Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O pai do primeiro Arcebispo de São Paulo e o chale europeu

Ler fatos sobre São Paulo antigo é muito gratificante. Muitos casos interessantes encontramos nos relacionamentos sociais de uma época de se foi - infelizmente. Pergunto-me se algum dia a doçura de viver voltará no trato social. Na busca por literatura do gênero, encontrei um livro muito interessante: a vida de Dom Duarte Leopoldo e Silva – 1º Arcebispo de São Paulo (Edições Catanduva – ano de 1967 – Monsenhor Victor Rodrigues de Assis).

Vejamos um fato pitoresco da vida do pai de Dom Duarte Leopoldo e Silva.

Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro dos 10 filhos que tiveram o casal Bernardo Leopoldo e Silva e Da. Ana Rosa Marcondes Leopoldo e Silva, nasceu na então pequena, mas histórica cidade de Taubaté, a 4 de abril de 1867.

Seu pai era português, muito honrado, tinha conhecimentos suficientes para ser bom chefe de família.

Veio para o Brasil, mocinho ainda, e exercia a profissão de alfaiate. Qual a profissão que em Portugal ocupavam os pais do Sr. Bernardo não é fácil saber. Não estiveram, porém, alheios aos acontecimentos do Brasil, na época da independência, no ano de 1.822. Era o Sr. Bernardo filho de inglês, pois seu avô paterno, sendo partidário do Príncipe D. Miguel de Bragança, quando este fugiu para a Inglaterra, acompanharam-no muitos dos seus fiéis vassalos. Na Inglaterra nasceu, pois o pai do Sr. Bernardo que se chamava Duarte.

Não se sabe a data em que chegou ao Brasil o Sr. Bernardo; parece que chegou bem mocinho fixando residência em Taubaté. Já pela honradez de seu caráter, já pela sua perícia profissional, nunca lhe faltaram encomendas das pessoas principais da localidade. Casara-se com D. Ana Rosa Marcondes, natural de Pindamonhangaba.

Posteriormente, o Sr. Bernardo estabeleceu-se com uma casa comercial em Taubaté mesmo. Esta casa, para satisfazer às circunstâncias do tempo e do ambiente deveria ter artigos de loja e de empório; o Sr. Arcebispo aludia, muitas vezes as "bolachas de bordo" e aos artigos femininos usados pelas senhoras e que seu pai vendia. Para frisar bem o caráter de seu progenitor, incapaz de uma deslealdade, contava S. Excia, o seguinte fato:

"As senhoras da época tinham como traje de gala certos chales europeus". O Sr. Bernardo, atendendo pedidos, encomendou tais chales na Europa. Chegando os artigos, mandou um fino chale à sua freguesa. Mas, a dama julgou-se ofendida com a apresentação da encomenda, ou pelo desalinho do volume, ou por capricho feminino, devolvendo-a ao Sr. Bernardo com enorme reprimenda, pois, "aquilo não era chale que lhe enviasse, mas sim para uma criada". Embaraçado o honesto negociante, percebeu todo o tamanho da vaidade feminina e quis dar-lhe boa lição. Mandou pedir desculpas à ilustre freguesa, afirmando-lhe que já lhe fizera nova encomenda, esperando, agora, ser-lhe em tudo agradável. Passados tempos, o Sr. Bernardo tomou um daqueles mesmos chales, envolveu-os em alguns papéis de seda; colocando-o em apresentável caixa de papelão, e no preço marcou uma cifra três vezes mais caro do que na primeira vez e o enviou à vaidosa senhora. Inútil é dizer que a vaidosa senhora julgou-se muito honrada com tal chale, que sem a caixa; sem os papéis de seda; com o preço três vezes inferior, só serviria para uma criada... E acrescentava o Sr. Arcebispo: e o velho dava boas risadas ao contar isto, confessando que tal não faria uma segunda vez, por saber que isto não era justo.”

(Obra citada, páginas 15 e 16)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Pelos caminhos de Anchieta

Muitas pessoas fazem peregrinações para vários lugares santos. E quantos lugares santos há neste mundo! Para cada lugar uma história, um relato sobre o trajeto, os lugares que passaram pelo caminho e acima de tudo as graças alcançadas.

Porém, confesso que é a primeira vez que ouço falar sobre a peregrinação de São José de Anchieta. Refazer os caminhos percorridos por este grande santo no Brasil é algo inenarrável, especialmente se as pessoas conhecerem a história e os fatos de cada região.

Soube disso ao ler a Revista Família Cristã, edição 944 – Agosto de 2014, num artigo com o título: “Um passo de cada vez”.

Transcrevo partes do artigo:

Os Passos de Anchieta é o trajeto da trilha que padre José de Anchieta percorria nos seus deslocamentos da Vila de Rerigtiba à Vila de Nossa Senhora da Vitória

Os primeiros raios de sol ainda tímidos e suaves, na manhã de quinta-feira, 19 de junho de 2014, festa de Corpus Christi, anunciavam o início da 17ª Caminhada Oficial de Anchieta.

Em frente à Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Vitória, em Vitória (ES), os andarilhos aos poucos se achegam para dar início ao caminho. Participam da missa, em seguida do aquecimento físico e, assim, se colocam para percorrer 100 quilômetros a pé em quatro dias.

Segundo a Associação Brasileira dos Amigos dos Passos de Anchieta (Abapa), entidade que implementa, mantém e realiza a trilha Os Passos de Anchieta, esse é o primeiro roteiro cristão das Américas, e visa resgatar o caminho percorrido pelo Apóstolo do Brasil nos seus últimos anos de vida.

Padre José de Anchieta deslocava-se a cada 15 dias, saindo da Vila Rerigtiba, hoje Anchieta, até a principal vila da província do Espírito Santo, Vila de Nossa Senhora da Vitória, para cuidar do Colégio São Tiago, atualmente sede do governo estadual, denominado Palácio Anchieta, na capital capixaba.

