Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.

Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

sábado, 23 de julho de 2011

Morte de Santa Clara


Durante quarenta anos correra ela no estádio da altíssima pobreza e já se aproximava do prêmio da vitória final, precedida, porém, de muitos sofrimentos. Com efeito, o vigor de sua constituição física fora abalado, nos primeiros anos, por severa penitência. Enquanto gozava de saúde se enriquecera com os méritos de suas obras, agora enferma se enriquece com os méritos de seus sofrimentos. Pois “é na fraqueza que se revela a força” (cf. 2Cor 12,9).

As filhas, que logo ficarão órfãs, estão em torno do leito da mãe, a quem uma espada de dor lhe traspassa o coração. O sono não as faz retroceder nem a fome as afasta; mas, esquecidas do leito e da mesa, só lhes apraz chorar noite e dia.

Entre elas estava Inês, virgem devota, saturada de amargor das lágrimas, instava com sua irmã que não partisse abandonando-as. Mas Clara lhe respondeu:

- Irmã caríssima, apraz a Deus que eu me vá; tu porém deixa de chorar, pois chegarás diante do Senhor logo depois de mim, e Ele te concederá um grande consolo, antes que eu me aparte de ti.

(Inês era irmã de Clara e havia sido enviada em 1228 ou 1229 a Monticello, perto de Florença, onde foi abadessa. No inicio de 1253 Clara pediu que ela voltasse a S. Damião. Aí Inês faleceu pouco tempo depois de sua irmã.)

Por fim, viram-na debater-se na agonia durante muitos dias, nos quais cresceu a fé de muita gente e a devoção popular; os cardeais a visitavam assiduamente, de modo que era honrada como verdadeira santa. O mais maravilhoso, porém, é que, não podendo durante dezessete dias tomar alimento algum, foi sustentada pelo Senhor com tal fortaleza, que a todos os visitantes confortava no serviço de Cristo.

Estava entre os presentes, Frei Junípero, famoso por suas ardentes jaculatórias dirigidas ao Senhor. Ela lhe perguntou se tinha algo de novo a respeito do Senhor. Abrindo então a boca, ele deixou sair da fornalha de seu coração ardente as chispas de suas palavras chamejantes, e a virgem de Deus, ouvindo-as, recebeu um grande consolo.

Quanto ao resto: quem poderá relatar sem chorar? Estavam presente aqueles dois companheiros de São Francisco: Ângelo e Leão. Em todos havia muita tristeza e devoção à Clara.

Com seus olhos carnais ela contemplou, entre lágrimas, uma visão feliz. Traspassada por uma lança de profunda dor, dirigiu ela os olhos em direção à porta da casa. Viu entrando um coro de virgens, vestidas de túnicas alvas; todas tinham sobre a cabeça uma coroa de ouro. Caminhava entre elas uma que era mais resplandecente que as demais, [...] se difundia tão grande esplendor, que dentro da casa converteu a noite em dia luminoso. Ela se inclinou sobre Clara lhe deu um suavíssimo abraço.

Na manhã do dia seguinte, festa de São Lourenço, aquela alma santíssima saiu do corpo para ser laureada com o prêmio eterno.

Imediatamente espalhou-se a notícia do falecimento da virgem. Toda a população, ao ouvir esse infausto acontecimento, ficou abalada. Homens e mulheres acodem ao lugar, A afluência de pessoas é tão grande que a cidade parece ter ficado deserta.

No dia seguinte, toda a Cúria se põe em movimento:o Vigário de Cristo com os cardeais chegam ao local, e toda a população da cidade se dirige a São Damião.

Erguem o corpo do chão e o conduzem honorificamente, entre hinos e cânticos, entre sons de trombeta e jubilo festivo, a São Jorge. Pois este é o lugar em que o corpo de Santo Pai Francisco foi sepultado primeiro.

Poucos dias depois, sua irmã de sangue Inês também foi para a eternidade. Santa Inês foi ao encontro de Santa Clara.

“Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Uma vida feita de milagres


Na Bula de Canonização de Santa Clara, número 15, consta o seguinte episódio: O PÃO.

Havia no mosteiro apenas um pão, quando a fome já se fazia sentir e chegara a hora de comer . A Santa chama a despenseira e ordena-lhe que divida o pão em duas partes iguais, envie uma parte aos irmãos e reserve a outra para as irmãs. Em seguida, manda que da metade reservada faça cinqüenta fatias, conforme o número das irmãs, e as ponha na mesa da pobreza. E como a devota filha lhe respondesse que seriam então necessários os antigos milagres de Cristo para que tão escasso pão pudesse dar cinqüenta fatias, a mãe replicou-lhe:

- Filha, faze com toda confiança o que eu te digo.

A filha apressa-se a cumprir a ordem da mãe; e esta dirige pressurosa a Cristo piedosos suspiros em favor das filhas. Por divino favor cresceu aquela matéria entre as mãos da que cortava, de maneira que deu o suficiente para cada uma das irmãs da comunidade.

A PEDRA:

Um menino de três anos, chamado Mattiolo, da cidade de Espoleto, tinha introduzido uma pedrinha no nariz. Ninguém conseguia extraí-la do nariz, nem tampouco o menino conseguia expeli-la. Encontrando-se em grande perigo e angústia, é levado à Senhora Claram e enquanto é por ela assinalado com o sinal da cruz, no mesmo momento é lançada fora a pedrinha, ficando salvo o menino.

TERROR DOS SARRACENOS:

Por volta de 1239, a cidade de Assis foi sitiada pelos sarracenos e o convento das clarissas ficava nas portas da cidade. Os guerreiros já galgavam o muro, quando Santa Clara, que estava enferma, foi avisada. Levantou-se logo, dirigiu-se ao altar do SS.Sacramento, tomou nas mãos a custodia com a Sagrada Hóstia e, assim munida de Deus Nosso Senhor, dirigiu-lhe o seguinte apelo em voz alta:

- Quereis, Senhor, entregar aos infiéis estas vossas servas indefesas, que nutri com vosso amor? Vinde em socorro de vossas servas, pois não as posso proteger.

Após essas palavras, ouviu-se distintamente uma voz dizer:

- Serei vossa proteção hoje e sempre.

Enfrentando o invasor com o Santíssimo Sacramento em mãos, o efeito das palavras divinas se fez logo sentir: um pânico inexplicável se apoderou dos sarracenos: grande parte deles fugiram as pressas: alguns, que já haviam galgado o cimo do muro, caíram para trás. A intervenção de Santa Clara salvara o convento e a cidade do assalto inimigo.

“Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Verdadeira face de Santa Clara


Tenho visto vários filmes sobre São Francisco de Assis, inclusive o “Irmão Sol, Irmã Lua”. Os filmes normalmente são romanceados para serem atraentes ao público, por isso apresentam muitas vezes falhas ao relatarem a personalidade dos Santos. Já faz tempo que eu tinha recebido um livro, mas não tive tempo de ler. Agora achei um tempinho e então faço esta publicação para relatar a realidade de Santa Clara de Assis. O livro chama-se “Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM). Nada mais fiel à realidade do que os próprios escritos de Santa Clara, bem como os documentos e testemunhos das irmãs que conviveram com ela.

Já logo no prefácio lemos: “Sem dúvida, podemos dizer que Santa Clara foi a seguidora mais fiel de São Francisco”. [...] “Os escritos que ela deixou são a Regra, o Testamento, a Benção e cinco Cartas. Incluímos aqui alguns outros documentos de valor para melhor conhecimento da Plantinha do Bem-Aventurado Pai.”

Clara nasceu em 1194 na cidade de Assis. Provavelmente ouviu Francisco pregar pela primeira vez em 1211, na Catedral de São Rufino, perto de sua casa paterna. Desde então Clara começou a se interessar pela vida religiosa.

Quando ela iniciou sua nova vida, nem os irmãos de Francisco tinham uma Regra muito formal. A de 1221 nunca foi aprovada, pois nunca apresentada às autoridades eclesiásticas para este fim. A Regra definitiva foi aprovada pelo Papa Honório III em 1223, três anos antes da morte de Francisco.

No entanto, os frades menores tinham, desde 1209, uma forma de vida, mas esta não se conservou. A este documento Francisco se refere no seu Testamento. Esse era o propósito de vida: A Altíssima Pobreza. Foi escrito com simplicidade e com poucas palavras, sendo principalmente expressões do santo Evangelho.

A Regra que Clara escreveu para suas irmãs segue em linhas gerais o texto da Regra definitiva dos frades menores de 1223. Muita coisa foi copiada ao pé da letra. Naturalmente nem tudo podia ser aplicado à vida das irmãs, uma vez que os frades viviam uma “VIDA MISTA” (isto é, uma vida meia contemplativa, meia fazendo pregações, ou se quiserem: um pouco de clausura e um pouco sem clausura), enquanto a vida das pobres damas era uma vida exclusivamente contemplativa (ou seja, na mais estrita clausura).

