Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O respeito humano


Apesar da palavra respeito parecer significar apenas não ofender ninguém, ela tem um sentido muito mais amplo. Respeitar é algo que dirige as normas de agir de uma pessoa. No mundo religioso, ter RESPEITO HUMANO significa ter vergonha. Quando alguém tem vergonha de rezar em público, por exemplo, diz-se que a pessoa tem respeito humano.

Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua glória, na glória de seu Pai e dos santos anjos. (São Lucas, 9,26)

Vamos a história de hoje:

O RESPEITO HUMANO

Um jovem estudante, passeando, uma noite, pelas ruas de Paris, entrou por acaso numa igreja. Não era incrédulo, nem tampouco fervoroso. De pé, sem ter a intenção de rezar, distraía-se em observar os que se achavam no templo: mulheres, meninas, alguns trabalhadores e meia dúzia de soldados vindos, hora antes, das aldeias mais próximas.

De repente viu, do outro lado, um homem ajoelhado em atitude reverente.

“Eis ali um religioso”, que parece ser pessoa de tratamento e elevada distinção. Como teria vindo parar aqui, a rezar com este povo? Vamos observá-lo de mais perto.”

O jovem encaminhou-se discretamente para lá e aproximou-se do homem que orava.

- É incrível! – exclamou-se, tomado de vivo espanto. – É o professor Ampère!

Era ele realmente, o maior gênio da Escola Politécnica de Paris, o fundador da eletricidade dinâmica, André Marie Ampère, que ali, humilde como uma criança, estava orando aos pés do altar.

- Se um homem notável como este – disse o estudante -, o maior sábio do mundo, não se sente diminuído ou envergonhado ao demonstrar a grandeza de sua fé, não vejo mais motivo algum para conservar o meu espírito envenenado pelo respeito humano!

Desse dia em diante, o rapazinho alterou, por completo, o rumo de sua vida. Passou a freqüentar a igreja e a orar com devoção junto aos altares.

Esse estudante, que a exemplo do sábio levara ao caminho da salvação, veio a ser o grande Francisco Ozanam.
Ozanam vencera, para sempre, o respeito humano que dominava o seu coração de jovem.

Entre as numerosas cadeias com as quais o espírito das trevas retrai as almas de bem, e as retém no caminho da culpa, jamais se encontrará uma tão pesada como o é o respeito humano.

Por estas palavras, respeito humano, entendem os teólogos o crime daquele que cora de Deus; que não ousa manifestar os seus sentimentos religiosos, porque essa manifestação lhe atrairia os motejos dos ímpios e dos indiferentes.

O respeito humano é um sentimento ignóbil e cobarde, que nos faz renegar o bem pelo mal, a verdade pelo erro, a consciência e a religião pelas máximas do século, com o fim de agradar aos homens e conciliar-lhes a estima.

Autor: (D.) – Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan

NOTA DO BLOG: Ampère é uma unidade de medida da intensidade elétrica. A sua biografia encontramos na wikipédia:
André-Marie Ampère nasceu no ano de 1775 em Lyon (França), foi professor na École Polytechnique de Paris. Em 1814 foi eleito membro da Académie des Sciences. Ocupou-se com vários ramos do conhecimento humano, deixando obras de importância, principalmente no domínio da física e da matemática. Partindo das experiências feitas pelo dinamarquês Hans Christian Oersted sobre o efeito magnético da corrente elétrica, soube estruturar e criar a teoria que possibilitou a construção de um grande número de aparelhos eletromagnéticos. Além disso descobriu as leis que regem as atrações e repulsões das correntes elétricas entre si. Foi físico, filósofo, cientista e matemático francês. Em sua homenagem, foi dado o nome de ampère (símbolo: A) à unidade de medida da intensidade de corrente elétrica.

Foto e Biografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9-Marie_Amp%C3%A8re

domingo, 12 de maio de 2013

O milagre e a pérola

Uma das maravilhas que Deus criou foi o Mar. Achar uma praia deserta, ainda repleta de vegetação, com rochas e areia branca... que maravilha! Caminhar lentamente ao longo do mar, observando toda essa natureza, com o vento soprando entre as folhas e as ondas, de vez em quando encontrar alguma estrela de mar, ou alguma concha ou mesmo algum caramujo ou um pequeno peixe que se aproximam da praia, trazidos pela onda... que maravilha!

Numa humilde cidade litorânea, vivia um povoado muito harmônico. As casas, pequenas mas feitas com bom gosto, ruas de terra misturadas com areia, crianças correndo atrás de pássaros, rindo, outras sentadas no chão se ocupando com brinquedos de madeira, certamente feitos pelos seus pais, as meninas carregando suas bonecas de pano costuradas pelas próprias mães com roupinhas, sapatinhos e até chapéus. À noite, o sossego do recolhimento, as estrêlas brilhantes no céu, as casas iluminadas à lamparinas, e o murmurar das ondas do mar. Nada poderia ser mais perfeito.

Justamente naquela cidadezinha, uma casa mais próxima das rochas litorâneas ainda mantinha a luz da lamparina acesa, enquanto o restante da aldeia já estava apenas ao brilho do luar. Quem se aproximasse da porta daquela casa ouvia o som de uma família reunida rezando fervorosamente. Percebia-se logo que alguém estava doente e de cama. Nas preces a Mãe de vez em quando pedia: “Senhora Mãe de Deus, ajudai-nos, curai meu marido, e dai-nos o sustento porque necessitamos.”

O que teria acontecido? Para entender é preciso voltar no tempo e contar a história desde o início.

Aquela família era composta de cinco pessoas: Pai, Mãe e três filhos. O filho mais velho tinha sete anos e já freqüentava a igreja local para as aulas de catecismo.

O pai era um hábil mergulhador e sustentava sua família com a venda das ostras e pérolas que colhia nas rochas do mar. As ostras também são conhecidas por madrepérolas (Perola-Mãe), porque elas é que produzem as pérolas. O interior de suas conchas rústicas é todo revestido por uma camada fina da mesma substancia da pérola. Normalmente essas conchas ficam incrustadas nas rochas submersas no mar, sendo necessário um bom canivete para retirá-las. Essas rochas submersas não contêm apenas as ostras, mas uma cadeia alimentar muito grande: é morada de muitos seres vivos, como outros moluscos que conhecemos como marisco de casca preta ou mexilhões, algas marinhas e outros seres de pequeno porte desde micro elementos até caranguejos e siris. Isso atrai a atenção dos peixes que vão nessas rochas tirar seus alimentos também.

Num desses dias rotineiros, estava o Pai mergulhado nas águas do mar, procurando em rochas mais profundas uma madrepérola que fosse um pouco maior do que as que habitualmente costumava encontrar. De repente, olhou para frente e viu uma arraia grande se aproximando. Acostumado com os habitantes do mar, a princípio ele não se incomodou, mesmo assim teve a cautela de ficar atrás da rocha. Mas parecia que aquela arraia não estava nos seus melhores dias, mostrando-se muito irritada. Não demorou muito para que investisse contra o mergulhador, dando-lhe uma ferroada com sua cauda de ferrão venenoso, no joelho da perna esquerda causando-lhe muita dor.

