Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Sabedoria de Daniel


Em Babilônia vivia um homem de nome Joaquim. Estava casado com uma senhora chamada Susana filha de Helcias, que era muito bonita e religiosa. Também seus pais eram pessoas justas e tinham educado a filha de acordo com a Lei de Moisés. Joaquim era muito rico e tinha um parque confinante com sua casa; junto dele afluíam os judeus, por ser o mais respeitado de todos.

Ora, naquele ano dois anciãos do povo tinham sido apontados como juízes, a respeito dos quais o Senhor tinha dito: De Babilônia brotou a iniqüidade, da parte de anciãos-juízes que aparentemente governavam o povo . Eles freqüentavam a casa de Joaquim, e todos os que tinham alguma questão se dirigiam a eles.

Ora, quando pelo meio-dia o povo se tinha dispersado, Susana ia passear no parque do marido. Os dois anciãos viam-na todos os dias entrar e passear, e acabaram se apaixonando por ela. Fizeram o contrário do que deveriam ter feito, evitando erguer os olhos para o Céu e esquecendo os justos juízos de Deus. Embora ambos se sentissem perdidamente apaixonados por ela, contudo um não traía ao outro o seu sofrimento, porque ainda sentiam vergonha de manifestar o desejo ardente de a possuir. Todos os dias espreitavam avidamente por vê-la.

Certo dia um disse ao outro: Vamos para casa, é hora de almoço!

Mas quando saíram e se separaram um do outro, deram um giro, acabando por encontrar-se no mesmo ponto... Forçados portanto a se explicar, finalmente confessaram um ao outro sua paixão; então combinaram espreitar uma eventual ocasião de a encontrar a sós.

Ora, enquanto os dois estavam à espreita duma ocasião favorável, certo dia Susana entrou no parque segundo seu costume, acompanhada apenas por duas mocinhas; é que queria tomar banho por causa do calor intenso. Não havia lá ninguém, exceto os dois velhos que estavam escondidos e a espreitavam. Então ela ordenou às mocinhas: Por favor, ide buscar-me azeite e perfumes e trancai as portas do parque, enquanto tomo banho! Elas obedeceram, trancando as portas do parque e retirando-se por uma porta lateral, para buscar o que a patroa tinha pedido, sem se darem conta que os velhos estavam lá escondidos.

Apenas as duas mocinhas tinham saído, os dois velhos se levantaram e correram para Susana, dizendo: Olha, as portas do parque estão trancadas e ninguém nos vê; nós estamos apaixonados por ti: faze-nos a vontade e entrega-te a nós! Caso contrário, nós deporemos contra ti que um moço estava contido e foi por isso quemandaste embora as meninas. Então Susana deu um suspiro, exclamando: Vejo-me encurralada de todos os lados. Pois se fizer isto, espera-me a morte, mas se não o fizer, não escaparei das vossas mãos. Contudo prefiro cair inocente em vossas mãos a pecar na presença do Senhor. Então ela se pôs a gritar em altas vozes, mas também os dois velhos gritaram contra ela.

Um deles correu para as portas do parque e as abriu. Quando a gente da casa ouviu a gritaria no parque, precipitaram-se pela porta dos fundos para ver o que lhe estaria sucedendo. Mas quando os velhos apresentaram a sua versão dos fatos, os empregados ficaram muito constrangidos, porque jamais se tinha ouvido falar de qualquer deslize de Susana.

Quando no dia seguinte o povo se reuniu em casa do seu marido Joaquim, os dois anciãos vieram animados pela intenção criminosa de conseguir sua condenação à morte; por isso se dirigiram ao povo reunido:

Mandai comparecer a Susana filha de Helcias, mulher de Joaquim!

Mandaram-na portanto chamar. Ela compareceu em companhia dos pais e filhos e de todos os parentes.

Ora, Susana era mulher de aparência exuberante e de extraordinária beleza. Como ela se apresentasse com o rosto velado, os dois malvados mandaram tirar-lhe o véu, para se embriagarem da sua beleza. Seus familiares e todos os parentes choravam.

Os dois velhos se levantaram no meio do povo e puseram as mãos sobre a cabeça de Susana. Mas, entre lágrimas, ela olhou para o céu, pois seu coração tinha confiança no Senhor. Em seguida os anciãos deram este depoimento: Enquanto estávamos passeando a sós no parque, esta mulher entrou com duas mocinhas e mandou fechar as portas do parque, para depois mandá-las embora. Então um moço, que estava escondido, aproximou-se dela e com ela se deitou. Quando nós, do canto do parque onde estávamos, vimos esta infâmia, corremos para eles e os surpreendemos juntos. Não conseguimos, é verdade, agarrar o moço, porque era mais forte que nós, e assim abriu as portas e sumiu. A esta mulher, porém, agarramos e lhe perguntamos, quem era aquele moço. Mas ela não o quis revelar. Disto nós damos testemunho. A assembléia lhes deu crédito como a anciãos do povo e juízes que eram, e a condenou à morte.

Susana, porém, gritou em alta voz e rezou: Ó Deus eterno que conheces os segredos e sabes tudo antes que aconteça, tu bem sabes que eles proferiram falso testemunho contra mim! Eis que vou morrer, embora não tenha cometido o crime do qual maldosamente me acusam! E o Senhor escutou a sua voz.

Enquanto Susana estava sendo conduzida para a execução, o Senhor excitou o santo espírito dum jovem de nome Daniel, e ele gritou em altas vozes: Sou inocente do sangue desta pessoa! Então todo o povo se voltou para ele e perguntou: O que queres dizer com isto? De pé, no meio deles, ele respondeu: Então sois tão insensatos assim, israelitas? Sem inquérito sério e sem provas concludentes condenastes uma filha de Israel! Voltai ao tribunal, por que estes malvados deram falso testemunho contra ela!

Então todo o povo voltou apressadamente, e os anciãos convidaram a Daniel, dizendo: Tem a bondade de tomar lugar em nosso meio e presta-nos o teu depoimento, pois Deus te concedeu o privilégio da idade. Daniel lhes disse: Separai-os longe um do outro, para os poder submeter a interrogatório! Quando foram separados um do outro, Daniel chamou a um deles e lhe disse: Velho encarquilhado e cheio de crimes! Agora vêm à luz os pecados que cometias antes, proferindo sentenças injustas, condenando os inocentes e absolvendo os culpados, quando o Senhor ordena: Ao inocente e ao justo não os matarás! Pois bem! Se a viste tão bem, dize-me à sombra de qual árvore os viste abraçados?

O outro respondeu: À sombra duma aroeira.

Daniel respondeu: Mentiste direto contra tua cabeça, pois o anjo de Deus já recebeu dele ordem de te cortar pelo meio!

Tendo-o despedido, mandou vir o outro e lhe disse: Raça de Canaã e não de Judá! A beleza te fascinou e a paixão perverteu teu coração. É assim que procedíeis com as mulheres israelitas, e elas por medo vos faziam a vontade; mas esta mulher judia não suportou vossa iniqüidade. Ora bem! Dize-me debaixo de que árvore os surpreendeste a se entreterem?

Ele respondeu: Foi debaixo duma azinheira.

Daniel lhe respondeu: Também tu mentiste diretamente contra tua cabeça! Pois o anjo de Deus já está à espera, com a espada na mão, para te cortar ao meio e dar cabo de vós.

Toda a assistência pôs-se a gritar em voz alta, dando graças a Deus que salva os que nele esperam. Voltaram-se contra os dois velhos, porque Daniel os tinha convencido por suas próprias palavras que eram falsas testemunhas. Segundo a Lei de Moisés, aplicaram-lhes a pena que maldosamente tinham tramado contra o próximo, e os mandaram matar.

Desta maneira, naquele dia foi salva uma vida inocente.

Helcias e sua mulher louvaram a Deus por causa da sua filha e o mesmo fizeram Joaquim, esposo de Susana, e todos os seus familiares; eles louvaram a Deus, porque nela não foi achada qualquer coisa que merecesse reprovação.

(Dan 13, 1-62)

Fonte: Catecismo de São Pio X

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Os Sacramentos - Santíssima Eucaristia e Penitência

A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento, espiritual. Está na Eucaristia o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da Santíssima Virgem.

A MATÉRIA do Sacramento da Eucaristia é a que foi empregada por Jesus Cristo. a saber: o pão de trigo e o vinho de uva.

A FORMA: São as palavras usadas por Jesus Cristo: Isto é o meu Corpo: este é o meu Sangue.

Para fazer uma comunhão bem feita, são necessárias três coisas:

1º Estar em estado de graça, ou seja, sem pecado. Se tiver pecado, é preciso confessar-se antes de comungar.
2º Estar em jejum desde uma hora antes da comunhão;
3º Saber o que se vai receber e aproximar-se da sagrada Comunhão com devoção.

Quem comungasse em pecado mortal, receberia a Jesus Cristo, mas cometeria sacrilégio e incorreria na sentença de condenação.

Antes de comungar, é preciso nos preparar, rezando e meditando, considerando quem é Aquele que vãos receber. Depois da comunhão faz-se a ação de graças, ou seja, nos conservarmos recolhidos a honrar a presença do Senhor dentro de nós mesmos, renovando os atos de fé, de esperança, de caridade, de adoração, de agradecimento, de oferecimento e de súplica, pedindo sobretudo aquelas graças que são mais necessárias para nós e para aqueles por quem somos obrigados a orar. Ter um bom catecismo, ajuda muito, pois lá tem todas essas orações e preparações.

O MINISTRO do Sacramento da Eucaristia é o sacerdote ou o religioso com poderes para rezar a Santa Missa, pois é na Santa Missa que a Hóstia é consagrada.

O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA OU CONFISSÃO.

O Sacramento da Penitência, chamada também Confissão, é o Sacramento instituído por Jesus Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.

Dá-se a este Sacramento o nome de Penitência, porque, para obter o perdão dos pecados, é necessário detestá-los com arrependimento e porque quem cometeu uma falta deve sujeitar-se à pena que o Sacerdote impõe.

Chama-se este Sacramento também Confissão, porque, para alcançar o perdão dos pecados, não basta detestá-los, mas é necessário acusar-se deles ao Sacerdote, isto é, confessá-los.

Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Penitência no dia da sua Ressurreição, quando, depois de entrar no cenáculo, deu solenemente aos seus Apóstolos o poder de perdoar os pecados, soprando sobre eles, e dizendo: Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.