A admirável mulher, Clara de nome e clara por suas virtudes, nasceu em Assis, de estirpe muito ilustre. Seu pai era cavaleiro e toda sua ascendência pertencia à nobreza dos cavaleiros. Sua casa era muito rica com abundancia de bens, que contrastavam com o nível de vida do lugar. Sua mãe Hortolana era também dotada de bons e abundantes frutos. Com efeito, ainda que submissa à vontade do marido e presa aos cuidados da casa, dispunha de tempo para se dedicar quanto podia ao culto de Deus e com zelo constante às obras de piedade.

Como Clara conheceu Francisco? Ouvindo neste tempo falar de Francisco, cujo nome era famoso e que como homem novo renovava com novas virtudes o caminho da perfeição esquecida no mundo, logo o quis conhecer e ver, movida a este propósito por Deus. E sabendo Francisco que Clara queria o conhecer, logo tratou de providenciar tal encontro, pois queria almas para Deus.

A jovem Clara saia da casa paterna, acompanhada tão somente duma companheira familiar, e repetidas vezes visitava a Francisco cujas palavras a levava a desejar viver santamente.

Segundo consta na declaração de Beatriz, irmã de Clara, no Processo da Igreja (XII, 2), foi São Francisco quem primeiro visitou Clara. Ainda no Processo da Igreja (XVII, 3) declara que foi Bona de Guelfuccio quem acompanhava Clara em suas entrevistas com São Francisco. São Francisco, por sua vez, sempre estava acompanhado por Frei Felipe (Cf. Biografia de Santa Clara 37 e Lazzeri, Il Processo 489).

O Pai Francisco a exorta a desprezar o mundo, demonstrando-lhe com expressões vivas a esperança vã e o atrativo enganoso do século, exortando-a a preservar a pureza virginal para Deus que deu seu Filho ao Mundo.

Clara se converte e começa sua vida devotada a Deus, juntamente com outras moças.

No entanto, quando a notícia chega aos seus parentes, estes, com o coração dilacerado, condenam o fato de sua decisão. Todos juntos correm ao lugar, procurando conseguir o que não podem. Usando força, violência, sugestão, conselhos e afago de promessas, tentam persuadi-la a desistir de tão grande aviltamento que não condiz com sua nobreza e do qual não se encontra exemplo semelhante nos arredores. Mas ela, apesar de tudo, agarrando-se as toalhas do altar, descobre a cabeça raspada, garantindo que de maneira alguma seria mais arrancada do serviço de Cristo. Cresce-lhe o ânimo, à proporção que aumenta a oposição dos seus, até que seus parentes acabam cedendo e desistindo.

Clara, o horror de sua família. Clara, a Glória de Deus.

Pouco tempo depois a fama de sua santidade se espalha pelas regiões vizinhas. Isso faz com que muitas moças sejam atraídas pelo mesmo tipo de vida de Clara. As virgens não abrem mão de sua virgindade. As casadas se esmeram em comportar-se mais castamente. As da nobreza e de ilustre classe, abandonando os amplos palácios, constroem para si mosteiros estreitos e têm por grande viver por amor a Cristo. Nesta inocente porfia lança-se o entusiasmo dos jovens, que movidos pelos exemplos expressivos do sexo mais fraco se animam a desprezar os enganos da carne. Enfim, muitos cônjuges vinculam-se de mútuo acordo à lei da continência entrando, os homens nas Ordens, e as mulheres nos Mosteiros, As mães convidam as filhas e as filhas convidam as mães a entrarem no Mosteiro. Logo as sobrinhas, as tias, enfim, todos querem ser religiosos.

A fama das virtudes de Clara entra pela porta das senhoras ilustres, chega até aos palácios das duquesas e penetra mesmo na mansão das rainhas. A parte mais alta da nobreza se abaixa para seguir suas pegadas e,com santa humildade, renega o orgulho do sangue nobre. Algumas merecedoras dum matrimônio com duques e reis, fazem penitência rigorosa ao convite da mensagem de Clara, e as que tinham casado com potentados imitam Clara conforme podem.

Os Mosteiros se multiplicam, a castidade aumenta, o estado virginal é colocado em evidência.

Isto foi Santa Clara.

Santa Clara, rogai por nós.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Voe como a águia


Isaías é o maior profeta do Antigo Testamento, exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.

Foi através de uma visão que Isaías foi chamado por Deus para ser profeta. Viu o trono de Deus no templo, acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.

Não o sabes? Não o aprendeste? O Senhor é um Deus eterno. Ele cria os confins da terra, sem jamais fatigar-se nem aborrecer-se; ninguém pode sondar sua sabedoria. Dá forças ao homem acabrunhado, redobra o vigor do fraco.
Até os adolescentes podem esgotar-se, e jovens robustos podem cambalear,
mas aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar.
(Isaías, capítulo 40: 28-31)

É interessante como o Profeta faz analogia com a águia.

Quem conhece essas aves sabem que elas vivem em montanhas rochosas, e até escarpadas, altíssimas, enfrentando fortes ventos e tempestades.

Símbolo do heroísmo singular, essas aves não tem medo.

Na morte, as águias também dão excelente lição de vida.
Você já viu o cadáver de uma águia? É possível que já tenha visto o de uma galinha, de um cachorro, de um pombo ou até de um gato. Mas, com certeza nunca encontrou um cadáver de águia.

Sabe por quê? Porque quando elas sentem que chegou a hora de partir, não se lamentam nem ficam com medo. Localizam o pico de uma montanha inatingível, usam as últimas forças de seu corpo cansado e voam naquela direção. E lá esperam, resignadamente, o momento final. Até para morrer, as águias são extraordinárias.

Quando os seus momentos difíceis chegarem, não desanime. Eleve-se às alturas, voe como uma águia em direção ao Sol. Se eleve pelas orações em direção a Deus, que certamente o confortará. Muitas vezes Deus nos manda provações para fazer-nos se elevar até Ele pela oração. Um convite às alturas.

Por mais que os ventos soprem com força, confie em Deus, pois conforme diz Isaias – o grande Profeta de Deus que viu o Céu: Deus “dá forças ao homem acabrunhado, redobra o vigor do fraco.” [...] “aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar.

Recebido por e-mail, desconheço o autor.

Caleb e as estrêlas do céu


Há uma diferença entre História e Estória. História são fatos da vida real, fatos históricos. Mas Estórias são contos criados para entreter. Normalmente as Estórias tem um fundo moral que educa. Hoje trago uma estória:

Alguém já ouviu falar de Caleb? Acredito que não, pois era um homem desconhecido até em sua época. Vivendo na mais estrita pobreza, alimentado por parentes e amigos que lhe traziam comida, morava ele nas margens do Mar Negro, estudando os antigos pergaminhos. Era tido como um sábio, pelos poucos que o conheciam.

A paisagem era propícia para pensamentos elevados. A brisa vinda do mar, se elevava até o monte onde numa pequena cavidade rochosa, Caleb fazia suas preces ao Altíssimo e estudava.

Um filósofo grego chamado Pitágoras, havia escrito que os planetas e as estrelas produziam uma música inaudível, chamada por ele de "harmonia das esferas". Platão teria seguido essa idéia conforme confirmam os historiadores. Assim como uma corda que ao girar na mão fortemente produz um som pelo atrito com o ar, da mesma forma os planetas ao fazerem seu movimento de rotação também produziriam um som... era a sinfonia celeste, inaudível ao ouvido humano.

Caleb ficava olhando a noite e as maravilhas do céu: as estrêlas.

Uma noite, vencido pelo cansaço acabou adormecendo ao relento.

A noite alta já ia longe quando uma suave música o despertou. Olhou em volta e não sabia dizer de onde vinha tal harmonia sonora.

Mas do mar, vinha pelas águas uma luz. Assustado Caleb não sabia o que fazer. O que seria aquilo?

Mas era um Anjo do Senhor que se aproximava e ao ver tal bela criatura, se prostrou no chão. Ao que o Anjo lhe disse:

- Caleb, você é um homem justo. Me dê a mão que te levarei ver maravilhas.

Assim fez; e num instante estava Caleb mergulhado no profundo e imenso universo. Era de lá que vinha tal música suave: a música das estrêlas.

Não se pode descrever o seu encantamento. Não há palavras para isso.

E ouvindo tal música, o Anjo foi lhe explicando:

- Veja o Sol. Majestoso, Cheio de Luz, a todas os outros planetas ilumina e sustenta. Símbolo da Força de Deus.

- Vê Mercúrio? É o mais próximo do Sol, símbolo do fervor religioso. Aquele outro, Vênus: é a “estrela” mais brilhante do céu e por isso nos ensina como devem brilhar os que crêem em Deus. Depois vem a Terra, símbolo da Vida e da fertilidade....


Caleb estava totalmente absorvido pelas maravilhas e pela música celeste.

O Anjo continuou:

- Marte, o planeta vermelho, guerreiro, símbolo da luta, pois é nessa região que estão os meteoros... Logo acima, a Grandeza de Júpiter, feito para enfrentar as grandes tempestades atmosféricas. Saturno: seus anéis são alianças com Deus.

