Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

sábado, 31 de março de 2012

O príncipe dos instrumentos


Quem me conhece sabe que gosto muito de boa música. Foi num desses domingos ensolarados, em que eu estava ouvindo as grandes aberturas de Haendel, que recebi à tarde uma visita inesperada: Um casal de amigos que há anos eu não via. Depois que se casaram haviam-se mudado para longe e assim o contato havia ficado mais difícil. Trouxeram uma bem recheada torta de palmito com queijo, e então a conversa se desenrolou até quase ao anoitecer.

Comentando sobre música e instrumentos musicais, a esposa de meu amigo – excelente violinista – acabou contanto uma história tão interessante que resolvi recontar a todos os meus amigos e amigas.

Conhecido como príncipe dos instrumentos, o violino encanta pela sua sonoridade especial. É tão especial, que tudo nele é diferenciado: a escolha meticulosa dos vários tipos de madeira empregados na construção, o verniz especialmente preparado, fios de crina de um certo tipo de cavalo para o seu arco, sua afinação, e por ai vai.

Conta minha amiga que, certa feita, numa pequenina e pitoresca cidade da Itália, um menino era muito hábil na arte de esculpir em madeira lascada: Antonio.

Um dia, ele e seus amigos estavam na rua, pedindo dinheiro por aquilo que faziam. Um deles tocava violino, o outro - que era irmão do primeiro - cantava, enquanto Antônio fazia seus pequenos objetos entalhados na madeira.

Andando pelas ruas, um homem distinto parou para ouvir o menino cantar; depois, colocou uma moeda de ouro nas suas mãos. Muito contente, o menino “cantor” gritou:

- Vejam. O grande Amati, o maior construtor de violinos na Itália, deu-nos uma moeda de ouro!

Foi uma euforia! Porém esse gesto aguçou a curiosidade de Antônio, e ele quis conhecer mais de perto quem era esse grande benfeitor. Afinal quem era esse generoso e grande construtor de violinos? – Assim pensou Antonio.

Não faltaram barreiras que impedissem a aproximação de Antonio e o grande Amati. Mas quem é perseverante, tudo alcança. E assim aconteceu. E chegou o grande dia tão esperado. Lá estava Antonio, diante do maior construtor de violinos da Itália. Enchendo o peito de coragem, Antonio lhe diz:

- Não sei tocar ou cantar, mas gosto de música e imagino que seria capaz de construir violinos. Veja, aqui estão alguns objetos que fiz de madeira, com a minha faca.

O grande homem passou o seu olhar atento nos objetos e depois elevou seus olhos para a face ansiosa e os expressivos olhos castanhos de Antônio, e disse-lhe:

- Venha à minha oficina, moço, e lhe darei uma oportunidade para aprender a tornar-se um construtor de violinos. Qual é o seu nome?

- Antônio Stradivárius - respondeu prontamente Antônio.

Dessa forma, Antônio tornou-se aluno de Amati e trabalhou dia após dia na sua oficina. Uma das primeiras coisas que o seu professor lhe ensinou foi que a paciência para fazer com perfeição uma peça, ainda que pequenina, tinha mais valor do que a construção de um violino todo em pouco tempo.

Alguns anos decorreram e Antônio Stradivárius, já sendo um construtor de violinos, aperfeiçoou tanto o som e a beleza do violino, que se tornou o melhor construtor de violinos de todo o mundo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O nosso Maestro


Um escritor americano, que andou visitar a Europa, conta-nos, numa de suas memórias, o episódio ocorrido num hotel norueguês, onde uma menina tentava compor uma peçazinha à imitação das que as amiguinhas executavam.

Ignorando, porém, os recursos da harmonia, não conseguia ela os desdobramentos do tema que elegera e tornava-se monótono ao retomar, repetidas vezes, a mesma frase despida de interesse musical, que agradava com os erros desculpáveis de sua pouca técnica.

A princípio os hóspedes toleraram-na. Por fim, passaram a fugir-lhe, desertando a sala, fartos de dissonância, quando ela se punha ao piano.