No século 16, o Espírito Santo era uma terra coberta por uma densa floresta emoldurada pelas belíssimas praias no litoral do Oceano Atlântico e habitada pelos povos indígenas do tronco tupi: os Temiminó e Tupiniquim, Gê ou Tapuia. Nesse cenário, José de Anchieta, nascido em La Laguna de Tenerife, Ilhas Canárias (Espanha), em 19 de março de 1534, e que, aos 14 anos foi mandado pelo pai para estudar em Coimbra (Portugal), na Companhia de Jesus, os Jesuítas, e enviado ao Brasil em 1553, caminhou diversas vezes na companhia dos indígenas até os últimos dias de sua vida, em 9 de julho de 1597.

Anchieta, o andarilho do Brasil, percorria o trajeto habitualmente a pé, visto que o seu problema na coluna, devido à tuberculose óssea, o impedia de montar. O diretor-presidente e fundador da Abapa, Carlos Magno Queiroz, Lilico, conta que, segundo cronistas da época, Anchieta, nas suas andanças, se adiantava nos passos mesmo aos mais vigorosos guerreiros índios e que, por isso, o chamavam de abará-bebe, que significa “padre voador”, e caraibebe, “homem de asas”. Ele percorria o trajeto em três dias.

Hoje, ao percorrer a trilha que desvela deslumbrantes cenários, e mantém sua beleza mesmo não ostentando o aspecto original no tempo de Anchieta, avistam-se aspectos ecológicos, históricos, culturais e religiosos, ao longo de toda a orla que se estende de Vitória a Anchieta.

[...]

No primeiro dia, como Vitória é uma ilha, para chegar a Vila Velha e iniciar Os Passos de Anchieta faz-se o trajeto em ônibus fretado até o Convento da Penha, marco da colonização do estado e de onde os peregrinos principiam com a meta de chegar ao Santuário Nacional de Anchieta, em Anchieta.

Sempre pelo litoral a rota segue pelas praias urbanas de Vila Velha: Praia da Costa, Itapoã e Itaparica, com inúmeros quiosques que contrastam com os modernos edifícios da orla até chegar ao destino final do dia, à Barra do Jucu, em Vila Velha. Foram 25 quilômetros de caminhada. Ao chegarem, os andarilhos são recepcionados com [...] muita fruta, água abundante, [...]. Para passar a noite fica a critério de cada andarilho, que reserva com antecedência as pousadas ou leva barracas. Há uma praça onde podem ser armadas.

No segundo dia, a equipe acordou animada e disposta a prosseguir a pé acompanhando os 3.500 andarilhos. Chovia muito, mas nada que uma capa de chuva não resolvesse. Se no primeiro dia o percurso é urbano, no segundo as praias são mais desertas.

Saindo da Barra do Jucu, passa-se pela Praia de Ponta da Fruta, para logo depois entrar na área de restinga, protegida pelo Parque Estadual Paulo César Vinha. As praias seguintes convidam à reflexão interior e contemplação da natureza. Chovia muito. Entre lama e areia, os passos ficavam mais lentos, não dava para levantar o olhar, pois a chuva vinha de encontro com o rosto e impedia a visibilidade. [...]. Nesse dia, o som das ondas do mar impulsionava o caminhar e a chuva fria, que envolvia por todos os lados e chamava a um andar consigo. Nesse dia, os peregrinos eram silêncio.

Apesar de a motivação de que o trecho é considerado um dos mais bonitos, ele é também o mais cansativo, pois praticamente todo o percurso se dá na areia movediça e, nesse dia, sob a contínua chuva. Chegou um momento em que a equipe cansou, e as energias pareciam sucumbir. Aí veio a pergunta: “Faltam quantos quilômetros?”. Uma andarilha, já experiente, respondeu: “Faltam em torno de 9 quilômetros”. A equipe se entreolhou: “Falta pouco, não é? Somente 9!”. Uma energia brotou e, à medida que se aproximava, a equipe sentia o físico ser injetado por sensações indescritíveis de energia, e os 28 quilômetros foram vencidos com folga até a Praia Setiba, em Guarapari. Mas o dia seguinte, o terceiro, era uma incógnita.

O dia amanheceu e, para a surpresa, a equipe estava superdisposta. Apesar dos percalços do dia anterior, os andarilhos foram recompensados: o sol colaborou. E a natureza? Essa revelou as enseadas delineadas caprichosamente com detalhes em pedras e ondas pacatas que pareciam preguiçosas num manso vaivém.

Guarapari é uma cidade fundada por São José de Anchieta. A caminhada nesse dia fluiu, 24 quilômetros percorridos sem perceber. E Meaípe, uma charmosa enseada, foi o ponto de parada do roteiro do terceiro dia. As pernas já doíam um pouco. No pensamento: “Amanhã, o último dia, tudo indica que não aguentaremos”. A ordem foi se recolher logo cedo e guardar forças para encarar a última etapa da caminhada.

Quarto dia, última etapa. A apenas 23 quilômetros estava o tão almejado destino, mas a pé lá em torno de sete horas de caminhada para essa inexperiente equipe. Mas a animação e a disposição dos mais de 3.500 andarilhos arrastavam. Esse, de fato, foi resumo dos dias anteriores, pois se alternam trechos de praias desertas, rodovias e estradas de terra. A essa altura do caminho a chuva voltou a ser companheira.

Chegamos a Ubu, uma pequena vila à beira de uma extensa praia de águas já agitadas devido a chuva. O lugar recebeu este nome quando Anchieta ali passou pela última vez. Narra a história que, carregado por uma multidão de cerca de 3 mil índios que o levavam para realizar seu velório em Vitória, seu esquife tombou, e os índios exclamaram Aba Ubu, “o padre caiu”. [...]

sábado, 18 de abril de 2015

Cinco anos se passaram

Cinco anos se passaram e mais um aniversário para ser comemorado. Contribuí com alguma coisa para a melhoria da sociedade. Fiz minha parte. A cada postagem, uma oração acompanhava. Para cada comentário uma oração de agradecimento.

Estou contente com os frutos colhidos deste meu trabalho. Espero fazer muito mais com a ajuda de todos.