Com sacrifício conseguiu emergir e, se agarrando nas pedras, saiu do mar, caminhando com sofreguidão até sua casa. Deitado em sua cama e sem recursos para pagar um médico, a perna acabou infeccionando, tornando-o imprestável para outro mergulho ou mesmo caminhar normalmente. Com isso, não poderia mais sustentar sua família e começaram a passar necessidades.

A família se reunia toda a noite ao redor da cama do Pai, e rezavam juntos pedindo as graças de Nossa Senhora. O filho mais velho de sete anos, que estudava catecismo e que gostava muito de ouvir histórias sobre os milagres de Nossa Senhora, ficava pensando: “Nossa Senhora já atendeu muita gente, no entanto meu pai ainda não foi atendido. Acho que precisamos ir lá na igreja pedir diretamente para Ela.”

No dia seguinte, bem cedinho, foi tentar convencer seu pai a sair da cama e levar ele lá na Igreja, fazer o pedido de cura aos pés da Virgem Imaculada.

- Meu filho, eu não posso andar, veja as condições em que está minha perna. Nossa Senhora nos ouve quando rezamos, não precisamos ir lá. - dizia o pai.

Cheio de fé, inocente, o pequeno insistia:

- Meu pai, temos que ir visitar Nossa Senhora, eu lhe ajudarei a caminhar. Eu prometo que falarei com Nossa Senhora sobre o senhor.

O pai vendo os olhos do filho marejados de lágrimas, tanta inocência brilhando no seu rosto e um sorriso irrecusável, não teve outra alternativa senão a de se apoiar num bastão e vagarosamente caminhar até a igreja.

Chegando lá, os olhos de ambos se voltaram ao alto, em busca do olhar misericordioso e cheio de bondade da Virgem Imaculada. Foi quando o menino, cheio de fé, aconselhou o pai:

- Faça uma promessa, Nossa Senhora o atenderá.

O pai sorrindo, e vendo tanta fé nas palavras de seu filho, pediu à Mãe de Deus que se o curasse a ponto dele poder voltar a mergulhar, a primeira perola que ele encontrasse, daria a Nossa Senhora. Depois de terem rezado, voltaram com sofreguidão para o descanso do lar.

O milagre veio. Sua perna foi desinchando e a coloração escura da perna, foi voltando ao normal. Já podia dobrar o joelho, e as dores iam diminuindo significativamente. Ao cabo de mais algum curto tempo, milagrosamente estava curado.

Nem é preciso descrever o contentamento de toda a família pelo ocorrido.

Bom, agora era a hora de cumprir a promessa. O pai voltaria a mergulhar e a primeira pérola encontrada deveria ser de Nossa Senhora. E assim se fez.

Num daqueles dias ensolarados, o pai mergulhou. A alegria de estar podendo se movimentar fez com que ele procurasse uma madrepérola especial para Nossa Senhora. Assim ocorreu. Atrás de uma rocha submersa havia uma grande surpresa. Uma madrepérola muito grande. Rapidamente usou sua habilidade e logo a retirou de seu lugar nativo. Emergindo, foi para praia e tratou de abrir cuidadosamente a concha rústica. Seus olhos brilharam muito quando se deparou com uma pérola enorme. Só estranhou que a pérola não tivesse a forma perfeitamente redonda – coisa pouco comum. Mas mesmo assim uma pérola daquele tamanho deveria valer uma fortuna.

Agora, o grande dilema: Fico com a pérola e fico rico, ou cumpro a promessa de dou a pérola para Nossa Senhora?

Terrível indecisão. Perturbadora hesitação.

Depois de refletir sobre o assunto, baixou a cabeça, e disse para si mesmo: “Obrigado, Senhora, pelas graças que me destes, pelos benefícios que me concedestes, pelos sofrimentos dos quais me livrastes. Esta jóia Lhe pertence, com toda a certeza.”

Chegando em casa, mostrou a todos os seus o que tinha achado, quando o seu filho notou que a pérola “amassada” tinha o mesmo formato do joelho do seu pai que havia sido golpeado pela arraia.

E era a verdade. Era a réplica perfeita do joelho do pai. Estava confirmado o milagre. Foram à Igreja doar a pérola para Nossa Senhora, que certamente ficaria aos cuidados do padre local, relatando-lhe os detalhes dessa maravilhosa história.

Durante muito tempo essa jóia ficou exposta na Igreja, com uma placa indicativa de sua história. Depois acabou sumindo e não se sabe onde está.

(Esta história foi recontada, mas baseada em fatos reais. Desconheço o autor que relatou o fato original)

Fotos da internet, desconheço o autor.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Os hábitos e os pecados ou vícios capitais

Enquanto a prática constante de atos bons, traz à pessoa a virtude estável; a prática reiterada de atos ruins faz o pecado ser um hábito constante. Difícil será deixar de pecar enquanto não combater os maus hábitos e insistir na prática constante das virtudes.

Não basta se confessar, para deixar de pecar. É preciso criar o hábito de praticar virtudes, pois a virtude transformada em hábito, e com o auxilio da graça, transformará o pecador numa pessoa virtuosa muito mais facilmente.

Muitas pessoas confessam-se sempre, mas não deixam de pecar porque não mudam seus péssimos hábitos. A pessoa deve sempre fugir do pecado, e das ocasiões próximas de pecado também (situações que podem levar ao pecado). É preciso rezar muito e criar o hábito de se ter uma vida virtuosamente saudável.

Muitas vezes quando se leva um tombo e se quebra o braço, a primeira coisa que a pessoa pensa é cuidar bem do braço, mas não dá atenção ao arranhão na perna. O braço pode ficar curado, mas o arranhão pode infeccionar e causar um transtorno para a perna maior do que o ocorrido com o braço. Assim é a vida do cristão. Aquele que combate apenas os grandes pecados, mas se esquece dos pequenos, pode ter os pequenos vícios transformados em hábito de vida e, por conseqüência, volta a pecar gravemente.

Vejamos o que diz o Catecismo Católico de São Pio X:

O vício é uma disposição má da alma que leva-a a fugir do bem e a fazer o mal, causada pela freqüente repetição dos atos maus.

Entre pecado e vício há esta diferença: que o pecado é um ato que passa, enquanto o vício é o mau hábito contraído de cair em algum pecado.

Os vícios que se chamam capitais são sete:

1º SOBERBA: manifestação de orgulho e arrogância.

2º AVAREZA: apego ao dinheiro de forma exagerada, desejo de adquirir bens materiais e de acumular riquezas.

3º LUXÚRIA: apego e valorização extrema aos prazeres carnais, à sensualidade e sexualidade; desrespeito aos costumes; lascívia.

4º IRA: raiva injusta ou desmedida contra alguém, vontade de vingança.

5º GULA: comer somente por prazer, em quantidade superior àquela necessária para o corpo humano.

6º VAIDADE: preocupação excessiva com o aspecto físico para conquistar a admiração dos outros.

7º PREGUIÇA: negligência ou falta de vontade para o trabalho ou atividades importantes.