Certa vez chegou ao hotel o grande Haendel. Notou que os forasteiros saíam acintosamente, mal a criança iniciava o seu desalinhado concerto. Magoou-o a irreverência dos ouvintes. Sentou-se ao lado da menina e, retomando o mesmo tema que ela não conseguia aproveitar, transformou a peçazinha rude numa encantadora balada, desdobrando um motivo aparentemente inaproveitável e enfeitando-o com tão belas variações que em pouco tempo a sala estava repleta, e todos, à porfia, tentavam aproximar-se, o mais possível, do genial artista.

Lembrai-vos amigos e amigas, de que Nosso Senhor Jesus Cristo é o nosso Guia, o nosso Maestro. Anda ao nosso lado, senta-Se conosco ao pé do instrumento da vida e transforma todas as nossas desarmonias em gloriosas aleluias. Multiplicando a nossa herança, de cada falha tira um motivo de beleza. Deus é poderoso para fazer abundar em nós toda a graça, a fim de que tendo, sempre, em tudo, a suficiência, possais levar a termo toda boa obra.

Autor M. R. “Lendas do Céu e da Terra”

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Basílica do Sagrado Coração de Jesus


Ao Sagrado Coração de Jesus o maior sino do mundo, a pedra mais branca e pura que existe, a montanha mais alta que posso encontrar.

Para quem vai à Paris (França) não pode deixar de subir no Monte Martre, o ponto mais alto da cidade. Belo mirante natural. De fato, lá de cima, a vista da cidade de Paris é maravilhosa. Mas não é esse o motivo principal das pessoas quererem subir no monte, mas sim o fato de que no seu pico se encontra a grandiosa Basílica do Sagrado Coração de Jesus (em francês, Basilique du Sacré-Coeur).

Jamais vi arquitetura semelhante. Magnífica. E bem apropriada, pois é de lá do cume do monte mais alto de Paris que o Sagrado Coração de Jesus olha para toda a França, e por que não dizer olha por todo o mundo? Uma faixa na Basílica informa: “aqui se tem vigília 24 horas por dia, ininterruptamente, diante do Santíssimo Sacramento.”

A basílica do “Sacré-Coeur” foi construída com mármore travertino extraído da região de Seine-et-Marne. Essa pedra constantemente dispersa cálcio, o que garante a cor branca da Basílica mesmo com as chuvas e a poluição.

Um dos lugares sagrados mais visitados da França, a Basílica tem o formato de Cruz Grega adornada por quatro cúpulas, incluindo a cúpula central de oitenta metros de altura. Uma de suas torres serve de campanário a um sino de três metros de diâmetro e de mais de 26 toneladas. É um dos sinos mais pesados do mundo.

A arquitetura da basílica é inspirada na arquitetura romana e bizantina. Há também um belíssimo mosaico chamado Cristo em Majestade; é um dos maiores do mundo. O pórtico, com três arcos, é adornado por duas grandes imagens: Santa Joanna D’Arc e do Rei São Luiz IX.

Sagrado Coração de Jesus abençõe a todos que visitam meu modesto Blog, e que me ajudam a fazer esse apostolado através das histórias. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A força de um terço


A 10 de março de 1615, em Glasgow (cidade da Escócia), o ilustre missionário jesuíta São João Ogilvie subia ao cadafalso.

Ia expiar com o suplício da forca, o “crime” de ter pregado o Evangelho, o “crime” de ser sacerdote católico.

Nessa hora suprema, de pé, em cima do estrado donde dominava vários milhares de espectadores, querendo deixar-lhes uma lembrança e, simultaneamente, um penhor daquela Fé pela qual se sentia feliz em morrer, pegou um único objeto que lhe restava, um terço, e arremessou-o com força para o meio da multidão.

Ora, aconteceu que o terço foi bater em cheio no peito de um rapaz húngaro, calvinista, João de Heckersdorff, que fazia viagens de estudo e recreio e nesse dia se encontrava casualmente em Glasgow.

Ele ficou profundamente emocionado. A lembrança daquele terço perseguiu-o em toda parte, até o dia em que abjurou a heresia em Roma, aos pés do Santo Padre. Disse inúmeras vezes, até morrer, que atribuía ao terço sua conversão.