O Anjo ia continuar, mas de repente silenciou....
Aliás até a música celeste não havia mais...
Tudo era só silencio...
Parecia que tudo havia parado....

- O que aconteceu? – perguntou Caleb

O Anjo apontou com a mão direita para o centro do universo.

Caleb ficou embasbacado. Pois se aproximava uma estrela de singular beleza, tão grande, tão cheia de luz, tão maravilhosa que era impossível descreve-la. Só sabia que todo o universo parou para ver passar aquela estrela de beleza sem par.

Caleb jamais tinha visto tal coisa. Beleza sem igual.

- Que estrela é essa que supera todas as demais em luz e beleza? Que faz todo o universo parar? Que toda a natureza a reverencia? – perguntou Caleb.

Ao que o Anjo respondeu:

- Essa é a Estrela de Belém, criada especialmente por Deus, para anunciar o Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

NOTA DO BLOG: Essa estória é muito antiga, não se sabendo o autor. Mas serve para mostrar a beleza da Estrela de Belém que levou os Reis Magos até a Gruta onde nasceu o Menino Deus.
A teoria da música celeste criada por Pitágoras e depois seguida por Platão, não é verdadeira. Os cientistas modernos rejeitaram essa teoria. Os símbolos dos planetas também foram criados para ilustrar a estória.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Mundo pertence a Cristo Rei


Ó Cristo Jesus, eu Vos reconheço como Rei do Universo, sois o autor de toda a criação; exercei sobre mim todos os vossos direitos.

Renovo as minhas promessas do batismo, renunciando a Satanás, suas pompas e suas obras; e de modo especial comprometo-me a lançar mão de todos os meios ao meu alcance para fazer triunfar os direitos de Deus e de vossa Igreja.

Ó Sagrado Coração de Jesus, eu Vos ofereço minhas pobres ações para que os homens reconheçam a vossa Realeza Sagrada e o Reino de vossa paz se estabeleça por todo o universo.

Amém

quarta-feira, 13 de julho de 2011

São Columbano e sua história


A pedido de algumas pessoas que me enviaram e-mail, resolvi publicar um resumo da vida de São Columbano.

Monge extraordinário, esteio da Cristandade medieval nascente. Tendo fundado muitos mosteiros, nos quais imprimiu seu vigoroso caráter, esse heróico religioso deixou atrás de si um sulco de radicalidade na vida monástica e no combate à heresia ariana. Séculos depois, sua ação contribuiria para o apogeu medieval.

Poucos dados há sobre o nascimento e os primeiros anos desse Santo que tanta influência exerceria na vida monacal do Ocidente, em seu século e na baixa Idade Média. Sabe-se que nasceu em Leinster, Irlanda, em 540, mesmo ano em que o patriarca São Bento falecia em Monte Cassino.

O que é ressaltado na primeira biografia de Columbano, escrita por um de seus monges, Jonas de Bobbio, é que sua educação e instrução foram esmeradíssimas, tendo ele muito cedo se iniciado no estudo das Sagradas Escrituras. Fala também que era notável por sua beleza moral e física.

Adolescente, sentia em si, como São Paulo, os aguilhões da carne. Para não cair em sua escravidão, procurou conselho junto a uma piedosa reclusa que vivia em odor de santidade nas cercanias. Expôs-lhe suas tentações, pedindo que indicasse um remédio seguro para nelas não cair.

“Inflamado pelo fogo da adolescência - respondeu-lhe ela - tentarás em vão escapar de tua própria fragilidade enquanto permaneceres em teu solo natal. Para te salvares, é preciso fugir”.

Columbano, sempre determinado a fazer o que via ser seu dever, decidiu partir em seguida. Sua mãe, para detê-lo, deitou-se na soleira da porta. Saltando heroicamente sobre seu corpo, ele fugiu para o famoso mosteiro de Bangor. Com seus três mil monges, este brilhava iluminado por seu abade São Congal, discípulo de São Finiano, reputados ambos pela austeridade e severidade na direção de seus discípulos.

Como o heroísmo católico atrai e contagia, a vida desses monges começou a impressionar os povos que viviam em redor do mosteiro. Em breve, muitos nobres e plebeus para lá acorreriam para juntar-se aos monges, ou pelo menos para deles receber uma bênção para si, suas famílias e suas colheitas.

Entretanto, por vezes São Columbano sentia necessidade de afastar-se até do convívio dos seus, para afervorar-se mais. Retirava-se então para um lugar deserto, levando consigo só as Sagradas Escrituras e vivendo pacificamente no meio das feras. Nos fins-de-semana participava do Ofício Divino com sua comunidade.

São Columbano dizia aos seus monges:

“Que o monge viva no mosteiro sob a lei de um só e a companhia de muitos, para aprender de uns a humildade e de outros a paciência. Que não faça o que lhe agrade; que coma o que lhe é mandado; que não tenha senão o que lhe dêem e que obedeça a quem o desagrada. Irá ao leito esgotado de cansaço, dormindo já ao dirigir-se a ele, deixando-o sem terminar o sono. Se sofre alguma injúria, que se cale; tema ao superior como a Deus, e ame-o como a um pai. Não julgue as decisões dos anciãos. Avance sempre, reze sempre, trabalhe sempre, estude sempre”.

Retirando-se a uma caverna que havia transformado em capela dedicada a Nossa Senhora, o grande batalhador terminou seus dias em jejum e orações, a 21 de novembro do ano 615.

fonte: http://www.lepanto.com.br/dados/HagColumb.html

sábado, 9 de julho de 2011

Sincero, eis aqui a palavra


Sincero! Eis uma bela palavra que deve figurar no vocabulário de todo bom cristão.

Quem a teria inventado?

Ora, foram os romanos, “Sincero” vem do velho, do velhíssimo latim. Eis a poética e tranqüila viagem que fez o “sincero” para vir de Roma até a letra “S” dos nossos bons dicionários.

Os romanos fabricam certos tipos de vasos de uma cera especial. Esta cera, era às vezes tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes. Em alguns casos chegava-se a distinguir um objeto (um colar, uma pulseira ou um dado) que estivesse colocado no interior do vaso. Para o vaso, assim fino e límpido, dizia o romano vaidoso:

- Como é lindo! Parece até que não tem cera! é um vaso “sine cera”.

Sine” em latim quer dizer “sem” – como “sine die” (em latim), ou seja, “sem dia certo”

Assim “sine cera” queria dizer: sem cera!

Sine cera” era, pois, uma certa qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes.

Da antiga cerâmica romana o vocábulo “sine cera” passou a ter significação, muito mais elevada. “Sincero” é aquele que é franco, leal, verdadeiro; que não oculta; que não usa disfarce, malícia ou dissimulação. O sincero, à semelhança do vaso romano, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração.

A sinceridade (ensinava o saudoso professor Silva Ramos) deve vir sempre ligada à delicadeza e à bondade.

Há muita gente, pouco educada, que confunde “sinceridade” com “grosseria”!

O sincero, à semelhança dos preciosos vasos romanos, deve ser fino e delicado.

A Delicadeza e a Sinceridade não são só irmãs: são também cunhadas. A Educação as uniu de tal modo que elas jamais poderão deixar de ser boas amigas e companheiras.

(Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan)

terça-feira, 5 de julho de 2011

O inverno ao som de Vivaldi

Estamos no mês de Julho. Há muitos anos atrás este era o segundo mês do ano que eu mais gostava, pois o primeiro era dezembro. Toda minha vida foi dedicada para a música clássica, e sempre gostei desse tipo de música. Ocorre que no mês de Julho acontecem os grandes festivais de inverno de música clássica por vários estados brasileiros. Julho, aqui no Brasil, é a época do inverno e a cidade de Campos do Jordão se torna maravilhosa para receber músicos de toda a parte para o tão famoso festival. A cidade ficava repleta de pessoas de toda a parte. As noites frias sempre eram acompanhadas de chocolates quentes, cervejas ou vinhos. Os espetáculos de música clássica aconteciam por toda a cidade, embora o Teatro Cláudio Santoro abrigasse os grandes concertos, muitos espetáculos ao ar livre pelas praças e outros locais atraiam a atenção de muitos jovens. Uma vez encantou-me um conjunto de música escocesa com gaita de foles, tambores e roupas a rigor.

Um fato curioso sempre me chamou a atenção: o crescente número de jovens que a cada ano aumentava nesses locais de música clássica.

A cidade de Campos do Jordão, pela sua altitude (cerca de 1.700m de altitude), é muito fria e já vi até cair neve algumas vezes. Casas e hotéis lindíssimos decoram a cidade nos transportando para um mundo de sonhos. Montanhas, vegetação exuberante e um dos melhores climas do mundo.