Embora o nosso Blog centre suas atenções em histórias, na verdade o que ele mais pretende com a arte de contar histórias é a união das famílias, a união entre pais e filhos, a interação social sadia e moralmente correta. Volto a repetir o que eu já disse minha vida inteira: “Conte uma história”.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os quatro graus do amor humano

NOTA INICIAL DO BLOG: Uma vez ao estudar a hierarquia angélica, fiquei sabendo que os mais altos graus dos Anjos, propriamente os Serafins e Querubins, vivem do Amor de Deus. Que Amor seria esse? Estamos acostumados a ter uma visão romântica das coisas, portanto uma visão defeituosa. Subir no mais alto dos céus, conhecer a sublimidade do Amor de Deus, é um salto para os grandes Santos. Conheçamos um deles:

São Bernardo de Claraval, foi um abade francês cisterciense, fundador da Abadia de Clairvaux (Claraval). O grande santo, no ano de 1128, participou do Concilio de Troyes que delineou a regra monástica que guiaria os Cavaleiros Templários e que rapidamente tornou-se o ideal de nobreza utilizado no mundo Cristão. Passou 40 anos enclausurado e foi o compositor do hino Ave Maris Stella. Uma de suas obras mais importantes foi o Tratado do Amor de Deus.

Dizia São Bernardo que há quatro graus do amor humano:

a) Primeiramente o homem ama-se a si próprio apenas por si.

b) Em seguida, ao descobrir que não pode estar só e que Deus lhe é necessário, principia a procurar o seu Criador e a amá-lo como fonte de benefício para ele próprio.

c) Por fim, obrigado pelas suas necessidades a um convívio freqüente com Deus, em meditação, leitura, oração e obediência, termina por compreender a doçura do Senhor e atinge o terceiro grau, onde Deus é amado puramente por si próprio, embora não amado exclusivamente.

d) No quarto grau, o homem não se ama sequer a si próprio, senão por causa de Deus. Na verdade ignoro se este grau foi alguma vez plenamente alcançado na vida presente.

E ainda São Bernardo de Claraval demonstra, relativamente a intensidade do Amor Divino:

“E em que grau nos amou Deus? Deixemos o que responda São João evangelista: Tanto amou Deus o mundo que lhe deu o seu Filho Unigênito.”

Fonte: Pelos caminhos do amor - Jusan F. Novaes

quinta-feira, 19 de março de 2015

A rosa-de-jericó


A rosa-de-jericó é também denominada flor-da-ressurreição, pois, segundo afirmam alguns observadores curiosos, apresenta essa flor a propriedade singular de murchar para, depois, tornar a florescer. A sua origem está ligada à história do cristianismo por uma interessante lenda citada por vários autores:

Ao fugir de Belém com o Menino Jesus, a fim de livrá-lo da cruel matança ordenada pelo rei Herodes, a Sagrada Família viu-se forçada a atravessar as planícies de Jericó. Quando a Virgem desceu descuidada do burrinho que montava, surgiu, a seus pés, uma florzinha mimosa e delicada.

Maria sorriu para a pequenina flor, pois compreendeu que ela brotava, radiante, do seio da terra para saudar o Menino Jesus.

Durante a permanência de Cristo na terra, as rosas-de-jericó continuaram a florir e a embelezar os campos, mas quando o Salvador expirou na cruz todas elas secaram e morreram.

Três dias depois – reza a mesma lenda – quando Cristo ressuscitou, as rosas-de-jericó voltaram a florescer e a irradiar suave perfume.

Autor (S.T) - Lendas do Céu e da Terra


NOTA DO BLOG: Ao falar de rosa, nos vem naturalmente na mente aquela flor lindíssima na ponta de um ramo espinhoso. Mas não é só a rosa tradicional que se chama rosa. Havia nos antigos desertos de Alexandria (uma cidade do Egito), e nos afluentes do Mar Vermelho, uma planta muito curiosa e que também se chama “rosa”: é a Rosa de Jericó.

Totalmente diferenciada da rosa que conhecemos, essa planta tem uma propriedade muito curiosa. Durante longos períodos de tempo essa planta vive em regiões desertas, crescendo e se reproduzindo como outras plantas, até o ambiente ficar desfavorável a ela. Nessa ocasião, as flores e folhas secas caem, as raízes se soltam e os galhos secos encolhem-se formando uma bola permitindo ao vento leva-las para onde quiser.

Podem ser transportadas pelos ventos, rolando, quilômetros e quilômetros, vivendo secas, sem uma gota de água, durante muito tempo até encontrarem um lugar úmido.

Achando umidade, elas penetram sua raiz na terra e se abrem ficando verdes novamente. É encontrada no Oriente Médio e na América Central. É possível comprar uma “bola seca” e depois, ajeitando-a num recipiente com um pouco de água, vê-la florescer na sua casa.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Mulher religiosa

Quão maravilhosa e invejável é a sorte da mulher religiosa! Seus dias são enflorados de júbilo; sua vida recende a amor; esposo, filhos, servos respeitam-na e acarinham-na; a todos inspira cega confiança, porque firmemente crêem na fidelidade de quem é fiel é Deus. A fé admirável desta cristã fortifica-se pela felicidade; e a felicidade pela fé; crê em Deus, porque é feliz; é feliz porque crê em Deus.

Basta a qualquer mãe ver sorrir o filhinho, para convencer-se da existência de uma felicidade suprema.

Virgem, esposa, mãe ou filha, a mulher cristã é sempre um agente de Deus nas obras de Seu amor. Deus fê-la bálsamo de todas as dores, alívio de todas as tristezas, amparo de todas as venturas, e não há uma só miséria na vida, de que Deus não tenha feito a mulher, o anjo libertador.

É de Frédéric Ozanam este pensamento admirável: “O papel das mulheres cristãs é semelhante ao dos anjos da guarda. Podem dirigir o mundo se ficarem invisíveis como eles”.

Pode-se assegurar, sem temor, que a fortuna ou a desgraça, a ilustração ou a ignorância, a civilização ou a barraria do mundo dependem em grande parte do poder exercido pela mulher no seu reino espiritual – o lar doméstico.