A MATÉRIA do Sacramento da Penitência, distingue-se em remota e próxima. A remota é constituída pelos pecados cometidos pelo penitente depois do Batismo, e a matéria próxima são os atos do próprio penitente, isto é, a contrição, a acusação e a satisfação.

A FORMA do Sacramento da Penitência é esta: Eu te absolvo dos teus pecados.

O MINISTRO do Sacramento da Penitência é o Sacerdote aprovado pelo Bispo para ouvir confissões. O Sacerdote deve ser aprovado pelo Bispo para ouvir confissões, porque, para administrar validamente este Sacramento, não basta o poder da Ordem, mas é necessário também o poder de jurisdição, isto é, a faculdade de julgar, que deve ser dada pelo Bispo.

As partes do Sacramento da Penitência são: a contrição, a confissão e a satisfação da parte do pecador, a absolvição da parte do sacerdote.

A contrição ou a dor dos pecados é um desgosto da alma, pelo qual se detestam os pecados cometidos, e se propõe não os tornar a cometer no futuro. A confissão consiste na acusação distinta dos nossos pecados ao confessor, para dele recebermos a absolvição e a penitência. A satisfação ou penitência é a oração ou outra boa obra, que o confessor impõe ao pecador em expiação dos seus pecados. A absolvição é a sentença que o Sacerdote pronuncia em nome de Jesus Cristo, para perdoar os pecados ao pecador.

Não é possível fazer uma boa confissão sem fazer um bom exame de consciência, ou seja, verificar em nosso interior o desrespeito aos 10 mandamentos da Lei de Deus e aos 5 mandamentos da Igreja. Por isso é bom ter sempre em mãos um BOM E ANTIGO CATECISMO, POIS LÁ NORMALMENTE HÁ COMO SE FAZ UM BOM EXAME DE CONSCIENCIA. Recomendo o catecismo que uso para fazer essa postagem: Catecismo de São Pio X, muito fácil de se achar na Internet e de fazer o download gratuitamente.

PARA SE FAZER UMA PERFEITA E VÁLIDA CONFISSÃO, É NECESSÁRIO: fazer o exame de consciência, acusar-se dos pecados ao padre, arrepender-se dos pecados cometidos, prometer não faze-los mais (rezar o ato de contrição), deve-se crer que o padre tem o poder de absolvição, e cumprir a penitencia que o padre nos ordenou.

DEVE-SE ACUSAR-SE POR INTEIRO, OU SEJA, É NECESSÁRIO ACUSAR-SE DE TODOS OS PECADOS DE QUE SE LEMBRA TER COMETIDO. SE, POR VERGONHA OU OUTRO MOTIVO, OCULTAR ALGUM PECADO, ALÉM DA CONFISSÃO NÃO SER VÁLIDA AINDA COMETE-SE UM PECADO DE SACRILÉGIO.

POR ISSO SÓ DEVE SE APROXIMAR DO CONFISSIONÁRIO AQUELE QUE ESTIVER ARREPENDIDO VERDADEIRAMENTE E QUISER IR PARA O CÉU, POIS CASO CONTRÁRIO, MELHOR NEM SE CONFESSAR.

Uma boa confissão:
1º perdoa-nos os pecados cometidos, e dá-nos a graça de Deus;
2o restitui-nos a paz e o sossego de consciência;
3º reabre-nos as portas do Paraíso, e comuta a pena eterna do inferno em pena
temporal;
4º preserva-nos das recaídas, e torna-nos capazes de ganhar indulgências.

Fonte: Catecismo de São Pio X

MEUS AMIGOS E AMIGAS, NÃO DEIXEM DE LER ESTES DOIS EPISÓDIOS DE UMA MÁ CONFISSÃO:

http://almascastelos.blogspot.com/2011/03/melhor-conselho-que-eu-posso-lhe-dar.html

http://almascastelos.blogspot.com/2010/06/pelagio-e-confissao.html

Os Sacramentos - Confirmação ou Crisma


A CONFIRMAÇÃO, ou CRISMA, é um Sacramento que nos dá o Espírito Santo, imprime na nossa alma o caráter de soldados de Cristo, e nos faz perfeitos cristãos.

O Sacramento do Crisma aperfeiçoa em nós os dons recebidos no Batismo, por isso se chama CONFIRMAÇÃO. Os dons do Espírito Santo que recebemos na CONFIRMAÇÃO, são sete:

1º Sabedoria,
2º Entendimento;
3º Conselho;
4º Fortaleza;
5º Ciência;
6º Piedade;
7º Temor de Deus.

A MATÉRIA deste Sacramento, além da imposição das mãos do Bispo, é a unção feita na fronte da pessoa batizada, com o santo Crisma (um óleo bento especialmente para isso); por isso, este Sacramento se chama também Crisma, que significa Unção. O santo Crisma é óleo de oliveira misturado com bálsamo, e consagrado pelo Bispo na Quinta-Feira Santa.

A FORMA deste Sacramento é esta: “Recebe o sinal do dom do Espírito Santo, que substituiu a antiga: Eu te assinalo com o sinal da Cruz, e te confirmo com o Crisma da salvação, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Assim seja.”

O MINISTRO é só o Bispo.

O Bispo, para administrar o Sacramento da Confirmação, primeiro estende as mãos sobre os que estão para se crismar, invocando sobre eles o Espírito Santo; em seguida faz uma unção em forma de cruz com o santo Crisma na fronte de cada um, dizendo as palavras da forma; depois, com a mão direita, dá uma leve bofetada na face do crismado, dizendo: “A paz seja contigo”; e no fim abençoa solenemente todos os crismados. Dá-se uma leve bofetada na face do crismado para que saiba que deve estar pronto a sofrer todas as afrontas e todas as penas pela fé e amor de Jesus Cristo.

Também na CONFIRMAÇÃO há padrinhos e madrinhas, para que estes, com as palavras e com os exemplos, orientem o crismado no caminho da salvação e o auxiliem nos combates espirituais. O padrinho deve ser de idade conveniente, católico, crismado, instruído nas coisas mais necessárias da religião e de bons costumes; e deve ser do mesmo sexo que o crismado. O padrinho de Crisma também contrai parentesco espiritual com o crismado; mas este parentesco não é impedimento para o matrimônio.

Fonte: Catecismo de São Pio X

Os Sacramentos - Batismo


Depois que eu fiz a postagem sobre os Pecados contra o Espírito Santo, recebí alguns e-mails pedindo que publicasse sobre a Confissão e os Sacramentos. Como a Confissão ou Sacramento da Penitencia (são a mesma coisa) é um Sacramento, faço a postagem sobre os Sacramentos.

Pela palavra Sacramento entende-se um sinal sensível e eficaz da graça, instituído por Jesus Cristo, para santificar as nossas almas.

Chamo aos Sacramentos sinais sensíveis e eficazes da graça, porque todos os Sacramentos significam, por meio de coisas sensíveis, a graça divina que eles produzem na nossa alma.

Por exemplo: No Batismo, o ato de derramar a água sobre cabeça da pessoa, e as palavras: Eu te batizo, isto é, eu te lavo, em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo, são um sinal sensível do que o Batismo opera na alma; porque assim como a água lava o corpo, assim a graça, dada pelo Batismo, purifica a alma, do pecado.

Os Sacramentos são sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio.

Para fazer um Sacramento requerem-se:

1) MATÉRIA é a coisa sensível que se emprega para os fazer; como, por exemplo, a água natural no Batismo, o óleo e o bálsamo na Confirmação.

2) FORMA são as palavras que se proferem para os fazer.

3) MINISTRO é a pessoa que faz ou confere os Sacramentos.

Os Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem, só podem ser recebidos uma única vez porque imprimem caráter, ou seja, colocam em nós um sinal espiritual que nunca se apaga. (no Batismo, como membros de Jesus Cristo; na Confirmação, como seus soldados; na Ordem, como seus ministros)

PRIMEIRO SACRAMENTO: BATISMO.

No Batismo nos tornamos cristãos, e recebemos a primeira graça santificante. Apaga todos os nossos pecados, faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Paraíso.

A MATÉRIA DO BATISMO é a água natural, que se derrama sobre a cabeça do que é batizado.

A FORMA DO BATISMO é: “Eu te batizo em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo”

O MINISTRO DO BATISMO: Por direito compete aos Bispos e Párocos, mas em caso de necessidade e perigo de vida qualquer pessoa pode batizar, seja homem ou seja mulher, e até um herege ou um infiel, contanto que realize o rito do Batismo e tenha intenção de fazer o que faz a Igreja.

Se impõe o nome de um Santo ao que se batiza para o pôr sob a especial proteção de um padroeiro celeste, e para o animar a imitar-lhe os exemplos.
Os padrinhos e as madrinhas do Batismo são aquelas pessoas que por disposição da Igreja seguram as crianças junto à pia batismal, respondem por elas, e ficam responsáveis, diante de Deus, pela educação cristã das mesmas, especialmente se vierem a faltar os pais. Por essa razão deve-se escolher para padrinhos e madrinhas pessoas católicas e de bons costumes. Os padrinhos contraem um parentesco espiritual com o batizado, e este parentesco origina impedimento de matrimônio com o mesmo.

Fonte: Catecismo de São Pio X

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Nos perigos da noite


Há muitas recompensas em fazer um blog Católico. Eu tive várias. A primeira, sem duvida, a alegria de estar agradando a Deus e estar fazendo apostolado. Onde a voz não alcança, a internet chega, e assim se consegue falar ao mundo todo. A segunda, é a alegria de fazer muitos amigos. Todos incluo nas intenções de minhas orações. Uma amiga, a Taiana, deixou um comentário na minha postagem “O Milagre do Cristianismo”, indicando uma belíssima história e um boníssimo Blog “Obra dos Santos Anjos”. Gostei tanto da narrativa que resolvi postar aqui também, informando, claro, a origem com os seus devidos créditos:

"NÃO TEMERÁS O TERROR DA NOITE" (SL 90,5)

(Esta história aconteceu nos anos da grande crise econômica mundial em Chicago, nos Estados Unidos, entre 1930 e 1933)

Era ainda bem cedo, de madrugada, quando Dr. Braun foi despertado pelo seu telefone, que não deixava de tocar. Sonolento, ele tomou o telefone e ouviu uma voz que lhe falava de maneira suplicante: "O senhor é o Dr. Braun?" "Sim, sou eu". "Por favor, venha depressa! É muito urgente, se trata de vida ou de morte!" "Vou já. Onde o senhor mora?" "Alan Street n° 17, venha logo, por favor!"

