. Pois eu amo demais a Lua. Ao entardecer eu fico na minha janela vendo aquela Lua, às vezes prateada, às vezes dourada, subindo atrás dos galhos secos dessa velha árvore, tendo por fundo o horizonte azul. Que linda é a Lua. Cheguei à conclusão de que não posso viver sem a Lua. Quero ela para mim. Esse é o presente que eu quero tanto. E todos os conselheiros do Imperador me disseram que isso é impossível.

Foi então que os olhos do irmão se arregalaram:

- A lua? Mas como irei dar-te a lua?

A princesinha suspirou e disse:

- Não disse meu irmão, que minha doença seria incurável?

O principezinho, se despediu da irmã, dizendo que iria pensar sobre o que deveria fazer. Saiu do quarto da princesinha e começou a pensar, a andar, a ficar impaciente e ainda a pensar mais e mais.

Saiu pelas ruas da China em busca de alguma solução para a triste doença de sua irmãzinha.

Numa das ruas tortuosas repletas do comércio chinês, entre sedas, vasos e perfumes, o principezinho parou diante de uma tenda de jóias e viu algo que fizeram seus olhos brilhar. Uma bolinha redondinha, de prata polida, com uma correntinha de por no pescoço, toda trabalhada, muito bem feita. Pensou:

Se eu comprar esse presente, posso dar para minha irmã, e dizer que é a lua, assim ela ficará curada. E assim pensando, assim fez. Mandou colocar o presente numa caixa de madeira bonita, embrulhou com duas tiras de seda colorida e um laço final deu o arremate. Um presente digno de uma princesa.

Pegou o presente, saiu correndo e logo entrou no quarto da princesinha. Sacou a pequena espada de sua cintura e disse:

- Nada me impediria de te trazer a cura. E entregou-lhe o pacote.

A princesinha logo sentou na cama, e rapidamente abriu aquela caixinha tão bonita. Não demorou muito para que o sorriso iluminasse aquele rostinho inocente de criança-princesa. Era a lua que ela tanto queria. Colocou a correntinha no pescoço e disse ao irmão que jamais deixaria de usa-la.

- Viva! Estou curada... estou até com fome...

Porém, um fato espantoso aconteceu. Estava já no entardecer. E o principezinho pensou:

Epa! Está entardecendo. A Lua logo vai nascer. Se eu não fechar a janela do quarto de minha irmã, ela irá ver a Lua verdadeira. Então saberá que foi enganada e que eu cometi uma fraude, e ela voltará a ficar doente.

Então, enquanto a irmã se distraía vendo a pequena lua pendurada no seu pescoço, o principezinho foi bem rápido e disfarçadamente fechar a janela. Mas ao pegar nas portas da janela de madeira, ouviu uns passos e virou para traz. Sua irmã estava atrás dele sorrindo, vendo a lua nascer do lado de fora da janela.

Então o principezinho olhou para ela e olhou para a Lua e ficou preocupado. Mas vendo que ela sorria, lhe perguntou:

- Você está vendo a lua lá fora?

- Sim – respondeu a princesa – eu gosto dela.

- Mas como a lua pode estar lá fora e no seu pescoço ao mesmo tempo? Responda-me isso?

Ao que respondeu inocentemente a princesinha:

- Vocês, gente grande não sabem nada. A lua é como dente de nenê. Quando cai um nasce outro em seu lugar. E continuou sorrindo e contente com o presente, e acima de tudo ficou totalmente curada.

O principezinho ficou aliviado e sorrindo foi contar ao pai todo o ocorrido, inclusive para ele pagar o valor da “compra da lua” que o principezinho mandou colocar na conta do Imperador. E assim o Grande Imperador ficou feliz e toda a China festejou a cura da princesinha.

Autor desconhecido.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O hipócrita

Há muitos anos, numa grande exposição de pinturas, realizada em Londres, um artista apresentou um quadro que lhe deu farta notoriedade.

Quem observasse, de relance, a pintura, tinha impressão de que ela representava um homem de fisionomia serena ajoelhado, tranqüilo, em atitude de prece, as mãos postas e a cabeça baixa.

Aproximando-se, porém, da tela, e procurando distinguir bem os traços do indivíduo, verificava-se, com espanto, que o artista, graças a um artifício inimitável, fixara um homem de rosto irascível, que espremia um limão dentro de um copo. O genial pintor conseguira naquela arrojada fantasia simbolizar o coração do hipócrita.