A mulher deve ser como a palha miúda com que se encaixotam as porcelanas, palha que não se conta, que não se pesa, palha que mal se vê, palha de quem ninguém se apercebe – e sem a qual se quebraria tudo.

Subtraído ao influxo, não passageiro e cego, mas permanente, racional, da mulher, nunca o homem chega a ser verdadeiramente ilustrado e culto.

A mulher superior não é aquela que triunfa nas letras, nas ciências ou nas artes, nem a que brilha na sociedade, mas a que ilumina o seu lar.

Autor (D.) – Lendas do Céu e da Terra.
Foto: Pintura de Eugenio di Blaas (1845-1931)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O cavalo de Samir

Um xeque chamado Samir, da tribo de Teluã, possuía um cavalo famoso, que certo Daher, árabe de outra tribo, cobiçava. Daher ofereceu, em troca do belo corcel, todos os seus camelos, porém Samir não aceitou tal proposta. Um dia, o árabe disfarçou-se, cobrindo o rosto de cinza e vestindo-se farrapos, e colocou-se à beira do caminho por onde havia de passar o xeque montado em seu belo alazão.

Quando viu que Samir se aproximava, implorou com voz triste e sucumbida:

- Sou, ó xeque, um infeliz peregrino; encontro-me há três dias doente e sem forças para sair deste lugar em busca de alimento. Socorre-me, ó generoso xeque, e do céu recebeis a paga da vossa esmola!

Samir ofereceu-se bondosamente para levá-lo na garupa do cavalo. O velhaco, porém, replicou:

- Não posso levantar-me, senhor! Não tenho mais forças!

Comovido diante de tão deplorável miséria, desceu Samir do cavalo e com grande dificuldade colocou o falso mendigo sobre a sela de seu grande animal.

Apenas se pilhou encavalgado, o tratante esporeou o animal e afastou-se dizendo:

- Sou Daher! Tenho agora este cavalo em meu poder. Vou levá-lo para a minha tenda quer queiras ou não!

Samir pediu-lhe que parasse um momento, pois queria solicitar-lhe apenas um favor.

O ladrão, na certeza de que não poderia ser perseguido ou agarrado, deteve-se.

- Apoderaste-te de meu cavalo – disse-lhe Samir – e desejo que te sirva. Peço-te, entretanto, que não reveles a ninguém a maneira pouco digna pela qual obtiveste.

- E por que não? – indagou Daher.

- A razão é simples – explicou o xeque – Pode acontecer que outro homem, encontrando-se verdadeiramente enfermo, se veja forçado, algum dia, a pedir auxílio e o viajante poderá desconfiar do infeliz e negar-lhe assistência e esmola. Serás a causa de que muitos se obstenham de praticar a caridade pelo receio de uma traição!

Envergonhou-se Daher ao ouvir essas palavras e inspirado pelo arrependimento desceu do cavalo e devolveu-o ao dono. Samir convidou-o a ir até a sua tenda, onde passaram juntos vários dias, e do caso nasceu, entre eles, sincera amizade que durou toda a vida.

Autor: (L.) – Lendas do Céu e d Terra.
Foto da Internet

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Obediência

Irei me ausentar por algum tempo muito curto. Por isso desejo a todos um Santo Natal e um ano novo (2015) com muita paz e virtude.

Feliz Natal e próspero ano novo.

História de hoje:

Obediência.

Na pequena cidade de Limeira, junto à linha férrea, achava-se, um dia, o guarda-chaves em seu posto no momento em que chegava o rápido paulista, quando viu seu filhinho, menino de seis anos, a correr alegremente para ele, sem cuidar do trem que já fumegava na curva.

Em sua corrida precipitada, o pequenito aproximou-se da linha; pretendia, decerto, atravessá-la. Mas não teria tempo. Seria, fatalmente, colhido e esmagado pela locomotiva.

Ao guarda-chaves não fora lícito abandonar seu posto para acudir o filho. Bem sabia que uma negligência de sua parte poderia causar uma catástrofe e a perda de centenas de vidas. Que fez naquela indecisão angustiosa, na luta entre o dever de homem e o amor de pai? Teve a feliz idéia de gritar, energicamente, ao pequeno:

- Pára aí!

O menino, prestes a transpor o leito da linha, obedeceu como um autômato, no momento mesmo em que o rápido passava num torvelinho de poeira.

Na obediência aos pais e aos mestres, está a salvação da juventude.

A obediência aumenta o valor das nossas ações e conduz rapidamente à mais alta perfeição.

As boas obras, feitas por obediência, têm valor mais alto do que quando praticadas por vontade própria. Quem obedece sacrifica sua vontade a Deus. Porque a obediência leva celeremente à mais alta perfeição, é que que os sábios cristãos a denominam virtude excelentíssima e de caminho seguríssimo para o céu. Ensina a Sagrada Escritura: “Obediência é melhor que sacrifício”.

Devemos ouvir, respeitar e atender àqueles que têm, por direito, autoridade sobre nós.

O princípio da autoridade é a base de toda sociedade bem-organizada.

A autoridade é uma coisa sublime perante a qual o espírito se inclina sem que o coração se humilhe.

Quais são os que têm , por direito, autoridade sobre nós?

Deus em primeiro lugar. Ele é o autor necessário e universal. Tem, portanto, autoridade plena e pessoal sobre todas as coisas.

“Vós sois o meu Deus; os meus destinos estão em vossas mãos.” (Ps.,30,15.)

Os pais, em segundo lugar.

Os mestres e os chefes, os superiores.

E podemos ler no Novo Testamento:

“Que todo homem seja submisso às autoridades superiores, porque não há poder que não venha de Deus”. (Rom.,13,1.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Noé e a Justiça Divina

A relação de afinidade que temos com os vivos é diferente do que Deus tem com os Homens. Deus é misericordioso, mas sumamente Justo. Terrível será aquele dia em que seremos julgados por Deus.

No início da criação, Deus deu longevidade para os homens e estes viviam na terra por longos anos.