Dr. Braun vestiu-se depressa, pegou a sua bolsa de médico e dirigiu-se para a rua indicada. Sozinho ele dirigiu seu carro nas ruas escuras da cidade. A região, para onde se dirigia, era distante do centro, num bairro em que nem durante o dia os habitantes se sentiam seguros.

Ele encontrou a casa facilmente. Era uma casa solitária. Estranhando por não ter a luz acesa, Dr. Braun aproximou-se da casa e bateu à porta. Depois de uma pausa bateu novamente e de novo não recebeu resposta. Quando bateu pela terceira vez, alguém perguntou com voz grossa: "Quem é?" "Sou eu" respondeu Dr. Braun. "Recebi uma chamada de emergência. É aqui a Alan Street n° 17?" "É, sim, mas ninguém chamou o senhor. É melhor que o senhor desapareça logo daqui!"

Dr. Braun foi-se embora procurando uma casa com luz acesa para encontrar o lugar onde a sua ajuda era necessária. Mas como tudo estava escuro, ele pensou ter anotado o número da casa errado, e até se acusou desta falta. E assim ele voltou para casa. Como não chegou um segundo telefonema, esqueceu-se do acontecimento, ... até que ele recebeu, algumas semanas mais tarde, de novo uma ligação - desta vez durante o dia - do serviço de emergência do hospital. A enfermeira explicava que um certo John Turner, que estava para morrer por causa de um acidente trágico, quis falar urgentemente com Dr. Braun. E ela acrescentou: "Dr. Braun, por favor, venha depressa, pois o homem já está para morrer e não quer dizer-nos porque ele insiste tanto em querer falar com o senhor".

Dr. Braun prometeu chegar logo, embora tivesse a certeza de não conhecer um John Turner. Isso também lhe confirmou o moribundo: "Dr. Braun, o senhor não me conhece, mas eu devo conversar com o senhor antes de morrer, para pedir perdão. O senhor com certeza se lembra de um telefonema durante a noite, algumas semanas atrás." "Sim, mas ..." "Fui eu. Sabe, há meses que me faltava o trabalho. Vendi todas as coisas preciosas da casa, mas mesmo assim não consegui nutrir a minha família. Não consegui mais suportar os olhares suplicantes de meus filhos, cheios de fome. No meu desespero decidi chamar um médico durante a noite. Foi meu plano matá-lo, roubar seu dinheiro e vender seus instrumentos".

Dr. Braun ficou paralisado de terror, mas mesmo assim ainda perguntou: "Mas eu cheguei. Porque, então, o senhor não me matou?" "Pensei que o senhor chegaria sozinho, mas quando vi este grande, forte e jovem varão ao seu lado, fiquei com medo e rejeitei rudemente o senhor. Perdoe-me, por favor". "Claro que vou perdoar", murmurava Dr. Braun, perturbado. E dele apoderou-se um horror; ele nunca imaginava que aquela ligação, que tinha considerado como engano, fosse uma insídia mortal, da qual nem sabia como escapara. E menos pensava ainda que seu Anjo da Guarda (ao qual ele atribuiu depois esta proteção misteriosa) tinha salvado sua vida naquela noite. Porque aquele varão forte, grande e jovem só tinha aparecido àquele que quis assassiná-lo e que agora lhe pedia perdão, encontrando-se já no leito de morte.Como são admiráveis os caminhos de Deus! Quantas vezes nossos Anjos nos protegem de um prejuízo, de um perigo iminente, sem que nós fiquemos consciente disso.

História do Blog Obra dos Santos Anjos

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O milagre do cristianismo


Admiramos, e com razão, as obras de Platão, de Aristóteles e de outros engenhos. E que conseguiram eles com toda sua sabedoria?

Com quanto acerto e elevação não escreve Platão sobre a divindade! Platão não conseguiu, entretanto, arrebatar da idolatria uma única cidade, uma única aldeia, nem a rua em que habitava. Com que facúndia não discorriam Sócrates, Cícero, Sêneca e Marco Aurélio sobre as virtudes e as obrigações dos homens! Mas eles não puderam arrancar seu povo, nem a própria família, da profunda corrupção em que se achavam...

Rudes e humildes pescadores da Galiléia anunciam a doutrina de Cristo com simplicidade e realizam a obra maravilhosa: transformar, por completo, a face da Terra.

É o milagre do cristianismo!

Encerram, aliás, os ensinamentos de Jesus uma particularidade sobremaneira notável, que vem a ser a insistência com que eles fazem realçar a bondade e a misericórdia de Deus, atributos nem sequer suspeitados pelos pagãos, se bem que não desconhecidos dos judeus. Para estes era Deus um Soberano Senhor, um Senhor Onipotente que era mister adorar e temer; para os discípulos de Jesus, porém, era sobretudo a bondade por essência: Deus caritas est.

(Lendas do Céu e da Terra - L.F.)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Madre Mariana de Jesus Torres


Madre Mariana de Jesus Torres, nasceu na Espanha em 1563. Desde cedo se dedicou à vida religiosa. Aos 13 anos de idade, com sua Tia Madre Maria e mais algumas outras freiras, foi para a cidade de Quito, no Equador, para a fundação do Mosteiro Real da Imaculada Conceição. No caminho o demônio lhe apareceu querendo destruir a embarcação para que o Mosteiro não fosse fundado. Mas Nossa Senhora venceu o inimigo e as águas do mar se acalmaram, pois o demônio produzia grandes ondas afim de afundar o navio.

De santidade incomum recebeu a visita de Nossa Senhora por várias vezes.

O livro que relata sua vida e a fundação do Mosteiro Real é magnífico. Peço que leiam, por que não encontrarão livro igual.

Pode ser conseguido gratuitamente no link abaixo:

http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2011/10/vida-admiravel-da-reverendissima-madre.html

Repito: o livro é magnífico e tenho certeza de que fará muito bem para quem o ler.

Transcrevo parte do livro, onde Nossa Senhora dá uma mensagem para Madre Mariana de Jesus Torres:

Apagar-se-á a luz preciosa da fé nas almas; se desbordarão as paixões e haverá total corrupção dos costumes. Dar-se-ão muitos enormes sacrilégios. A atmosfera estará repleta do espírito de impureza o qual, a maneira de um mar imundo, correrá pelas ruas, praças e lugares públicos com uma liberdade assombrosa; não haverá quase inocência nas crianças nem pudor nas mulheres.

Chegarão momentos nos quais parecerá tudo perdido. Então é chegada a minha hora, na qual Eu, de uma maneira assombrosa, destronarei ao soberbo Satanás, pondo-o abaixo de meus pés, encadeando-o no abismo infernal, deixando por fim livres a Igreja e a Pátria dessa cruel tirania.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Beato Padre Miguel Pro - Preghiera alla Beata Vergine Addolorata

O Padre Miguel A. Pro, foi um dos Cristeros que resistiu à perseguição anti-cristã no México. Era jesuíta e morreu mártir no México. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II. Desde pequeno foi virtuoso e alegre. Morreu como muitos outros mártires mexicanos, gritando: "Viva Cristo Rei".

Oração feita pelo Beato Padre Miguel Pro:

Preghiera alla Beata Vergine Addolorata

Lasciami vivere accanto a te, Madre mia,
per tenere compagnia alla tua solitudine
e al tuo profondo dolore!

Lasciami risentire nella mia anima
il pianto doloroso dei tuoi occhi
e l'abbandono del tuo cuore!

Non voglio sul cammino della mia vita
gustare la letizia di Betlemme, adorando il Bambino Gesù,
nelle tue braccia verginali.

Non voglio godere nella tua umile casa di Nazareth
della cara presenza di Gesù Cristo.

Né voglio unirmi al coro degli angeli
nella tua gloriosa Assunzione!

Voglio nella mia vita
gli scherni e le beffe del Calvario;
voglio la lenta agonia del Figlio tuo,
il disprezzo, l'ignominia, l'infamia della Croce.

Voglio, o Vergine Addolorata, stare vicino a te, in piedi,
per fortificare il mio spirito con le tue lacrime,
consumare il mio sacrificio col tuo martirio,
sostenere il mio cuore con la tua solitudine,
amare il mio e tuo Dio con l'immolazione di tutto il mio essere.

(Beato Miguel A. Pro S.J.)

TRADUÇÃO:

Deixe-me viver ao Seu lado, minha Mãe,
para fazer companhia a sua solidão
e a sua profunda dor!

Deixe-me sentir em minha alma
as pranto doloroso de teus olhos
e o abandono de seu coração!

Eu não quero no caminho da minha vida
desfrutar da alegria de Belém, adorando o Menino Jesus,
em seus braços virginais.

Eu não quero desfrutar em sua humilde casa de Nazaré
a presença querida de Jesus Cristo.

Nem quero unir-me ao coro dos anjos
na sua gloriosa Assunção!

Eu quero na minha vida
o desprezo e a zombaria do Calvário;
Eu quero a morte lenta de seu Filho,
o desprezo, a ignomínia, a infâmia da Cruz.

Quero, ó Virgem Dolorosa, estar perto de Ti, em pé,
para fortalecer o meu espírito com suas lágrimas,
consumar o meu sacrifício com o seu martírio,
apoiar o meu coração com a sua solidão,
amar o meu e o vosso Deus com o sacrifício de todo o meu ser.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tomasino de la Mora, o Cristero


Desde quando as forças secretas dominaram o poder no México, começou uma árdua e implacável perseguição à Igreja Católica. Os cristãos heróis que resistiram à essa perseguição cruel foram conhecidos como: Cristeros. Vejamos esse epísódio comovente dos Cristeros.
A perseguição dos cristãos no México foi terrível.
Eis o texto de uma proclamação oficial, fixada nas portas das igrejas ao abrir-se o verão de 1926:

Art. 1º Qualquer indivíduo responsável por uma igreja será condenado a 50 pesos de multa e a um ano de prisão se os sinos soarem.
Art. 2º A mesma penalidade a todas as pessoas que ensinarem os filhos a rezar.
Art. 3º A mesma penalidade para as casas em que se encontrarem imagens de santos.
Art. 4º Qualquer pessoa que trouxer consigo medalhas e cruzes estará sujeita à mesma punição.
[...]
(e assim sucessivamente, até o art. 30)

Tomasino de la Mora tem exatamente 17 anos. Em 27 de agosto de 1927, os soldados invadem a casa de seus pais.