Fonte: Revista “O Desbravador” - Orgão do Grêmio Cultural “Santa Maria”
Ano 7 – Outubro de 1986 – número 82.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Nossa Senhora do Monte Serrat


Há alguns anos atrás, fui visitar a cidade histórica de Santos, no litoral do Estado de São Paulo. Uma cidade muito antiga, com muitos monumentos e muita história; especialmente por que se trata de uma cidade portuária, onde desembarcaram muitos imigrantes italianos, inclusive minha família.

Visitei vários lugares históricos, inclusive a Basílica Menor de Santo Antonio do Embaré construída em estilo neogótico. A Igreja originou-se de uma capela erguida em 1875, pelo Barão do Embaré. Foi entregue em 1922 aos frades Capuchinhos, que iniciaram a nova edificação em 1930 e que foi inaugurada em 1945. Nessa Igreja há um magnífico órgão de 3.800 tubos ladeado por dois anjos esculpidos em madeira.

Andando um pouco mais para o centro da cidade fui convidado a visitar o morro de Monte Serrat.

Muito íngreme, o morro é todo coberto por densa vegetação. Só se tem acesso ao seu cume por dois meios: ou por uma escada de muitos degraus ou através de um bondinho. Chegando lá se depara com o abençoado Santuário de Nossa Senhora de Monte Serrat. Não é preciso dizer que vista maravilhosa que de lá se tem da cidade e do mar.

UM POUCO DE HISTÓRIA:

A pouca distância de Barcelona, na Espanha, ergue-se a montanha de Mont Serrat, que deve o nome à forma aguda de seus picos. A tradição conta que o próprio São Pedro trouxe para Barcelona a Imagem de Nossa Senhora que lá se venera.

Durante a invasão dos Mouros, a imagem teve que ficar escondida numa das cavernas lá existentes. E a caverna que abrigava tão abençoada imagem ficava justamente no Montserrat. Por volta do ano 900 essa sagrada imagem foi encontrada por jovens pastores da região e, em solene procissão, foi levada para o lugar onde ainda hoje se ergue o célebre Santuário.

Uma série de milagres começou a acontecer e atrair fiéis de toda Europa, que divulgaram o nome de Nossa Senhora do Monte Serrat por todo o mundo cristão. Vários foram os santos devotos de Nossa Senhora, entre eles, São Vicente Ferrer, Santo Inácio de Loyola e São Luiz Gonzaga.

Na América Latina, a devoção à Nossa Senhora do Monte Serrat foi iniciada pelos monges beneditinos que, no primeiro século da descoberta do Brasil, fundaram a Abadia da Virgem do Montserrat no Rio de Janeiro.

Já na cidade de Santos (Estado de São Paulo – Brasil), a construção de uma capela em homenagem a Nossa Senhora, no morro de São Jerônimo, entre 1598 e 1609, deve-se a D. Francisco de Souza, o governador geral do Estado do Brasil e grande devoto da Santíssima Virgem. Segundo suas ordens, a capela foi entregue aos monges de São Bento, assim que estes aqui se estabeleceram.

Logo depois, durante uma invasão holandesa, em 1614, foi um grande milagre da “Virgem Poderosa” do Monte Serrat que atraiu a atenção e a devoção popular da cidade, pois quando já uma turba de soldados inimigos ia subindo o morro de São Sebastião em direção à capela, onde se abrigava grande parte da população, um desmoronamento soterrou os atacantes e induziu os invasores a deixarem a cidade. A partir daí, Nossa Senhora do Monte Serrat foi considerada a salvadora da cidade.

Em 1954, por deliberação da Câmara Municipal, Nossa Senhora do Monte Serrat foi declarada oficialmente “Padroeira da Cidade”. O Papa Pio XII, em documento oficial do Vaticano, com data de 03 de dezembro de 1954, confirmou o título de Nossa Senhora do Monte Serrat “Patrona da Cidade de Santos”. E a 08 de setembro de 1955, o Cardeal Mota, de São Paulo, como legado pontifício, presidiu a solenidade de coroação.