No livro do Gênesis, consta que Adão e Eva tiveram muitos filhos. Depois que Caim, por inveja, matou seu irmão Abel, o próprio Deus castigou Caim que acabou fugindo da presença de Deus. “Caim retirou-se da presença do Senhor, e foi habitar na região de Nod, ao oriente do Éden.” (Gênesis 4, 16)

Depois de algum tempo, Caim conheceu sua mulher e teve filhos e ainda construiu uma cidade (Gênesis 4, 17). Um dos descendentes de Caim, chamado Lamec tomou duas mulheres, e ele disse a suas mulheres: Por uma ferida matei um homem, e por uma contusão um menino. Já trabalhavam com cobre e ferro. (Gênesis 4, 19-23)

Diz uma vidente que: “A cidade foi construída de pedras e o povo se entregava a seus horrores e desordens e pecados. Os mais fortes impunham seus costumes e libertinagem. Em todos os lugares havia falsa liberdade (tudo pode, menos servir a Deus). Chegavam a oferecer sacrifícios de crianças. Deus se arrependeu de ter criado o homem.”

Assim também Adão e Eva tiveram muitos outros filhos e uma descendência enorme.

Nas Sagradas Escrituras, os descendentes de Caim são chamados filhos dos homens e os outros descendentes de Adão eram chamados filhos de Deus.

Gênesis 6, 1-6:

Quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas, e escolheram esposas entre elas. O senhor então disse: “Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será de cento e vinte anos.” Naquele tempo viviam gigantes na terra, como também daí por diante, quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e elas geravam filhos. Estes são os heróis, tão afamados nos tempos antigos.
O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos de seu coração estavam continuamente voltados para o mal.
O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração ferido de íntima dor.

Henoc, antepassado de Noé, pregava contra o povo. É muito difícil os homens de bem viver num mundo voltado para o pecado. Henoc era um homem sumamente bom e agradecido a Deus. Assim conservou a religião na família de Noé. Henoc era tão amado por Deus que não passou pela morte, mas Deus o transladou ao paraíso terrestre. No fim do mundo Elias e Henoc sairão do Paraíso para combater o anti-Cristo.

O mundo já estava entregue ao mal. Poucos se preservaram. Imaginem a tristeza de Adão ao ver sua descendência decadente.

Até que nasceu Noé que era um homem justo e amado por Deus. Ele e sua família eram os únicos fiéis ao Senhor. Dizem os que receberam alguma revelação de Deus que Noé era um ancião de aspecto infantil (entenda-se inocente).

Deus aparece a Noé e diz que vai destruir a humanidade. Pede para Noé construir uma arca com sua família. Consta em algumas revelações que Noé morava um pouco afastado do centro da cidade. Deus havia prometido um dilúvio e sua família, fiel a Deus, acreditavam.

Na inocência de tentar salvar algumas almas, Noé falava sobre o dilúvio, mas as pessoas zombavam dele.

Algumas pessoas até desconfiavam que poderia ser verdade as palavras de Noé, MAS NÃO SE CONVERTIAM, e sim antes construíam casas de pedras fortes e muralhas para defender-se da ira de Deus. Reinava na terra a mais completa desordem, roubos, imoralidades, vícios e costumes depravados.

Os homens não eram depravados por ignorância ou porque eram selvagens ou pouco civilizados, mas por maldade mesmo. Pensavam no gostoso de apenas gozar a vida, pois havia “bem estar” geral, e viviam comodamente.
Tinham tudo o que era necessário. Porque mudar sua vida e se converterem?

Praticavam a idolatria e não faltavam esforços para perder os filhos de Noé também.

Por longos anos (por volta de oitenta anos) Noé construiu a Arca. Terminada a Arca começavam a chegar os animais, sendo abrigados na Arca.

Noé, sua mulher, e os filhos Cam, Sem e Jafet com suas mulheres, entraram na arca também. O Senhor disse a Noé: "Entra na arca, tu e toda sua casa, porque te reconheci justo diante dos meus olhos, entre os de tus geração.” (Gênesis 7, 1)

Noé fechou a arca por dentro e Deus a fechou por fora. Tudo está acabado.

Começou a chuva e as águas milagrosamente vinham de todos os lados. As pessoas gritavam do lado de fora para Noé abrir a arca, mas Noé não podia.

Noé ouvia seus sobrinhos, seus parentes gritando e morrendo afogados. Isso devia lhe afligir o coração, mas era ordem de Deus não abrir a arca. Todas as criaturas que se moviam na terra foram exterminadas (Gênesis 7, 21).

Quem poderá julgar a sabedoria infinita de Deus? Os laços que nos prendem a nossos parentes e amigos não pode aplacar a Cólera da Justiça divina.

Fica a sugestão de meditação para os dias de hoje.

Fonte das fotos: Gustave Doré

sábado, 25 de outubro de 2014

Os filhos de São Francisco de Assis no Paraíso

Uma graciosa lenda tirada dos Fioretti de São Francisco de Assis, justifica as esperanças dos servos de Maria no dia do juízo.

A Rainha do céu fez esta promessa:  Estarei diante dos meus devotos servos na hora da morte, para que saiam deste mundo sem ser feridos pelos inimigos que os rodeiam. São Bernardo chama Maria a “escuda dos pecadores”.

A estória seguinte concorda com esta doutrina:

Frei Leão, um dos companheiros de São Francisco de Assis, viu em sonho a cena do juízo final.

Num vasto campo, os anjos reuniam, ao som das trombetas, uma imensa multidão. A uma das extremidades do campo, uma escada de ouro se elevava da terra até o céu.

Na outra extremidade, outra escada, mas de prata, descia do céu e chegava até a terra.

No tope da escada de ouro, frei Leão via Jesus Cristo, sob as aparências de um Juiz severo; em baixo, estava São Francisco que Jesus abraçou logo. Disse então o Santo: 

“Vinde, meus irmãos, vinde sem temer.”

Os religiosos avançaram e subiram com segurança os degraus da escuda de ouro. Mas quando todos tinham começado a subir, um caiu do terceiro degrau, outro do quarto, do quinto, do sexto, ou do declino.

Enfim nem um só ficou sobre a escada.