O gen. Flores reservou-se o cuidado de interrogá-lo:

— Se me disseres o que sabes sobre os cristeros, deixo-te viver.

— O Sr. engana-se: livre continuarei a lutar por Cristo Rei com os meus companheiros. O combate pela liberdade religiosa não é, para nós, matéria opcional.

— Tu não sabes o que é a morte, fedelho!

— Com efeito, coisa semelhante ainda não me aconteceu. E ao senhor general?

Tomasino foi enforcado nessa mesma tarde, sem julgamento. Rius Facius conta que seu carrasco queria que ele mesmo passasse a corda em seu pescoço.

— Perdão, senhor, não entendo disso. É a primeira vez que me enforcam.

Os filhos de Cristo Rei enfrentam o sacrifício com alegria e valentia. Foi o caso igualmente de José Sánchez del Río, 13 anos. Cercado, em 5 de fevereiro de 1928, com o seu chefe de grupo, que acaba de ser ferido pelos Federais, cede-lhe seu cavalo, cobre-lhe a retirada, depois se entrega por falta de munição.

O menino é apunhalado cinco dias mais tarde à beira de uma cova aberta no cemitério de Sanhayo e liquidado a tiros. As lavadeiras do lugarejo descobrirão nos bolsos de um uniforme militar este simples bilhete:

"Minha mamãezinha. Fui apanhado e vão matar-me. Estou contente. A única coisa que me inquieta é que vais chorar. Não chores, nós nos encontraremos. José, morto por Cristo Rei".

(EPISÓDIO COMOVENTE DOS CRISTEROS “Os Vandeanos do México”)

domingo, 29 de janeiro de 2012

As primeiras aparições de Nossa Senhora


Têm sido publicados recentemente em italiano vários livros enumerando as aparições de Nossa Senhora. Não os tinha consultado, mas numa recente visita a Roma aproveitei a oportunidade para fazê-lo, e fiquei surpreso: numa época houve numerosas aparições, noutra eram muito raras; numa época a Virgem aparecia a certa categoria de pessoas, noutra a outra categoria completamente diferente; no século XX houve importantíssimas e comprovadas aparições (por exemplo, Fátima, Lourdes), mas também uma espécie de “inflação” de aparições falsas, como que indicando a permissão dada ao demônio para confundir as almas, em castigo por nossos pecados. [...]

1) A conversão da Espanha ao catolicismo foi bem mais difícil do que se imagina. O Apóstolo Santiago esforçava-se e sofria para converter aqueles pagãos endurecidos. Nossa Senhora ainda vivia, e para encorajar o provado Apóstolo, Ela lhe apareceu sobre um pilar na cidade de Cesaraugusta (hoje Zaragoza), dizendo-lhe que no futuro a fé daqueles povos seria profunda e séria. Muito consolado, o Apóstolo continuou seu árduo trabalho, resultando que hoje uma parte considerável da Igreja Católica reza em espanhol. E Nossa Senhora do Pilar é a Padroeira da Espanha.
No rigor da linguagem teológica, esta não foi uma aparição, mas uma bilocação (estar em dois locais ao mesmo tempo), pois Nossa Senhora ainda estava nesta Terra. Mas a seguinte pode ser considerada a primeira aparição da História, no sentido próprio do termo.

2) Estavam os Apóstolos reunidos na cidade de Éfeso, atual costa da Turquia, mas que nessa época era uma cidade grega. Imploravam eles o auxílio da Santíssima Virgem nas diversas dificuldades da nascente Igreja, quando a Mãe de Deus lhes apareceu, cheia de luz, e lhes prometeu que jamais os abandonaria. Esta aparição não deixa de ter um simbolismo muito bonito, pois Nossa Senhora apareceu aos Apóstolos em seu conjunto, como representação da Hierarquia da Igreja, e lhes prometeu sua permanente ajuda. Auxílio que Ela irá demonstrando constantemente ao longo da História.

3) A seguinte aparição, a que agora nos referiremos, parece proposital para ensinar os caminhos de Deus aos que pensam que a Igreja, em sua história, só apresenta progressos espetaculares, brilhantes, de efeito imediato. Pelo contrário, esta aparição não podia crescer de modo mais humilde. Por volta do ano 70, vivia em Le Puy, na atual França, certa mulher convertida havia pouco à verdadeira Religião. Estava gravemente doente, mas após ter visto a Virgem Santíssima ficou curada e construiu no local das aparições uma pequena capela. Ali foram se registrando com o passar do tempo outros milagres, que contribuíram para a sua popularidade. Entretanto, só muito lentamente as peregrinações foram surgindo. A igreja edificada no século XIX no local da antiga capela é ainda um centro de peregrinações. Os bispos locais aceitaram tal devoção, que se impôs mais pela perseverança ao longo dos séculos do que por milagres espetaculares ou revelações retumbantes. Assim ocorrem muitas coisas na Igreja: um pequeno trabalho de todos os dias, do qual não se vê o fruto imediato, mas que vence pela perseverança e acaba alcançando êxito e um grande bem. [...]

(Trechos extraídos da Revista Catolicismo de julho de 2005)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os pecados contra o Espírito Santo


Além dos pecados mortais (pecados graves) e dos pecados veniais (pecados leves), há uma outra qualificação de pecados justamente por serem pecados especiais e com um alcance de malicia diferenciado... Irei tratar mais abaixo dessa qualificativa diferenciada.

Os pecados mortais (que são pecados graves) nos afastam de Deus e nos levam ao inferno. Somente através de uma boa confissão é que somos perdoados. Para se fazer uma boa confissão é preciso ter fé que o padre tem o poder de absolver-te (poder esse dado pelo próprio Jesus Cristo: Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos - São João 20, versículo 23). É preciso também estar arrependido de ter pecado e prometer nunca mais faze-lo novamente.

Os pecados veniais (que são pecados leves, como, por exemplo, uma pequena mentira, que não prejudique ninguém, uma gulodice que não traga prejuízos sérios à saúde, etc...) também nos afasta de Deus, mas não merecemos o inferno por causa deles, por que são culpas leves. Se morrermos com pecados veniais, iremos pagar nossas culpas no purgatório, e depois iremos ao céu. Sendo Deus puríssimo, inadmissível que se fique em Sua Divina presença com alguma mancha por menor que seja. Os pecados veniais são perdoados rezando-se um Ato de Contrição, ou com arrependimento praticando um outro ato de piedade.

Mas no entanto, por causa do alto grau de malícia que existe em alguns tipos de pecados, recebem um outro tipo de qualificação. Como, por exemplo, “Pecados que Bradam aos Céus e clamam a Deus por vingança” (homicídio voluntário, por exemplo).

Mas hoje, em especial, irei tratar dos PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO para os quais não há perdão.

Os pecados contra o Espírito Santo são seis, e chamam-se estes pecados particularmente pecados contra o Espírito Santo, porque se cometem por pura malícia, o que é contrário à bondade que se atribui ao Espírito Santo (Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã de São Pio X):

1º - Desespero de salvação: Ocorre quando a pessoa já pecou tanto que entra em desespero achando que não há mais salvação para ela. Fica convencida de que não há mais solução e que seu destino é o inferno. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ACREDITA QUE NÃO ADIANTA, E QUE ESTÁ DEFINITIVAMENTE CONDENADA.

2º - Presunção de salvação sem merecimento: Ocorre quando a pessoa se acha muito virtuosa que pensa que já está no céu e por isso por mais que possa ter feito algum pecado, Deus lhe perdoará. Implica num sentimento de orgulho achando de que está salva pelo que já fez na vida. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ACHA DESNECESSÁRIO; ACREDITA QUE JÁ ESTÁ SALVA.

3º - Negar a verdade conhecida como tal: Ocorre quando a pessoa se julga “dona da verdade” e por isso não aceita as verdades da fé por puro orgulho. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ACHA QUE ESTÁ CERTA E QUE NÃO HÁ NADA A SE CONFESSAR. NEM CONSIDERA O PECADO DE DUVIDAR DAS VERDADES DA FÉ, OU MESMO NEGAR AS VERDADES DA FÉ. A PESSOA ACHA QUE ESTÁ CERTA E QUE ESSA CERTEZA É ABSOLUTA. CONSIDERA QUE SABE MAIS DO QUE A PRÓPRIA IGREJA E COM ISSO NEGA QUE O ESPÍRITO SANTO AUXILIA O SAGRADO MAGISTÉRIO DA IGREJA.

4º - Inveja da graça fraterna: Ocorre quando a pessoa tem inveja da graça que Deus dá a outrem. O invejoso irrita-se por que o seu próximo conseguiu algo de bom e por isso revolta-se contra Deus. É o caso de Caim e Abel. Caim matou Abel por inveja. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ESTÁ REVOLTADA CONTRA DEUS E NÃO HÁ ARREPENDIMENTO EM SEU CORAÇÃO.

5º - A obstinação no pecado: É quem peca não por fraqueza, mas por malícia. Peca não por que simplesmente teve tentação, mas por que AMA pecar. ORA, SE AMA PECAR, NÃO SE CONFESSA, POR QUE QUER CONTINUAR NO PECADO.

6º - A Impenitência final: Não é difícil de entender este pecado, pois uma pessoa que vem pecando a vida inteira, no final de sua existência continua sendo impenitente e não arrependido de tudo o que fez de mal. É a suprema e final rejeição à Deus. Mesmo estando no fim da vida e sabendo que vai morrer, a pessoa não quer mudar de vida. ESTA NÃO SE CONFESSA POR QUE REJEITA DEUS ATÉ NESTA HORA EXTREMA.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Como pode se ver, os pecados contra o Espírito Santo são pecados de pura malícia, não de fraqueza, ou seja, a vontade da pessoa está endurecida de uma tal forma que ela JAMAIS SE CONFESSARÁ por que NÃO QUER SE CONFESSAR. Deus dá a todos a chance de se salvar e ir ao céu, mas quem peca contra o Espírito Santo não quer sair da situação em que se encontra, então Deus não pode salvar quem não quer se salvar, e por isso mesmo não tem perdão.