Ata da Coroação de Nossa Senhora do Monte Serrat:

Aos oito dias do mês de setembro de mil novecentos e cincoenta e cinco, ao calor de nossos entusiasmos e de nossa fé religiosa, perante a grande assembléia do povo católico de Santos, mercê de um Rescrito da Congregação dos Ritos, de três de dezembro de mil novecentos e cincoenta e quatro, sendo Presidente da República o Snr. Café Filho, Governador do Estado o Snr. Jânio Quadros, Bispo de Santos D. Idílio José Soares, Vigário Geral Monsenhor Primo Vieira, Prior do Mosteiro de Santos D. Olidano Erbert O.S.B, Prefeito Municipal o Snr. Dr. Antonio Feliciano, Presidente da Câmara Municipal o Snr. Dr. João Carlos de Azevedo, Comandante da Guarnição Militar o Snr. Cel. Hugo Parasco Alvim, Diretor do Fórum o Snr. Dr. José Manoel Arruda e Delegado Regional do Ensino o Snr. Prof. Damasco Peña, foi solenemente proclamada Padroeira desta terra e triunfalmente coroada pelas mãos do Eminentissimo Snr. Cardeal Motta, a veneranda imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat.
E para que tudo conste "ad perpetuam rei memoriam" aqui fica lavrada a presente Ata
Santos, 8 de setembro de 1955


FONTE:
Livro: Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat – Santos – Autor: Jacyr F. Braido - Editora Loyola

foto da capela:
http://www.diocesedesantos.com.br/

Foto do Morro:
http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0066e.htm

terça-feira, 13 de março de 2012

O Pequeno Ofício


Há uns anos atrás o Breviário (Ofício Divino), era oração obrigatória para todas as pessoas que seguiam a vocação do sacerdócio. São Francisco de Assis rezou o Oficio Divino, entre outros grandes Santos que nem sacerdotes eram, tal a excelência, a sublimidade de referida oração. Composto por leituras, orações, hinos e salmos, que variam durante o ano em razão da liturgia, o Breviário é uma das mais belas orações da Santa Igreja.

Algumas ordens religiosas usam o Pequeno Ofício de Nossa Senhora.

Desde os primórdios do século dezessete já era costume a recitação do Pequeno Ofício de Nossa Senhora, juntamente com o Ofício Divino. O Pequeno Ofício era um tributo especial da Igreja à Nossa Bemaventurada Mãe. Os Carmelitas, sendo-lhe especialmente devotados, seguiram esta piedosa prática. Mas à medida em que os tempos se passavam e as necessidades da vida ativa se tornaram maiores, a recitação do Oficio em Comunidade foi se restringindo ao Noviciado. Já que os Terceiros pertencem à Ordem que foi especialmente fundada para honrar Nossa Senhora, também eles devem recitar diariamente seu Pequeno Oficio.

O Pequeno Ofício é um livrinho com 163 páginas e é dividido em horas canônicas: Matinas, Laudes, Prima, Tércia, Sexta, Noa, Vésperas e Completas. As rubricas do Pequeno Ofício foram ditadas pela do Oficio Divino usadas pela Ordem Carmelitana. As orações, cânticos e leituras, são rezadas de acordo com as mudanças litúrgicas: tempo do Advento, tempo depois do Advento, tempo da Páscoa e tempo durante o ano.

TRANSCREVO AQUI UMA DAS ORAÇÕES CONTIDAS NO PEQUENO OFÍCIO:

Cântico dos três mancebos (Dan. III, 57-88)

Obras do Senhor, bendizei-O todas:
louvai-O, celebrai sua glória por todos os séculos.

Anjos do Senhor, bendizei-O:
céus, bendizei ao Senhor.

Águas que estais suspensas sobre os ares, bendizei todas ao Senhor:
poderes do Senhor, bendizei ao Senhor.

Sol e lua, bendizei ao Senhor:
estrêlas do céu, bendizei ao Senhor.

Chuva e orvalho, bendizei ao Senhor;
espíritos de Deus, bendizei todos ao Senhor.