Campos de Jordão é composta por três Vilas (ou regiões): Vila Capivari, onde se encontra o clímax da cidade, com o festival de inverno e o famoso hotel Vila Inglesa (vale a pena, muito bom). Vila Abernéssia, onde tem um movimentado centro comercial. E finalmente Vila Jaguaribe, assim chamada em homenagem ao Dr. Domingos Jaguaribe que, juntamente com Emilio Ribas e Vitor Godinho, sanitaristas de renome, foram os responsáveis pela divulgação das qualidades terapêuticas do clima da região na recuperação de pacientes portadores de doenças pulmonares.

Recomendo a todos que gostam da boa música e um bom passeio.

Porém na segunda quinzena do mês de Julho, acontece um outro festival, mais voltado para quem gosta da Música Antiga. Para os que não conhecem música, esclareço que “Música Antiga” é o nome dado à produção musical dos períodos Medieval, Renascentista e Barroco, portanto período que abrange desde o ano 300 até o ano 1789 (mais ou menos).

Um exemplo de música do período Barroco é: Vivaldi, Haendel, Bach, Haydn, e tantos outros...

Simplesmente fenomenal. Foi lá que eu conheci conjuntos medievais do mundo todo, inclusive o grupo Kalenda Maya da Noruega. Foi lá que eu conheci pessoalmente o Ricardo Kanji (famoso Maestro Brasileiro, flautista que se pós graduou em Haia, na Holanda), e tantos outros...

Esse festival acontece na cidade de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais (Brasil), e é conhecido por Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Durante o festival, para quem se interessar, são dadas aulas de vários instrumentos, inclusive instrumentos antigos como: Violino Barroco, Violoncelo Barroco, Viola da Gambá, Cravo, Flauta Doce, Traverso, Oboé Barroco, Canto Barroco, Dança Barroca, Alaúde. Aulas ministradas pelos melhores nomes da música erudita nacionais e internacionais.

As apresentações musicais são feitas com instrumentos de época.

Vale a pena conferir:
http://www.promusica.org.br/

Quem promove esse evento é o Centro Cultural Pró-Música de Juiz de Fora – MG,
http://www.promusica.org.br/index_promusica.php

Conheço pessoalmente os diretores do Pró-Música e fiquei admirado com o trabalho que eles desenvolvem oferecendo o ensino da Música Erudita para a imensidão de jovens que os procuram. Os que não tem condições financeiras, o Centro Cultural empresta instrumentos já disponíveis para o aprendizado.

O filho dos diretores do Pró-Música, o violinista barroco Luís Otávio Santos, ganhou o Diapason D´Or, o maior reconhecimento dado a um CD feito na França. Seu instrumento, como não poderia deixar de ser, é de época, ou seja um violino barroco.

Recomendo a todos que assistam este Festival Internacional de Música Colonial Brasileira que acontece na segunda quinzena do mês de julho de cada ano.

Veja também:
http://almascastelos.blogspot.com/2010/06/festival-de-musica-de-juiz-de-fora.html

http://almascastelos.blogspot.com/2010/05/juventude-corre-para-musica-erudita.html

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Santo Columbano e o urso


São Columbano, monge e missionário irlandês, era seguidor da regra do seu conterrâneo São Columba (que foi Mestre de Santo Donnan, o qual pela graça inspirou este Blog Almas Castelos:

http://almascastelos.blogspot.com/2011/04/o-aniversario-teve-confirmacao.html)

Foi conhecido pela fundação de inúmeros mosteiros pela Europa. Sua presença impressionava qualquer pessoa. Aqui segue a história de hoje:

SÃO COLUMBANO E O URSO

Recordam os escritores católicos de um episódio maravilhoso a respeito de São Columbano, o apóstolo dos bávaros.

Esse Santo era paupérrimo; só possuía um burro, naturalmente calmo, manso e paciente, que carregava a humilde bagagem do missionário no decurso de suas viagens apostólicas.

Um dia em que eles varavam por uma floresta espessa, um urso irrompeu dos cipoais, lançou-se contra o animal e estraçalhou-o.

Que fez o Santo? Sem sombra de temor aproximou-se da fera, pos-lhe a bagagem às costas e disse-lhe com a maior naturalidade:

- Irmão, tu mesmo é que tens, agora, de carregar a minha trouxa.

E aquele animal ferocíssimo, ainda salpicado do sangue de sua vítima, ofereceu-lhe, sem relutância, o dorso forte e serviu-o desse dia em diante, com a doçura e submissão de uma ovelha.

(A foto acima é de São Columbano, na janela da cripta da Abadia de Bobbio)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Olhando só para Ele


Conta-se que Ciro, rei da Pérsia, durante uma de suas campanhas venceu e aprisionou um príncipe da Líbia. O príncipe foi levado ao rei vencedor juntamente com sua esposa e filhos.
Ciro perguntou-lhes:

- Que me dás se te conceder a liberdade?

- A metade do meu reino – foi a resposta.

- E se der a liberdade, também, a teus filhos?

- Entrego-te, nesse caso, a outra metade do meu reino.

- Que me darás, então, pela liberdade de tua esposa? – tornou o rei persa.

O príncipe percebeu que tinha agido precipitadamente ao oferecer tudo o que tinha, esquecido de sua companheira; depois de meditar um momento declarou com firmeza:

- Entrego-me a mim mesmo pela liberdade de minha esposa.

O grande rei ficou tão surpreso ao ouvir esta resposta que concedeu liberdade a toda a família sem exigir resgate nem fiança.

Ao regressar a casa, perguntou o príncipe à sua esposa se não havia reparado na fisionomia serena e altiva do soberano persa.

A delicada esposa respondeu:

- Não olhei absolutamente para nada, porque tinha os meus olhos fixos naquele que estava disposto a dar-se a si mesmo pela minha liberdade.

Felizes seríamos se esta resposta pudesse ser a confissão dos nossos corações ao nos referirmos a Cristo! Esforcemo-nos para que os nossos olhos estejam sempre fixos naquele que, não somente estava disposto a entregar-se por nós, mas que realmente sacrificou sua vida para salvar-nos. Que nossa atenção se fixe em Cristo de tal modo que não tenhamos ocasião de olhar para o mundo, nem para as faltas e defeitos de nossos irmãos. Certo é que se assim o fizermos seremos transformados, como diz São Paulo, à imagem de Sua glória.

(Lendas do Céu e da Terra – autor D.)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Alguém reza por voce: Os Cartuxos


Quem procurar no meu blog, vai encontrar algumas postagens sobre São Bruno, os frades cartuxos e sobre a Cartuxa. Os licores que eles produzem são uma preciosidade. Além do silencio, os monges trabalham cultivando a terra, plantando, trabalhando em diversas atividades, enfim, vivendo uma vida perfeitamente cristã. A Cartuxa é sem dúvida alguma uma ordem religiosa sem igual. Muitas vezes questionamos: “Somos pecadores, e no entanto Deus nos dá tantas graças maravilhosas... Sabe por que? Porque em alguma parte do mundo os cartuxos estão rezando por você....”

O mundo das orações e sacrifícios é um mundo santo. “Rezai e fazei penitência” – disse Nossa Senhora de Fátima. E quando nós rezamos um simples “Pai Nosso” e uma simples “Ave Maria” achamos que já fizemos nossa obrigação. Quanto tempo nós desperdiçamos nas coisas do mundo, e para Deus quanto tempo dedicamos? Não nos esqueçamos que Deus nos criou para conhece-Lo, amá-Lo e servi-Lo. No trabalho, nos estudos, na nossa família, em nosso dia-a-dia, tudo devemos fazer sempre no intuito de agradar e servir a Deus.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre os cartuxos e o famoso licor por eles produzido, recomendo as seguintes postagens:

http://almascastelos.blogspot.com/2010/08/o-medico-ateu.html
http://almascastelos.blogspot.com/2010/09/cartuxa-os-cartuxos-e-o-chatreuse.html

Aqui segue a história de hoje:

Entre as ordens religiosas existentes no mundo uma das mais singulares é, sem dúvida, a ordem dos frades cartuxos, fundada por São Bruno.

Os frades cartuxos obedecem a uma disciplina extremamente severa e fazem voto de silencio.

Pela manhã assistem, em conjunto, à missa e cantam; fazem apenas uma refeição diária e os dias sem pronunciar palavra, em preces e meditações.
Cada frade cartuxo tem a sua cela num pavilhão isolado; em cada cela existe o leito do religioso, um crucifixo e, ao lado do leito, cavada no chão, uma sepultura aberta. Isso é feito para que o frade silencioso, que passa a vida em penitência, medite a cada momento sobre a morte.


Na cidade de Burgos, na Espanha, ergue-se atualmente um pequeno mosteiro de frades cartuxos. Na igreja desse mosteiro existe uma imagem de São Bruno que é um trabalho de rara perfeição. Quem observa essa imagem tem a impressão de que se trata de uma figura viva colocada, entre flores, no altar.

Certa vez, um viajante, acompanhado de um guia, visitava a igreja dos frades cartuxos. Ao dar de rosto com a imagem admirável de São Bruno não pode conter a admiração e exclamou:

- É perfeita! Só falta falar!