O QUE DIFERENCIA OS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO DE OUTROS PECADOS É A VONTADE DA PESSOA, NÃO O ATO EM SÍ... OU SEJA, É A VONTADE QUE FAZ COM QUE A PESSOA NÃO QUEIRA MUDAR DE VIDA. Por isso se peca contra o Espírito Santo por ato de pura malícia, não por mera fraqueza.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Elogio da Humildade


Perguntou, certa vez, um lavrador a um santo anacoreta:

-Que devemos fazer, meu Pai, para adquirir a humildade?

Respondeu o santo:

- É preciso, somente, que consideremos nossos defeitos e esqueçamos os alheios, e como a humildade torna o homem perfeito, quanto mais ele a pratica mais se eleva na estima de todo o mundo.

E acrescentou:

- O orgulho querendo elevar a criatura faz, ao contrário, que ela caia no pecado. A humilhação, querendo abaixa-la e reduzi-la ao nada, eleva-a até ao Céu. Não confies em ti mesmo, mas coloca tua esperança em Deus.

Faze o que de ti depende, e Deus ajudará a tua boa-vontade.

Não confies na tua ciência, ou na inteligência de qualquer vivente; confia, antes, na graça de Deus, que favorece os humildes e assiste aos que d’Ele precisam.

A alma verdadeiramente humilde é muito corajosa. [...]

(Fonte: Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan – autor D.)

NOTA DO BLOG: Não conheço maior elogio à um homem do que o que disse Nosso Senhor sobre São João Batista:

“Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.” (São Mateus, 11,11).

E o que dizia São João Batista de si mesmo?

“Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo? Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3).” (São João 1:22-23)

"Seis coisas há que o Senhor odeia e uma sétima que lhe é uma abominação: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, um coração que maquina projetos perversos, pés pressurosos em correr ao mal, um falso testemunho que profere mentiras e aquele que semeia discórdias entre irmãos." (Provérbios 6, 16-19)

Na foto acima, Santa Teresinha do Menino Jesus, modelo de humildade.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os Apóstolos escolhidos por Nosso Senhor


SÃO PEDRO. Simão Pedro pregou evangelho de Cristo em todo o território palestino, tendo feito também muitas viagens à Ásia Menor e à Itália. Sua primeira viajem a Roma foi no ano de 42, quando a partir de então foi reconhecido pelas comunidades cristãs na Itália, como o primeiro Chefe da Igreja Católica. Voltou à Jerusalém, à Grécia e à Turquia, por diversas vezes. Morreu crucificado de cabeça para baixo na colina do Vaticano em Roma, no dia 29 de junho do ano 67.

Foi um extraordinário Apóstolo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se empenhou incansavelmente por longas e difíceis jornadas, para converter e evangelizar o povo. Deixou-nos além de seu exemplo extraordinário, duas Epístolas dirigidas às Comunidades cristãs da Ásia e da Capadócia.

SÃO PAULO ou Paulo de Tarso foi outro grande apóstolo, muito embora não tenha pertencido ao grupo dos doze primeiros chamados por Nosso Senhor Jesus Cristo. A sua conversão magnífica se deu por um milagre, pois o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo lhe apareceu e lhe perguntou: “Paulo, por que me persegues?”. Daí por diante, São Paulo tornou-se um ardoroso seguidor de Nosso Senhor. Escreveu 14 Epístolas que são a expressão mais pura e fiel, de seu amor dedicado a Deus e sua constante vigilância e preocupação em manter coesos os núcleos cristãos que dava assistência e que tinha fundado, em companhia de diversos religiosos que o ajudavam no apostolado.

Paulo nasceu em Tarso, entre os anos 5 e 10 de nossa era, na capital da Cilícia, grande e populosa cidade do Império Romano no Oriente, e que se caracterizava por um centro de intelectuais. Mas foi criado e educado em Jerusalém, na Palestina. Pertenceu à famosa escola de Gamaliel, um dos doutores da lei de maior reputação e prestígio naquela época. Já homem adulto, levado pelo seu excessivo zelo farisaico de impor a Lei de Moisés, perseguiu impiedosamente os cristãos. Mas perto de Damasco, montado em seu cavalo, teve uma aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo; com esta visão Paulo de converte ao cristianismo. Foi instruído por Ananias nas verdades do cristianismo e depois batizado. A seguir isolou-se espontaneamente em um lugar deserto, onde sozinho fez penitencias, jejuou e rezou muito, arrependendo-se verdadeiramente de seus pecados.

São Paulo, viajou e pregou continuamente em Chipre, Pafos, Antioquia, Icónio, Listra, derbe, Cilícia, Tessalônica, Atenas, Macedônia, Corinto; em muitas outras cidades da Grécia e da Síria.

Morreu decapitado em Roma e segundo a tradição, no mesmo dia 29 de junho, na mesma data em que São Pedro foi crucificado, muito embora tenha ocorrido um ano antes.

SÃO JOÃO, o evangelista, conhecido também como o “discípulo amado”, permaneceu junto de Maria Santíssima até os seus últimos momentos na Terra. Depois do Primeiro Concilio Ecumênico realizado em Jerusalém no ano de 51 de nossa era, sob a direção do apóstolo e primeiro Papa São Pedro, partiu para evangelizar a Ásia Menor. É assim que levou com invulgar dedicação a palavra de Deus, para a conversão dos povos do território soviético, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. Morreu Bispo de Éfeso, na Turquia, pelo ano de 105 de nossa era. Em homenagem ao grande Apóstolo de Jesus, lá existe uma magnífica Basílica com o seu nome.

Há uma tradição segundo a qual São João Evangelista começou suas pregações antes da realização do Concílio de Jerusalém, tendo sido acompanhado por Nossa Senhora durante a evangelização da Ásia Menor, e que com 72 anos de idade a Virgem Mãe despediu-se da Terra, sendo sepultada em Éfeso, onde existe um túmulo vazio com inscrições, e estando suas vestes mortuárias e o caixão, guardados numa Basílica Mariana de Constantinopla, hoje cidade de Istambul, na Turquia.

Contudo, todos os estudos e pesquisas realizados, leva-nos à afirmar que Maria Santíssima não saiu da Palestina depois da morte de Jesus, e que terminou os seus dias entre nós na cidade de Jerusalém. Como São João amava Nossa Senhora, provavelmente deve ter dito muitas coisas sobre Nossa Senhora na Ásia e deve ter levado para lá algumas relíquias da Santa Mãe de Deus.

São João escreveu o quarto evangelho, fazendo-o de maneira notável. Escreveu também três epístolas às Comunidades cristãs da Ásia Menor e o Apocalipse.

SÃO TIAGO MENOR era filho de Cleófas com a outra Maria. Atuou decididamente em todo o território palestino, convertendo multidões de pagãos e levando os ensinamentos de Jesus a todas as cidades, aldeias e povoados do território judeu.

É tradição que José de Arimatéia o acompanhou em diversas viagens, oportunidade em que mostrava aos fiéis o Santo Sudário de Cristo, que havia recebido das mãos de São Pedro.

Posteriormente, São Tiago Menor fixou residência em Jerusalém, onde foi eleito Bispo. Foi o segundo Bispo de Jerusalém e como tal, permaneceu até morrer martirizado, por instigação do Sumo-Sacerdote Anãs II. Foi lançado de uma galeria do Templo Judeu de Jerusalém e espancado até a morte, no ano de 62 de nossa era.

O “Irmão do Senhor”, como ele é conhecido, era destemido e voluntarioso. Por dezenas de vezes entrou no Templo e fez pregações incisivas e corajosas, mostrando a todos a correta doutrina Divina e com veemência estimulava o povo a seguir Jesus. Os Sacerdotes sentindo-se superados pelos seus argumentos, apelaram inicialmente para as intrigas e depois para tramas diabólicas, que culminaram com o seu martírio dentro do próprio Templo.

São Tiago Menor escreveu uma Espístola, provavelmente um pouco antes de morrer, onde entra em polêmica com alguns cristãos, que deformavam o ensinamento de São Paulo.

SÃO FELIPE era de Betsaida, a mesma cidade de São Pedro e Santo André. Pregou o evangelho na Frigia.

SÃO TOMÉ levou a palavra de Deus aos Partos e Indianos; SÃO BARTOLOMEU, também conhecido pelo nome de Natanael, pregou na Índia e depois foi para a Armênia; SANTO ANDRÉ, irmão de São Pedro, pregou a Doutrina Cristã na Cíntia e no Egito; SÃO SIMÃO Zelote e SÃO MATIAS levaram o Evangelho de Nosso Senhor para a Pérsia e para a África.

SÃO TIAGO MAIOR era filho de Zebedeu e Maria Salomé, prima de Jesus. Pregou o Evangelho na Palestina e foi martirizado por Herodes Antipas no ano 44.

SÃO LUCAS, que tinha o nome de Lucano, também não pertenceu aos doze primeiros chamados por Nosso Senhor Jesus Cristo. Nasceu na Grécia e seus pais, Enéias e Íris, eram escravos do Senador romano Prisco, que comandava a guarnição militar da Síria. Com a morte do oficial romano, seus pais passaram a servir Diodoro Cirino e sua familia, filho e herdeiro natural de Prisco. Com um pouco mais de 10 anos, recebeu em Antioquia, na Síria, os primeiros ensinamentos de um professor grego que administrava aulas para a filha de Diodoro. Evoluiu rapidamente e mostrou grande desembaraço nos estudos, granjeando a amizade de Keptah, que era o médico escravo da família, desenvolvendo a partir desta época sua tendência pelas Ciências Médicas.
Aos 17 anos foi para Alexandria, onde foi cursar Medicina, num famoso Colégio Médico, que possuía vastas e excelentes instalações com uma imensa biblioteca.

Depois de 4 anos de árduo estudo, concluiu o curso. Viajou para Roma, onde passou a residir em companhia de seus pais e especializou-se durante um ano. A partir de então passou a exercer seus trabalhos profissionais. Freqüentou as primeiras Comunidades Cristãs na Itália e na Palestina, sagrando-se Apóstolo pelas mãos de São Pedro.

Escreveu o 3° Evangelho e os Atos dos Apóstolos, onde, neste último, descreve muito das atividades dos Discípulos de Jesus e principalmente, uma pormenorizada narrativa da labuta de São Paulo.

Uma leitura minuciosa e observadora do seu 3° Evangelho e mais precisamente dos Capítulos 1° e 2°, leva-nos a concluir que São Lucas deve ter recebido aquelas informações diretamente de Maria Santíssima, que era a única com vida, que conhecia todos aqueles fatos, por ter sido ELA uma personagem integrante dos acontecimentos descritos, ou recebeu-os de alguém que tinha convivido muito próximo da Mãe de Deus, como o Apóstolo São João Evangelista.