Os vícios ou pecados capitais vencem-se com a prática das virtudes opostas. Assim, a SOBERBA vence-se com a HUMILDADE; a AVAREZA, com a liberalidade e CARIDADE; a LUXÚRIA, com a CASTIDADE; a IRA, com a PACIÊNCIA; a GULA, com a TEMPERANÇA; a VAIDADE, com a MODÉSTIA; a PREGUIÇA, com a DILIGÊNCIA E FERVOR no serviço de Deus.

Chamam-se capitais estes vícios, porque são a fonte e a causa de muitos outros vícios e pecados.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Os senhores do patriarca

Logo que São João Esmoler tomou posse, e se assentou na cadeira do patriarca de Alexandria, chamou os seus mordomos e lhes disse:

- Não é justo tenhamos cuidado de alguém primeiro de que Cristo; ide pela cidade, colhei informações e organizai uma lista de todos os meus senhores.

Essa ordem surpreendeu aos auxiliares do ilustre prelado, pois ninguém sabia quais eram os senhores do patriarca.
Respondeu o santo:

- São os pobres, porque eles me podem dar entrada no Reino dos Céus.

Uma semana depois preparou-se São João Esmoler, como fazia todos os dias, para receber as súplicas e remediar as queixas dos miseráveis e necessitados. Passaram-se várias horas e chegou a noite sem que ninguém o procurasse. Pôs-se o santo muito triste e pensativo, e, interrogado por um de seus íntimos, explicou:

- Hoje a ninguém fiz bem, nem pude oferecer, em desconto de meus pecados, o mínimo sacrifício.

autor:(M.B.)
Lendas do Céu e da Terra - Malba Tahan.

sábado, 6 de abril de 2013

Confirmação do Céu e da Terra

Este mês é um mês festivo para mim. Fundado em abril do ano de 2010, o Blog Almas Castelos pretendeu estimular o gosto de contar e ouvir histórias. Como se lê na introdução do Blog, a história é um excelente meio de reatar as conversas de famílias, de dar uma boa aula, de estimular a inteligência, de avivar as conversas entre amigos, além de educar de uma maneira muito agradável.

Fazer apostolado, ensinar, difundir as verdades das Sagradas Escrituras, é praticar a maior das virtudes, conforme confirma o apóstolo São Paulo:

“Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade” (Epístola de São Paulo, I Coríntios, capítulo 13, versículo 13 – edição Ave Maria)

Meu propósito está escrito na introdução do Blog. Criei o Blog sem outro interesse, senão o de fazer bem às pessoas que pudessem lê-lo. Porém, confesso que muito me comoveu ao ter a confirmação de que meu trabalho agradava a Nossa Senhora, e registrei essa confirmação na postagem cujo link está abaixo:


Após ter a confirmação dos Céus, eu quis ter a confirmação da Terra: o que pensam os grandes homens sobre a arte de contar histórias. Para isso consultei um livro escrito por um dos maiores psiquiatras da atualidade: Dr. Augusto Cury. Além de psiquiatra, é pesquisador de psicologia e escritor, e já teve mais de 18 milhões de seus livros vendidos. O livro consultado foi: “Pais brilhantes, Professores fascinantes”. Transcrevo pequenos trechos:

Bons pais são uma enciclopédia de informações, pais brilhantes são agradáveis contadores de histórias. São criativos, perspicazes, capazes de extrair das coisas mais simples belíssimas lições de vida.
Querem ser brilhantes? Não apenas tenha o hábito de dialogar, mas de contar histórias. Cativem seus filhos pela sua inteligência e afetividade, não pela autoridade, dinheiro ou poder. [...] (página 47)

[...]Sempre fui um contador de histórias. Minhas filhas adolescentes me pedem até hoje para contá-las.[...] (página 47)

[...]Qual é uma das mais excelentes maneiras de educar? Contar histórias. Contar histórias amplia o mundo das idéias, areja a emoção, dilui as tensões.”[...] (página 48)

[...]O Mestre dos mestres foi um excelente educador porque era um contador de parábolas. Cada parábola que ele contou há dois mil anos era uma rica história que abria o leque da inteligência, destruía preconceitos e estimulava o pensamento.[...] (página 49)

[...]Se, às vezes, nem você mesmo suporta seu jeito fechado de ser, como quer que seus filhos o ouçam? Não grite, não agrida, não revide com agressividade. Pare! Conte histórias para quem você ama. Você pode ensinar muito falando pouco.[...] (página 49)

Mês de abril, aniversário do Blog Almas Castelos, ofereço minhas orações a todos os amigos e amigas que visitaram meu Blog. Que Nosso Senhor Jesus Cristo abençoe a todos nós e nos proteja sempre de todos os males e de todos os perigos. Amém.

(foto acima: capa do livro de Malba Tahan – A arte de ler e contar histórias)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Os Anjos na Missa

Quando assistimos uma Santa Missa, acompanhamos com devoção. Porém, a parte mais importante da Santa Missa é a Consagração, quando a Hóstia e o Vinho se transformam no verdadeiro Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Então vocês acham que o Santíssimo Sacramento está ali sozinho, nas mãos do sacerdote? Claro que não. O Sacrifício da Santa Missa é assistido pelo Espírito Santo e no momento da consagração, miríades de anjos estão ali presentes para adorar a Deus. Ali estão anjos de todos os coros angélicos, desde os mais altos Serafins até os Anjos Custódios. Onde está Deus, estão os santos anjos também.

Consideremos isso ao ir à Missa; adoremos e rezemos com os Santos Anjos.

Bendito seja Deus no Santíssimo Sacramento.

(Colaboração da Casa Pia dos Santos Anjos)

domingo, 24 de março de 2013

A resposta está na sua mão

Um rapaz ouvira falar da clarividência do mestre da aldeia, e das respostas acertadas que tinha para todos que o consultavam. Bastante cético, quis submeter à prova a tão apregoada experiência daquele conselheiro. Pegou um filhote de passarinho, escondeu-o na mão e dirigiu-se à cabana do velho mestre. No caminho pensava consigo:

Perguntarei a ele se este passarinho está vivo ou morto. Se disser que está vivo, eu o esmagarei, matando-o, e abrirei a mão. Se, porém, disser que está morto, eu o mostrarei vivo na palma da mão. De qualquer maneira, sua fama de sábio cairá por terra.

Assim planejou e assim fez. Chegando à moradia do ancião, cumprimentou-o com muita amabilidade e disse:

- Todos comentam sua sabedoria e proclamam o acerto e segurança de suas respostas. Quero também uma solução para esta pergunta. Tenho um pássaro nessa mão. Desejo saber se ele está vivo ou morto.

A pergunta era atrevida e desafiante. O mestre sorriu maliciosamente e respondeu:

- A resposta está na sua mão. Depende de você.

Fonte: Boletim do Padre Pelágio
Fonte da foto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Passeriformes

quinta-feira, 14 de março de 2013

Lema da Cavalaria - Exército Brasileiro


Tenho visto que a postagem “Oração do Paraquedista” tem sido muito lida esta semana. As Forças Armadas Brasileiras já defenderam o nosso querido Brasil em ocasiões muito difíceis. Graças aos nossos valorosos militares brasileiros (Marinha, Aeronáutica, Exército e demais Corporações de Defesa da Pátria), temos uma pátria livre e independente. Nos orgulhamos muito da nossa Força Militar. Parabéns. A todos vocês, minha admiração e minhas orações.