- Engana-se, senhor – respondeu, respeitoso, o guia. – Essa imagem é perfeita precisamente porque não fala. São Bruno era cartuxo, não falava!

Eis o caso único em que, diante de uma figura, reprodução artística de um ser humano, não seria aceitável a expressão corrente: “só falta falar”.

(fonte: "A Estrela dos Reis Magos - Malba Tahan)

domingo, 26 de junho de 2011

Verdadeiro amor a Deus


Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu, ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

(Santa Tereza de Jesus)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

De Maria nunquam satis

Todos os dias, dum extremo da terra ao outro, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo prega, tudo exalta a incomparável Maria. Os nove coros de anjos, os homens de todas as idades, condições e religiões, os bons e os maus.

Os próprios demônios são obrigados, de bom ou mau grado, pela força da verdade, a proclamá-la bem-aventurada. Vibra nos céus, como diz São Boaventura, o clamor incessante dos anjos: Sancta, sancta, sancta Maria, Dei Genitrix et Virgo; e milhões e milhões de vezes, todos os dias, eles lhe dirigem a saudação angélica: Ave, Maria..., prosternado-se diante dela e pedindo-lhe a graça de honrá-la com suas ordens.

E a todos se avantaja o príncipe da corte celeste, São Miguel, que é o mais zeloso em render-lhe e procurar toda a sorte de homenagens, sempre atento, para ter a honra de, à sua palavra, prestar um serviço a algum dos seus servidores.

Toda a terra está cheia de sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam como padroeira e protetora em muitos países, províncias, dioceses e cidades. Inúmeras catedrais são consagradas sob a invocação do seu nome.

Igreja alguma se encontra sem um altar em sua honra; não há região ou país que não possua alguma de suas imagens milagrosas, junto das quais todos os males são curados e se obtêm todos os bens. Quantas confrarias e congregações erigidas em sua honra! Quantos institutos e ordens religiosas abrigados sob seu nome e proteção! Quantos irmãos e irmãs de todas as confrarias, e quantos religiosos e religiosas a entoar os seus louvores, a anunciar as suas maravilhas!

Não há criancinha que, balbuciando a Ave-Maria, não a louve; mesmo os pecadores, os mais empedernidos, conservam sempre uma centelha de confiança em Maria. Dos próprios demônios no inferno, não há um que não a respeite, embora temendo.

Depois disto é preciso dizer, em verdade, com os santos:

De Maria nunquam satis... Ainda não se louvou, exaltou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço ela merece.

É preciso dizer, ainda, com o Espírito Santo: Omnis gloria eius filiae Regis ab intus – Toda a glória da Filha do Rei está no interior (Sl 44, 14), como se toda a glória exterior, que lhe dão, a porfia, o céu e a terra, nada fosse em comparação daquela que ela recebe no interior, da parte do Criador, e que desconhecem as fracas criaturas, incapazes de penetrar o segredo dos segredos do Rei.

Devemos, portanto, exclamar com o apóstolo: Nec oculus vidit, nec auris audivit, nec in cor hominis ascendit (1Cor 2, 9) – os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça, da natureza e da glória. Se quiserdes compreender a Mãe – diz um santo – compreendei o Filho. Ela é uma digna Mãe de Deus: Hic taceat omnis lingua – Toda língua aqui emudeça.

Meu coração ditou tudo o que acabo de escrever com especial alegria, para demonstrar que Maria Santíssima tem sido, até aqui, desconhecida, e que é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Quando, portanto, e é certo, o conhecimento e o reino de Jesus Cristo tomarem o mundo, será uma conseqüência necessária do conhecimento e do reino da Santíssima Virgem Maria. Ela o deu ao mundo a primeira vez, e também, da segunda, o fará resplandecer.

(TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM - São Luís Maria Grignion de Montfort - 19ª edição – Editora Vozes – Petrópolis, 1992)
(A foto pertence a Revista Catolicismo de Maio de 2011 - Tiziano faz seu primeiro esboço – William Dyce, séc. XIX. Coleção privada)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A esmola e o rochedo

Havia outrora, em país situado para além do Ganges, um rei muito rico e orgulhoso. Todos os dias deixava o monarca o grande palácio em que vivia e, fazendo-se acompanhar de uma aparatosa guarda de cavaleiros, percorria as ruas da cidade distribuindo esmolas, atirando moedas de ouro aos pobres e necessitados.

- Como é caridoso o rei! - diziam. - Quanta bondade! Que coração magnânimo!

E não se apontava um só habitante capaz de negar as qualidades altruísticas do dadivoso soberano.

Um dia surgiu na cidade um velho sacerdote que andava pelo mundo em peregrinação, ensinando aos homens as grandes verdades do livro de Deus. Ao notar a ostentação descabida com que o rei dava esmolas e a maneira espetaculosa como exercia a caridade, o bom ancião observou:

- A caridade no coração desse rei vaidoso é como a areia atirada sobre o rochedo nu!

E, como os seus numerosos ouvintes não tivessem percebido o sentido exato de suas palavras, ele explicou:

- Aquele que dá esmolas por ostentação é semelhante ao rochedo coberto de areia. Vem a chuva, lava a pedra lisa, e não se encontra depois senão a rocha dura e inabalável. Assim, o coração desse rei é duro como o rochedo; há apenas, sobre ele, essa poeira de esmola feita de vaidade e ostentação!

Bem dizia o poeta:

“Se queres que a caridade avulte
e se engrandeça aos olhos do Senhor,
leva na mão benfazeja
socorro a quem quer que seja, conforto seja a quem for.
Mas dize à mão que se oculte para que o mundo a não veja...”


Malba Tahan

sábado, 18 de junho de 2011

Pai, começa o começo?

MINHAS PALAVRAS INICIAIS: Sou o primogênito de uma família de cinco filhos. Muitas coisas aprendi com meu pai, que também era primogênito. Até no seu leito de morte meu pai me ensinou, pois encerrou sua vida como um verdadeiro católico. Estava na UTI do hospital, mas sempre fazendo o bem, e recebendo os sacramentos necessários apresentou-se diante de Deus. Isso já havia acontecido antes com meu bisavô materno. Portanto falar de meu pai me causa profunda e dolorosa saudade e grande entusiasmo pela fé católica.

Uma passagem bíblica sempre me chamou a atenção:
“conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” (Evangelho de São Lucas, 2, 23).

Aqui começa a história de hoje:

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia:

- Pai, começa o começo!

O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.

Meu pai faleceu há muito tempo, não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades dotrabalho, os obstáculos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis......

Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para “começar o começo” era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.

Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:

“Pai, começa o começo!” Ele não só “começará o começo”, mas resolverá toda a situação para você.

Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: “Pai, começa o começo!”

Autor desconhecido

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Tradição e os nossos costumes


Em Direito a palavra Tradição significa entrega. Quando se vende e se compra uma casa, por exemplo, opera-se a tradição, ou seja, entrega-se o bem para quem o comprou. Porém Tradição não significa entrega só de bens materiais, mas também entrega de bens intelectuais. Um avô que transmite aos seus netos o que aprendeu com os seus antepassados pratica a tradição.

Alguns de nossos costumes modernos tiveram origem na Antiguidade, embora nem todos saibam disso. Vejamos um pouco de história.

CRENÇAS A RESPEITO DA ALMA E DA MORTE

Os povos da antiguidade acreditavam na existência da alma. Prova disso são os ritos fúnebres da antiguidade. Os ritos fúnebres mostram claramente que quando colocavam um corpo na sepultura acreditavam enterrar algo vivo, ou seja a alma. Virgílio, que sempre descreve com tanta precisão e escrúpulo as cerimônias religiosas, termina a narração dos funerais de Polidoro com estas palavras: “Encerramos a alma do túmulo.” — Idêntica expressão encontra-se em Ovídio e em Plínio, o Jovem.

Os mortos eram considerados criaturas sagradas. Os antigos tinham por eles toda a veneração que o homem pode ter para com a divindade, que ama e teme. Segundo seu modo de pensar, cada morto era um deus.

Os povos latinos chamavam essas almas, em sua linguagem arcaica, de lares.

O FOGO SAGRADO

A casa do grego ou do romano obrigava um altar; sobre esse altar devia haver sempre um pouco de cinza e carvões acesos. Era obrigação sagrada, para o chefe de cada casa, manter aceso o fogo dia e noite. Infeliz da casa onde se apagasse! Cada noite cobriam-se de cinza os carvões, para impedir que se consumissem por completo; pela manhã, o primeiro cuidado era reavivar o fogo, e alimentá-lo com ramos. O fogo não cessava de brilhar diante do altar senão quando se extinguia toda uma família; a extinção do fogo e da família eram expressões sinônimas entre os antigos.

Não era permitido alimentar esse fogo com qualquer espécie de madeira; a religião distinguia, entre as árvores, as que podiam ser usadas para esse fim, e aquelas cujo uso era taxado de impiedade.