SÃO JUDAS TADEU era também filho de Cleófas com a outra Maria e portanto primo de Nosso Senhor. Durante muitos séculos seu nome ficou esquecimento, por causa da semelhança de seu nome com o de Judas Iscariotes, o traidor. São Judas Tadeu é chamado de Lebeu, que significa bondoso ou corajoso. Ele levou o evangelho de Deus por toda a Mesopotânia e no interior do Ponto, assim como em Edessa. Chegou até a cidade de Nerito ou Berito na Armênia, onde foi preso por causa de suas veementes pregações contra diversas divindades daquele mundo pagão e onde também foi crucificado, sendo o seu corpo transpassado de flexas.

Escreveu uma Epístola endereçada aos cristãos de um modo geral, visando alerta-los e prevení-los contra os reais perigos das heresias que assolavam o cristianismo, trazendo dúvidas e confusões a corações não precavidos. Esta epístola foi escrita em Jerusalém ou na Alexandria, antes da grande guerra do ano 70, provavelmente no ano 66 ou 67 de nossa era.

Não foi fácil para os apóstolos converterem milhares e milhares de pessoas, que intimamente, por efeito do ambiente em que viviam e por tradição, já possuíam uma natural inclinação para tornar um deus, a tudo o que começavam a admirar. Inclusive os próprios Apóstolos, em muitas ocasiões, foram motivos de exageradas venerações por parte do povo, a partir do momento em que faziam milagres em nome de Deus, restituindo a saúde a uns e curando os defeitos físicos de outros. Isto obrigou-os a fazerem decididas reações, no sentido de acabar com aquele costume, fazendo-os compreender a quem deviam adorar e a dirigir todo o seu amor.

Fonte: Pelos Caminhos do Amor – Jusan F. Novaes – 1ª edição – 1983
NIHIL OBSTAT e IMPRIMATUR de D. Antonio Afonso de Miranda SDN
Bispo Diocesano de Taubaté (1983)
Com Aprovação Eclesiástica.

Recomendo que completem a leitura com estas postagens:

São Tomé já esteve no Brasil:
http://almascastelos.blogspot.com/2010/10/o-apostolo-sao-tome-no-brasil.html

São Paulo:
http://almascastelos.blogspot.com/2011/01/sao-paulo-apostolo.html

Os Apóstolos:
http://almascastelos.blogspot.com/2011/01/os-santos-apostolos_21.html

São João, o Teólogo:
http://almascastelos.blogspot.com/2011/10/sao-joao-o-teologo.html

São João Evangelista:
http://almascastelos.blogspot.com/2011/11/s.html

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

As três árvores


Havia, no alto da montanha, três pequenas árvores que sonhavam o que seriam depois de grandes. A primeira, olhando as estrêlas, disse:

- Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. Para tal, até me disponho a ser cortada.

A segunda olhou para o riacho e suspirou:

- Eu quero ser um grande navio para transportar reis e rainhas.

A terceira árvore olhou o vale e disse:

- Quero ficar aqui no alto da montanha e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem seus olhos e pensem em DEUS.

Muitos anos se passaram e certo dia vieram três lenhadores pouco ecológicos e cortaram as três árvores, todas ansiosas em serem transformadas naquilo que sonhavam.

Mas lenhadores não costumam ouvir e nem entender sonhos!... Que pena!

A primeira árvore acabou sendo transformada num coxo de animais, coberto de feno. A segunda virou um simples e pequeno barco de pesca, carregando pessoas e peixes todos os dias. E a terceira, mesmo sonhando em ficar no alto da montanha, acabou cortada em grossas vigas e colocadas num depósito. E todas as três se perguntavam desiludidas e tristes:

- Para que isso? Nossos sonhos não se realizaram! Fracassamos!

Mas, numa certa noite, cheia de luz e de estrêlas, onde havia mil melodias no ar, uma jovem mulher colocou seu recém nascido naquele coxo de animais.E, de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo...

A segunda árvore, anos mais tarde, acabou transportando um homem que acabou dormindo no barco, mas quando a tempestade quase afundou a pequena embarcação, o homem levantou e disse: “Paz!”. E, num relance, a segunda árvore entendeu que estava carregando o Rei dos céus e da terra.

Tempos mais tarde, numa sexta feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Logo, sentiu-se horrível e cruel. Mas, logo no Domingo, o mundo vibrou de alegria e a terceira árvore entendeu que nela havia sido pregado um homem para salvação da humanidade e que as pessoas sempre se lembrariam de DEUS e de seu Filho JESUS CRISTO ao olharem para ela.

As árvores haviam tidos sonhos... mas as suas realizações foram mil vezes melhores e mais sábias do que haviam imaginado.

Diletos amigos, nossos sonhos e planos, por vezes, também não coincidem com os planos de Deus; e, quase sempre, somos surpreendidos com Sua generosidade e misericórdia. Quando as coisas pareceram estar acontecendo como são gostaríamos, tenhamos sempre esta certeza: Deus tem outros planos para nós – bem mais elevados do que aqueles que imaginávamos.É importante compreendermos que tudo vem de Deus e crermos que podemos esperar n’Ele, pois Ele sabe muito bem o que é melhor para cada um de nós.

Fonte:
http://casapiadossantosanjos.blogspot.com/2010/07/fabula-das-tres-arvores.html

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Fé inquebrantável até na hora da morte


Depois de uns poucos dias de repouso, volto desejando a todos um Ano Novo repleto de bençãos.

Sob o título “Heroísmo das Obras” o grandioso Blog Associação Apostolado Sagrado Coração de Jesus, publicou esta história de uma beleza extraordinária. A referida Associação tem feito um trabalho apostólico digno de todo o elogio e com uma santa e eloqüente arte de contar histórias. Que Deus abençoe o trabalho dessa Associação e a faça render frutos para Nossa Senhora e para a Santa Igreja. Transcrevo-a no meu Blog com a alegria de poder recomendar a visita de todos os amigos e amigas à Associação Apostolado Sagrado Coração de Jesus.

Na época da Revolução Francesa, um soldado da Vandéia, feito prisioneiro com muitos outros, foi levado a seu torrão natal a fim de ali suportar o derradeiro suplício. Lá estava ereta, na praça, uma Cruz, à pouca distância da qual se achava a casa do soldado. Os republicanos lembraram então ao condenado o velho pai, e lhe perguntaram se o queria ver.

- Sim, respondeu ele.

- Pois bem, acrescentaram, vê-lo-ás se abateres aquela Cruz com este machado.

O soldado tomou do machado e foi correndo à Cruz. Seus companheiros de desventura estremeceram, pensando que ele apostatasse de sua Fé. No entanto, o generoso soldado, abraçando-se a Cruz, exclamou:

“Ai de quem insultar, a Cruz de Cristo! E este o sinal da minha redenção, que até aqui venerei! Esta e a Cruz guardiã de meu batalhão. Ao pé dela rezei e lutei. Sempre obrei segundo os ensinamentos de Jesus Cristo que morreu na Cruz por minha salvação, e agora de bom grado morrerei aos pés dela por minha Fé. Ai de quem se atreva a tocá-la.”

Recompostos da surpresa, os revolucionários o feriram com baionetas e o intimaram a derrubar a Cruz.

Viva a Santa Cruz, gritou o chouan. Ela é o sinal da minha redenção. Nesse momento, traspassado pelas baionetas daqueles monstros, o sangue de Zacarias Ripoche incorporou-se à Arvore da vida!

Ao lado da Cruz, sobre uma pedra, ainda hoje está escrito:

Aqui jaz Zacarias Ripoche, o herói da Santa Cruz!

(A palavra de Deus em exemplos – G. Mortarino, J C – Edições Paulinas – S.P. -1ª edição -1961, p. 296).
N. B. : Que exemplo magnífico de heroísmo católico! Rezemos para que a Santíssima Virgem nos conceda forças para seguirmos, se necessário, tal exemplo!

Fonte: Blog Associação Apostolado Sagrado Coração de Jesus.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Bom Natal até na Guerra

Mais um ano se passou. O noticiario mundial não é nada esperançoso. Crises em todos os setores da vida do homem. Os horizontes são prenunciadores de borrascas. E não só no mundo financeiro e politico, mas na esfera espiritual a coisa ainda é pior. Quando sairemos dessa situação penosa na qual se encontra o homem moderno?

Lembro-me com saudades de minha infância e das histórias que meu pai me contava: um episódio da primeira guerra mundial.

Por incrivel que pareça é uma história real. Em pleno campo de batalha, os alemães guerreavam contra os ingleses. Já era tarde da noite. De repente os tiros cessam e os ingleses veem surpreendidos os alemães sairem de suas trincheiras e caminharem calmamente cantando uma bela canção: Stille Nacht (Noite Feliz). Os trompetes acompanhavam as vozes tranquilas e alegres dos alemães. Era noite de Natal. Os ingleses olhavam desconfiados daquilo tudo. Mas os alemães cantavam e festejavam alegres.

Os ingleses inebriados com tal visão na noite natalina, também sairam de suas trincheiras e foram em direção aos alemães para confraternizar com eles essa Noite Santa. Se aproximaram aos poucos e logo estavam se cumprimentando, desejando bom natal. A Sacralidade da Noite Santa tomara conta do espírito dos soldados. Passaram a noite sentados à luz de uma fogueira, bebendo, cantando e conversando. Noite de Natal: o mundo reverencia e festeja a vinda do Menino Deus, Rei do Universo.

Lembranças das famílias, lembranças dos parentes, das festas natalinas, de suas infâncias e do Papai Noel, trazem lágrimas aos olhos dos soldados.

Assim vai a noite...

De manhã, se despedem, retornam às suas trincheiras e a guerra recomeça...
Outros tempos, outras épocas... quando a religiosidade enchia o coração dos homens. Anos mais tarde soube que era fato real ocorrido em 1914. No ano de 1999 foi colocada uma cruz no local para que servisse de lembrança desse fato tão significativo.

* * * * * * * * * * * *

Diante do présepio, ajoelhado diante do Menino Jesus, peço à Nossa Senhora e a São José que dêem a todos os meus amigos e amigas as boas graças de um Santo Natal e que no Ano Novo de 2012 Nosso Senhor Jesus Cristo reine em todos os corações.

