Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A religião

Todos os homens são religiosos e sempre o foram em todos os tempos. Este é um dos fenômenos mais extraordinários da história. A religião pertence aos grandes patrimônios universais da humanidade, como a inteligência e a vontade, a linguagem, os costumes, etc. “A etnologia não conhece povos sem religião” , afirma Ratzel, o fundador da geografia humana.

“Lançai um olhar por toda a superfície da terra”, diz Plutarco, historiador antigo, “e podereis achar cidades sem trincheiras, sem letras, sem magistrados, povos sem habitações, sem uso de dinheiro, mas um povo sem Deus, sem orações, sem rito religioso, sem sacrifícios, nunca se viu.”

Quatrefages, sábio contemporâneo, escreveu: “Eu procurei o ateísmo ou a ausência de uma crença em Deus, entre as raças humanas mais ínfimas como entre as mais elevadas; o ateísmo, porém, não se acha em parte alguma, e todos os povos da terra, tanto os selvagens da América como os negros da África, crêem na existência de Deus”.

A religião é, pois, uma honrosa prerrogativa do gênero humano. Como o pinheiro se avantaja à vegetação rasteira, assim o homem religioso sobrepuja o animal bruto. A quem destruir em si o senso religioso, falta-lhe um caráter essencial da nobreza humana.

A superstição é um crime; a religião, um dever.

Onde existe religião, pressupõe-se todo o bem, onde falta, é certo existir todo o mal.

Não negamos haver pontos de contato ou semelhança entre a religião de Jesus Cristo e as religiões falsas; coisa parecida se dá entre as moedas falsas e a verdadeira. O contrário é que seria para admirar e até impossível. O que há, porém, de característico para a religião cristã, é que só ela apresenta provas convincentes e numerosas da sua divindade. E por isso é que tão longe está de arrecear-se que faça luz em volta dela que, pelo contrário, a deseja e a pede por meio de uma análise sincera e conscienciosa.

Fonte: Lendas do Céu e da Terra - Autor (D.)

sábado, 26 de julho de 2014

Honra teu pai e tua mãe

Como quem acumula tesouros, assim é aquele que honra sua mãe. O que honra seu pai encontrará alegria nos seus filhos, e será atendido no dia da sua oração. O que honra seu pai viverá uma vida larga.

Os filhos da sabedoria formam uma congregação de justos, e a sua índole é toda obediência e amor (de Deus). Ouvi, filhos, os preceitos do vosso pai, e procedei de sorte que sejais salvos. Porque Deus quer honrar o pai nos filhos, e firmou cuidadosamente a autoridade da mãe sobre os filhos. O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias.

Como quem acumula tesouros, assim é aquele que honra sua mãe. O que honra seu pai encontrará alegria nos seus filhos, e será atendido no dia da sua oração. O que honra seu pai viverá uma vida larga; e consola sua mãe quem obedece a seu pai. O que teme o Senhor honra seus pais; e servirá, como a seus senhores, aos que o geraram.

Honra teu pai por tuas ações, por palavras e com toda a paciência, para que venha sobre ti a sua bênção, e esta bênção permaneça contigo até ao fim.

A bênção do pai fortifica as casas dos filhos, e a maldição da mãe as destrói pelos alicerces. Não te glories com aquilo que desonra eu pai, porque a sua ignomínia não é glória para ti; pois a glória do homem provém da honra de seu pai, e um pai sem honra é a vergonha de seu filho.

Filho, ampara a velhice de teu pai, e não o entristeças durante a sua vida.

Se a inteligência lhe for faltando, suporta-o, e não o desprezes, por teres mais vigor do que ele; porque a caridade exercida com o teu pai, não ficará no esquecimento.

Porque serás recompensado por teres suportado os defeitos da tua mãe; e a justiça será o fundamento da tua casa, e no dia da tribulação Deus se lembrará de ti; e os teus pecados se desfarão como o gelo num dia sereno. Como é infame aquele que desampara o seu pai! E como é amaldiçoado de Deus o que exaspera sua mãe!

(Eclo, 3, 1-18).


Fonte: Associação Apostolado Sagrado Coração de Jesus - AASCJ

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Amém - Aleluia - Maranata

Existem palavras de origem muito antiga, que são usadas até hoje em sua forma original, justamente porque são tão repletas de significados tão profundos, que dificilmente se encontraria tradução que pudesse exprimir tudo o que exatamente ela significa. Então elas mantêm sua forma original, ou ao menos quase original.

AMÉM

Amém (na língua portuguesa) – Ámen (em latim) – אָמֵן (em hebraico) - آمين (em árabe). É uma palavra pela qual termina uma oração. Mas porque termina-se uma prece com essa palavra. O que ela significa? Sua origem é hebraica e pode ser traduzida para o português por “Assim seja”, porém se for traduzida literalmente, encontraremos o significado “eu acredito”. Com o passar dos anos da história sua tradução popular acabou sendo “Que assim seja”.

Seria uma palavra de sentido forte, que estimularia a fé durante as orações, pois era normal que depois da oração sacerdotal, o povo respondesse: Ámen, ou seja, “eu acredito”, “Que assim seja”.

ALELUIA

No Antigo Testamento, encontramos o nome Javé (em hebraico: יהוה) que é o nome de Deus. Esse nome Javé cujas letras foram traduzidas dos antigos caracteres hebraicos acima indicado, na verdade tem sua pronuncia original desconhecida. Parece que o significado mais provável seria “Aquele que traz à existência tudo o que existe”. Mas por ser muito antigo, difícil chegar a uma definição exata de significado.

Assim também é antiga a palavra Halleluyah (que nós pronunciamos simplesmente “Aleluia”). Também é um termo de origem hebraica formado pela junção de Hallelu (que significa Louvar) com Yah (que significa Deus – originado ou originou a palavra Javé). Portanto Halleluyah significaria: Louvem a Deus (Aleluia = Louvem a Deus, ou adorem a Deus). É uma palavra usada muito em cânticos e orações antigas.

MARANATÁ

A palavra Maranatá (do original מרנא תא) corresponde a duas palavras em língua aramaica (a língua de que se falava no tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo): Maran + atha. Significa “o Senhor vem” ou “Vem, Senhor”.

Essa palavra aparece duas vezes em toda Bíblia, isso no Novo Testamento, na Primeira Epístola de São Paulo aos Corintios (Corintios I – cap 16, 23) e no final do apocalipse quando São João diz: “Vem, Senhor” (Maranatá).

Primeira Epístola de São Paulo aos Corintios, capítulo 16, versículo 23:

SE ALGUÉM NÃO AMAR O SENHOR, SEJA MALDITO! MARANATA.