O fogo era algo divino, que era adorado e cultuado. Ofertavam-lhe tudo o que julgavam agradável a um deus: flores, frutos, incenso, vinho. Pediam sua proteção, julgando-o todo-poderoso. Dirigiam-lhe preces ardentes, para dele obter os eternos objetos dos desejos humanos: saúde, riqueza, felicidade.

A RELIGIÃO DOMÉSTICA

Nessa religião primitiva cada deus só podia ser adorado por uma família. A religião era puramente doméstica. O culto dos mortos era, verdadeiramente, o culto dos antepassados.

O que une os membros da família antiga é algo mais poderoso que o nascimento, que o sentimento, que a força física: é a religião do fogo sagrado e dos antepassados. A família antiga é mais uma associação religiosa que uma associação natural. Assim, a mulher será realmente levada em conta quando for iniciada no culto, com a cerimônia sagrada do casamento.

O ser humano sempre foi eminentemente religioso. Desde a antiguidade até nossos dias encontramos os homens tendo seu culto religioso.

A família era chamada de gens (provavelmente de genes = família). Na gens era cultuado o fogo sagrado, e por se tratar do culto dos próprios antepassados, o culto tinha seus segredos e a peculiaridade de cada família. Entrar numa casa sem ser convidado, era o mesmo que profanar o templo, e podia ser punido com a própria morte.

Quando uma gens (ou família) crescia muito, levava-se uma parcela do fogo sagrado para outro lugar e lá criava-se uma extensão da gens. Quando ficava muito numerosa, a reunião das gens com o mesmo culto sagrado, era chamado de Cúria. A Cúria elegia um chefe: o curião.

A essa reunião de famílias os gregos chamavam de frátrias e o romanos de cúrias. Crescendo o número de Cúrias com a mesma religião sagrada e doméstica, formava-se uma Tribo.

A tribo, como a família e a fratria, estava constituída para ser um corpo independente, porque tinha culto especial, do qual os estranhos eram excluídos. Uma vez formado, nenhuma nova família podia ser nela admitida. Duas tribos também não podiam fundir-se em uma: a religião opunha-se a isso. Mas, assim como várias fratrias se haviam unido em uma tribo, várias tribos puderam associar-se entre si, com a condição de que o culto de cada uma fosse respeitado. No dia em que se fez essa aliança, a cidade começou a existir.

Ora, a família é a célula básica da sociedade. Destruir a família é o mesmo que destruir a pátria ou a religião. Então quando um governador era eleito, precisava tomar muito cuidado, pois se descontentasse uma família era guerra na certa... e as famílias patriarcais eram muito numerosas naquela época....

Em cada casa havia um altar e ao redor dele, toda manhã, ali se reuniam para suas orações, hinos, libações, bebidas e alimentos. O casamento foi a primeira instituição estabelecida pela religião doméstica, contudo não comunicava uma família com outra, ou os rituais de duas famílias, porque o direito de realizar os ritos era transmitido de varão para varão. A mulher, ao casar, passava a adorar os antepassados do esposo; a cerimônia de casamento a impedia de adorar os deuses de seu pai e ao mesmo tempo impunha os de outra linhagem masculina.

AS ORIGENS DE ALGUNS COSTUMES MODERNOS:

Os povos da antiguidade faziam tudo em função dos deuses. Assim, nos jogos olímpicos, queriam a presença dos deuses para que fossem homenageados com os jogos. Então um grego pegava uma tocha acesa no fogo sagrado e levava até um lugar de honra, onde os deuses pudessem observar os jogos. Daí nosso costume até hoje, nos jogos olímpicos de, na abertura, levar uma pira olímpica até o local indicado e lá acender a grande tocha olímpica.

Se lares era o nome que se davam para as almas, o lugar onde se cultua os lares chama-se LAR. Daí a origem do nome LAR.

Toda casa tinha um altar onde ardia o fogo sagrado. Esse altar dedicado aos lares é a LAREIRA.

Para colocar uma divisa entre a rua e o recinto sagrado em toda a porta se colocava uma faixa de cor diferente para sinalizar: “a partir daqui é o Lar sagrado, não entre”. Até hoje colocamos em nossas portas uns azulejos ou pisos diferentes chamados “soleiras”.

Quando uma mulher se casava, ela precisava prometer esquecer os ritos do culto doméstico de seus familiares para adotar os novos cultos da família do marido, pois iria morar com ele. Então para dizer que entrou para a família do marido, adotava seu sobrenome. Costume esse usado em nossos dias.

A mulher não poderia entrar na família do seu marido, em sua casa, sem ser entronizada solenemente, pois se ultrapassasse a soleira da porta sem autorização, estaria cometendo um sacrilégio. Então era preciso uma cerimônia de entronização. E como era essa cerimônia? O marido pegava a esposa no colo, e ultrapassava a soleira da casa, entronizando-a dessa forma em sua família. Até nossos dias perdura o costume de carregar a noiva no colo quando se casa.

Fonte: A Cidade Antiga – Fustel de Coulanges
A História de Grécia e Roma na antiguidade.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O cão morto


Uma fábula oriental descreve um ajuntamento de ociosos em pequeno mercado nos arredores de Jerusalém, em torno de um cão morto que ainda mostrava, amarrada ao pescoço, a corda com que o haviam arrastado pelo chão. Os que o cercavam, olhavam-no com repugnância.

- Empesta o ar - disse um, apertando o nariz com os dedos e trejeitando uma careta de nauseado.

- Reparem na sua pele rasgada que nem para correias de sandália serve - galhofava um outro.

Um egípcio corpulento aludiu às orelhas sujas e sangrentas do animal, e rematou com voz empastada:

- Foi, sem dúvida, enforcado por ladrão.

Desse grupo de homens aproximou-se um desconhecido que ouvira os diversos comentários. Em seu rosto resplandecia estranha luz e todo o seu porte indicava dignidade fora do comum. Pondo os olhos meigos no animal morto e vilipendiado, disse em seu belo e límpido arameu:

- As pérolas desmerecem diante da alvura dos seus dentes.

Todos os circunstantes voltaram-se para ele com assombro, e, vendo-o tão sereno e compadecido, indagavam, entredentes, uns aos outros, quem poderia ser aquele homem. E retiraram-se cabisbaixos, envergonhados, quando alguém alvitrou:

- “Deve ser Jesus, o rabi de Nazaré, que só Ele sabe encontrar qualquer coisa digna de piedade e aprovação, até mesmo num cão morto!”

(Lendas do bom rabi - Malba Tahan)

domingo, 12 de junho de 2011

As fontes da terra

Durante uma seca terrível que assolou as Novas Hébridas, um religioso, homem de ciência, foi alvo do desprezo dos naturais pelo fato de cavar poços para achar água. Diziam que a água sempre vinha de cima e não debaixo, pela terra. O geólogo, porém, revelou-lhes uma verdade mas ampla que nunca lhes tinha ocorrido e mostrou-lhes como os céus podiam dar-lhes água do seio da própria terra.

Assim, os homens esperam insistentemente que Deus lhes mande bênçãos por meios anormais, enquanto Ele lhes dá suprimento abundante de que gozariam se procurassem nos lugares férteis dos próprios espíritos, onde, como disse Jesus, as fontes de águas vivas querem nascer.

Encontram-se, às vezes, árvores verdes e frutíferas, em terras secas, onde não há quase chuvas.

Após exame cuidadoso, se tem observado que tais árvores permanecem frescas, frutíferas e verdes, por que suas raízes são banhadas pelas correntes d’água escondidas no seio da terra.

Podemos ficar surpresos quando encontramos homens de oração, repletos de paz, radiantes de alegria, tendo vidas nobres e eficientes, no meio da miséria deste mundo. É porque, pela oração, as raízes de sua fé chegam a Fonte da Água Viva e retiram dela energia e vida e produzem frutos para a vida eterna.

Autor D. (Lendas do Céu e da Terra)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os passos de um aventureiro (parte 3)


Com essa postagem finalizo o tema sobre o Beato José de Anchieta:

A saga do Padre Anchieta, o missionário religioso que há quatro séculos enfrentou tempestades, onça e até canibais para catequizar os índios brasileiros (Por Liane Camargo de Almeida Alves)

“Revista Terra, Agosto de 1997, nº 8, edição 64, páginas 31 a 35.”

Ele dormia só quatro a cinco horas por noite, de roupa e sem lençóis, pronto para se levantar se fosse preciso. Ensinava gramática em três classes diferentes, subia e descia montanhas para batizar ou catequizar e freqüentemente jejuava. Sua prontidão para levantar no caso de um imprevisto fazia sentido. Ele viu Piratininga ser atacada pelos tupis numa encarniçada luta que durou dois dias.

Enquanto as mulheres e crianças se recolheram à igreja em vigília permanente, os jesuítas cuidavam dos mortos e feridos com ervas medicinais indígenas plantadas ao lado das cercas do colégio. Mas, com a ajuda dos índios convertidos, a vila resistiu e os tupis acabaram fugindo.