Renovo aqui o ato de consagração deste Blog ao Sagrado Coração de Jesus:

Ó Cristo Jesus, eu Vos reconheço como Rei do Universo, sois o autor de toda a criação; exercei sobre mim todos os vossos direitos. Renovo as minhas promessas do batismo, renunciando a Satanás, suas pompas e suas obras; e de modo especial comprometo-me a lançar mão de todos os meios ao meu alcance para fazer triunfar os direitos de Deus e de vossa Igreja. Ó Sagrado Coração de Jesus, eu Vos ofereço minhas pobres ações para que os homens reconheçam a vossa Realeza Sagrada e o Reino de vossa paz se estabeleça por todo o universo. Amém.

FELIZ NATAL A TODOS E UM BOM ANO NOVO!

A foto acima é do presépio napolitano de Cicillo Matarazzo (1620 peças), do século XVIII, em exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo.

Crédito da foto: http://www.museuartesacra.org.br/presepios.html

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A via mais perfeita para Céu


Deus aguardou por séculos para vir até os homens redimi-los. Bem que Deus, sendo omnipotente poderia ter simplesmente aparecido na Terra; ou mesmo ter descido do Céu a vista de todos.

Deus também é imutável em Seus Atos, pois se fosse mutável significaria que o Primeiro Ato não seria o melhor e nem o mais perfeito.

No entanto o mundo era indigno de receber Deus Filho, diretamente de Deus Pai. Tantos são os pecados que afastam o homem de Deus que há uma escarpa infinita entre Deus e os homens, por que Deus é Bondade Infinita. Como seria então a vinda de Deus Filho até os homens?

Ocorre que Deus, além de Omnipotente é Sábio, ou melhor, Deus é a própria Sabedoria. Portanto tudo o que faz, não poderia ter sido feito de maneira diferente, ou mais Sábia.

Assim, para vir até os homens, Deus escolheu o Caminho mais Perfeito, mais Sábio, mais Misericordioso, para vir até os homens: Maria. Sim, Maria foi o Caminho mais Perfeito e Sábio que Deus escolheu para vir até os homens.

E nós homens? Somos puros o suficientes para nos dirigir diretamente a Deus? Seremos tão presunçosos a ponto de acharmos que, cheios de defeitos e imperfeições, seriamos dignos de nos aproximar diretamente até Deus? Ó homens orgulhosos...

Sejamos humildes para reconhecer nossas imperfeições e defeitos. Se Deus decidiu que deveria vir até nós por Maria, quem somos nós para pensarmos o contrário?

Iremos a Deus por Maria também, implorando Sua intercessão, pedindo perdão e humildemente, pois MARIA, definitivamente, é o Caminho mais Perfeito para chegar até Deus.

Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

Ela como uma Boa Mãe nossa e de Deus, saberá nos apresentar ao Seu Divino Filho com todo o respeito que a Ele é devido.

Fonte: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - São Luiz Maria Grignion de Montfort

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Como surgiu o “Santa Maria, rogai por nós”


Nossa Senhora e o Concilio de Éfeso

A história da Ordem do Carmo é cheia de riquezas. Seu fundador, Santo Elias, 400 anos antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, já venerava a Mãe de Deus que iria nascer.

Afirmava São Epifânio que já na primeira metade do século IV, existia uma associação de mulheres cristãs que prestavam um culto a Maria Santíssima.Vemos na história quantos Santos tiveram grande devoção à Mãe de Deus, e que muitos a conheciam como Santa Maria.

Porém, foi depois do Concílio de Éfeso, realizado no ano de 431, por convocação do Papa Celestino I, que surgiu um culto litúrgico em honra à Mãe de Deus.

O Concílio de Éfeso foi convocado para combater as heresias do Pelagismo e Nestorismo, dirimindo equívocos sobre a Doutrina Cristã, ao mesmo tempo em que definia uma sublime prerrogativa de Maria e o seu verdadeiro posicionamento na economia da salvação, culminando por decretar o Dogma de SUA Maternidade Divina.

Os erros das heresias espalharam-se rapidamente, fazendo muitos adeptos como normalmente acontecia de inicio com todas as heresias. Mas esses erros que versavam sobre a Divindade de Jesus Cristo e a Maternidade de Sua Santa Mãe, foram logo e energicamente combatidos.

São Cirilo, Bispo de Alexandria, foi o Presidente do Concílio em Éfeso, que defendeu dignamente as verdades do cristianismo, contra as investidas herejas.

No dia do encerramento, após a leitura da sentença que condenava os heresiarcas, expressando o pensamento unânime de todos os presentes, foi lido o decreto do Dogma da Maternidade Divina de Maria Santíssima, proclamado e justificado com toda honra, para a maior Glória de Deus. O Papa São Celestino emocionado e com lágrimas nos olhos, ajoelhou-se e respeitosamente saudou-a assim:

“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amem”

Essa saudação de Sua Santidade, ficou sendo a segunda parte da AVE MARIA, que tem como primeira parte dois trechos. Um formado pelo cumprimento feito pelo Arcanjo São Gabriel a Maria, no dia da Anunciação, em Nazaré:

“Ave Maria, cheia de graça. O Senhor é convosco”.

O outro trecho é constituído pela frase pronunciada por Santa Isabel, prima de Maria, quando a Santíssima Virgem foi a Ain Karin para ajuda-la durante os três últimos meses de gravidez, do qual nasceu São João Batista. Disse Isabel:

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre”.

Fonte: “Pelos Caminhos do Amor” – Jusan F. Novaes – 1ª Edição – ano 1983 – Com Aprovação Eclesiástica.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Papai Noel é São Nicolau

São Nicolau de Mira ou Bari

O gentil santo dos presentes natalinos

Famoso por suas esmolas e socorro ao povo cristão, tornou-se para vários países o santo que realça as festas de Natal

(Plinio Maria Solimeo)

Na vida de São Nicolau de Mira, ou de Bari, é difícil saber o que é realidade e o que é legenda. Pois este santo do século IV foi um dos mais venerados no Oriente, antes de o ser no Ocidente. E as legendas contando maravilhas a seu respeito espalharam-se por todo o mundo.

Nicolau nasceu por volta do ano 270 em Patara, opulenta capital da Lícia (atual Turquia), de pais nobres, ricos e piedosos. Recebeu requintada educação religiosa e cívica. Na escola, evitava a companhia dos colegas perniciosos, só travando amizade com os bons e virtuosos. Crescendo, evitava os espetáculos perigosos, e domava seu corpo com vigílias, cilícios e jejuns.
Quando seus pais faleceram, Nicolau herdou grande riqueza. Mas considerou-se apenas administrador desses bens, cujos reais senhores se tornaram os pobres e os necessitados.

Socorro à pobreza envergonhada

Foi então que ocorreu um fato que todos os seus biógrafos narram e pintam tão bem. Um nobre caído na pobreza, não tendo como casar suas três filhas jovens e nem mesmo mantê-las, teve o satânico propósito de as prostituir para ganhar a vida. Nicolau soube do fato e ficou horrorizado. Tomando então uma bolsa com moedas de ouro, jogou-a pela janela da casa do infame, dando-lhe com isso o suficiente para casar a filha mais velha. No dia seguinte fez o mesmo, possibilitando casar a filha do meio. O beneficiado pôs-se então à espreita, para ver quem era seu anônimo benfeitor. E quando Nicolau, no terceiro dia, jogou outra bolsa para o dote da terceira filha, o nobre se lançou a seus pés, dizendo-se arrependido e agradecendo-lhe por aquele benefício. Nicolau pediu-lhe, confuso, para não tornar público o fato. Mas em vão, pois no dia seguinte toda a cidade comentava aquele grande ato de caridade.
Nicolau procurava, desse modo, remediar com suma caridade todos os necessitados. Socorria assim os enfermos e os miseráveis, libertava escravos e procurava atender todos os que sofriam por alguma causa.

Tendo falecido o arcebispo de Mira, os prelados da província e o clero elevavam fervorosas preces aos Céus, pedindo luzes para encontrar um digno sucessor. Como não chegavam a um acordo sobre quem escolher, combinaram então, por inspiração do alto, eleger bispo o primeiro cristão que entrasse na igreja no dia seguinte.

Ora, Nicolau tinha se mudado de Patara para Mira, a fim de viver mais obscuramente. E pensou logo em visitar a igreja local. Assim, bem de manhãzinha, franqueou o umbral do templo, ignorando em absoluto o que fora combinado. E foi logo apanhado e aclamado bispo. Embora resistisse, foi preciso ceder à vontade de Deus.

Elevação ao episcopado: luta contra os vícios

Nicolau tinha até então vivido de modo exemplar. Mas deu-se conta de que a elevada dignidade de que tinha sido revestido exigia ainda maior virtude. E disse para consigo: “Nicolau, esta dignidade requer outra vida. Até hoje viveste para ti. Agora hás de viver para os demais. Se queres que tua palavra persuada a grei que Deus te confiou, tens que dar eficácia às tuas exortações com o exemplo de uma vida perfeita”.1 A partir de então passava parte da noite em oração, comia uma só vez ao dia, abstendo-se de carne e vinho, dormia sobre uma dura enxerga e consagrava uma parte do tempo à oração e a outra parte à administração da diocese.
“Sua solicitude pastoral estendeu-se geralmente a todas as necessidades de seu povo. Cuidava dos pobres, dos doentes, dos prisioneiros, das viúvas e dos órfãos. Quando não os podia assistir pessoalmente, fazia-os ser visitados e assistidos por pessoas piedosas, a quem encarregava esses cuidados. Sua principal aplicação era a de conhecer as necessidades espirituais de seus fiéis e de levar-lhes os remédios eficazes. [...] Pregava contra todos os vícios, e o fazia com uma eloquência divina que o tornava vitorioso sobre todos os corações”.2

Salvando marinheiros de naufrágio

Num ano de grande carestia na Lícia, Nicolau soube que alguns barcos vindos de Alexandria, no Egito, com grande carregamento de trigo, refugiaram-se num porto perto de Mira. O santo apressou-se em ir até eles, suplicando aos armadores que fornecessem parte de sua mercadoria para remediar a extrema necessidade dos fiéis. Eles recusaram, alegando que todo o carregamento pertencia ao Estado e se destinava a Constantinopla. O bispo pediu-lhes então que cada barco fornecesse apenas certa medida de trigo, que ele retribuiria todo prejuízo junto ao administrador do tesouro público em Constantinopla. Por fim os armadores consentiram, e depois fizeram vela para o Bósforo. Quando chegaram ao destino, foram medir o trigo em seus barcos, e viram que havia a mesma quantidade deste ao partir de Alexandria. Os marinheiros narraram então, por toda parte, o prodígio operado pelo bispo santo.
Noutra ocasião, um navio foi surpreendido por terrível tormenta em alto mar. Seus tripulantes rogaram a Deus que, pelos méritos de seu servo Nicolau, os livrasse do perigo. No mesmo momento o santo bispo apareceu-lhes, dizendo: “Aqui estou para ajudar-vos. Tende confiança em Deus, de quem sou servo”. E, tomando o timão, dirigiu a nave em meio ao proceloso mar até o porto de Mira, e desapareceu. Os marinheiros foram então para a igreja agradecer tão grande favor. E viram ao santo no meio de seu clero. Lançaram-se então a seus pés, testemunhando seu reconhecimento. Confuso ante essa calorosa manifestação, São Nicolau lhes disse: “Dai a Deus, meus filhos, a glória desse sucesso. Quanto a mim, não sou senão um pecador e um servo inútil. Ele é Quem faz as grandes maravilhas”.