Livro do Apocalipse, capitulo 22, versículo 20:

AQUELE QUE ATESTA ESTAS COISAS DIZ: SIM! EU VENHO DEPRESSA! AMÉM. VEM, SENHOR JESUS! (em algumas traduções de Bíblias ainda se conservam a palavra Maranatá = Vem, Senhor Jesus)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O ferreiro e a lição de vida

“Filho meu, não desprezes o castigo do Senhor, nem desanimes quando por ele és repreendido; porque o Senhor castiga aquele que ama, e açoita todo o filho que reconhece por seu”. (Hb 12, 6-7)”

Havia um ferreiro que, após uma vida de excessos, se converteu a uma vida de piedade. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar das suas orações e súplicas a Deus, por meio de Nossa Senhora, nada parecia dar certo na sua vida. Muito pelo contrário. Seus problemas e dificuldades aumentavam.

Uma bela tarde, um amigo que o visitara, e que se compadecia de seus esforços, comentou:

- É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem de oração e a evitar os pecados, sua vida começou a piorar. Não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda sua devoção aos santos e à Virgem Maria, nada tem melhorado.

O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, encontrou uma explicação. Disse:

- Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Como isto é feito? Primeiro, aqueço a chapa de aço até que ela fique vermelha. Em seguida, tomo um martelo pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita. Em muitas ocasiões uma vez apenas não é suficiente.

O ferreiro deu uma longa pausa, pensou e continuou:

- As vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco num monte de ferro-velho que está na entrada de minha ferraria.

Mais uma pausa e o ferreiro concluiu:

- Sei que Deus está me colocando no fogo das dificuldades. Tenho aceito as “marteladas” que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: “Meu Deus, não desista, até que consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas.”

Deus quer fazer de cada um de nós uma pessoa melhor, pronta para ir para a bem-aventurança eterna…

Não se preocupe com as “marteladas da vida”, ou as provas a somos submetidos.

Deus está trabalhando nossa alma. Ele não vai desistir até o fim de nossa vida!

fonte: AASCJ - Associação Apostolado Sagrado Coração de Jesus

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Quando um pesadelo pode modificar nossas vidas.

Iniciava a noite. O padre José, depois de ter cumprido com suas obrigações, fechava a igreja para ir à casa paroquial rezar o Breviário – oração obrigatória a todos os padres. Ia caminhando pela rua e observou que não tardaria a chover. Chegando em sua casa, se acomodou na cadeira e começou a rezar o Ofício Divino (Breviário).

Essa oração, na verdade composta de várias orações e leituras magníficas, compõe um livro, que se reza de conformidade com o tempo litúrgico. Ao terminar de rezar, já tarde da noite, resolveu ir dormir. A chuva já se fazia forte. Adormeceu por volta das 23 horas. Porém, muito cansado pelos afazeres do dia, teve um pesadelo.

Sonhou que à meia noite, ao badalar dos sinos do grande relógio de parede, alguém batia na porta com muita força e insistentemente. Ainda em sonhos, levantou e foi ver o que estava ocorrendo.

“Quem será que bate apavoradamente, numa hora dessas...” – pensou.

Abriu a porta, e debaixo daquela chuva torrencial, um homem todo encapotado lhe falou:

- “Padre, por favor, minha mulher está morrendo, precisa vir comigo para lhe dar a extrema unção.”

Em sonhos, o padre pensava:

“Pode ser um bandido, pode ser uma mentira...” - a chuva estava muito forte e fazia frio – “mas pode ser verdade também.”

A indecisão: ia ou não ia atender aquele pedido aflito, pois o homem tinha aparência meio suspeita. Enfim, pensou um pouco e decidiu ir, pois se fosse verdade, não deveria deixar de dar os últimos sacramentos para uma moribunda.

- “Espere um pouco, meu filho. Vou colocar um agasalho melhor.”

E assim, depois de preparado para enfrentar a chuva e os perigos que poderiam advir, o padre apareceu novamente, fechando a porta para acompanhar o estranho.
Naquela época se andava de carruagem, e tendo subido nela, o cavalo começou a galopar desenfreadamente.

Como andava muito e nunca chegava o padre colocou a cabeça para fora e perguntou:

- “Meu filho, ainda falta muito?”

Ao que o estranho que estava dirigindo a carruagem gritou entre o barulho da chuva e trovões:

- “Já, já chegamos, padre. Estou fazendo o que posso para chegar logo”.

A carruagem chacoalhava muito, os cavalos corriam sem parar. Parecia que a coisa era realmente grave e séria. Passado mais algum tempo, e nenhuma casa pelo caminho... Só estrada de terra molhada. O padre estava ficando impaciente. Mais uma vez perguntou:

- “Meu filho, onde está sua mulher? Demora muito ainda?”

Ao que o estranho respondeu:

- “Já chegamos, é logo ali depois da fileira de árvores.”

Passado a fileira de árvores, realmente apareceu uma casinha muito humilde e pequena.

O estranho desceu, abriu a porta para o Padre lhe ajudando a descer da carruagem.
A porta da casa já estava meia aberta, o padre a empurrou e se viu numa sala pequena. Depois da sala uma cortina grossa. O padre perguntou:

- “Onde está sua mulher?”

O estranho respondeu:

- “No quarto, atrás da cortina, pode entrar”.

Ao que o padre abriu a cortina, detrás dela apareceu um horrível demônio com uma faca na mão tentando esfaqueá-lo desesperadamente e com muito ódio.

Ante tal pesadelo, o padre acordou assustado. Suspirava muito e suava frio de susto. Mas percebeu que não foi só o pesadelo que o havia acordado. Mas o som muito forte de alguém batendo desesperadamente em sua porta. O relógio estava tocando suas badaladas, pois era meia noite, assim como no pesadelo que tivera.
O padre mais assustado ainda, pensou:

“Quem poderia ser numa hora dessas... Talvez eu não devesse abrir a porta. O pesadelo pode ter sido um aviso de Deus. Pode ser um bandido que poderia me assaltar e assassinar.”

No entanto a pessoa, não parava de bater na porta e cada vez mais forte, com muita insistência. O padre pensou:

“Não se deve dar importância aos sonhos, afinal foi apenas um pesadelo, apesar da coincidência.”

Caminhou até a porta e abriu a porta. O susto foi tão grande que quase o padre tombou para trás. Era o mesmo estranho do sonho que lhe pedia:

- “Padre, por favor, minha mulher está morrendo, precisa vir comigo para lhe dar a extrema unção.”

O padre pensou:

“Não pode ser possível... a mesma pessoa do sonho... o mesmo pedido de ajuda... a mesma noite de tempestade, as mesmas badaladas do relógio... Era um aviso realmente.”

- “Meu filho, não poderei ir lhe atender, a chuva está forte e a noite muito fria.” – disse-lhe o padre com muito medo.