Fogo e calor do estio, bendizei ao Senhor;
frio e rigor do inverno, bendizei ao Senhor.

Névoas e escarchas, bendizei ao Senhor:
gelos e frios, bendizei ao Senhor.

Geadas e neves, bendizei ao Senhor:
noites e dias, bendizei ao Senhor.

Luz e trevas, bendizei ao Senhor:
relâmpagos e nuvens, bendizei ao Senhor.

Bendiga a terra ao Senhor:
louve-O e celebre sua glória por todos os séculos.

Montes e outeiros, bendizei ao Senhor;
plantas que cresceis sobre a terra, bendizei ao Senhor.

Fontes, bendizei ao Senhor:
mares e rios, bendizei ao Senhor.

Baleias e tudo que viveis nas águas, bendizei ao Senhor:
aves do ar, bendizei ao Senhor.

Bestas do campo e animais domésticos, bendizei todos ao Senhor:
filhos dos homens, bendizei ao Senhor.

Bendiga Israel ao Senhor:
louve e sobreexalte-O por todos os séculos.

Sacerdotes do Senhor, bendizei-O;
bendizei-O, servos do Senhor.

Espíritos e almas justas, bendizei ao Senhor;
santos e humildes de coração, bendizei ao Senhor.

Ananias, Azarias, Misael, bendizei ao Senhor:
louvai e sobreexaltai-O por todos os séculos.

Bendigamos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo:
louvemos e sobreexaltemo-lO por todos os séculos.

Bendito seja o Senhor no firmamento do céu:
louvável e glorioso e sobreexaltado por todos os séculos.

(Pequeno Ofício da Bemaventurada Virgem Maria
Segundo o Breviário da Ordem Carmelitana - São Paulo – 1962)

domingo, 4 de março de 2012

A imagem de São Miguel que presenciou exorcismos


Uma vez eu estive numa Paróquia (que era antiga Capela) e confesso que fiquei muito impressionado com uma imagem de São Miguel Arcanjo que havia no altar-mor. Trazida da Itália, toda de madeira, essa belíssima e preciosa imagem já presenciou muitos exorcismos. O exorcista era o Padre Miguel Pedroso. Seu olhar calmo e tranqüilo, suas palavras com uma sonoridade profunda e mansa, sua coragem e fé inabaláveis, sua luta contra o demônio... tudo naquele padre era exorcístico.

Faziam-se filas enormes para receber a benção desse padre ao final da missa. A benção era recebida de joelhos no “murinho” que separa o altar, como se fosse para comungar. O Padre muito calmamente, passava de um em um, abençoando, dando conselhos, sorrindo e exorcizando.... Seu rosto transmitia tranqüilidade, fé, força e mansidão juntamente com uma felicidade inenarrável. Muitos dos que vinham de longe para conversar com ele voltavam admirados com a sonoridade tranqüila e calma de sua voz. Tranqüilidade essa de quem está em Paz com Deus. Não é preciso dizer que o demônio odiava esse padre e sua força firme e tranqüila de quem tem muita Fé. Do Altar-Mor, tudo observava São Miguel Arcanjo.

Quem era esse Padre? Que Paróquia é essa? De que imagem de São Miguel eu falo?

No final do século XIX a Itália atravessava por um período difícil. Os italianos começaram a imigrar para a América em busca de novas oportunidades e de trabalho. E assim, como muitos, aproximadamente pelo ano de 1870, um jovem italiano chamado Miguel Aliano resolveu vir para o Brasil. Na época as viagens eram feitas com “navios a vela”, pois os “navios a vapores” somente vieram alguns anos mais tarde. Atravessar o Oceano Atlântico com um “Navio a Vela” rumo ao Brasil demorava por volta de três meses, dependendo da direção dos ventos, das calmarias, e do estado do mar.

A viagem de Miguel Aliano rumo ao Brasil foi muito tumultuosa, pois enfrentou péssimo tempo, ventos em direções contrárias, fazendo com que a viagem demorasse longos meses.