Que Deus proteja a todos, pois "A paz queremos com fervor. A guerra, só nos causa dor. Porém, se a Pátria amada, for um dia ultrajada, lutaremos com valor." (Hino do soldado)

Lema da Cavalaria do CPOR - Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de SP

"Se não tiveres o olhar da águia,
a coragem do leão
e a rapidez do raio,
para trás,
não és digno de pertencer ao furacão da Cavalaria."

terça-feira, 12 de março de 2013

Temeridade não é coragem

O dono de um sítio estava procurando um bom carroceiro para dirigir sua charrete. Vários candidatos se apresentaram. Antes quis submetê-los a um teste. Fez a mesma pergunta a todos:

- Vamos supor que tocando o animal, você percebesse um enorme buraco no meio da estrada. Até onde você chegaria com a charrete?

As respostas foram as mais diversas.

O primeiro respondeu:

- Eu teria coragem de chegar bem perto. Até uns dois metros.

- E eu chegaria mais perto ainda para verificar o tamanho do buraco – respondeu o segundo, pensando que o patrão queria testar a coragem deles.

O terceiro respondeu com muita modéstia:

- Não sei responder, porque nunca me coloquei numa situação tão perigosa. Mas penso que faria como sempre fiz: manter-me-ia o mais longe possível do perigo.

Este último agradou ao patrão. Nas mãos de um homem prudente sua vida e a do animal estariam mais seguras.

Temeridade não é coragem, mas imprudência.

Palavra de Deus: Quem ama o perigo, nele perecerá (Eclo 3,26)

Boletim do Padre Pelágio
Foto: Gustave Doree

segunda-feira, 4 de março de 2013

O Menino do Tambor - L'Enfant au Tambour


Um conto francês de Natal: O MENINO DO TAMBOR

Havia, num lugar muito distante, no deserto da Arábia, um menino que era muito pobre. Sua mãe morrera quando ele era muito pequeno; e, seu pai, que era guardião de um poço onde vinham beber os camelos da cidade e as caravanas, não tinha dinheiro para lhe comprar brinquedos.

Como o Guardião amava muito o seu filho, e para que seu amado menino pudesse se divertir como todas as crianças do mundo, ele fez um tambor com uma pele de carneiro esticada sobre um pequeno barrilzinho velho que não tinha fundo.

A partir desse dia, a criança nunca mais se separou de seu pequeno tambor. Ele brincava durante o dia, enquanto seu pai rezava e trabalhava sozinho buscando o sustento de sua casa. O menino tocava para alegrar as caravanas. Durante a noite, quando o deserto tudo é silêncio, o menino compõe suas canções que cantará no dia seguinte, acompanhado de seu tambor. Elas eram muito bonitas e por todo o deserto, desde o mar até as montanhas, ele era conhecido como: O Menino do Tambor.

Uma noite... Uma noite os habitantes do deserto viram no céu uma estrela muito estranha. Uma estrela mais brilhante que qualquer outra, perecendo apontar para a aldeia vizinha chamada Belém.

Diante desse prodígio as pessoas ficaram em pânico, no entanto o Menino do Tambor não tinha medo. A estrela que iluminava o céu era muito bonita para trazer uma má noticia; pelo contrário, ela apareceu para anunciar algo de bom que acabava de acontecer sobre a Terra.

Então ele pegou seu tambor e tocou em honra da estrela, como fazia quando se aproximavam as caravanas.

A estrela continuava brilhando quando uma longa fila de homens e camelos começou a surgir na claridade da lua. Era uma caravana que, até então, ninguém nunca tinha visto. Os animais ornados de ouro e pedras preciosas eram mais majestosos do que todos os outros já vistos. Eles estavam carregando fardos pesados, cheios de ouro. Eram três reis que marchavam à frente.

Então o cortejo parou diante da fonte, e antes que seus camelos acabassem de beber, os Reis Magos explicaram para as pessoas que se aglomeravam ao redor deles, que estavam muitos dias marchando. Eles viram a estrela de longe e entenderam que ela brilhou para os guiar até o estábulo onde estava o Menino Jesus.

O menino do tambor não era um sábio, como eram os Reis Magos; e não sabia que o Menino Jesus era o Messias anunciado pelos profetas, mas escutava com todos seus ouvidos e pensava que esse Menino poderia ser pobre também, pois tinha nascido numa manjedoura, e que felizmente os Reis lhe traziam presentes como: ouro, incenso e mirra.

O menino do tambor também queria ver o Menino Jesus e levar-lhe alguma coisa, mas ele era pobre e não tinha nada para oferecer. De repente, o menino pensou no tambor. Porque ele não iria tocar para o Menino Jesus? Porque não iria tocar em nome de todas as crianças pobres, as mais belas canções?

O menino partiu com os Reis Magos para o caminho de Belém, e logo chegaram diante do estábulo.

Quando começou a cantar para o Menino Jesus, que estava entre o boi e o burro, ouviu-se um coro de anjos que cantavam para acompanhar o menino do tambor.

ORIGINAL EM FRANCÊS:

L'ENFANT AU TAMBOUR

Il y avait, bien loin labas, dans le desert d'Arabie um enfant qui etait tres pouvre. Sa maman etait morte alors qu'il etait tout petit, et son papa qui etait gardien d'um puits ou venaient s'abreuver les chameaux de la ville et ceux des caravanes n'avait jamais eu assez d'argent pour lui acheter des joutes.

Le gardien du puits aimait beaucoup son petit garcon et pour qu'il puisse s'amuser comme tous les petis enfants du monde il lui avait fait un tambour avec une peau de mouton, tendue sur un vieux tonnelet qui n'avait plus de fond.

S'enfant depuis ce jour ne s'etait jamais plus separe de son petit tambour. Il en jouait dans la journee lorsque son papa etait tout pries du puits il se trauvait seul sous la tente qui leur sevait de maison. Il en jouait pour accueillir les caravanes. Et le soir lorsque dans le desert tout n'etait que silence le petit garcon inventait les chansons qu'il chanterait le lendemain en s'accompagnant sur son tambour. Il y en au qui etaient tres belles et dans tout le desert, de la mer jusqu'a la montagne on connaissait le petit garcon que sous le nom: de l'enfant au tambour.

Une nuit...une nuit les habitants du desert apercureut dans le ciel une bien etrange etoile. Une etoile qui brillant bien plus que toutes les autres etoile et qui semblait aller vers le village voisin qu'on appelait Bethlemme.

Devant ce prodige les gens qui s'etaient reveilles furent pris de panique. Il n'y cut que le petit garcon pour ne pas avoir peur - Cette etoile qui brilleit tout la hautdans le ciel etait bien trop belle pour annoncer unemauvaise nouvelle, il lui semblait au contraire qu'ele n'avait apparu que perce que quelque chose de heureux venait de se passer sue la terre.

Et prenaut son tambour le petit garcon jouax en l'honneur de l'etoile comme il le faisait pour accueillu les caravanes.