Ao que o estranho respondeu:

- “Padre, eu vos suplico, somos uma família católica. O Sr. não pode deixar minha mulher morrer sem os últimos sacramentos.”

O padre vendo o desespero na face do estranho, novamente pensou que não deveria dar atenção ao pesadelo. Além do mais não deveria deixar de dar os últimos sacramentos para uma moribunda. Assim lhe disse:

- “Espere um pouco, meu filho. Vou colocar um agasalho melhor.”

E assim, depois de preparado para enfrentar a chuva e os perigos que poderiam advir, o padre apareceu novamente, fechando a porta para acompanhar o estranho.
Tudo era coincidentemente igual ao pesadelo. O mesmo estranho, o mesmo pedido, a mesma carruagem, a mesma noite chuvosa, os relâmpagos e os trovões...
O padre ia rezando para que Deus o protegesse.

Como andava muito e nunca chegava o padre colocou a cabeça para fora e perguntou:

- “Meu filho, ainda falta muito?”

Ao que o estranho que estava dirigindo a carruagem gritou entre o barulho da chuva e trovões:

- “Já, já chegamos, padre. Estou fazendo o que posso para chegar logo”.

Ora, esse diálogo já havia ocorrido no pesadelo. Tudo estava acontecendo igual.

A carruagem chacoalhava muito, os cavalos corriam sem parar.
Então o padre pensou:

“Não vou perguntar mais nada, pois assim não fica igual ao pesadelo que eu tive...”

Mas a demora era demasiada, a paciência se esgotava, nunca se chegava ao local...

Então o padre não agüentou e perguntou:


- “Meu filho, onde está sua mulher? Demora muito ainda?”

Ao que o estranho respondeu:

- “Já chegamos, é logo ali depois da fileira de árvores.”

Nossa! Que coisa terrível. Tudo estava acontecendo igual o pesadelo que o padre tivera.

Passado a fileira de árvores, realmente apareceu uma casinha muito humilde e pequena.

O estranho desceu, abriu a porta para o Padre lhe ajudando a descer da carruagem.
A porta da casa já estava meia aberta, o padre a empurrou e se viu numa sala pequena. Depois da sala uma cortina grossa. O padre perguntou:

- “Onde está sua mulher?”

O estranho respondeu:

- “No quarto, atrás da cortina, pode entrar”.

A dúvida. E agora? O que o padre deveria fazer? Até então tudo estava igual ao pesadelo. O pesadelo deveria ser um aviso mesmo. A indecisão: abre ou não abre a cortina....

Então o padre respirou fundo, fez o sinal da Cruz, tomou um ato de coragem e com a cruz na mão, afastou a cortina....

Depois da cortina, lá estava a mulher numa cama... deitada já quase em agonia.

O padre mais do que depressa deu-lhe a extrema unção, rezando pela moribunda.

Tão logo acabou de ministrar os sacramentos, a mulher deu um último suspiro e entregou sua alma a Deus.

O estranho - que era marido daquela mulher -, e o padre se puseram a chorar copiosamente, e de joelhos agradeceram a GRAÇA de Deus pelo fato de ter dado tempo da mulher receber os últimos sacramentos antes de seu último suspiro.

O Padre então percebera: o pesadelo foi obra do demônio, para impedir aquela mulher de receber os últimos sacramentos, tentando afasta-lo daquela moribunda.

Tomemos muito cuidado, pois o demônio é mestre na arte de perder as almas. Não tenhamos medo de nada, sejamos heróis na prática da virtude.

(re-publicado a pedido de um sacerdote)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Copa do Mundo - Rezemos muito

Difícil colocar uma postagem numa época em que toda a atenção está voltada para o Mundial, isto é, a Copa do Mundo. Mesmo que nossos corações estejam acompanhando os jogos, não nos esqueçamos de rezar pela nossa pátria também. Se todos nós rezássemos com o mesmo fervor com que torcemos, o Brasil estaria em primeiro lugar em virtudes.

Em qualquer situação, em qualquer ocasião, em qualquer evento, em qualquer acontecimento, JAMAIS podemos esquecer de rezar. Jamais devemos esquecer de Deus.

"A calma é o primeiro prêmio do silêncio".

Convido-os a elevar os olhos ao alto-altíssimo, onde os Seraphins (anjos mais próximos de Deus), cantam louvores à Deus continuamente:

Duo seraphim clamabant alter ad alterum:
Sanctus Dominus Deus Sabaoth.
Plena est omnis terra gloria ejus. (Isaiah 6:3)

Tres sunt, qui testimonium dant in coelo:
Pater, Verbum et Spiritus Sanctus:
et hi tres unum sunt.
Sanctus Dominus Deus Sabaoth.
Plena est omnis terra gloria ejus.

Dois serafins clamaram um para o outro:
Santo é o Senhor Deus dos Exércitos.
Toda a terra está cheia da sua glória.

Há três que dão testemunho no céu:
o Pai, o Filho, e o Espírito Santo:
e estes três são um.
Santo é o Senhor Deus dos Exércitos.
Toda a terra está cheia da sua glória.

Ouça a música e acompanhe com a letra acima:

http://www.youtube.com/watch?v=srcPfOnJV_0

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ensinamentos e Admoestações Sobre Paz e Bem

Peçamos humildemente a Jesus Cristo que nos conceda alegrar-nos só nele, viver modestamente, menosprezar as inquietações do mundo, manifestar-lhe todas as nossas necessidades, a fim de que, protegidos por sua paz, possamos um dia viver na pacífica Jerusalém do céu. Auxilie-nos aquele que é bendito e glorioso pelos séculos eternos. E toda alma pacífica diga: Amém! Aleluia! (3Ad 6d).

Busca a paz dentro de ti, em ti mesmo; se a encontrares, terás paz com Deus e com o próximo (5Pn 16a).

Os olhos misericordiosos do Senhor estão sobre os que procuram a paz (5Pn 16a).

Coisas necessárias a qualquer justo: a paz do coração, a separação dos bens terrenos, o silêncio da boca, o êxtase da contemplação, a lembrança da própria fragilidade (Pp 18c).

O azeite é o mais excelente de todos os líquidos; a paz de consciência excede o gozo dos bens temporais (Ft 15a).

Quem possuir a paz do coração merece de verdade ser chamado filho de Deus Pai, ao qual, juntamente com seu Unigênito, diz na hora da morte: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito, porque da paz do coração passa à paz da eternidade (23Pn 18a).

Quem em vida estabelecer com o Senhor a aliança da reconciliação, depois, no reino celeste, repousará na formosura da paz (9Pn 15c).

De Deus provém todo o bem que nós possuímos (6Pn 12b).

O bem é sempre simples (l0Pn 13a).