Na verdade, superficialmente examinado, o hipócrita surge aos nossos olhos como um indivíduo piedoso, os olhos voltados para Deus; mas tudo nele é falso. Quando não finge piedade, outra coisa não faz senão espremer no copo do vício o limão do Pecado.

Os hipócritas não servem a Deus; servem-se, porém, de Deus, para enganar os homens.

O hipócrita é um santo pintado: tem as mãos postas, mas não ora; o livro diante dos olhos, mas não lê.

O pior dos homens é aquele que sendo mau quer passar por bom; sendo infame gaba-se de virtude e pundonor.

A cartilha dos maldizentes foi sempre hipocrisia. O hipócrita, como as abelhas, tem mel nos lábios, mas traz oculto o aguilhão.

Se o mundo despreza o hipócrita, o que pensarão dele no céu?

Devemos, a todo momento, fugir do hipócrita e do falso amigo.

Um falso amigo, semelhante a um homem perverso, é mais perigoso que um fabricante de moeda falsa: este faz mal aos nossos bens de fortuna, aquele expõe-nos a mil desgraças em tudo quanto nos diz respeito. O que encontra um falso amigo cai na maior desgraça, tanto mais lamentável quanto é por nós menos conhecido.

Um sábio da Antiguidade costumava dizer: “Dos meus inimigos defendo-me eu mesmo; porém, dos falsos amigos, só Deus de poderá defender”.

Autor: (D.)
Lendas do Céu e da Terra

domingo, 3 de novembro de 2013

César e o barqueiro

Era no tempo em que Roma não conhecia inimigo temível.

Nas praias do Adriático, em miseráveis tugúrios que o vento açoitava sem piedade, alguns barqueiros endurecidos no rude mister do mar selvagem escondiam sua penosa pobreza longe da opulência dos Césares, senhores da Cidade Eterna.

Um dia, um homem se aproxima deles. Pede um barco, manda que se preparem víveres, promete pagar para que o transportem através do mar. Em vão os barqueiros fazem-no ver que o mar está agitado e a tempestade iminente. O desconhecido quer partir de qualquer modo e de tal sorte insiste e ordena que não se lhe pode recusar, porque traz na voz, no gesto, o que quer que intimida e subjuga.

Embarcam. A noite desce, o vento sopra enfurecido e logo desencadeia infrene temporal. A pequena embarcação é jogada como casca de noz. A cada momento as ondas escancaram-lhe as fauces ameaçando submergi-las. O desconhecido emudece e, envolto em seu longo manto, deixa-se ficar impassível perto de leme, indiferente ao perigo que o ronda.

Por muito tempo os barqueiros remaram e lutaram desesperados contra as vagas. Por fim, o desânimo os avassala e paralisa-lhes os músculos de ferro.

Ao notar que o pavor se apoderava dos tripulantes, o misterioso personagem dirigiu-se a um deles e exclamou com energia:

- Que é isso? Estás com medo? Nada temas, barqueiro! César vai a bordo!

Que extraordinária surpresa para a tripulação! Em verdade, conduziam Júlio César, o grande ditador romano, o famoso conquistador das Gálias.

Desse momento em diante, cessaram seus temores, a esperança renasceu. Tinham fé nesse homem extraordinário e no seu poder invencível; bem sabiam que em diversas ocasiões, sua presença salvara centenas de soldados das mais terríveis situações, e por isso crêem que, com ele, não podem parecer. Inclinam-se com renovada coragem sobre os remos. Mais tarde o vento cede, o mar acalma-se, a noite medonha se dissipa e passa, o dia chega.

É certo que os barqueiros do Adriático não ignoravam a existência de César, e isto não lhes servia de nada em suas aflições. Mas do momento em que sabem que o poderoso rival de Pompeu está com eles no barco, que suas vidas miseráveis estão indissoluvelmente ligadas à preciosa vida dele, a esperança, a certeza da salvação dão-lhes fresco alento. Nada mudou exteriormente; o perigo é mesmo, mas tudo sofreu incrível mudança interior. Foi a confiança que voltou.

Nossa confiança em Deus deve ser firme como a montanha que não pode ser assolada por nenhum vendaval.

Ainda que tudo te pareça perdido, conserva tua confiança em Deus, que Ele te salvará.

Todo aquele que confia em Deus, sem temor, enfrenta a vida.