Fora esses sustos eventuais, a aldeia de Piratininga florescia. José se aplicava em escrever divertidas peças de teatro que encenava para os indígenas e a formular a gramática “da língua mais usada na costa do Brasil”, o tupi-guarani, que seria publicada em Coimbra, em 1595. Era a primeira gramática desde os gregos antigos, escrita por um ocidental, que não se baseava nas regras do latim.

Naquele momento, não passava pela cabeça dos colonizadores portugueses serem eles os intrusos e invasores das terras indígenas. Os jesuítas estavam ali para salvar aqueles homens da barbárie e reintegrá-los ao reino de Deus. Foi essa missão que o levou, junto com Manoel da Nóbrega, à experiência talvez mais dramática e definitiva de sua vida. Aos 30 anos, Anchieta rumou para Iperoig, hoje Ubatuba, em São Paulo, para negociar com os bravios tamoios, aliados dos franceses.

Os índios, defendendo seu território, atacavam as aldeias portuguesas do litoral e os prisioneiros eram simplesmente devorados.

Ele passou dois meses numa choça de palha tentando a paz e uma troca de reféns. Quando as negociações chegavam a um impasse, as ameaças de morte começavam. Finalmente Manoel da Nóbrega, doente e coberto de chagas, seguiu para o Rio para enviar os prisioneiros. José se candidatou a ficar como refém.

O cativeiro foi uma dura prova para Anchieta. Ali, além de fome, frio e humilhações, pode ter passado pelo crivo da maior tentação: a da carne. Aos prisioneiros que iam ser devorados, os tamoios tinham por costume oferecer a mais bela jovem da tribo. O jesuíta havia feito o voto de castidade, ainda em Coimbra, aos 17 anos. E seus biógrafos dizem que a ele foi fiel a vida inteira.

Talvez para fugir das tentações, José escreveu na areia de Iperoig as principais estrofes dos 5786 versos de um poema em latim contando a história de Maria. E ganhou, aos poucos, a admiração dos tamoios por sua coragem e estranhos costumes. Quando eles ameaçavam devorá-lo, José retrucava com suavidade:

“Ainda não é chegado o momento”. E dizia a si mesmo, como contou depois, que primeiro deveria terminar o poema à Virgem. Outros relatos asseguram que sua facilidade em levitar e a proximidade com os pássaros, que o rodeavam constantemente, teria assustado os tamoios, que o libertaram finalmente, depois de assegurada a paz.

Anchieta, humilde, minimizava seus feitos. Quando lhe fizeram notar que os pássaros o cercavam, ele respondeu que eles também costumavam voar sobre dejetos. Talvez tenha sido essa subserviente simplicidade que lhe rendeu tamanho respeito entre os índios. Quando morreu, em 9 de julho de 1597, aos 63 anos, na aldeia de Reritiba (hoje Anchieta), no Espírito Santo, por ele fundada, os índios disputaram a honra de carregar seu corpo até a Igreja de São Tiago. E retrucava, com a mesma suavidade do bom irmão, aos que queriam substituí-los na tarefa: “Não pesa, não pesa”.

Enviado por e-mail por Alex A. Borges

Quem quiser saber um pouco sobre a Santa Morte do Beato José de Anchieta, recomendo que leia minha postagem:
http://almascastelos.blogspot.com/2011/03/morte-do-bem-aventurado-jose-de.html

Os passos de um aventureiro (parte 2)


Continuando o assunto da postagem anterior:

A saga do Padre Anchieta, o missionário religioso que há quatro séculos enfrentou tempestades, onça e até canibais para catequizar os índios brasileiros (Por Liane Camargo de Almeida Alves)

“Revista Terra, Agosto de 1997, nº 8, edição 64, páginas 31 a 35.”

Violentas tempestades sacudiram sua embarcação na altura de Abrolhos e o barco, com as velas rotas e os mastros partidos, encalhou perto do litoral do Espírito Santo. A nau que o acompanhava perdeu-se nas vagas e foi com seus destroços que a tripulação pôde consertar os estragos e retomar a viagem. Mas, antes que isso ocorresse, o pânico tomou conta dos passageiros – na praia poderiam estar esperando os índios tamoios, conhecidos antropófagos. Destemido, Anchieta desceu a terra junto com os marinheiros, à procura de mantimentos. Foi seu primeiro contato com os índios. Não se sabe muito bem o que aconteceu, já que os biógrafos não entram em detalhes, mas é certo que ninguém no barco foi molestado.

Depois do sobressalto, ao desembarcar, o pesadelo apenas começava. Para chegar do mar à aldeia de Piratininga, cerca de mil metros acima, em um planalto, José tinha de percorrer o que foi chamado por seus biógrafos como “o pior caminho do mundo”: uma picada em meio à Mata Atlântica, que Anchieta fez muitas vezes a pé, pois cavalgar danificava sua coluna. Era verão, época de chuvas, calor e, principalmente, mosquitos.

Sua visão das terras de São Vicente e Piratininga foi relatada em carta aos seus superiores. Dizia ele das onças: “Essas (malhadas ou pintadas) encontram-se em qualquer parte (...) São boas para comer, o que fizemos algumas vezes”. Dos jacarés: “Também há lagartos nos rios, que se chamam jacarés, de extraordinário tamanho, de modo a poder engolir um homem”. Ou sobre as jararacas: “São muito comuns nos campos, bosques e até nas próprias casas, nas quais as encontramos tantas vezes”. José fala ainda dos mosquitos que, “sugando o sangue, dão terríveis ferroadas”, das poderosas tempestades tropicais e das inundações de dezembro.

Apesar dos transtornos, a luxuriante beleza da Serra do Mar deve tê-lo impressionado, pois escreveu, anos depois, um tratado sobre as espécies animais e vegetais que poderiam ser encontradas no Brasil, numa iniciativa pouco comum entre os jesuítas. Mas seu tema principal forma mesmo os índios:

“Toda essa costa marítima, de Pernambuco até além de São Vicente, é habitada por índios que, sem exceção, comem carne humana; nisso sentem tanto prazer e doçura que freqüentemente percorrem mais de 300 milhas quando vão à guerra. E, se cativarem quatro ou cinco dos inimigos, regressam com grandes vozearias, festas e copiosíssimos vinhos que fabricam com raízes, e os comem de maneira que não perdem nem sequer a menor unha”.

Um mês depois de sua chegada, em 25 de janeiro de 1554, foi inaugurado o colégio jesuíta da Vila de Piratininga, data hoje comemorada como fundação de São Paulo. Escreveu Anchieta: “Celebramos em paupérrima e estreitíssima casinha a primeira missa, no dia da conversão do apóstolo São Paulo, e por isso dedicamos a ele nossa casa”. Ali moravam treze jesuítas que tinham a seu cargo duas aldeias de índios com quase mil pessoas. O local tinha apenas 14 passos de comprimento e 10 de largura, incluindo escola, despensa, cozinha, refeitório e dormitório. Em resumo, era minúsculo. Época de austeridade tanto no espaço quanto nas vestes, as batinas de Anchieta eram feitas com as velas imprestáveis dos navios.

Humilde, ele vivia num espaço minúsculo, dormia só 4 a 5 horas por dia e vestia batinas feitas com as velas imprestáveis dos navios.

“Se grandes são as manchas de nossa alma aí está a enchente do teu amor para inundar-nos.. Eis que se abre a entrada do asilo virginal: descansa, ó minha alma piedosa e humildemente! Aí se correrá o véu cuja glória imensa gera em ti fulgor inigualável..” José Anchieta

continua na próxima postagem...

Enviado por e-mail por Alex A. Borges

Os passos de um aventureiro (parte 1)


Dia 9 de junho se comemora o Beato José de Anchieta. Conhecer sua história é algo que alegra o coração. Por isso farei tres postagens sobre esse homem de Deus:

A saga do Padre Anchieta, o missionário religioso que há quatro séculos enfrentou tempestades, onça e até canibais para catequizar os índios brasileiros. (Por Liane Camargo de Almeida Alves)

"Revista Terra, Agosto de 1997, nº 8, edição 64, páginas 31 a 35."

Um litoral de costumeiros naufrágios e guerras corpo a corpo. De cobras peçonhentas que se esgueiravam para dentro das botas e de onças que, à noite, rondavam, famintas, as choças de palha das aldeias. De índios comedores de carne humana e homens de poucas leis que sangravam pelas bandeiras inimigas de Portugal e da França. Foi essa terra de aventuras e riscos que um adolescente magrinho de olhos azuis criado sob mimos e cuidados em Tenerife, no domínio espanhol das Ilhas Canárias, pisou pela primeira vez há mais de 400 anos. Sua missão: “caçar almas e servir a Deus”.

Com a serenidade com que escrevia poemas, Anchieta tratava os índios. Quando ameaçavam devorá-lo, dizia apenas que não era a hora.