L' etoile brillait encore lorsque une longe suite d'ombres apparut sous la clarte de la lune. C'etait une caravane comme persone(personne) ici n'en avait encore Vue. Les betes harnaches d'or et de pierres precieuses allaient plus majestueusement que toutes les autres betes. Elles etaient charge ces de lourds ballots pleins de vermeil. Et c'etait trois Rois qui marchaient en tete.

Lorsque le cortege se fut arrete devant lestantes et que les betes eurent fini de se desalterer les rois expliquerent aux gens qui se pressaient autour d'eux qu'il y avait bien des jour qu'ils etaient en marche. Ils avaient vu l'etoile labas dans leur pays lointain et ils avaient compris parce qu'ils etaientde Mages, qu'elle brillait pour les guider jusqu'a l'etable ou etait ne l'Enfant Jesus.

Le petit tambour n'etait pas un savant comme les Mages il ne savait pas que cet Enfant Jesus etait le Messie annonce par les Prophetes, mais il ecoutait de toutes ses oreilles et il etait emu a la pensee que cet Enfant etait tellement pouvre que faute de berceau on avait du le couched dans la creche au mangent les boeuf et les anes; heureusement que les Rois apportaient de l'or, de l'encens et de la myrttes et que c'etait pour lui en faire present.

Le petit tambour lui aussi aurait aime aller voir C'Enfant Jesus et lui apporter quelque chose mais il etait pouvre et il n'avait rien e offrir brusquement le petit garcon pensa a son tambour. Porquoi n'irait-il pas jouer pour l'Enfant de la creche. Porquoi n'irait-il pas lui affrir, au nom de tous les enfant pauvres la plus jolie de ses chansons?

L'enfant parti avec les Rois sur le chemim de Bethleemme, et lorsque ils arriverent devant l'etable.

Lorsque il se mit a chanter por l'Enfant qui sourait entre le boeuf et l'ane on entendit les anges qui aussi chantaient pour l'accompagner.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Confiança ao extremo

Há momentos em nossas vidas em que a confiança tem que ser levada aos extremos. Mergulhados nesse mundo impiedoso, onde a incerteza toma nossos corações, onde as pessoas se sentem desamparadas e por muitas vezes o futuro se mostra incerto, é preciso CONFIAR. CONFIAR EM DEUS. Mas só confiar não basta, é preciso rezar e rezar muito.

Um conto vindo da tribo dos Índios Cherokees:

Conheces a lenda do rito de passagem da juventude dos índios Cherokees?

O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.
O filho se senta sozinho no topo de uma montanha toda à noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.Ele não pode gritar por socorro para ninguém.

Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.

O menino está naturalmente amedrontado.Ele pode ouvir toda espécie de barulho.Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele.Talvez alguns humanos possam feri-lo.Os insetos e cobras podem vir picá-lo.Ele pode estar com frio, fome e sede. O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.

Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.

Finalmente...
Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.
Ele estava à noite inteira protegendo seu filho do perigo.

Nós também nunca estamos sozinhos!
Mesmo quando não percebemos Deus está olhando para nós, “ao nosso lado”.

Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar. ELE sempre nos protegerá.

(autoria desconhecida – recebido da internet)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Braile - famoso astrônomo


Braile, astrônomo famoso, tinha um amigo, que, destituído de crenças  religiosas não acreditava fosse o universo obra exclusiva de um Ser Supremo.

Desejando confundir e vencer o ateísmo absurdo do amigo, o astrônomo construiu um magnífico planetário, isto é, uma peça mecânica que reproduzia o Sol e os principais planetas com seus movimentos e suas órbitas, e convidou o jovem ateu a observar o interessante engenho.

Graças a um dispositivo muito original, fazendo-se mover o planetário, os astros iniciavam suas rotações em torno do Sol ao mesmo tempo que os pequeninos satélites, com precisão matemática, se moviam em torno dos respectivos planetas.

- É realmente muito interessante - declarou o ateu. - Quem foi o autor deste engenhoso aparelho?

- Não houve autor algum - respondeu tranqüilo o astrônomo.

- Como assim ?

- Muito simples. Este planetário apareceu aqui por uma simples e natural casualidade!

- Que disparate! Uma peça tão perfeita não pode ser obra da casualidade! Isso é impossível!

- Como impossível? - replicou o astrônomo. - Se na tua opinião um simples planetário não pode ser obra da casualidade, como ousas aceitar que o Universo, com suas infinitas e insondáveis maravilhas, tenha surgido por acaso ?

Esquecia-se o mísero ateu, em sua lamentável ignorância, de que tudo, no Universo e em nós mesmos, está continuamente demonstrado a existência de Deus.

A admirável variedade, perfeição e harmonia do mundo é um testemunho irrecusável de que um Poder superior à natureza, ao universo, a nós todos, criou todas as coisas e as mantém e conserva segundo as leis que Ele mesmo prescreveu.

O mundo não se poderia criar a si próprio.

Obra de Deus não são apenas as estrelas, os sóis e os infinitos astros que povoam o firmamento.

O homem, os animais que vivem na sua sujeição e obediência, os que habitam, selvagens e indômitos, as florestas e os campos, o ar e o oceano; as plantas dos rochedos e aquelas que, como o cedro e o carvalho, agitam a sua copa magnífica nos ares e resistem por séculos aos furores da tempestade; todos estes seres foram criados por um Ente superior e onipotente, que os tirou a todos do nada, que lhes deu as formas infinitamente várias, que lhes concedeu atributos e qualidades diversíssimas, e que lhes pôs leis a regular-lhes a existência.

Há, pois, um Criador que fez o homem e o Universo. Este supremo Criador é Deus!

(D.) (“Lendas do Céu e da Terra” - M.T.)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Louis Pasteur

Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências.

O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de São Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba.

No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur,
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas
da Universidade Nacional da França.

"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima". Louis Pasteur.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Milagre de Natal na Hungria

O maravilhoso milagre que vamos narrar ocorreu por ocasião do Natal de 1956, na Hungria então subjugada pela Rússia comunista. O prodígio, inteiramente verídico e largamente conhecido, chegou ao Ocidente através do relato do Pe. Norberto que exercia o sacerdócio numa paróquia de Budapeste, antes de escapar para o Ocidente, fugindo da perseguição que os marxistas moviam aos católicos em seu país.

Na escola dessa paróquia, ensinava a professora Gertrudes, atéia militante. Todas as suas lições giravam em torno da impiedade e da negação de Deus. Tudo lhe servia para denegrir e ridicularizar a Igreja Católica. O seu programa de ensino era simples: arrancar a Fé da alma das crianças e formar legiões de pequeninos "sem Deus".
Suas alunas, mesmo intimidadas, não se deixavam convencer com as troças da mestra. Coisa curiosa: Gertrudes parecia adivinhar quais as que comungavam — eram estas as mais perseguidas.

Um dia, uma menina de dez anos, chamada Ângela, procurou o Pe. Norberto e pediu-lhe licença para comungar diariamente. Muito inteligente, muito bem dotada, era a melhor aluna da classe e da escola. O sacerdote mostrou os riscos a que se expunha, mas ela insistiu: "Senhor padre, a mestra não conseguirá apanhar-me em falta, asseguro-lhe, e trabalharei melhor. Não me recuse o que lhe peço. Nos dias em que comungo sinto-me mais forte. O senhor padre disse-me que devo dar bons exemplos. Para dar esses exemplos, preciso sentir-me forte." O padre acedeu.