Viagem muito sofrida. Alguns imigrantes acabaram ficando doentes e outros morreram. Seus corpos foram atirados ao mar. As ondas fortes sacudindo a embarcação, fizeram com que muitos temessem não chegar ao destino.

Miguel, lembrando-se da fé católica que sua mãe lhe havia passado, pediu a São Miguel Arcanjo o milagre de chegar ao Brasil, prometendo que, quando tivesse condições, voltaria à Itália para buscar a imagem do protetor e então mandaria erguer uma capela em sua honra.

Quando se reza, tudo se consegue. Miguel chegou finalmente ao Brasil e com todo o esforço de quem chega numa nova Terra, trabalhou, montou seu comércio e fez economias para poder cumprir sua promessa.

Tão logo foi possível cumpriu sua promessa. No ano de 1891 Miguel Aliano e Ana Maria Olga Aliano construíram uma Capela dedicada a São Miguel Arcanjo na Rua Bráulio Gomes, no Centro de São Paulo. Voltou para a Itália, trazendo de lá a belíssima imagem de São Miguel Arcanjo, toda em madeira pintada. A imagem chegou embalada e dentro de uma caixa de madeira.

São Paulo crescia muito e era necessário alargar ruas, construir prédios, modernizar a cidade. Com isso a Capela de São Miguel Arcanjo foi desapropriada. Grande tristeza entre os familiares.

Mas a Fé Católica é forte na família Aliano. Assim, no ano de 1938, os sucessores de Miguel Aliano construíram uma outra Capela, transferindo-a então a imagem de São Miguel Arcanjo para o Bairro da Mooca, Zona Leste da cidade de São Paulo, onde se encontra até os nossos dias.

Apesar de, às vezes, vir algum padre para rezar missa e dar assistência aos fiéis na Capela de São Miguel Arcanjo, lá não se poderia realizar todas as cerimônias católicas justamente por ser apenas uma simples Capela. Então para Maior Glória de Deus, a família Aliano resolveu doar a Capela para a Cúria Metropolitana que assim conferiu a ela o Título de Paróquia, agora sim, podendo nela realizar todos os atos religiosos e inclusive ter um padre definitivo.

Isso aconteceu na década de 1960. Em 21 de abril de 1960, foi celebrada a primeira missa como Paróquia. O primeiro padre da Paróquia de São Miguel Arcanjo, que lá ficou por longos anos, amado por todos os fiéis da região era o Padre Miguel Pedroso - o Padre exorcista.

Quem o conheceu sabe o que estou falando. Até pessoas inimigas da Igreja Católica ficavam admirados pelo timbre de sua voz. Sua calma, sua tranqüilidade, sua força, sua Fé inabalável, fazia o demônio tremer...

O Padre Miguel atendia a todos os pedidos das pessoas que vinham lhe procurar: visitava doentes, abençoava as casas da região, abençoava as pessoas, fazia incontáveis exorcismos...

Ficando mais idoso, foi transferido para Cotia, onde contribuiu para a formação do famoso Carmelo lá existente. Fui para a cidade de Cotia (interior do Estado de São Paulo) por várias vezes a procura do Padre Miguel. Ele ainda continuava a rezar missa, dar benção nas pessoas e fazia exorcismos. Pessoas leigas ou de ordens religiosas vinham de longe para procura-lo.

Com idade avançada, o padre Miguel faleceu sendo o seu corpo enterrado na cidade de São Roque (interior do Estado de São Paulo). Seu túmulo ainda atrai muitas pessoas que lá rezam. Ainda hoje duas irmãs solteiras, já idosas também, da família Aliano, cuidam da Paróquia de São Miguel Arcanjo. São duas senhoras que propagam imensamente a devoção à São Miguel Arcanjo e tem muito prazer em explicar a todos que as procuram a história da antiga Capela e da Imagem de São Miguel Arcanjo.

Há, porém, um fato que me marcou por toda a minha vida. Esse fato que muito me impressionou foi quando o Padre Miguel retirou a mão do demônio de uma mulher grávida. Esse fato foi narrado na postagem abaixo. Jamais esqueci disso, leiam:

http://almascastelos.blogspot.com/2011/03/mao-do-demonio.html