
Admiramos, e com razão, as obras de Platão, de Aristóteles e de outros engenhos. E que conseguiram eles com toda sua sabedoria?
Com quanto acerto e elevação não escreve Platão sobre a divindade! Platão não conseguiu, entretanto, arrebatar da idolatria uma única cidade, uma única aldeia, nem a rua em que habitava. Com que facúndia não discorriam Sócrates, Cícero, Sêneca e Marco Aurélio sobre as virtudes e as obrigações dos homens! Mas eles não puderam arrancar seu povo, nem a própria família, da profunda corrupção em que se achavam...
Rudes e humildes pescadores da Galiléia anunciam a doutrina de Cristo com simplicidade e realizam a obra maravilhosa: transformar, por completo, a face da Terra.
É o milagre do cristianismo!
Encerram, aliás, os ensinamentos de Jesus uma particularidade sobremaneira notável, que vem a ser a insistência com que eles fazem realçar a bondade e a misericórdia de Deus, atributos nem sequer suspeitados pelos pagãos, se bem que não desconhecidos dos judeus. Para estes era Deus um Soberano Senhor, um Senhor Onipotente que era mister adorar e temer; para os discípulos de Jesus, porém, era sobretudo a bondade por essência: Deus caritas est.
(Lendas do Céu e da Terra - L.F.)