Desde esse dia, Ângela viveu um verdadeiro inferno. Apesar de saber sempre as lições, a mestra implicava continuamente com ela. A criança resistia, mas ficava nitidamente abatida. A partir de novembro, as aulas passaram a ser autênticos duelos entre a professora e a pequena discípula.

Aparentemente, a mestra triunfava e dizia sempre a última palavra. Todavia, a sua irritação era tão grande que até o silêncio de Ângela a punha fora de si. Aterradas, as outras crianças pediam socorro ao padre Norberto, que nada podia fazer. "Graças a Deus — lembrava — Ângela continuava firme na sua Fé, e a nós restava rezar com absoluta confiança na misericórdia divina".

Pouco antes do dia de Natal, a 17 de dezembro, a professora inventou um estratagema cruel que, em sua opinião, devia dar um golpe mortal naquilo que ela designava por "superstições ancestrais" das alunas. E preparou a cena com sádico entusiasmo. Naturalmente, a pobre Ângela seria a vítima. Com voz doce, a professora fez um longo interrogatório para que ela e a classe se certificassem de que pessoas vivas atendem quando são chamadas. As mortas, ou as que só existem nas histórias, não podem obviamente aparecer.

Mandou então Ângela sair da sala de aula e ficar do lado de fora. Ato contínuo, fez com que as alunas a chamassem em coro. Ângela entrou muito intrigada, pressentindo uma cilada. "Afinal — sentenciou a mestra — estamos todos de acordo. Quando chamamos aqueles que vivem, que existem, é certo que eles vêm mesmo. Quando chamamos os que não existem, eles não podem vir... Ângela, que está aqui, viva, em carne e osso, ouviu-nos chamando-a e veio. Suponhamos que chamássemos o Menino Jesus. Parece que há entre vós quem acredite nEle..." — acrescentou maliciosamente.
Houve um instante de silêncio, de medo, talvez, mas as meninas, embora timidamente responderam: "Acreditamos".

"E tu, Ângela, também crês que o Menino Jesus te ouve quando o chamas?" - perguntou-lhe a perversa Gertrudes. Apesar de ver ali a cilada que havia pressentido, a criança respondeu com ardente fervor: "Sim, creio que Ele me ouve!".

"Muito bem", replicou a mestra. "Façamos a experiência: as meninas viram que Ângela, quando a chamávamos, veio imediatamente. Se o Menino Jesus existe, Ele vos ouvirá chamando-O. Gritem todas ao mesmo tempo e com força: Vem Menino Jesus! Vá! Um, dois, três! Chamem!".

Intimidadas, as crianças permaneceram caladas. Os argumentos da mestra tinham-nas impressionado. Gertrudes soltou uma gargalhada prolongada, diabólica...

De repente, deu-se o imprevisto. Levantando-se, no meio da classe, cheia de esperança e confiança, Ângela olhou em volta para todas as suas colegas, e gritou: "Ouçam-me, vamos chamá-Lo! Gritemos todas: vem, Menino Jesus!".

Num instante, todas se puseram de pé e fizeram ouvir suas vozes num uníssono vibrante. A professora não esperava esta súbita reação. Um impulso sobrenatural se manifestava naquela que se revelava a mais ardorosa e esperava o milagre.

Quando o clamor das alunas estava no auge, a porta abriu-se sem ruído, entrando por ela uma claridade intensíssima, que crescia, crescia, como a chama de um enorme fogo. No meio deste clarão, um globo cheio de luz abriu-se mostrando um Menino lindíssimo e risonho, todo vestido de luz. O Menino sorria, não falava, e todas as alunas sorriam também, tranquilas e contentes.

Depois o globo fechou-se devagar e desapareceu suavemente. A porta fechou-se sem que ninguém a tocasse. As crianças olhavam ainda para lá quando um grito agudo se fez ouvir.

Aterrada, olhos esgazeados, braços esticados, a professora gritava com louca: "Ele veio! Ele apareceu!" E fugiu completamente desnorteada, batendo com a porta.

O padre Norberto disse que interrogou as crianças uma por uma. E atestou, por juramento, que não encontrou nas suas palavras a menor contradição.

Quanto à professora Gertrudes, teve o fim que merecia: enlouquecida, teve de ser internada numa casa de saúde. E ali, sob o impacto de tremendo abalo que sofreu, não cessava de repetir: "Ele veio! Ele Veio!".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Saudades da velha escola

Que saudades dos velhos tempos. Quando não se ensinava marxismo nas escolas; quando não se dava livro chato para os alunos lerem, e nem se tratava com indiferença às crianças. Antigamente, as aulas escolares eram uma extensão da educação familiar. Os pais tinham prazer em deixar seus filhos na escola, com a certeza de que iriam ser tratados dignamente. Repreendiam os filhos que não mostrassem boa educação. Os livros indicados para leitura eram muito bons e davam a devida formação moral para as crianças. O professor era tratado com respeito. Sempre antes de começar as aulas rezava-se uma Ave-Maria. E havia um grande crucifixo de madeira fixado na parede.
Os alunos tinham brincadeiras inocentes. Não tinham a tão prejudicial "eletricidade" que a televisão e a internet transportam nossos jovens para a loucura do mundo moderno. A formação psíquica tradicional fazia daquelas crianças futuros homens equilibrados e prontos para o mundo dos adultos, para as atitudes sérias e de responsabilidades. A inocência preparava os jovens para os namoros sérios e casamentos sólidos.
Pensemos em nossas crianças. Ai daqueles que colaboram para a perdição da juventude: "Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar." (São Mateus, 18:6)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Eu sou a culpada

Aconteceu numa comunidade religiosa. Uma noviça cometera uma falta que transtornava a ordem e repercutia em toda a comunidade. Algumas colegas pensavam que devia receber uma boa repreensão. Outras apelavam para a inexperiência e falta de maturidade da jovem. A expectativa era grande. A Mestra convocou a comunidade para uma reunião. Por sorte a vítima estava ausente:

- Prezadas irmãs, é preciso castigar a culpada. Penso que ainda não sabem quem é a verdadeira culpada. A culpada de tudo o que aconteceu... sou eu mesma, devido ao meu mau exemplo, minha incompetência e negligência. Portanto, quem merece o castigo sou eu.

Silêncio sepulcral na sala. Perplexidade em todos os semblantes. Para amenizar a situação e descarregar a atmosfera pesada que se formou, uma jovem pediu a palavra:

- Com licença! Vamos repartir a culpa. Cada uma de nós tem um pouco de culpa por causa de nossa conduta e nosso mau exemplo. Convido todas para cantar um canto de perdão.

Fonte: Boletim do Padre Pelagio
Foto: http://www.audicoelum.mus.br/salmos.htm

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Os três padres jesuítas mártires


Fato ocorrido no Estado do Rio Grande do Sul – Brasil, na época da colonização.