Jesus Cristo é o Bem, o bem substancial, de quem todas as coisas prendem bondade. Tudo o que há e se move, vive ou existe no céu, como nos anjos, na terra ou debaixo da terra, no ar, na água, dotado de inteligência e de razão, procede daquele Sumo Bem, causa de todas as coisas e fonte de bondade (Ft 9a).

A coroa de todo o bem é a humildade (1Qr2 4c).

Afasta-te do mal, mas isto ainda não basta: é preciso praticar o bem (5Pn 16a).

Note-se que há quatro espécies de orgulho: quando alguém possui um bem e julga ter ele vindo de si mesmo; ou, se dado por Deus, considera-o dado em razão dos seus méritos; ou jacta-se de possuir o que não possui; ou despreza os outros e procura pôr em evidência o que possui (11Pn 3a).

Do Livro “Ensinamentos e Admoestações de Santo Antônio de Pádua”, Vozes, 1999.

domingo, 25 de maio de 2014

Olhar para cima

Uma menina que brincava nas proximidades de um precipício sentiu, de repente, o terreno ceder sob seus pés, e antes que tivesse tempo de se firmar num apoio qualquer, escorregou até a beira do abismo e caiu.

Levada pelo instinto, agarrou-se a um tufo de grandes ervas que cresciam numa saliência da rocha.

Os seus pequeninos dedos firmaram-se ali e impediram a queda fatal.

Assim suspensa, pôs-se a gritar a menina incessantemente por socorro.

Os minutos pareciam-lhe séculos. Alguns instantes depois ela ouviu uma voz que lhe recomendava em tom animador: “Olha sempre para cima!”

Instintivamente a menina obedeceu; não olhou mais para baixo e conservou os olhos fixos na parte mais alta do rochedo.

De novo a voz repetiu a mesma ordem, mais perto dela. Passado um momento, ei-la amparada nos braços de seu pai e salva da morte!

Nós também, queridos amigos, não devemos cessar de olhar para cima, isto é, para Deus!

Deus misericordioso! Tu és o verdadeiro sol do mundo, que sempre brilhas e nunca tens ocaso; que, por Teus raios mais benéficos e por Tua luz avivas e alegras todas as coisas no céu e na terra; rogamos-Te que misericordiosamente brilhes em nossos corações para que a noite e a escuridão do pecado, e as névoas do erro de todos os lados sejam dissipadas pelo brilho da Tua luz em nossos corações, e nós puros e limpos das obras das trevas, alcançando as bênçãos abundantes que tens preparado para nós.

Autor: (D.) - Lendas do Céu e da Terra

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Justo e o Anjo

Muitas vezes se é levado a fazer uma postagem não para criticar ninguém, mas por zêlo apostólico, para a salvação das almas.

Um convite à reflexão. Um convite à sua salvação. Considerações sobre o amor ao próximo e a sua própria salvação.

Devemos amar nosso semelhante. De que adianta ser forte como uma árvore, mas ser estéril? Deus condenou a figueira estéril.

E passou a narrar esta parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha; e indo procurar fruto nela, e não o achou. Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente? Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que eu cave em derredor, e lhe deite estrume; e se no futuro der fruto, bem; mas, se não, cortá-la-ás. (Evangelho de São Lucas 13:6-9).

Você, homem “virtuoso”, que pensa estar cumprindo os mandamentos, tire a venda dos seus olhos antes que seja tarde, pois os mandamentos se resumem em dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo”. Se não amares o teu próximo, você se condenará, mesmo que pratique a castidade no mais extremado grau...

De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. (Epístola de São Tiago 2:14-17).

O demônio também tem fé, porque viu a Deus, mas está no inferno porque não fez boas obras (Epístola de São Tiago).

Fazer bem ao seu semelhante, vale também ao mundo comercial e social, não só no mundo religioso.

Duma maneira geral, recordem-se o rico e o patrão de que explorar a pobreza e a miséria e especular com a indigência, são coisas igualmente reprovadas pelas leis divinas e humanas; que cometeria um crime de clamar vingança ao céu quem defraudasse a qualquer no preço dos seus labores: «Eis que o salário, que tendes extorquido por fraude aos vossos operários, clama contra vós: e o seu clamor subiu até aos ouvidos do Deus dos Exércitos» (Encíclica Rerum Novarum - Papa Leão XIII)

O salário deve ser digno e justo, e que seja suficiente para o trabalhador viver honradamente e sustentar sua família e educar seus filhos com dignidade. (Encíclica Rerum Novarum - Papa Leão XIII)

[...] o salário não deve ser insuficiente para assegurar a subsistência do operário sóbrio e honrado. Mas se, constrangido pela necessidade ou forçado pelo receio dum mal maior, aceita condições duras que por outro lado lhe não seria permitido recusar, porque lhe são impostas pelo patrão ou por quem faz oferta do trabalho, então é isto sofrer uma violência contra a qual a justiça protesta. (Encíclica Rerum Novarum - Papa Leão XIII)

JUROS: O concílio universal de Viena (França) em 1311 chegou a equiparar a um herege quem ousasse negar que o empréstimo a juros é pecado.

Usura não significa juros altos, e sim qualquer cobrança de juros, mesmo baixos, sobre um empréstimo improdutivo. Não é apenas imoral (tendo sido, em decorrência disso, condenada por todos os códigos morais – pagãos, muçulmanos ou católicos), mas também, em última análise, destrutiva da sociedade. Somente tornou-se prática usual do nosso comércio após o colapso europeu que se seguiu à Reforma Protestante. (Hilaire Belloc)

Se fizerem empréstimo a alguém do meu povo, a algum necessitado que viva entre vocês, não cobrem juros dele; não emprestem visando a lucro. (Êxodo, 22:25)

Não cobrem juros de um israelita, por dinheiro, alimento, ou qualquer outra coisa que possa render juros. (Deuteronômio 23:19)

Na Idade Média S. Tomaz (+ 1274), num estudo minucioso, condenava os juros, baseando-se na tese de que pelos juros se vende duas vezes o mesmo objeto (cf. Suma Teol. II/II 78, 1-4). A legislação da Igreja medieval corroborava tal sentença; tenham-se em vista as Decretais dos Papas Alexandre III (1159-81) e Urbano II (1185-87), assim como os cânones dos concílios ecumênicos do Latrão III (1179) e de Lião II (1274). O concílio universal de Viena (França) em 1311 chegou a equiparar a um herege quem ousasse negar que o empréstimo a juros é pecado (cf. Denzinger Enchiridion 479).

Para quem é católico, mas se esqueceu de estudar o catecismo, relembro o que consta no terceiro catecismo da doutrina cristã:

439) É só com o furto e com o roubo que se prejudica o próximo nos seus bens?

Prejudica-se também com a fraude, com a usura e com outra qualquer injustiça contra os seus bens.

Por final, o Papa Bento XIV, através da encíclica Vix Pervenit, também condenou a usura, o empréstimo de dinheiro a juros.