Eis a sentença admirável de São Paulo:

“Tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Ó Deus, nosso refúgio e amparo, que és o autor de toda a piedade; sê pronto; concede as coisas que pedimos com fé, por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Autor: (D.)
Fonte: Lendas do Céu e da Terra
Foto retirada da internet.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Quase morreu, se o anjo não a salvasse

Desde muitos anos eu tenho uma devoção aos Santos Anjos e em especial a São Miguel Arcanjo. Já li muitas histórias a respeito desses mensageiros de Deus. Esses maravilhosos seres angélicos acompanham os homens, vêem a movimentação da terra, e se entristecem quando o homem é ingrato a Deus.

Não tenho o hábito de ler revistas, mas às vezes leio algumas. Recentemente veio parar em minhas mãos a notícia de uma revista que há muito tempo eu não via: "Família Cristã". Entre as matérias que eu pude ver, uma me chamou a atenção de forma especial. Transcrevo parte da reportagem:

[...]
Era por volta das 18 horas do dia 10 de janeiro de 2011 quando a analista de Recursos Humanos Aline Alves estava parada para atravessar a rua, na esquina entre as ruas 24 de Maio e Barão do Bom Retiro, no bairro do Engenho Novo, Rio de Janeiro (RJ), até que aconteceu algo inesperado.

“Estava parada a poucos metros do semáforo, quando veio uma senhorinha na minha direção e perguntou se eu poderia ajudá-la a atravessá-la na faixa de pedestres. A princípio hesitei, porque eu não queria caminhar até a faixa e, como a mulher andava com dificuldade, isso me atrasaria. Mas acabei cedendo. Enquanto esperávamos o sinal fechar, um ônibus não conseguiu fazer a curva e subiu a calçada no exato lugar onde eu estava parada antes”, relata a jovem, que se emociona só de lembrar.

“Comecei a tremer vendo a cena e me esqueci da velhinha. Até hoje não sei pra que lado que ela foi. Já voltei várias vezes ao lugar, atrás dela, perguntei a algumas pessoas, mas ninguém diz ter visto uma pessoa com as descrições que dei. A única coisa que sei é que se não fosse aquele santo anjo eu teria sido atropelada ou até mesmo morta com o tamanho do acidente”, completou.
[...]

Família Cristã 921 - Set/2012
Inserido por: Família Cristã
Fonte: Revista Família Cristã Data de publicação: 02/10/2013
http://www.paulinas.org.br/familia-crista/pt-br/?system=news&action=read&id=5103

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A luz da candeia

Ensinava o santo abade João a um velho monge, mas este, pouco favorecido pela memória, depressa lhe esquecia as lições. Receoso, entretanto, de enfadar o santo com repetidas perguntas, não ousava buscar novos esclarecimentos para as suas dúvidas.

Um dia o bondoso abade, dando tento da timidez e da delicadeza exagerada do monge, ordenou-lhe que acendesse uma candeia e, com esta, uma outra; e logo lhe perguntou:

- Essa candeia, que acendeu a outra, perdeu alguma coisa de seu brilho ou ficou desmerecida em seu lume?

Respondeu o discípulo:

- Não, padre.

Tornou o santo:

- Pois venham a mim centenas de discípulos com mil perguntas e não perderei a menor parcela da luz da caridade divina.

Aparecestes, luz divina, àquele que estava como em trevas de pecados; aparecei, também, a meu espírito quando leio e medito vossa palavra na Sagrada Escritura. Ó luz divina que nunca escureceis, ó resplendor celeste que nunca tendes treva, ó dia formoso que nunca anoiteceis, ó sol rutilante que não tendes ocaso, caminhai com vossa formosura e entrai nesta alma que está desejosa de vossa claridade; enchei-a de vosso clarão divino para que em vós entenda a verdade, por vós a pratique, e goze de vós que sois a eterna verdade.

Favorecei-nos, misericordioso Deus, na nossa salvação, com o Vosso auxílio, a fim de que meditemos agradecidos nos portentosos eventos pelos quais nos outorgastes vidas e imortalidade. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor, Amém.

Autor: (D.) – Lendas do Céu e da Terra

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Os Sermões

Uma das coisas que eu gostei muito, foi o fato de ter lido boa parte dos Sermões do Padre Antonio Vieira. E um em especial me chamou a atenção: o sermão da sexagésima.

Transcrevo parte desse sermão:

Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. 

Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos: há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há-de concorrer Deus com a graça, alumiando. 

Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. 

Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. 

Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, e necessária luz e é necessário espelho. 

O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. 

Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?

Padre Antonio Vieira – Sermão da Sexagésima

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O orgulhoso

Jamais pensei que eu fosse presenciar semelhante cena. E me impressionei tanto que faço destas poucas palavras minha postagem de hoje.

Entre os pecados que mais afasta as pessoas de Deus é o orgulho. Quando a pessoa é humilde e peca, fica fácil dobrar os joelhos e pedir perdão, mas quando o pecador é orgulhoso não admite reprimenda. 

O orgulhoso causa escândalo e pouco se importa, porque está cego no seu orgulho.

Pior do que isso, é que o orgulhoso reúne em torno de si todos os outros que também são maus, porque os semelhantes se atraem.

Lembrei-me do Livro do Eclesiástico:

“Não há nenhuma cura para a assembléia dos soberbos, pois sem que o saibam, o caule do pecado se enraíza neles.” (Bíblia Sagrada – Livro do Eclesiástico, capítulo 3, versículo 30)

domingo, 18 de agosto de 2013

Alma verdadeiramente cristã

As pessoas bem-dotadas procuram todas as oportunidades para agradar e servir a seus semelhantes.

Se um presente enviam a um amigo, é um livro que inspira e anima. Se conversam com uma criança, é para dizer-lhe algo que a eleve e nobilite.

Se lhes cabe dirigir uma palavra a um doente, essa palavra é de encorajamento e conforto.

Se narram um caso, ou relembram um episódio, é certo que a narrativa feita tem por objetivo exaltar uma boa ação, elogiar alguém, ou desfazer errôneas e malévolas interpretações.

A carta que escrevem é uma mensagem de amor e inspiração. Se parcelas de tempo restam aqui e ali, entre os deveres regulares do dia, são gastas no desenvolvimento de um melhor serviço ou em visitas e trabalhos de assistência. Nenhum lapso de tempo é dissipado, nenhuma palavra gasta inutilmente. Tudo é para a glória de Deus.

Aqueles que assim procedem demonstram possuir a alma verdadeiramente cristã.

Autor: (D.)
Fonte: Lendas do Céu e da Terra

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Impiedade castigada - D’Alembert

No palácio da princesa de Lorena havia freqüentes reuniões compostas geralmente de pessoas que se distinguiam pelo saber, por suas virtudes, ou pelo prestígio das posições elevadas que desfrutavam.

Lá foi ter, um dia, o célebre matemático D’Alembert, homem sem crença religiosa, amigo íntimo de Voltaire. Professando as mesmas péssimas doutrinas desse filósofo, desejava propaga-las entre as pessoas mais importantes, e, quando o salão da ilustre princesa se apresentava repleto de convidados, o impiedoso homem vangloriou-se, publicamente, das suas opiniões irreligiosas, dizendo:

- Sou eu o único, neste palácio, que não crê em Deus e por isso não o adora!

Justamente revoltada com essas irreverentes palavras, a princesa de Lorena replicou-lhe com desassombro:

- Engana-se, sr. d’Alembert. O senhor não é o único que, neste palácio, não crê em Deus, nem o adora.

- Julgava-me sozinho e tenho companheiros – replicou o ateu. – Quem são os outros, senhora princesa?

- São todos os cavalos e cães, que estão nas cavalariças e pátios desse palácio.

- Assim me iguala aos irracionais? – tornou D’Alembert com indisfarçável ironia.

- De modo algum – discordou a inteligente princesa. – Bem sei que os irracionais, embora tenham a desgraça de não conhecer nem adorar o Ser Supremo, não têm, todavia, a imprudência de vangloriar-se disso.

As palavras irrespondíveis da princesa de Lorena deixaram o vaidoso incrédulo confuso e humilhado.

Triste, profundamente triste e deplorável, é, no mundo, a situação do ateu. É como um saltimbanco que faz exercícios incríveis na corda; salta e dança suspenso no vácuo; gira de cabeça para baixo no trapézio; exibe, enfim, ao público, proezas tremendas, mas ninguém fica com vontade de imitá-los.

O ateu, na obsessão em que vive, procura convencer os outros para se persuadir a si próprio.

Quem pode negar Deus diante do céu estrelado ou diante da sepultura de um ente querido é muitíssimo infeliz ou muitíssimo culpado.
(D.)

Fonte: Lendas do Céu e da Terra.