Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

São João, o Teólogo



Há um mistério sobre São João, o discípulo amado de Jesus. Uns dizem que São João não passou pela morte, outros dizem que sim. Estaria São João no paraíso terrestre, juntamente com Santo Elias, sendo alimentado pelo fruto da vida? Ou será que está no céu e ainda retornará à Terra para uma missão especial?

Segundo bispo Polícrates de Éfeso em 190 (atestada por Eusébio de Cesareia na sua História Eclesiástica, 5, 24), o Apóstolo "dormiu" (faleceu) em Éfeso. Contudo, conta-se que a mesma estava vazia quando foi aberta por Constantino para edificar-lhe uma igreja.

Controvérsias são suscitadas baseadas nos próprios textos bíblicos que afirmam que este discípulo não passou pela morte, segundo a interpretação de alguns. Com efeito é possível ler:

Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu Reino. (Mateus 16,28)

De outra parte está também escrito nos Evangelhos:

Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: "Senhor, quem é o traidor?" Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: "E quanto a este?" Respondeu-lhe Jesus: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me."
Então, se tornou corrente entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não morreria. Ora, "Jesus não dissera que tal discípulo não morreria", mas: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?
(João 21,18-25)

No apocalipse, nas visões de São João, consta claramente:

Tomei então o pequeno livro da mão do anjo e o comi. De fato, em minha boca tinha a doçura do mel, mas depois de o ter comido, amargou-me nas entranhas.
Então foi-me explicado: Urge que ainda profetizes de novo a numerosas nações, povos, línguas e reis.
(Apocalipse, 10: 10-11)

Assim, com esta introdução farei mais duas postagens sobre a vida de São João Evangelista, o teólogo.

(ilustração de Gustave Dore)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Olhe para cima


Recebí de um amigo um e-mail com um pequeno texto, mas muito interessante. Desconheço o autor. Segue o texto:

Se você colocar um falcão em um cercado de um metro quadrado e inteiramente aberto em cima ele se tornará um prisioneiro, apesar de sua habilidade para o vôo. A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida, nessa pequena cadeia sem teto.

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso totalmente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair em um pote aberto ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto atirar-se contra as paredes do vidro.

Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se obstinadamente contra os obstáculos , sem perceber que a saída está logo acima.

Se você está como um zangão, um morcego ou um falcão, cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima!

E lá estará Deus e Cristo Jesus, à distância apenas de uma oração!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nossa Senhora do Ó


Certos nomes ou invocações de Nossa Senhora, pelo fato de os termos ouvido sempre, desde a infância, não nos chamam a atenção. Mas, para quem nunca os ouviu, parecem um tanto estranhos.

Fato muitas vezes embaraçoso para quem reside ao lado de uma imagem que sempre invocou e nem sabe qual a origem do nome. Foi o que aconteceu a um amigo com a invocação de Nossa Senhora do Ó. Tantas vezes a ouviu, e quando lhe perguntaram o significado dela, que perplexidade!

Ó Menino Jesus!

Após o pecado original, Deus prometeu a Adão que viria um Redentor. A humanidade ficou séculos esperando o nascimento dAquele que nos abriria as portas do Céu. Especialmente no povo eleito, havia os que aguardavam o nascimento desse Salvador, o Messias. E sobretudo esperava-O ardentemente uma donzela pertencente ao povo judeu: Maria Santíssima.

Para celebrar essa expectativa de Nossa Senhora, o anseio e a alegria com que Ela aguardava o nascimento de seu divino Filho, determinou a Igreja que a última semana antes do Natal fosse denominada “da expectação” ou “da esperança”. E que esses desejos estivessem refletidos nas antífonas do Ofício ou Breviário que devem rezar sacerdotes e religiosos.

Por coincidência, nessa mesma semana elas começavam todas por Ó!. Assim eram lidas as antífonas Ó! Sabedoria, Ó! Emmanuel, Ó! Rex Gentium, Ó! Adonai, Ó! Radix Jesse, Ó! Clavis David etc. Antífonas que terminavam todas com a invocação “Veni”, vinde.

Tais súplicas ardentes para que viesse logo o Salvador do mundo, a Santa Igreja as extraiu das mais notáveis passagens da Sagrada Escritura, nas quais os Patriarcas e Profetas manifestam seus desejos de que nascesse o quanto antes o Redentor.

Se eles manifestavam assim tais desejos, quanto mais não os manifestaria Nossa Senhora, que sabia estar tão próximo o nascimento do Messias! E se eles diziam: Ó! Senhor, vinde logo, com quanta mais fé Nossa Senhora não diria o mesmo! Desse pensamento piedoso nasceu a devoção a Nossa Senhora do Ó.