Passemos à nossa história: A HISTÓRIA DO JUSTO.

Havia na Terra um homem justo. Procurava fazer todas as coisas de conformidade com a vontade de Deus. E por isso era conhecido por Justo. Mas se aos olhos da carne ele era Justo, será que aos olhos da alma ele era justo também?

Quem saberá a vontade de Deus realmente? Muitos se sacrificam, enveredando para o mundo da solidão pensando fazer a vontade de Deus; mas como sabe este que a vontade de Deus é exatamente essa? Outros se casam pensando em cumprir o mandamento divino: “crescei e multiplicai-vos e enchei toda a terra”; mas seria isso o que Deus desejaria para este último? Como saber a vontade de Deus?

No entanto, o Justo vivia uma vida justa aos olhos dos homens: não pecava, rezava muito, fazia penitências... Mas um desses dias, um anjo lhe apareceu, tão esplendoroso e cheio de luz que o Justo pensou que era o próprio Deus, e, por isso, se jogou por terra adorando-O. Ao que o Anjo lhe respondeu:

- Levante-se e não me adores, porque não sou Deus, mas criatura de Deus.

Os olhos do Justo se encheram de gáudio e de admiração. Não poderia imaginar que um anjo pudesse ser tão belo, grandioso e forte.

- O queres de mim? – perguntou Justo

Foi então que o anjo passou a repreende-lo com autoridade. Ao que Justo respondeu:

- Tudo o que faço em minha vida, faço de conformidade com a vontade de Deus... levo uma vida penitente e sem pecados.

Ao que o Anjo lhe increpou:

- Orgulhoso tu és, ao pensar que sabes a vontade de Deus Todo Poderoso. As considerações de Deus são diferentes de tuas considerações. Os homens escolhem seu caminho pelo que lhes mais convém. Suas penitências são frutos do teu orgulho, para que sejas chamado de homem penitente. Não sejas como o avarento que, para não dispor de seu dinheiro, dá bons conselhos acreditando que isso já é o suficiente. Se quiseres ser Justo verdadeiramente, seja humilde, se desapegue de seus bens que lhe leva fatalmente à avareza. O grande segredo da vida santa é a caridade cristã: faça o bem a todos, dê bons conselhos, mas também dê esmolas e ajude o próximo. Sereis julgados pelo bem que fizeres não pela sua fé.

NOTA DO BLOG: Se alguém disse: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.(1 Epistola de São João 4:20). Olhe para o lado, seu irmão pode estar passando muita necessidade... arranje um emprego para ele, ajude-o, dê-lhe condições de viver dignamente e terás um tesouro no céu. O SER HUMANO É UMA CRIATURA DE DEUS: CUIDE BEM DAS COISAS DE DEUS.

Foto: Ferdinand Georg Waldmuller (1793-1865)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O fingido e o verdadeiro morto

Os Fioretti (Pequenas flores) foram escritos em latim, no século XIII, recolhendo historietas e milagres que se contavam de Francisco de Assis. Também nasceram “Fioretti” em torno da vida de Antônio, de Lisboa ou de Pádua. O “Livro dos Milagres” foi escrito por Arnaldo de Serranno, na segunda metade do século XIV, dentro da visão e da mentalidade da época, que todos sabemos compreender. Selecionamos aqui “O fingido e o verdadeiro morto”.

Durante o seu giro missionário pelo Friuli e pela Ístria, Santo Antônio chegou aos arredores de Údine. Lá os franciscanos ainda não eram conhecidos. Ele mesmo era uma figura que suscitava mais desconfiança do que simpatia, mais aversão do que acolhimento.

Desejoso de pregar ao povo trepou numa árvore. Todavia, como referem as tardias tradições locais, em vez de provocar ao menos a curiosidade dos que se achegavam, causou entre o povo reações de insolência, caçoadas e insultos. O Santo jamais enfrentara tal situação na sua vida de pregador. Por isso, imitando o gesto de indignação ensinado por Cristo, sacudiu a poeira dos pés e se afastou.

Impressionado, o povo se arrependeu de sua aspereza e acabou abrindo o coração a uma sincera devoção para com o arauto de Cristo.

Passou então a Gemona, onde sua pregação colheu grandes frutos entre a população. Aquela gente o levou a erigir uma capela em honra da Virgem Santíssima. Para construí-la iniciaram-se os trabalhos numa atmosfera de intenso entusiasmo. As despesas, naturalmente, corriam por conta das esmolas livres dos devotos.

Um belo dia passou por aquelas paragens um agricultor guiando uma carroça. Antônio lhe pediu ajuda no transporte de pedras. Respondeu o camponês que não podia fazê-lo, porque, infelizmente, estava levando para o cemitério o corpo do seu próprio filho que jazia no fundo do carro. “Seja como dizeis”, replicou o Santo.

O vilão prosseguiu sua viagem. Chegando a uma distância onde não podia ser ouvido pelo homem de Deus, aproximou-se do rapaz e o despertou, para juntos rirem-se do frade. Mas o sorriso se lhe apagou súbito na boca, pois, por mais que o chamasse e sacudisse, o jovem não respondeu. Estava morto de fato.

Assaltado pelo remorso, o camponês zombeteiro apressou-se em retornar ao Santo, e, entre gemidos, lhe contou tudo. Antônio se enterneceu e confortou o pobre homem. Então, aproximando-se da carroça, com um sinal da cruz, devolveu o jovem à vida.

Fonte: Convento Santo Antonio

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Aniversário e Nunca teve um dia mau

Ontem o Blog fez mais um aniversário. Que Deus me dê forças para continuar fazendo meu trabalho. A todos desejo muita paz. Na foto a benção do Papa São Pio X. Vamos à nossa história de hoje:

Nunca teve um dia mau

O famoso místico Eckehart (1260-1329), certo dia, cumprimentou assim um mendigo assentado junto à porta da igreja:

— Bom-dia! Deus lhe dê um bom dia, meu irmão.

— Agradeço esse bom desejo. Mas até agora nunca tive um dia mau.

— Como foi possível isso? — perguntou assustado o mestre.

— Porque suportei todos os sofrimentos que Deus me mandou, por amor dele.

— Então, quem é você?

— Eu sou um rei.

— Se é rei, deve ter um reino. Onde está o seu reino?

— No meu coração.

— Então é um santo...

— Não sei se sou santo. Sei apenas que procurei sempre a Deus. Onde o achei, encontrei também a paz.

Fonte: Padre Pelágio.

sábado, 5 de abril de 2014

Tudo está bem, Senhora Marquesa!