São Francisco, olhando para Nosso Senhor, lhe pediu que não os repelisse; mas Jesus Cristo, mostrando a seu servo suas chagas sangrentas: 

“Vê, lhe disse ele, o que me tem feito teus irmãos.”

Então, o santo desceu alguns degraus e dirigindo-se de novo a seus irmãos:

“Coragem, lhes disse ele, tende confiança, meus irmãos; vede a escada de prata, é nela que subireis ao céu.”

Apareceu logo, no tope da escada de prata, a gloriosa Virgem, clemente a misericordiosa. E os filhos de São Francisco, graças à Virgem Imaculada, chegaram até o paraíso.

Fonte original: Catecismo de Nossa Senhora
Crédito: AASCJ

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

São Francisco de Sales

São Francisco de Sales, o religioso célebre. Em Roma, o Papa Clemente VIII deseja ouvi-lo pessoalmente. Depois de ter falado diante de oito cardeais e vinte bispos, o Papa levanta-se e dá-lhe um abraço. Como frisa Henri Bordeaux, sabia o santo ficar no mesmo plano, coisa duas vezes difícil, com os pequenos e com os grandes. E quando pregava aos campônios, ardiam estes de impaciência por interrompê-lo para propor-lhe suas dificuldades e confiar-lhe seus negócios.

Um dia, ao visitar sua diocese, sentou-se fatigado à borda de uma fonte e recordou aos camponeses que o seguiam as palavras de Jesus à Samaritana.

Veio então um enxame de abelhas e pousou sobre ele.

- Não se mexa – exclamou um dos ouvintes – e continue; elas não o ferroarão.

O bispo continuou e as abelhas não lhe fizeram mal.

Francisco de Sales conheceu, também, os ataques e injustiças de invejosos e caluniadores. E jamais a sua pena se molhou na tinta grossa das contumélias.

Jamais praticou a lamentável e contraproducente apologética da descompostura.

Ao marquês de Lens, que lhe referia interpretações malévolas a alguns dos seus atos, disse apenas o seguinte: “Garanto-vos que, fantasiando e filosofando assim sobre minhas ações, fazem maior dano a si do que a mim; pois que não me podem ferir a inocência e carregam-se de negra malícia”.

Dizia, séculos mais tarde, um escritor sutil: “O homem que te insulta, insulta apenas a idéia que forma de ti, isto é, insulta-se a si próprio”.


Autor (J.S.) – Lendas do Céu e da Terra

sábado, 11 de outubro de 2014

A lenda do crisântemo

Não poucas são as lendas através das quais procuram os autores atribuir origem maravilhosa ao crisântemo.

Eis uma dessas curiosas lendas:

Na Floresta Negra vivia um camponês chamado Hermann. Na véspera de Natal, quando voltava descuidado para casa, encontrou, caído na neve, um pobre menino que estava quase a morrer. 

Penalizado com a triste situação da criança, tomou-a nos braços e levou-a para a sua modesta cabana. A mulher do camponês e seus filhos tiveram, também, muita pena do infeliz e com ele repartiram alegremente a humildade ceia que tinham preparado.

O pequeno, que a bondade daquela gente havia confortado, passou a noite na cabana paupérrima e, na manhã seguinte, sem que ninguém pudesse notar, desapareceu.

Dias depois o camponês, ao entrar numa igreja, teve a sua atenção despertada por uma estampa, na qual aparecia o Menino Jesus e verificou, com assombro, a semelhança entre o Salvador e o pobrezinho a quem ele acudira na noite de Natal.

Não havia dúvida. O pequenino que fora socorrido e agasalhado no pobre casebre do lenhador era o Menino Jesus.

Impressionado com essa descoberta, resolveu Hermann rever o lugar em que havia encontrado o Menino Jesus e verificou que haviam milagrosamente nascido, no meio da neve, várias flores de extraordinária beleza. Apanhou cinco dessas flores e levou-as à sua mulher, que lhes pôs o nome de crisântemo, isto é, flores-de- Cristo, e, mais propriamente, flores de ouro.

Autor (D.) – Lendas do Céu e da Terra.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Os Dons do Espírito Santo e Santo Agostinho

Quando se recebe algum sacramento (batismo, crisma, confissão, eucaristia, matrimônio, ordem e extrema unção), recebemos também os sete Dons do Espírito Santo. Esses Dons são graças especiais que recebemos de Deus; porém são tão especiais que somente com uma ação direta do Espírito Santo conseguimos fazer com que cresçam e se desenvolvam.

Não pretendo demonstrar o Mistério da Santíssima Trindade através de argumentações teológicas e filosóficas, porque fugiria do intuito deste blog. Limito-me a contar um fato ocorrido com Santo Agostinho.

Santo Agostinho, andando pela areia do mar, se perdia em pensamentos profundos e altos que se elevavam ao céu. E entre esses raciocínios pensava ele no Mistério da Santíssima Trindade.

Como Pode haver Três Pessoas Distintas (Pai, Filho e Espírito Santo) e ao mesmo tempo ser um só Deus?

De repente avistou um menino com um balde de madeira na mão que ia até a água do mar, enchia o seu balde e voltava despejando a água num pequeno buraco na areia. Santo Agostinho, observando o menino atentamente lhe perguntou:

- O que você está fazendo?

O menino muito calmamente olhou para Santo Agostinho e respondeu:

- Vou colocar toda água do mar nesse buraco!

Ante a inocência do menino, Santo Agostinho sorriu e disse:

- Isso é impossível menino. Como pode você querer colocar toda essa imensidão de água do mar num pequeno buraco?

Desta vez, o menino (que era um anjo de Deus), olhou profundamente para Santo Agostinho e disse com voz forte:

- Em verdade vos digo. É mais fácil colocar toda água do oceano nesse pequeno buraco do que a inteligência humana compreender os mistérios de Deus!

Então Santo Agostinho percebeu tudo, e com uma santa sabedoria, acalmou-se em seus pensamentos.

No Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, reside o Amor Supremo entre o Pai e o Filho. Foi pelo Divino Espírito Santo que Deus se encarnou no seio de Maria Santíssima, trazendo Jesus ao mundo para nossa salvação.

Então, os Dons do Espírito Santo, são graças que vem do Amor Santo que Deus tem por muitos.

PRIMEIRO DOM DO ESPÍRITO SANTO: FORTALEZA 

Por essa virtude, Deus nos propicia a coragem necessária para enfrentarmos as tentações, vulnerabilidade diante das circunstâncias da vida e também firmeza de caráter nas perseguições e tribulações causadas por nosso testemunho cristão. Lembremo-nos que foi com muita coragem, com muito heroísmo, que os santos desprezaram as promessas, as blandícias e ameaças do mundo. Destes, muitos testemunharam a fé com o sacrifício da própria vida. O Espírito Santo lhes imprimiu o dom da Fortaleza e só isto explica a serenidade com que encontraram a morte! Que luta gloriosa não sustentaram! Agora gozam de perfeita paz, em união íntima com Jesus, de cuja glória participam. Também nós, havemos de combater diariamente para alcançar a coroa eterna. Vivemos num mundo cheio de perigos e tentações. A alma acha-se constantemente envolta nas tempestades de paixões revoltadas. Maus exemplos pululam e as inclinações do coração constantemente dirigem-se para o mal. Resistir a tudo isto requer em primeiro lugar muita oração, força de vontade e combate resoluto. Por esta virtude, a alma se fortalece para praticar toda a classe de atos heróicos, com invencível confiança em superar os maiores perigos e dificuldades com que nos deparamos diariamente. Nos ajuda a não cair nas tentações e ciladas do demônio.

SEGUNDO DOM DO ESPÍRITO SANTO: SABEDORIA


O sentido da sabedoria humana reside no reconhecimento da sabedoria eterna de Deus, Criador de todas as coisas que distribui seus dons conforme seus desígnios. Para alcançarmos a vida eterna devemos nos aliar a uma vida santa, de perfeito acordo com os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nisto reside a verdadeira sabedoria que, como os demais, não é um dom que brota de baixo para cima, jamais será alcançada por esforço próprio. É um dom que vem do alto e flui através do Espírito Santo que rege a Igreja de Deus sobre a terra. Nos permite entender, experimentar e saborear as coisas divinas, para poder julgá-las retamente.



TERCEIRO DOM DO ESPÍRITO SANTO: CIÊNCIA


Nos torna capazes de aperfeiçoar a inteligência, onde as verdades reveladas e as ciências humanas perdem a sua inerente complexibilidade. Nossas habilidades com as coisas acentuam-se progressivamente em determinadas áreas, conforme nossas inclinações culturais e científicas, sempre segundo os desígnios divinos, mesmo que não nos apercebamos disso. Todo o saber vem de Deus. Se temos talentos, deles não nos devemos orgulhar, porque de Deus é que os recebemos. Se o mundo nos admira, bate aplausos aos nossos trabalhos, a Deus é que pertence esta glória, a Deus, que é o doador de todos os bens.





QUARTO DOM DO ESPÍRITO SANTO: CONSELHO

Permite à alma o reto discernimento e santas atitudes em determinadas circunstâncias. Nos ajuda a sermos bons conselheiros, guiando o irmão pelo caminho do bem. Hoje, mais do que nunca está em foco a educação da mocidade e todos reconhecem também a importância do ensino para a perfeita formação da criança. As dificuldades internas e externas, materiais e morais, muitas vezes passam pelo dom do Conselho, sem disto nos apercebermos. É uma responsabilidade, portanto, cumprir a vontade de Deus que destinou o homem para fins superiores, para a santidade. Para que possamos auxiliar o próximo com pureza e sinceridade de coração, devemos pedir a Deus este precioso dom, com o qual O glorificaremos aos mostrarmos ao irmão as lições temporais que levam ao caminho da salvação. É sob a influência deste ideal que a mãe ensina o filhinho a rezar, a praticar os primeiros atos das virtudes cristãs, da caridade, da obediência, da penitência, do amor ao próximo.

QUINTO DOM DO ESPÍRITO SANTO: ENTENDIMENTO

Torna nossa inteligência capaz de entender intuitivamente as verdades reveladas e naturais, de acordo com o fim sobrenatural que possuem. A aparente correlação não significa que quem possui a sabedoria, já traga consigo o entendimento por conseqüência (ou vice-versa). Existe uma clara distinção entre um e o outro. Para exemplificar: Há fiéis que entendem as contemplações do terço, mas o rezam por obrigação ou mecanicamente (Possuem o dom do entendimento). Há outros que, por sua simplicidade, nunca procuraram entender o seu significado, mas praticam sua reza com sabor, devoção e piedade, ignorando seu vasto sentido (possuem o dom da Sabedoria). Este exemplo, logicamente, se aplica às ciências naturais e divinas, logo ao nosso dia-a-dia. Não sendo um conseqüência do outro, são distintamente preciosos e complementam-se mutuamente, nos fazem aproximar de Deus com todas as nossas forças, com toda a nossa devoção e inteligência e sensível percepção das coisas terrenas, que devem estar sempre direcionadas às coisas celestes.

SEXTO DOM DO ESPÍRITO SANTO: PIEDADE

É uma graça de Deus na alma que proporciona salutares frutos de oração e práticas de piedade ensinadas pela Santa Igreja. Nos dias de hoje, considerando a população mundial, há poucas, muito poucas pessoas que acham prazer em serem devotas e piedosas; as poucas que o são, tornam-se geralmente alvo de desprezo ou escárneo de pessoas que tem outra compreensão da vida. Realmente, é grande a diferença que há entre um e outro modo de viver. Resta saber qual dos dois satisfaz mais à alma, qual dos dois mais consolo lhe dá na hora da morte, qual dos dois mais agrada a Deus. Não é difícil acertar a solução do problema. Num mundo materialista e distante de Deus, peçamos a graça da piedade, para que sejamos fervorosos no cumprimento das escrituras.


