
Meus amigos e amigas, eu ia editar esta estória para não ficar tão longa, mas a sua beleza é tal que resolvi publica-la por inteiro, pedindo desculpas e paciencia para a leitura.
De todos os lugares banhados pela luz do dia, nunca houvera algum que fosse mais belo que aquelas montanhas. O sol, batendo em suas bases, fazia brilhar o negror dos rochedos que se elevam, abruptos e altaneiros do meio dos campos, até que, no alto, bem lá no alto, a dureza e o negror das pedras era substituída pela maciez e pela alvura da neve. Lá em cima a luz parecia ainda mais pura, dando à montanha tons de ouro ao entardecer.
E havia algo ainda mais belo: no meio das montanhas mais altas, e mais alto que todas elas, erguia-se um píncaro tão agudo e tão magnífico que dir-se-ia que as neves eternas eram boas apenas para sua base. Era uma montanha legendária e inacessível, toda ela feita de um único e


A base da caverna de cristal era o imenso rochedo da montanha. Dentro desse rochedo havia uma outra caverna, cuja porta ou não existia ou estava eternamente sepultada pela neve. Lá dentro, tudo era asqueroso, úmido e escuro, não de uma escuridão qualquer, mas de negror absoluto. Era horrível. E para aumentar o horror, as paredes da caverna eram todas cobertas por um muco, por uma gosma infecta e malcheirosa. Dir-se-ia que nada poderia viver em semelhante ambiente. Nenhum animal suportaria semelhante horror. A não ser as aranhas. Essas sim havia aranhas, e aos milhões. Aranhas enormes, negras, asquerosas, que formavam um tapete movediço sobre as paredes, o chão e o teto da caverna. Que se alimentavam do muco nojento; que gostavam do mau cheiro, que só se sentiam bem na escuridão, que não conheciam, nem queriam conhecer outra coisa. E esses dois mundos, essas duas cavernas eram separadas apenas por uma laje de rochedos, e viviam sem que tivessem conhecimento um do outro.

Um dia, não se sabe porque motivo, essa laje se rachou. Talvez um ligeiro tremor de terra, talvez a deslocação acidental de alguma rocha, tenha sido a causa. O fato é que, na base da caverna de cristal, e no teto da caverna das aranhas, surgiu uma pequena rachadura imperceptível. As águias habituadas a viver nas alturas nem notaram tal fissura. Mas não sucedeu o mesmo com as aranhas. Com a rachadura, entrou na caverna fímbria, um raio de luz, essa luz que elas odiavam acima de tudo, que acima de tudo as fazia fugir. Apavoradas, enfurecidas, elas se amontoaram no canto mais escuro de sua caverna, até que aquele fio de luz foi enfraquecendo, foi se diluindo, foi se esmaecendo, aos poucos, até finalmente se extinguir. A noite havia chegado. Na gruta de cristal, as águias dormiam.

Elas odiavam tudo o que é belo, e o Ódio dava-lhes força no trabalho. Durante toda a noite espalhavam o negrume, a sujeira, o horror. Lá fora, chegou o alvorecer. O sol foi verdejando os campos e branquejando a neve. Tudo brilhava, tudo sorria. Mas no interior da gruta de cristal, os raios do sol não conseguiam mais entrar. O interior da gruta de cristal foi tomada pela escuridão. As águias despertaram. Onde estava o sol?

Onde estava a luz que lhes dava vida e douravam suas penas? Elas não sabiam. Aos poucos compreenderam que a porta da gruta estava fechada, mas não se sentiram com forças, nem com ânimo, para desobstruir. Sem luz, elas mal conseguiam se arrastar pelo chão. Quando chegou o meio-dia, e lá fora o sol dardejava seus raios em todo o seu esplendor, dentro da gruta era uma densa penumbra. Na hora de maior luz, tudo era pardo e confuso. As águias, cabeça baixa e asas arrastando pelo solo, andavam em círculos desanimadas, percebendo que aquela obscuridade tinha apenas o suficiente de luz para permitir que elas sobrevivessem ou vegetassem.

Se elas pudessem enxergar algo, notariam com horror que suas penas, suas lindas penas brancas e douradas, começavam a escurecer. Exteriormente a montanha de cristal continuava a mesma, e, sua glória diante do sol, permanecia inalterada. Mas, que enorme diferença em seu interior! Passou-se o tempo. As aranhas, completamente senhoras da situação, andavam por toda a gruta, espalhando sempre sua baba asquerosa e nauseante. As águias, as altaneiras águias de plumas brancas e cabeça dourada, eram agora uns animais sujos, de penas negras e opacas, que mal tinham forças para se arrastar. Viviam no chão coberto de imundícies, que a fome às vezes as obrigava a comer. Haviam se acostumado com o mau cheiro das aranhas, e o que é pior, haviam se esquecido de como eram antes. Se alguém lhes viesse falar da luz e da

A RESSUREIÇÃO...
Na verdade, ela não surgiu, mas apenas se transformou. Sempre houvera, no tempo da luz, na gruta de cristal um pequeno inseto dourado que fazia música com suas asas, e que, ziguezagueando incansavelmente, enchia a gruta de harmonia. Também ele vivia da luz, e sua