Padre Roque Gonzalez (1576-1628), nasceu de família da alta sociedade do Paraguai. Veio trabalhar entre os índios no Caaró, atual Rio Grande do Sul (Brasil), para catequizar os indígenas, ensinando-lhes os princípios cristãos, formando também núcleos de resistência indígena contra a brutalidade que lhes era praticada por alguns colonizadores europeus.

Cuidou da parte religiosa e social. Criou as reduções, que consistiam numa praça central com a igreja, a escola, e outras repartições para orientar sobre o cultivo da terra, o trato dos rebanhos, etc.

Não só o Padre Roque, mas também o Padre Afonso Rodrigues e o Padre João del Castillo, todos jesuítas, se dedicavam muito na sua missão de conversão e proteção dos índios.

Era um trabalho pioneiro e comunitário que se estendeu por muitas regiões. Infelizmente encontrou oposição de gente gananciosa e invejosa. O pajé, sentindo abalada sua liderança, açulou um pequeno grupo de revoltosos contra o dedicado missionário. Algo de trágico ia acontecer.

No dia 19 novembro de 1628, na aldeia dos índios Guaicurus, no Caaró, ia ser inaugurado o sino da igreja da aldeia. O povo se aglomerou ao redor. Estava tudo indo muito bem. O Padre Roque Gonzalez e o Padre Afonso Rodrigues estavam felizes.

Mas o seu assassinato tinha sido tramado à surdina pelo pajé da aldeia. Um pequeno grupo de revoltosos misturou-se no meio dos fiéis na hora da bênção. Quando Padre Roque abaixou-se para levantar o sino, um deles desferiu dois golpes de machado de pedra na sua cabeça. Padre Afonso teve a mesma sorte cruel. Em seguida atearam fogo na igreja, retalharam os corpos dos dois mártires e os atiraram no meio das chamas.

No dia seguinte voltaram para ver as ruínas. Do peito do Padre Roque ouvia-se uma voz: “Meus filhos, ainda que me matem... não me afastarei de vocês. Eu voltarei...” Aterrorizado, o cacique mandou abrir o peito do Padre Roque e arrancar-lhe o coração. Espetou-o numa seta e o atirou novamente no fogo. Pouco tempo depois, o Padre João del Castillo também foi assassinado.

No entanto, um grande milagre ocorrera. O coração do Padre Roque não se consumiu com as chamas do fogo. Alguns piedosos recolheram o coração intacto – fruto de um estupendo milagre e o guardaram. Hoje se encontra guardado na Capela dos Mártires do Colégio Cristo Rei, na cidade de Assunção – Paraguai (país vizinho), e é venerado como relíquia na cidade de Assunção.

NB.: O Padre Roque Gonzalez e o Padre Afonso Rodrigues (+15/11/1628) foram martirizados  em Caaró e o Padre João del Castillo (+17/11/1628) foi martirizado em Pirapó. Os três foram canonizados em 1988, por ocasião da visita do Papa João Paulo II.

Fonte: Boletim do Padre Pelágio (texto adaptado)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Calma, deixa correr o tempo


Estás intranquilo. – Olha: aconteça o que acontecer na tua vida interior ou no mundo que te rodeia, nunca te esqueças de que a importância dos acontecimentos ou das pessoas é muito relativa. - Calma! Deixa correr o tempo; e, depois, olhando de longe e sem paixão os fatos e as pessoas, adquirirás a perspectiva, porás cada coisa no seu lugar e de acordo com o seu verdadeiro tamanho. Se assim fizeres, serás mais justo e evitarás muitas preocupações. (Caminho, 702)

Não vos assusteis, não temais nenhum mal, ainda que as circunstâncias em que trabalhais sejam terríveis, piores que as de Daniel no fosso, com aqueles animais vorazes. As mãos de Deus são igualmente poderosas e, se for necessário, farão maravilhas. Fiéis!, com uma fidelidade amorosa, consciente e alegre, à doutrina de Cristo, persuadidos de que os anos de agora não são piores que os de outros séculos e de que o Senhor é o mesmo de sempre.

Conheci um sacerdote ancião que afirmava – sorridente – de si mesmo: Eu estou sempre tranquilo, tranquilo. E assim temos nós que estar sempre, metidos no mundo, rodeados de leões famintos, mas sem perder a paz: tranquilos. Com amor, com fé, com esperança, sem esquecer nunca que, se for conveniente, o Senhor multiplicará os milagres. (Amigos de Deus, 105)

Textos de São Josemaria

http://www.opusdei.org.br/art.php?p=20036

Enviado para mim, por e-mail, pela minha amiga Cristiane
Obrigado Cristiane, que Deus lhe abençoe.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O homem que procurava a paz

Aquele homem era proprietário de uma rede internacional de hotéis. Vivia cercado de secretárias e telefones. Era depositário de somas fabulosas em muitos bancos e membro de numerosos grupos econômicos. Tinha muito dinheiro, mas não tinha paz. Sentia-se exausto, estressado, emaranhado em mil preocupações. Precisava viajar para se distrair.

Entregou os numerosos encargos a um sócio de confiança e saiu pelo mundo à procura da paz. Empreendeu numerosas viagens pelos cinco continentes, visitou os maiores centros turísticos, mas continuava insatisfeito e frustrado.

Uma noite, ouvindo o badalar dos sinos de uma igreja, resolveu ir para lá, mais movido pela curiosidade do que pela fé. Entrou de vagar, como que apalpando o ambiente. Um silêncio religioso pairava no recinto. A igreja estava repleta de fiéis que pareciam aguardar o início de alguma cerimônia.

Sentiu-se atraído por um grupo de pessoas ajoelhadas diante de um presépio. Pastores contemplavam o Menino Jesus reclinado na manjedoura. Junto dele, José e Maria em atitude de profunda oração.

Quanta paz se desprendia daquele cenário. Tanta paz, que invadiu o coração do homem. Foi ali, aos pés de uma humilde e pobre manjedoura, que ele encontrou o que não havia conseguido em sua louca procura no meio das vaidades e distrações mundanas.

Fonte: Boletim do Padre Pelágio
Desenho acima é de Gustave Dore.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Felicidade na dor


Carlos chegou bem cedo ao consultório médico para saber o resultado dos exames feitos dias antes. O doutor falou-lhe:

- Amigo, você pediu-me franqueza. Os exames acusaram aquilo que suspeitávamos.

- Doutor, fale sem receio. Estou ansioso.

E o doutor passou o resultado, receoso da reação que o paciente poderia ter. Ele estava leproso. Entretanto ela foi totalmente o contrario do que esperava. Carlos segurou as mãos do medico e disse, chorando de emoção:

- Doutor, o senhor acaba de abrir-me as portas do céu. Hoje é o dia mais feliz da minha vida.

O médico chegou a duvidar da sanidade mental do cliente. Hanseníase era a doença mais temida anos atrás, pois isolava completamente o enfermo da sociedade. Mas o homem continuou com mais emoção:

- Sou casado. Era feliz com minha esposa, até o dia em que ela precisou separar-se de mim, justamente por ter contraído essa enfermidade. Foi confinada no leprosário, enquanto eu fiquei perambulando pelo mundo como doido. Não suportava mais viver longe dela. Agora, sendo leproso, poderei internar-me. Amanhã mesmo seguirei para o leprosário, onde viverei feliz ao seu lado. Não importa saber se a doença tem ou não tem remédio. Junto da minha esposa, a pior das moléstias perde toda a malignidade. Obrigado, doutor. Obrigado, meu Deus. 