SÉTIMO DOM DO ESPÍRITO SANTO: TEMOR DE DEUS

Teme a Deus quem procura praticar os seus mandamentos com sinceridade de coração. Como nos diz as Escritura, devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus, e o resto nos será dado por acréscimo. O mundo muitas vezes sufoca e obscurece o coração. Todas as vezes que tivemos transigências às tentações, com certeza desprezamos a Deus Nosso Senhor. Quantas vezes preferimos a causa dos bens miseráveis deste mundo e esquecemo-nos de Deus! Quantas vezes tememos mais a justiça dos homens do que a justiça de Deus! Santo Anastácio a este respeito dizia: "A quem devo temer mais, a um homem mortal ou a Deus, por quem foram criadas todas as coisas?". Não esqueçamos, portanto, de pedir ao Deus Espírito Santo a graça de estarmos em sintonia diária com os preceitos do Criador. Por este divino dom, torna-se Deus a pessoa mais importante em nossa vida, onde a alma docemente afasta-se do erro pelo temor em ofendê-Lo com nossos pecados.

Fonte: A Catequese Católica, Vinde Espírito Santo; entre outras fontes.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Deus, por misericórdia, me perdoe!

Ainda que o Senhor me tenha reprovado quanto quiser, eu sei que Ele não pode negar-se a quem O ama, e a quem de todo coração o busca.

Eu O abraçarei com o meu amor e sem me abençoar não O deixarei; sem me levar consigo, Ele não poderá ausentar-se.

Se mais não puder, ao menos esconder-me-ei dentro das Suas Chagas, onde ficarei para que me não possa encontrar fora de si.

Finalmente, se o meu Redentor por causa de minhas culpas, me lançar fora dos seus Pés , eu me prostrarei aos Pés de Maria , Sua Mãe, e deles não me afastarei, enquanto Ela não me alcançar o perdão.

Por ser Mãe de Misericórdia, nem recusa, nem jamais recusou compadecer-se de nossas misérias, e de socorrer os infelizes que lhe imploram o auxilio. E assim, senão por obrigação, ao menos por compaixão, não deixará de induzir O Filho a perdoar-me.

Oração de São Boaventura (livro “Glórias de Maria”, de Santo Afonso Maria de Ligório)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O fogo da cólera

Levava São Frei Gil um cântaro às costas e, em caminho, encontrou um homem que lhe pediu de beber. O santo, abstraído em seus pensamentos, nem ouviu o pedido, nem se deteve.

Enfureceu-se o homem. Agrediu o santo com palavras ásperas e grosseiras.

São Frei Gil voltou-se, veio ao encontro do exaltado viajante e ofereceu-lhe o cântaro.

Disse-lhe o homem:

- É singular o teu procedimento. Quando delicadamente te pedi um pouco d’água nada obtive. Recorro à grosseria e tu me ofereces todo o conteúdo do teu cântaro.

Respondeu o servo de Deus:

- A princípio queria apenas saciar a tua sede, agora precisas de toda a água do cântaro para apagar o fogo da cólera que se acendeu em teu coração.

É Jesus o modelo de todas as virtudes, mas principalmente das doçuras; por isso disse Ele: “Aprendei de mim, que sou doce de coração”.

É preciso ter a doçura no interior da alma e exprimi-la nos atos exteriores. Deus não vos pede que não sintais a cólera, porque não está isso no vosso poder; mas pede-vos que não consintais nela. “É da natureza do homem ser assaltado pela cólera” , diz São Jerônimo; “mas é da natureza do cristão não se deixar subjugar por ela.”

São Bernardo diz até que, se o cristão não tivesse ninguém que o contrariasse, devia cuidadosamente procurar quem o fizesse, e pagá-lo a peso do ouro, para ter um meio de praticar o sofrimento e a doçura. Se, pois, encontrais essa pessoa sem gastardes nem ouro nem prata, aproveitai-vos dela para o exercício de uma tão bela virtude.

Sede bons até o fundo d’alma e vereis que os que vos cercam se tornarão bons até as mesmas profundezas. Nada responde mais infalivelmente ao apelo secreto da bondade do que o secreto apelo da bondade vizinha.

Autor: (D.) – Lendas do Céu e da Terra

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A religião

Todos os homens são religiosos e sempre o foram em todos os tempos. Este é um dos fenômenos mais extraordinários da história. A religião pertence aos grandes patrimônios universais da humanidade, como a inteligência e a vontade, a linguagem, os costumes, etc. “A etnologia não conhece povos sem religião” , afirma Ratzel, o fundador da geografia humana.

“Lançai um olhar por toda a superfície da terra”, diz Plutarco, historiador antigo, “e podereis achar cidades sem trincheiras, sem letras, sem magistrados, povos sem habitações, sem uso de dinheiro, mas um povo sem Deus, sem orações, sem rito religioso, sem sacrifícios, nunca se viu.”

Quatrefages, sábio contemporâneo, escreveu: “Eu procurei o ateísmo ou a ausência de uma crença em Deus, entre as raças humanas mais ínfimas como entre as mais elevadas; o ateísmo, porém, não se acha em parte alguma, e todos os povos da terra, tanto os selvagens da América como os negros da África, crêem na existência de Deus”.

A religião é, pois, uma honrosa prerrogativa do gênero humano. Como o pinheiro se avantaja à vegetação rasteira, assim o homem religioso sobrepuja o animal bruto. A quem destruir em si o senso religioso, falta-lhe um caráter essencial da nobreza humana.

A superstição é um crime; a religião, um dever.

Onde existe religião, pressupõe-se todo o bem, onde falta, é certo existir todo o mal.

Não negamos haver pontos de contato ou semelhança entre a religião de Jesus Cristo e as religiões falsas; coisa parecida se dá entre as moedas falsas e a verdadeira. O contrário é que seria para admirar e até impossível. O que há, porém, de característico para a religião cristã, é que só ela apresenta provas convincentes e numerosas da sua divindade. E por isso é que tão longe está de arrecear-se que faça luz em volta dela que, pelo contrário, a deseja e a pede por meio de uma análise sincera e conscienciosa.

Fonte: Lendas do Céu e da Terra - Autor (D.)