Comentário inicial:

Há um estado de espírito no mundo moderno pelo qual as pessoas só pensam em si mesmas, não se importando ao que aconteça às outras pessoas. Se o mundo está caindo de pecado em pecado, que importa? O que importa é que eu tenho meu empreguinho, minha casinha e minha familinha... ou seja, o que importa sou eu... – é esse o pensamento que certos tipos de pessoas têm neste mundo moderno. Não foi sem alegria que encontrei esta musica do ano de 1935, uma canção francesa que apresenta bem essa característica do homem moderno: “O mundo está acabando, mas eu estou bem e, portanto está tudo bem”. Uma Marquesa, estando de viagem, telefona aos seus empregados para saber como andam as coisas, e a cada telefonema ela se assusta ainda mais. Transcrevo o original em francês, e depois coloco a tradução para o português, para que vocês possam acompanhar a musica no link abaixo:


Tout va très bien, Madame la Marquise

Allô, allô James !
Quelles nouvelles ?
Absente depuis quinze jours,
Au bout du fil
Je vous appelle ;
Que trouverai-je à mon retour ?

Tout va très bien, Madame la Marquise,
Tout va très bien, tout va très bien.
Pourtant, il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien :
Un incident, une bêtise,
La mort de votre jument grise,
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô Martin !
Quelles nouvelles ?
Ma jument gris' morte aujourd'hui !
Expliquez-moi
Cocher fidèle,
Comment cela s'est-il produit ,

Cela n'est rien, Madame la Marquise,
Cela n'est rien, tout va très bien.
Pourtant il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien :
Elle a péri
Dans l'incendie
Qui détruisit vos écuries.
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô Pascal !
Quelles nouvelles ?
Mes écuries ont donc brûlé ?
Expliquez-moi
Valet modèle,
Comment cela s'est-il passé ?

Cela n'est rien, Madame la Marquise,
Cela n'est rien, tout va très bien.
Pourtant il faut, il faut que l'on vous dise,
On déplore un tout petit rien :
Si l'écurie brûla, Madame,
C'est qu'le château était en flammes.
Mais, à part ça, Madame la Marquise
Tout va très bien, tout va très bien.

Allô, allô Lucas !
Quelles nouvelles ?
Notre château est donc détruit !
Expliquez-moi
Car je chancelle
Comment cela s'est-il produit ?

Eh bien ! Voila, Madame la Marquise,
Apprenant qu'il était ruiné,
A pein' fut-il rev'nu de sa surprise
Que Monsieur le Marquis s'est suicidé,
Et c'est en ramassant la pelle
Qu'il renversa tout's les chandelles,
Mettant le feu à tout l'château
Qui s'consuma de bas en haut ;
Le vent soufflant sur l'incendie,
Le propagea sur l'écurie,
Et c'est ainsi qu'en un moment
On vit périr votre jument !
Mais, à part ça, Madame la Marquise,
Tout va très bien, tout va très bien.

TRADUÇÃO:

Alô, alô James!
O que de novo?
Ausente depois de quinze dias,
Na linha
Eu chamo-lhe;
O que vou encontrar no meu retorno?

Tudo vai muito bem, Senhora Marquesa,
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.
No entanto, devemos, devemos dizer-lhe,
Lamento uma coisinha de nada:
Um incidente, algo estúpido,
A morte de sua égua cinza,
Mas além disso, Senhora Marquesa,
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

Alô, alô Martin!
O que de novo?
Minha égua cinza, morreu hoje!
Explique-me
Cocheiro fiel,
Como foi que isso aconteceu,

Isso não é nada, Senhora Marquesa,
Isso não é nada, tudo vai muito bem.
No entanto, devemos, devemos dizer-lhe,
Lamento uma coisinha de nada:
Ela morreu
No incêndio
Que destruiu seus estábulos.
Mas, além disso, Senhora Marquesa
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

Alô, alô Pascal !
O que de novo?
Meus estábulos estavam tão queimados?
Explique-me
Modelo de Servo,
Como isso aconteceu?

Isso não é nada, Senhora Marquesa,
Isso não é nada, tudo vai muito bem.
No entanto, devemos, devemos dizer-lhe,
Lamento uma coisinha de nada:
Se o estábulo queima, Senhora,
É que o castelo estava em chamas.
Mas além disso, Senhora Marquesa
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

Olá, olá Lucas !
O que de novo?
Nosso castelo é destruído!
Explique-me
Porque eu cambaleio
Como isso aconteceu?

Bem! Eis, Senhora Marquesa,
Ao saber que ele estava em ruínas,
A pintura que recuperara para sua surpresa
O senhor marquês se suicidou,
E com a pá que tinha pego
Todas as velas que ele derrubou,
Ateando fogo ao castelo inteiro
Que se consome de baixo ao alto;
O vento que sopra sobre o fogo,
O propagou para o estábulo,
E, assim, num momento
Vimos perecer sua égua!
Mas além disso, Senhora Marquesa,
Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

ACOMPANHE A MUSICA:

https://www.youtube.com/watch?v=T5WdpSPeQUE

quarta-feira, 19 de março de 2014

São João Câncio e os ladrões

Ia São João Câncio, certa vez, em peregrinação a Roma. Em meio de uma estrada deserta cai sobre ele uma quadrilha de ferozes salteadores que o despojam de sua bolsa que minguados haveres continha.

- Amigos – exclamou o santo – deixai-me agora prosseguir, em paz, a minha jornada.

Respondeu um dos ladrões:

- Só terás liberdade se nos entregares todo o ouro que levas.

- Sou pobre, asseguro-vos, nada mais me resta.

- Quem nos garantirá que não estás mentindo?

- Não sei mentir!

- Nesse caso, avia-te!

Retomou o santo o seu caminho como se nada houvesse acontecido, contente, sim, com a esmola que fizera, mas profundamente triste, até o fundo d’alma, com as negras ofensas que assim recebia da parte dos homens. Como fazia sempre, ofereceria, uma vez mais, o santo sacrifício pelos transviados, para que não desabasse sobre eles a justiça divina. Tinha vencido largo trecho da estrada como uma inesperada lembrança, enchendo-lhe de remorso o espírito, o fez parar. Esquecera-se de que levava, costuradas na fímbria do seu manto, algumas moedas. Sem mais hesitar, retrocedeu apressado e foi novamente ao lugar em que se achavam os bandidos.

Disse-lhes o santo ao chegar:

- Não me leveis a mal. Trago-vos aqui estas moedas. São vossas. Não me lembrava de que ainda as tinha comigo.

Diante de tão grande bondade e daquela incomparável candura, abranda-se o coração dos bandidos. Restituíram ao santo tudo o de que o haviam despojado, e deram-lhe, ainda, uma escolta fiel capaz de conduzi-lo a lugar seguro.

Autor: (E.V.M.)
Fonte: Lendas do Céu e da Terra

terça-feira, 11 de março de 2014

Um herói

Há alguns anos, uma pitoresca aldeia da Suíça foi destruída pelo fogo. Em poucas horas as lindas vivendas eram, pelas chamas, reduzidas a escombros.