“Oh Virgem, glória primeira da cãs de Sião! O coração me impele a visitar teu santuário, a lançar um murmúrio junto aos santos umbrais, a ver se abres a este pobrezinho as tuas portas, a ver se um cantinho, embora minúsculo de tua habitação, me dá guarida sequer por um instante.” José Anchieta

A aventura fervilhava no sangue dos Anchieta. A família daquele jovem franzino que chegava ao Novo Mundo era de guerreiros aguerridos. Um de seus irmãos defendeu o estandarte dos Tércios de Flandres, que lutavam até a morte pela unidade religiosa nos campos da Espanha. Outro, missionário, adentrou pelas terras ao norte do Rio Grande, hoje território norte-americano, seu primo o antecedeu nas missões jesuíticas ao Brasil.

José, por tradição, era destinado a ser soldado. Mas seu pai, vendo o menino acanhado e versejando poesias em latim já aos nove anos de idade, reconheceu que ele não manifestava a mínima aptidão para a carreira militar. Decidiu matriculá-lo no Colégio das Artes da Companhia de Jesus em Portugal. A disciplina e a noção do dever dos jesuítas – Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia, era, ele sim, um militar – deveria bastar à formação do garoto. Não sendo soldado de armas, José de Anchieta seria soldado da fé.

O garoto não frustraria os anseios de seu pai. Pregando em terras distantes, onde os relatos de seus milagres se multiplicavam (*), ele ainda pode vir a ser canonizado. Seria a culminação de um percurso religioso que começou aos 14 anos, quando foi para o colégio em Coimbra.

Tinha tanta facilidade em compor versos em latim quanto problemas por sua fraca saúde, que necessitava sempre de cuidados. Alguns biógrafos dizem que sofria de dores na coluna vertebral e que, ao tornar-se noviço, já andava arqueado. Outros garantem que uma escada da biblioteca do colégio caiu-lhe nas costas e, com o correr dos anos, as conseqüências do acidente o deixaram quase corcunda. Foi para aliviar tantos padecimentos, que seus superiores conjecturaram sob a viabilidade de mandá-lo para um clima ameno – o das Índias brasílicas, como era conhecido o Brasil.

Servir a Deus no Novo Mundo era o sonho dos jovens religiosos da Companhia de Jesus, e José aceitou a ordem com a determinação dos que cumprem uma missão divina. Tinha 19 anos de idade quando chegou a Salvador, na Bahia, depois de dois meses e meio de viagem, em 13 de julho de 1553.

Ficou ali por pouquíssimo tempo. Manoel da Nóbrega, vice-provincial da capitania de São Vicente, onde se encontrava a pequena aldeia de Piratininga, precisava de sua ajuda. Ele sabia da sua competência em ler e escrever, e os jesuítas necessitavam urgentemente de tradutores e intérpretes para falar o tupi, língua dos índios do litoral brasileiro. Mais dois meses de viagem o aguardavam para chegar da Bahia ao planalto paulista. Um percurso que, mais do que a travessia do Atlântico em um galeão, fundou uma nova etapa na vida de José: a da aventura.

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(*) Os milagres do irmão José
Anchieta foi considerado santo ainda em vida. São numerosos os testemunhos de sua levitação durante êxtases místicos. Afirmam também que multiplicou alimentos, que comandava os peixes no mar – os índios também o chamavam de “o senhor da pesca” – ou mesmo que podia conter tempestades. Como Francisco de Assis, falava mansamente aos animais selvagens e houve quem disse que ele conseguiu ficar até meia hora no fundo de um rio dentro de uma canoa naufragada. Por essa fama, já em 1617, o jesuíta Pero Rodrigues foi nomeado para escrever sua biografia. Como muitos dos relatos eram apenas de testemunhas oculares e Roma precisaria de provas, de “um milagre de primeira ordem”, para incluir Anchieta entre os seus 2 500 santos, o processo se arrastou durante séculos. Só em 1980 José foi honrado com a beatificação. Hoje, o padre Roque Schneider, vice-postulador do processo de canonização de Anchieta, acredita que “Roma vê com bons olhos a inclusão dele entre os santos da Igreja”.

Continua na próxima postagem...

Enviado por e-mail por Alex A. Borges

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A menina e o velho marujo


Certa menina, que residia no interior de um país, desejava muito conhecer o mar. Levada por sua família ao litoral, dirigiu-se a uma praia e, depois de admirar, deslumbrada, por muito tempo, as vagas, que se desmanchavam tranqüilas em espumas sobre a areia, voltou ao hotel e, entrando na sala de visitas, disse, alegre, aos que ali estavam:

- Já conheço o mar!

Entre os circunstantes havia um velho capitão de navio que atravessara diversos oceanos, lutando com violentas tempestades, e vira de perto os horrores das procelas marítimas. Logo que a menina afirmou satisfeitíssima, que conhecia o mar, o velho comandante, acariciando-a, disse:

- Eu também, menina, eu também o conheço.

Que diferença havia no sentido real dessas duas afirmativas?

Muitos são aqueles que se acham iludidos, quando julgam conhecer os seus deveres e responsabilidades.

Procuremos, portanto, ouvir, com a máxima atenção, os ensinamentos de nossos mestres de nossos guias.

Ó Deus, perdoa a pobreza, a pequenez, a puerilidade de nossos corações. Não escutes as nossas palavras, mas sim os nossos gemidos inexprimíveis; não atendas às nossas petições, mas o clamor das nossas necessidades. Quantas vezes pedimos aquilo que possuímos e deixamos inaproveitado! Quantas vezes sonhamos possuir aquilo que nunca poderá ser nosso!

(Lendas do Céu e da Terra)

terça-feira, 7 de junho de 2011

O Amém das pedras


Apesar de cego pela idade, continuava o venerável Beda a pregar a alviçareira boa nova. Conduzido pelo guia, peregrinava o piedoso velho de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, tendo na boca a palavra de Deus e no coração o fogo juvenil.

Um dia o moço que o guiava levou-o a um vale ouriçado de brutas pedras e com mais leveza que maldade lhe disse:

- Venerável Pai muita gente está aqui reunida à espera da vossa prédica.

Imediatamente levantou-se o ancião, escolheu um texto sagrado, explicou-o e fez dele aplicação, e exortou, e advertiu, e exprobrou, e consolou com tanta mansuetude e unção que as lágrimas lhe correram suave e docemente pelas barbas encanecidas.

E, ao concluir, proferiu ele a oração e exclamou:

- Tu és o Reino e o Poder, Tu és a Força e a Glória por toda a eternidade!

Deu-se, nesse momento, um fato estranho: ao redor, no vale pedregoso, bradaram milhares e milhares de vozes que ecoaram pelas montanhas:

- Amém, venerável Pai! Amém! Amém!

O rapaz tomou-se de assombro, caiu de joelhos, profundamente arrependido, e confessou ao santo o pecado que cometera.

- Mas, meu filho – exclamou comovidamente o velho – por acaso não leste que, se os homens emudecerem, as pedras bradarão? Não tentes, jamais, gracejar com o verbo de Deus, meu filho! A palavra divina é viva, forte e afiada como uma espada de dois gumes; e ainda que o coração humano, a despeito dela, se petrificasse, palpitaria em cada pedra um coração de homem.

(Cândido Jucá - O Bom Caminho, páginas 199/200)

A água milagrosa


Referem os autores o caso gracioso de uma pobre mulher que se foi queixar, mui magoada, a um velho sacerdote, dos desabrimentos do marido.

- Logo que entra em casa – narrou a infeliz – é uma tormenta desfeita de impropérios e de injúrias; renovam-se todos os dias estas cenas violentas, com grandes clamores, que atordoam e escandalizam a vizinhança. Ando consumida, já me é insuportável a vida; dizei-me, padre, que devo fazer em tão angustiosa situação?

O padre, depois de ouvi-la com toda a paciência, foi buscar um frasco de águas e lho entregou dizendo:

- Esta água, é colhida de uma fonte junto à igreja de São Geraldo, é milagrosa. Todas as vezes que teu marido aparecer colérico, e começar a maltratar-te com palavras ásperas, toma um pouco desta água na boca, e aí a conservarás até que ele se tenha calado. Verás que a água-de-São-Geraldo possui, realmente, uma virtude maravilhosa.

Fez a esposa exatamente como lhe ensinara o padre, e observou que quando tomava a água na boca, a ira do marido como que se amainava mais depressa. Suas cóleras foram-se tornando cada vez menos duradouras e menos freqüentes, até que enfim cessaram de todo, e reinou a paz entre o pobre casal.

Voltou a mulher ao padre, toda jubilosa, a agradecer o portentoso efeito da água milagrosa de São Geraldo.

- Minha filha – disse-lhe, então, o sacerdote – a água que te dei só teve uma virtude, e não pequena. Foi a de fazer-te calar; enquanto a tinhas na boca, não podias proferir palavra. A esse silencio, e só a ele, deves o benefício da paz e concórdia que desfrutas agora com teu marido. Se, quando um se agasta, o outro se calasse, nunca haveria discussões.

Muitos casais seriam felizes, e viveriam em perfeita harmonia, se o cônjuge sensato e prudente experimentasse sempre, nos momentos precisos, o efeito milagroso da água-de-São-Geraldo.

(Dom Macedo Costa)