E então ele reunia toda a sua força e se punha a.andar, se punha a investigar as paredes da gruta, recordando-se que delas é que vinha a luz. Até que um dia ... Um dia, depois de muito investigar, o pequeno inseto descobriu, embaixo da enorme pedra que tapava a entrada da gruta, um orifício, uma senda minúscula, que as aranhas haviam esquecido de tampar. Metendo-se por ela, arrastando-se esfolando as asas, o pequeno inseto avançou, cavando removendo e empurrando, até num último e supremo esforço, conseguiu atravessar para o outro lado da montanha de cristal. Lá fora era meio-dia, e o sol brilhava em todo o seu esplendor.
O pequeno inseto quase enlouqueceu de alegria. Era verdade! Ele estava certo! o sol existia, e continuava a brilhar! Comovido, ele viu suas asas e seu corpo novamente se dourando, e sentiu que todas as músicas e todas as harmonias estavam de novo dentro dele. Levantou vôo, girou, cantou e depois tomou uma resolução. Reuniu toda a luz que conseguia, acumulando todas as forças do sol, o pequeno inseto voltou para o buraco, e penetrou na gruta escura, ziguezagueando, como um raio de luz, de cor e de som.

As águias, negras e cabisbaixas, ergueram um pouco a cabeça. O que era aquilo? Aquela luz, aquele som, era algo que lhes trazia recordações, que lhes penetrava no intimo do ser... Então havia algo que não era escuridão e mau cheiro? Então o mundo não era somente o horror e o negrume?
E o inseto. voando a toda velocidade e para todos os lados, brilhava com todas as luzes, e tocava
todos os sons. E as águias foram se recordando ... Até que uma delas achou em algum lugar um ânimo para dar um vôo desajeitado, mas que a levou até a parede de cristal, onde suas asas removeram um pouco da sujeira e do lodo que as cobria. Claro, brilhante, sublime, eterno, um raio de sol entrou novamente na gruta, iluminando tudo com seu esplendor. As aranhas corriam espavoridas para todos os lados. As águias, reanimando-se, levantaram vôo e em instantes arrasaram a camada de sujeira que recobria o cristal. A pedra foi removida e jogada para o abismo, juntamente com as aranhas que. não suportando a luz, morreram em pouco tempo. As plumas das águias novamente se douraram. O pequeno vaga-lume cantava.
Estória extraída do site de O Desbravador
http://www.odesbravador.org.br/odesbravador_2006_321_322.pdf
NOTA DO BLOG: É muito simbólica essa estória. A montanha de cristal representa a Civilização Cristã sendo vítima de seus inimigos que sempre agiram na escuridão. Com a escuridão da história, as verdades de sempre foram sendo esquecidas aos poucos. E acabamos por ver esse mundo moderno mergulhado na lama de pecados e no esquecimento das Verdades perenes. Precisamos ser novos vaga-lumes. Mostrar que a Luz não "morreu". Devemos viver uma vida santa: Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. (São Mateus, 5:16).
Lindaaaaaa! Profundo o comentário do blog e neste momento, peço a Deus que Ele me torne um verdadeiro vaga-lume e que a luz que de mim brilhar, não se apague. Amém! Abração!
ResponderExcluirAlfa & Ômega, agradeço seu generoso comentário. É na tranquilidade de espírito que conseguimos observar as maravilhas de Deus como voce descreveu em sua postagem ACALME MEUS PASSOS, SENHOR (http://sentidomaior.blogspot.com)
ResponderExcluirParabéns para voce tambem.
Bom dia,amigo,gostei demais desta estória,vc tb conhece esta?..."Ninguém, jamais, encontrou a ossada de uma águia real. Estas aves extraordinárias, à medida que percebem que estão envelhecendo, começam a voar cada vez mais alto e, quanto mais próxima estiver a morte, mais alto voam, voam e voam... Até que morrem no cume das montanhas mais altas que possam existir na face da terra."...Peçamos a Deus,que sejamos como a Águia,que voa alto a procura da Luz do Sol,nós devemos seguir a Luz de Cristo,mas também devemos ser como o humilde 'vaga-lume',levando Luz aos corações sem Esperança!Paz e bem!
ResponderExcluirJorge, que você continue sendo um vaga-lume para seus amigos, trazendo a luz de Jesus através do seu blog.
ResponderExcluirGisélia, esse comentário que voce deixou é muito bonito. Que maravilha morrer indo ao alto... É para lá que devemos ir, é para o alto que devemos dirigir nossos corações. "A Salvação veio do Alto" (Sagradas Escrituras).
ResponderExcluirJordana, obrigado pelo comentário. Todos nós devemos ser um vaga-lume para nossos irmãos. Isso é caridade cristã.
ResponderExcluirDeus seja Louvado e Glorificado. Jorge, voce está de parabéns. Jamais lí blog tão rico em apostolado. Fiz uma pesquisa em suas postagens mais antigas, e confesso que fiquei totalmente absorvida pelas leituras do início do Blog. Agradeço a Deus por ainda existirem pessoas assim como voce.
ResponderExcluirQue glória bendita ser águia para lutar contra as aranhas. O conto nos ensina sobretudo humildade. Pois de um simples vaga-lume veio a esperança e a força.
ResponderExcluirLembro com saudade que essa história voce me contava quando eu era pequeno. Obrigado, meu irmão, por ter-me feito lembrar de época tão saudosa.
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