Passando o furor do incêndio um dos moradores achava-se tomado de grande desespero. Já não possuía sua casa e suas vacas e, para cúmulo da desgraça, desaparecera o seu filhinho, um menino de sete anos. O pobre homem chorava sem cessar, recusando ouvir qualquer palavra de conforto. Passou toda a noite tristemente entre as ruínas do seu lar.

Quando apareceram os primeiros alvores da madrugada, ouviu um som bem conhecido e, olhando para a estrada, viu sua vaca favorita, que conduzia todas as outras e, atrás delas, seu filho querido.

- Meu filho, meu filho! – exclamou ele. – Como conseguiste escapar do incêndio?

- Muito simples papai. Quando vi o fogo, tratei logo de reunir as vacas e levei-as para o campo.

- Tu és um herói, meu filho! – proclamou, orgulhoso, o pai.

- Oh! Não, papai. Herói é aquele que pratica algum ato de valor. Eu levei as vacas para o campo somente porque as vi em perigo; sabia que era a única coisa acertada a fazer.

- Pois meu filho – tornou o pai – aquele que faz coisa acertada e tempo oportuno, é um herói.

Fonte: Lendas do Céu e da Terra
Foto: Pintura de Robert Duncan

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O santo e o impostor

Havendo um impostor querido fazer-se passar por São Francisco Borja, foi condenado às galés.

Ao ouvir relatar o caso quedou-se muito admirado o grande santo e observou:

- Parece insensato esse homem que julga honra vestir a figura e fazer o maior papel do maior dos pecadores.

E acrescentou:

- Se ele mereceu galés só por usurpar o nome de um pecador, que mereço eu que o tenho na realidade?

Tais palavras revelam grande humildade de espírito.

A humildade é a base de toda a vida espiritual e constitui, com a mortificação, as duas colunas do templo interior. Ninguém está dispensado de a praticar, senão que é dever ainda mais imperioso para a alma que Deus cumulou de graças de escol. Para essa, a humildade devia ascender ao grau do heroísmo, pois que o abismo é enorme entre sua própria imperfeição e os benefícios recebidos.

Nosso Senhor praticou a humildade. Foi humilde de coração, humilde em toda a sua vida. Os homens infligiram-lhe humilhações sem número suportadas com inefável doçura, sofridas com admirável nobreza. Abriu-nos o caminho para o verdadeiro desprendimento, e aí, como em tudo, Ele é nosso modelo, o exemplo perfeito que devemos seguir, mesmo de longe.

Fonte: Lendas do Céu e da Terra

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A taça transbordante

Contam que um califa de Bagdá tinha um filho, já moço, muito acanhado e tímido. Não saía à rua para que o não vissem e dessem tento do seu modo de andar e o apontassem como sucessor do rei.

O pai, a quem muito mortificava a timidez do filho, um dia chamou-o e disse-lhe:

- Toma esta taça de cristal. Hás de leva-la com água a transbordar, desde este palácio até a mesquita, sem contudo entornares uma gota sequer. É essa a minha ordem. Muito triste ficarei se me desobedeceres!

Pelas longas e tortuosas ruas sai o moço a caminhar com imensa cautela, completamente alheio ao rebuliço da massa popular e indiferente aos olhares dos curiosos espectadores. Era preciso obedecer a seu pai. E ele fez exatamente como lhe fora ordenado. Tornando a casa, perguntou-lhe o rei se havia notado a curiosidade dos transeuntes.

- Com me seria possível fazê-lo – respondeu – tendo na mão a taça a transbordar?

Assim também, se tu, meu bom amigo, andasses pela vida preocupado com uma taça a transbordar, afastaria de ti o respeito humano e caminharias pela estrada do dever com tranqüila confiança. Ora, essa taça mais frágil que o vidro, mas que deve absorver os teus sentidos, é a tua alma de cristão. E se possuis essa preciosa e delicada taça e desejas transportá-la, por que emprestar tanta importância aos olhares e críticas dos transeuntes que querem perturbar a tua jornada gloriosa pela vida?

Fonte: Lendas do Céu e da Terra - Malba Tahan

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Intimação não atendida, ameaça cumprida

No dia da Ascenção de Nosso Senhor do ano de 1429, os ingleses defensores de Orleans receberam de Santa Joana D’Arc a seguinte intimação:

- A Vós, ingleses, que não tendes nenhum direito sobre este Reino de França, o Rei dos Céus vos ordena e intima por mim, Jeanne la Pucelle: retirai-vos de vossas fortalezas e retornai a vosso país, pois senão vos farei tal mortandade que dela as guardará perpétua memória. Eis o que vos escrevo pela terceira e última vez, e não mais escreverei.

Assinado: Jesus, Maria e Jeanne la Pucelle

Os ingleses se dispensaram de responder à intimação. No dia seguinte, 8 de maio, após violento assalto, Santa Joana D’Arc entrava vitoriosa em Orleans.O cerco da praça forte durara apenas 8 dias.

“Vie et Mort de Jeanne D’Arc”
Regine Pernoud

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Papa que menos falou

Entre todos os Papas, Clemente XIV foi quem falou menos e quem mais praticou a austeridade. Foi tão pobre que "escandalizou" os romanos.

Antes de ser eleito Papa, chamava-se Lourenço Ganganelli.

Freqüentes vezes foi tido por um simples Irmão leigo. Certa vez um visitante fez a seguinte observação: "Quanta sabedoria nesse frade! É pena que uma pessoa com a sua inteligência e memória prodigiosa, não tenha estudado, devendo ser a vida inteira um simples irmão leigo. Se tivesse estudado, sabe Deus o que poderia ser mais tarde". Frei Lourenço sorriu, mas não se revelou.

Depois de eleito Papa, o bom Frei Lourenço não mudou em nada seus hábitos de vida austera e modesta. Preferiu continuar como simples frade, mesmo no meio da esplêndida corte pontifícia. Sua comida era preparada por um Irmão da sua Ordem Religiosa.

Quando alguém lhe dizia que convinha ter um padrão de vida à altura de um Papa, ele respondia: O que vocês querem? São Pedro e São Francisco não me ensinaram a comer com luxo e cerimônia.

Uma princesa perguntou se ele combinava bem com seus secretários. Ele respondeu, mostrando os dedos das mãos:

"Não tenho queixas. E são dez ao todo". Na sua simplicidade, Clemente XIV dispensou até os secretários.

Clemente XIV (1705-1774) — Um dos santos contemporâneos foi Santo Afonso Maria de Ligório, seu amigo e confidente. Ele dizia sempre: A alegria não nos deixa envelhecer. Antes, conserva no semblante um ar de serenidade e paz.