São Nicolau foi encarcerado na perseguição de Diocleciano, sendo libertado depois, com a ascensão do imperador Constantino.

Narra-se também que Nicolau apareceu em sonhos a este imperador, increpando-o por ter condenado injustamente à morte três de seus comissários. Acordando, o imperador chamou seus secretários para cientificar-se do ocorrido. E suspendeu a sentença contra aqueles inocentes.
Narra a legenda que, numa época de muita fome, um açougueiro atraiu três meninos para sua casa, matou-os e pôs os corpos num barril, querendo vender a carne como sendo de porco. São Nicolau, visitando a região à procura de alimentos para seu povo, conheceu o horrível crime do açougueiro e, com suas preces, ressuscitou os três meninos.3 Essa lenda correu o mundo e permaneceu, por exemplo, numa singela canção infantil que as crianças francesas cantavam até há pouco.
Um biógrafo do santo, o arquimandrita (superior de um mosteiro na Igreja Oriental) Miguel, narra assim sua morte: “Havendo regido a Igreja metropolitana de Mira e embalsamado o país com o perfume de uma santíssima vida sacerdotal, trocou esta vida perecedoura pelo repouso eterno” por volta do ano 341.4

Suas relíquias são preservadas na igreja de São Nicolau, em Bari. E até hoje uma substância oleosa — conhecida como Maná de São Nicolau, altamente apreciada por seus poderes medicinais — emana delas.5

Devoção ao santo no Oriente e no Ocidente

No império bizantino, São Nicolau de Mira era venerado como um dos mais poderosos auxiliares do povo cristão. No século VI, o imperador bizantino Justiniano I construiu em Constantinopla uma basílica em sua honra. São João Crisóstomo o colocou em sua liturgia com a bela invocação: “Cânone da fé, imagem da mansidão, mestre da continência, chegaste à região da verdade. Pela humildade conseguiste o mais sublime, pela pobreza o mais opulento. Pai Nicolau, sê o nosso legado para com Jesus Cristo, para que consigamos a salvação de nossas almas”.6
Seu culto chegou à Itália em 1087, quando mercadores italianos roubaram suas relíquias e as levaram para Bari. Daí seu culto chegou à Alemanha durante o reinado de Oton II (955-983). Nesse tempo, o bispo Reginaldo de Eichstaedt (+ 991) escreveu sua vida, que se tornou muito popular. São Nicolau tornou-se também o patrono de vários países da Europa, como a Grécia, a Rússia (é patrono de Moscou), o Reino de Nápoles, a Sicília, a Lorena, e também de várias cidades da Itália, da Alemanha, da Áustria, da Bélgica, da Holanda e da Suíça.

Na Holanda ele é conhecido como Sinterklaas. Representam-no montando um cavalo branco, mitra sobre a cabeça e empunhando um báculo dourado. Segundo uma legenda, ele cavalga sobre os telhados, acompanhado de seu escudeiro Pikkie, um mouro terrível que põe num saco os meninos maus. São Nicolau visita as casas, perguntando: “Há aqui algum menino mau?” Todos respondem: “Não, Sinterklaas, aqui todos somos bons”. “Todos?” — pergunta o bispo. “Sim, Sinterklaas”. Então o santo distribui bombons a todas as crianças. Quando alguma delas não se portou bem durante o ano, em vez de bombom, o santo dá-lhe um pedaço de carvão. O mesmo ocorre no sul da Alemanha, país onde está havendo uma sadia reação contra a intromissão do Papai Noel nas festas natalinas e um ressurgir da tradição do Sinterklaas, cheia de encanto, inocência e autêntico espírito católico.

Investida anticatólica contra São Nicolau

Nos Estados Unidos e em muitos outros países, São Nicolau foi substituído pelo comercializado Papai Noel. E o espírito religioso do Natal lamentavelmente vai se extinguindo, dando lugar a outro, comercial e materialista.

Entretanto, surgiu recentemente em algumas zonas da Alemanha, um movimento popular propugnando o retorno da tradicional figura de São Nicolau nas festas natalinas e a proibição do Papai Noel — personagem imposto pela propaganda neopagã para eliminar a benéfica e secular influência católica do Santo bispo de Mira nas comemorações do nascimento do Divino Infante.

Notas:
1. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1949, tomo VI, p. 365.
2. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, vol. XIV, p. 87.
3. Cfr. http://en.wikipedia.org/wiki/Saint_Nicholas#cite_ref-6.
4. Edelvives, op. cit. p. 369.
5. Cfr. Michael T. Ott, Saint Nicholas of Myra, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
6. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo IV, p. 483.

FONTE:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pe. David Francisquini, Parabéns!


Minha homenagem ao Padre David Francisquini. Desejo que Nossa Senhora o cumule com as mais escolhidas, grandiosas e especiais graças e bençãos.

Fonte do quadro acima com foto:

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tradição: preciosidade sem igual



Quantas coisas Nosso Senhor nos ensinou. Quantas coisas a Santa Igreja Católica nos continua ensinando. Estava lendo o evangelho de São João que termina com esse ensinamento:

Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever. (Evangelho de São João, capítulo 21, versículo 25).

De fato o que consta nas Sagradas Escrituras é muito pouco perto do que Nosso Senhor ensinou. É como se quisesse colocar Deus Omnipotente e Infinito dentro de um livro. Então como conhecer as outras verdades que não estão escritas no Evangelho? É fácil de responder. Aprendemos através da Tradição que nos é ensinada de geração em geração. Por isso a Tradição é muito importante. Especialmente importante o Magistério Tradicional da Igreja. Nosso Senhor prometeu a assistência do Espírito Santo à sua Igreja. Iluminada pelo Espírito Santo a Santa Igreja Católica Apostólica Romana - fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo - nos ensina as verdades da fé.

Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.
(Evangelho de São João, capítulo 14, versículos 25 e 26).

Vejamos o que nos ensina o CATECISMO:

§ 4º - Da Sagrada Escritura

As verdades que Deus revelou estão contidas na Sagrada Escritura e na Tradição.

A Sagrada Escritura é a coleção dos livros escritos pelos Profetas e pelos hagiógrafos, pelos Apóstolos e Evangelistas por inspiração do Espírito Santo, e recebidos pela Igreja como inspirados.

Ela se divide em duas partes: Antigo e Novo Testamentos.

O Antigo Testamento contém os livros inspirados escritos antes da vinda de Jesus Cristo. O Novo Testamento contém os livros inspirados escritos depois da vinda de Jesus Cristo.

A Sagrada Escritura chama-se comumente com o nome de Bíblia Sagrada. A palavra Bíblia quer dizer coleção dos livros santos, o livro por excelência, o livro dos livros, o livro inspirado por Deus.

A Sagrada Escritura é chamada o livro por excelência por causa da excelência da matéria de que trata e do Autor que a inspirou.

Na Sagrada Escritura não pode haver nenhum erro, porque, sendo toda inspirada, o Autor de todas suas partes é o próprio Deus. O que não impede que, nas cópias e traduções da mesma, possa ter-se dado algum engano dos copistas ou dos tradutores. Porém, nas edições revistas e aprovadas pela Igreja Católica, não pode haver erro no que refere-se à fé ou à moral.

A leitura da Bíblia não é necessária a todos os cristãos, instruídos como o são pela Igreja; no entanto, é muito útil e recomendada a todos.

Podem-se ler as traduções em vernáculo da Bíblia que são reconhecidas como fidedignas pela Igreja Católica e venham acompanhadas de explicações aprovadas pela mesma Igreja.

Só se podem ler as traduções que são aprovadas pela Igreja, porque só Ela é a legítima custódia da Bíblia.

O verdadeiro sentido das Sagradas Escrituras, só o podemos conhecer por meio da Igreja, que não pode errar ao interpretá-las.

Se a um cristão for oferecida a Bíblia por um protestante ou por qualquer emissário dos protestantes, deve-se rejeitá-la com horror, porque é proibida pela Igreja; e se a tiver recebido sem notar, deverá logo lançá-la nas chamas ou entregá-la ao próprio pároco.

A Igreja proíbe as Bíblias protestantes, porque ou são alteradas e contêm erros, ou então, faltando-lhes aprovação e as notas explicativas das passagens obscuras, podem causar dano à Fé. Por isso a Igreja proíbe também as traduções das Sagradas Escrituras já aprovadas por ela, mas reimpressas sem as explicações aprovadas pela mesma Igreja.

§ 5º - Da Tradição

A Tradição é a palavra de Deus não escrita, mas comunicada de viva voz por Jesus Cristo aos Apóstolos, e que chegou sem alteração até nós, de século em século, por meio da Igreja.

Os ensinamentos da Tradição acham-se principalmente nos decretos dos Concílios, nos escritos dos Santos Padres, nos atos da Santa Sé, nas palavras e nos usos da sagrada Liturgia.

A Tradição deve ter-se na mesma consideração em que se tem a palavra de Deus revelada, contida na Sagrada Escritura.


(fonte: Catechismo Maggiore promulgato da San Pio X, Roma, Tipografia Vaticana, 1905, Edizione Ares, Milano, pp. 198-202)

CEDIDO GENTILMENTE POR BLOG "O COMBATE"
http://ograndecombate.blogspot.com/2011/01/as-sagradas-escrituras-e-tradicao.html