(Do livro “A dor tem sete véus) - Boletim do Padre Pelágio

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dom Bosco e Victor Hugo

Victor Hugo, falecido em 1885, foi um novelista, poeta, dramaturgo e estadista. Seu pai era um oficial que atingiu uma elevada posição no exército de Napoleão, enquanto sua mãe era católica defensora da casa real. Criado assim por um pai revolucionário e uma mãe religiosa, na sua juventude prevaleceu as tendencias revolucionárias, chegando a ter uma vida moralmente condenável. Ficou muito conhecido por causa de dois romances transformados em filmes: O corcunda de Notre-Dame e Os miseráveis. Infelizmente, sob o aspecto religioso, deixou muito a desejar.

Depois do exílio, que durou 20 anos, imposto pelo Imperador Napoleão III, volta a Paris, recebido como o “deus da democracia, multiplicando as obras ímpias, revolucionárias e jacobinas. A hugolatria francesa atingiu as raias do inverossímil quando se removeu do Panteon o corpo de Santa Genoveva (Padroeira de Paris) para pôr em seu lugar o cadáver de Victor Hugo.

Uma de suas características era a vaidade e a soberba. Diz dele Alexandre Dumas:

“Teria permanecido católico se o tivessem feito ao mesmo tempo Papa e Imperador”.

O nosso D. Pedro II, quando esteve em Paris, mandou dizer ao escritor que o queria conhecer. Victor Hugo mandou-lhe o seu endereço; e o nosso governante teve que ir à casa do escritor.
No seu livro Arte de ser avó, lança diatribes e injúrias contra a Igreja. Porém no seu livro Contemplações, escrito por ocasião da morte trágica de sua filha, faz profissão de fé na crença de Deus e na imortalidade da alma.

Pois bem, esse homem tão enigmático procurou Dom Bosco. O santo esteve em Paris desde 14 de abril até 26 de maio de 1883 para pedir esmolas para suas obras. Na Cidade Luz, o santo fez conferências, deu audiências, consultas, operou milagres.

Entre as audiências temos a dada a Victor Hugo. Ouçamos da boca do próprio Dom Bosco:

Faz dois anos, quando estive em visita a Paris, tive um encontro com um personagem desconhecido. Depois de algum tempo de espera, ás 23 horas, eu o recebi. A sua primeira palavra foi:

- Reverendo, não se assuste se eu lhe disser que sou incrédulo e que, portanto, não presto absolutamente nenhuma fé aos milagres que lhe atribuem.

Respondi:

- Não sei com quem tenho a honra de falar e não quero nem mesmo sabê-lo. Garanto-lhe que de forma alguma pretendo obrigá-lo a crer naquilo que não quer admitir. Não lhe falarei nem sequer de religião, pois me parece que o senhor não deseja que lhe fale nisso. Mas diga-me uma coisa: o senhor pensou sempre assim em sua vida?

- Quando era menino tinha fé, como tinham meus pais e meus amigos. Mas desde o momento em que comecei a refletir e a raciocinar, deixei de lado a religião e comecei a viver como filósofo.

- Que é que o senhor entende por estas palavras: “viver como filósofo?”
- Levar uma vida alegre, sem acreditar no sobrenatural nem na vida futura, meios de que se servem os padres para amedrontar a gente simples e pouco instruída.

- E o senhor, que é que admite a respeito da vida futura?

- Não percamos tempo tratando desse assunto. Falarei da vida futura quando estiver no futuro.

- Vejo que o senhor está gracejando. Mas, já que estamos neste argumento, tenha a bondade de ouvir-me. Um dia pode acontecer que o senhor seja acometido de alguma doença grave.

- Não há dúvida nenhuma, tanto mais que nesta idade estamos expostos a um sem-número de enfermidades.

- Pois essas enfermidades não o poderiam levar ao túmulo?

- É inevitável. Quem poderia se julgar dispensado de pagar tributo á morte?

- E quando chegar a sua última hora estiver para entrar na eternidade?

- Terei coragem para me confessar filósofo e não acreditar na eternidade.
- Mas quem lhe poderia impedir, nesse momento ao menos, de pensar na imortalidade da alma e na religião?

- Ninguém. Mas seria esse um ato de fraqueza que me cobriria de ridículo aos olhos dos meus amigos.

- E no entanto, nesse último momento da vida, não lhe custará nada conseguir a paz da consciência.

- Bem o compreendo. Mas não creio necessário abaixar-me até esse ponto.

- Mas, se é assim, que é que o senhor espera da vida? Dentro de pouco o presente não mais lhe pertencerá. Do futuro o senhor não quer que se fale. Qual é então a sua esperança?

O desconhecido abaixou a cabeça. Meditava. Aí eu prossegui: É necessário que pense no futuro supremo. Tem ainda um resto de vida diante de si. Sirva-se dele para voltar ao seio da Igreja e implorar a misericórdia de Deus e poder salvar-se para sempre.

Se não fizer assim, morrerá como incrédulo e não terá outra coisa a esperar senão o nada, como o senhor diz, ou então os eternos suplícios.

- Vossa Reverendíssima está usando uma linguagem em que não vejo nem religião, nem filosofia; é uma palavra de amigo, que eu não ouso recusar. Sei que de todos os meus amigos, embora muitos deles sejam profundos em assuntos de filosofia, nenhum ainda conseguiu resolver o problema. Vou refletir no que me disse e voltarei aqui para falarmos.

Apertou-me a mão e deixou o seu cartão de visita, no qual vi o nome VICTOR HUGO”

Dois dias depois, à mesma hora, voltou e, tomando a mão de Dom Bosco, disse:

- Não sou mais o personagem do outro dia. Foi um gracejo que lhe fiz e peço-lhe que me considere seu amigo. Sou Victor Hugo, creio no sobrenatural, creio em Deus e espero morrer entre os braços de um padre católico que possa recomendar minha alma a Deus.

Será que Victor Hugo foi fiel à palavra dada a Dom Bosco?

No seu testamento deixou escrito: “Recuso a oração de todas as igrejas. Peço uma oração a todas as almas. Creio em Deus”. Um seu biógrafo fala que no fim da vida o escritor multiplicava sua profissão de fé, principalmente quando se levantava da mesa. Os que o rodeavam procuravam abafar essas manifestações. Seu genro, Lockroy, mandava que se calasse: “Atenção, gente! O velho começa a delirar ” .

Seria fruto da conversa com Dom Bosco? Uma publicação francesa – Revue de deux mondes – assim termina o artigo sobre este assunto: “Cada um fincou o pé em sua posição. O moralista leigo não fez sermão; o padre conservou a sua dignidade; e o santo não dobrou os joelhos perante a filosofia”.

Pe João Modesti
(EXTRAÍDO DO BOLETIM SALESIANO – MAIO/JUNHO DE 1985)

Fonte: O Desbravador – Ano 7 – Outubro de 1986 – número 82