Fonte: Boletim do Padre Pelágio

sábado, 1 de fevereiro de 2014

A menina dos fósforos

Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre menina seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços.

É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.

Por isso, a menina seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando:

— Quem compra fósforos bons e baratos?

Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre menina! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava.

Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa água-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores.

Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um só, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fogão de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e o fogão desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão.

Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a menina viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de louças finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e purê de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da menina.

O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria.

E acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela.

A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direcção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz.

- Foi alguém que morreu - pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muita vez: “Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.”

Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!

— Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda.

Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.

Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma menina, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… morta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos.

— Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém.

Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo.

Hans Christian Andersen
Os melhores contos de Andersen
Editora Verbo, s/d

domingo, 26 de janeiro de 2014

O lar de Deus

Pergunta, meu amigo, àquele homem qual é o lugar mais agradável do mundo. Decerto responderá:

- O meu lar. É ali que me sinto realmente feliz.

Pois bem, meu amigo, o lar de Deus é sua Igreja. Lá, vou encontrá-Lo. Sinto-me bem ao Seu lado. Comunico-me com Ele.

Davi disse: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor”.

Deus chamou à Igreja, o lar de Deus, onde recebo força para brilhar entre os homens, porque Jesus ordenou: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens. Para que vejam as vossas obras, e glorifiquem vosso Pai que estás nos céus”.

Na Igreja, falo com Deus pela voz da prece e Ele fala comigo pela Sua palavra. Aprendo lá como viver, como louvar o Seu nome e como trabalhar – cooperando com Ele.

Escreveu Jackson de Figueiredo:

“Só vejo no mundo um ideal à altura de uma verdadeira consciência: servir à Igreja, defendê-la, espalhar cada vez mais o seu espírito, aponta-la como único refúgio da bondade e do amor, como única força, como amparo, único realmente seguro, à inteligência e à sensibilidade”.

Nunca te arrependerás:
De teres refreado a língua, quando pretendias dizer o que não convinha ou o que não era verdade.
De teres formando o melhor conceito sobre o proceder de outrem.
De teres perdoado aos que te fizeram mal.
De teres contribuído para o sustento da tua Igreja e obras de beneficência.
De teres cumprido pontualmente tuas promessas bem pensadas.
De teres suportado com paciência as faltas alheias.
De teres simpatizado com os oprimidos.
De teres pedido perdão por falta cometida.
De teres recusado ouvir anedotas inconvenientes e ler escritos da mesma natureza.
De teres escolhido, com prazer, pensamentos, discursos e leituras edificantes.
De teres pensado antes de falar.
De teres honrado a teus pais e superiores.
De teres sido cortes e honesto em tudo e com todos.

(C.C.M.S.) – Lendas do Céu e da Terra.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A simplicidade que traz alegria

Um dia o tédio vem. Imaginemos uma família, onde cada um só pensa em si mesmo, a moral é ditada pela matéria, sem religião, sem amor. A mãe só tem pensamentos no luxo da vida e nas futilidades do dia-a-dia. O pai, grande e velho empresário, só tem atenção para o dinheiro que vai ganhar e para o futebol. Os filhos, coitados, sem qualquer atenção ou formação moral, são educados pelo “mundo”, entre as arrogâncias que fazem questão de portar. Que família é essa!!!

Um dia o tédio vem. E foi assim que num desses dias, entediado o velho e grande empresário, saiu de sua casa para trabalhar em seu carro, com os vidros escuros fechados, desfrutando os “sabores” do ar condicionado. Frustrado com o seu cotidiano começou a pensar que tinha tudo, mas faltava-lhe a felicidade. Estava sempre rodeado de pessoas, mas faltava-lhe amigos. Tinha uma família, mas lhe faltava amor. Que vida é essa!!!

Ao chegar perto do cruzamento, fechou o farol e ele teve que parar. Observou que havia uma menina muito pobre com um tabuleiro de doces, oferecendo seu produto de carro em carro. Observou bem e achou muito bonito e gracioso o vestidinho que usava aquela pequena criança.

Entediado das pessoas que costumeiramente o cercam, resolveu abrir o vidro e talvez comprar um chocolate daquela menina pobrezinha, não porque queria comer, mas para se distrair um pouco.

Ao se aproximar do automóvel, vendo o rosto sério e entediado do empresário, a menina lhe perguntou:

- Qual a capital da Paraíba?

Por essa ele não esperava. Pensava em comprar um chocolate e ganhou um sorriso e amabilidade por parte da menina. Brotou um sorriso espontâneo na face do empresário que respondeu:

- João Pessoa.

- Compre um chocolate que eu saio “numa boa” – respondeu com rima a pequena menina.

Isso fez o empresário dar um sorriso ainda maior.

Vendo que ele estava gostando, mas não comprava nada, a menina insistiu:

- Qual é a capital do Piauí?

Já todo sorridente o empresário respondeu:

- Teresina.

- Então compre um chiclete que eu saio “de fina” – respondeu sorrindo a menina.

Isso fez com que o empresário desse uma boa risada.

Olhando para o carro muito elegante do empresário, e percebendo se tratar de gente que tem muito dinheiro, a menina continuou:

- Qual a capital de Pernambuco?

O empresário estava gostando desse diálogo tão relaxante e descontraído:

- Recife.

- Então compre logo tudo e mostre que tem “cacife” – imediatamente respondeu a menina.

Com um largo sorriso o empresário perguntou quanto custava todo o tabuleiro. E a menina respondeu que tudo custava cinqüenta reais... Tão pouco para tão grande conforto dado ao empresário que imediatamente comprou tudo o que ela estava vendendo.

A menina pegou o dinheiro, dobrou e colocou na sua bolsinha, e foi embora feliz. Curioso o empresário estacionou o carro e viu que a menina tinha entrado numa Igreja que havia no meio do quarteirão. Pensou: “o que aquela menina faria dentro daquela Igreja?”, e resolveu segui-la.

Desceu do carro e foi atrás da menina dentro da Igreja. Só que na Igreja não havia ninguém. O empresário inconformado procurou a menina por todos os cantos e altares da Igreja e não a encontrou. Onde foi parar a menina? Sentou num banco e começou a notar melhor o ambiente em que estava. Era o interior da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora. Aquela calma, aquele silêncio, aquele ambiente falavam mais em sua alma do que o maior e mais eloquente dos discursos. Eram palavras de paz, de amor, de silêncio. Sentia tranqüilidade. Parecia que todos os seus problemas haviam sumido. Somente então percebeu que nesse marasmo do mundo moderno, somente quem tem a Deus é que é feliz. Disse para si mesmo: Deus existe verdadeiramente, e talvez tenha enviado um anjo para me atrair para a Igreja e trazer-me a paz e a calma do espírito.

Recebido pela Internet, desconheço o autor.