Uma devoção que sobrevive à transformação da cidade de São Paulo

Na capital paulista, a paróquia da Freguesia do Ó, e o bairro nascido em torno dela, devem seu nome a essa invocação. Já em 1618, havia sido construída uma capela com tal nome numa aldeia de índios próxima a Piratininga pelo bandeirante Manuel Preto. Mas com o aumento da população foi necessário edificar novo templo, concluído em 1795. Essa nova igreja incendiou-se no final do século XIX, tendo sido substituída pela atual, que data de 1901.

Se esse templo falasse, poderia narrar as incríveis transformações que viu se realizarem a seu redor... Em todo caso, é reconfortante ver ainda hoje a torre da igreja com seus anjos tocando trombeta para celebrar a alegria da Virgem que vai dar à luz.
Devoção antiga em três outros Estados brasileiros

Se bem não haja documentos que o comprovem, parece ter sido em Olinda que começou essa devoção no Brasil. Isto porque existe uma imagem que consta ter sido levada lá por ocasião da fundação da cidade. Talvez a tenha conduzido algum devoto português de Évora ou Torres Novas, locais onde tal devoção é muito difundida. Em todo caso, é certo que já em 1709 a imagem encontrava-se no local.

No Rio de Janeiro, existiu uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora do Ó, na Várzea, junto ao morro de São Januário e da praia, que foi construída após a reconquista da cidade das mãos dos franceses calvinistas.

Na cidade de Sabará, em Minas Gerais, a devoção foi levada àquela região pela família do bandeirante Bartolomeu Bueno, a qual construiu no século XVIII uma igreja com a mesma invocação.

Portanto, em vários lugares do território nacional a devoção tem origem muito antiga.

E se, infelizmente, em alguns locais a devoção desapareceu, em outros mantém-se até o presente.

Também na América hispânica a devoção se difundiu, o que não é de estranhar, uma vez que foi um espanhol do século VII, Santo Ildefonso, Bispo de Toledo, na Espanha, quem pela primeira vez mandou festejar tal invocação.

E foi especialmente no Peru que a devoção vingou, graças ao empenho dos padres jesuítas. Estes fundaram em Lima, na igreja de San Pedro y San Pablo, uma confraria à qual pertenceu grande parte da classe alta da cidade, tendo vários Vice-reis ingressado nela. Esta confraria, que começou com apenas 12 pessoas e poucos recursos, foi crescendo até contar atualmente com centenas de associados e um capital considerável.

Infelizmente, tanto no exterior quanto no Brasil a devoção foi decaindo, por motivos vários. Dentre eles, convém assinalar o fato de o homem moderno ter o coração fechado para as alegrias inocentes, como é a alegria do Natal, ou a alegria da mãe que espera o nascimento de seu filho. Quantos homens não sentem mais nenhuma alegria no Natal, quando antes o esperavam ansiosos na infância!

Concluímos com uma proposta: assim como Nossa Senhora, na expectativa do nascimento do Salvador, rogava Ó! Senhor, vinde logo! – também nós devemos, hoje mais do que nunca, suplicar: “Ó! Senhora, vinde logo! Antes havia a expectativa da vinda de Vosso divino Filho. Hoje, grande é a expectativa de que se cumpram as profecias que anunciastes em Fátima no ano de 1917. Não tardeis!”

Bibliografia:
Ruben Vargas Ugarte, S.J. Historia del Culto de María en Iberoamérica y de sus Imágenes y Santuarios más celebrados, Madrid, 1956, Tomo II, 3a edição.
Nilza Botelho Megale, Cento e doze invocações da Virgem Maria no Brasil, Ed. Vozes, 2a edição, Petropolis, 1986.
Edésia Aducci, Maria e seus gloriosos títulos, Ed. Lar Católico, 1a edição, 1958.


(Revista Catolicismo: fevereiro de 2000)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O demônio esclareceu


Nem o demônio é ateu, pois ele viu Deus. Mas uma coisa é certa: a maior "armadilha" do demônio é fazer crer que ele mesmo não existe. Por isso ele se esconde, não quer aparecer, apesar do seu desejo profundo: ser "senhor" deste mundo. Se ele aparecesse, certamente os homens veriam que ele existe e portanto se converteriam e isso o demônio jamais quereria. Por isso, se ele aparecesse, deveria aparacer como um "homem bom", para que pudesse atrair o maior numero de pessoas para suas falsas doutrinas (muito bem pensadas e articuladas). Portanto, não se iludam com as aparencias, não se iludam com "charmes" ou "cara de bonzinho". AS VERDADES DE SEMPRE SÃO ETERNAS. Deus não muda - diz Santa Teresa.

Recebí um e-mail muito interessante, embora não dissesse o autor do texto, resolvi publicá-lo:

Entrevista com o demônio:

QUEM O CRIOU?
Lúcifer : Fui criado pelo próprio Deus, bem antes da criação do homem. [Ezequiel 28:15]

COMO VOCÊ ERA QUANDO FOI CRIADO?
Lúcifer : Vim à existência já na forma completa e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e minhas “vestes” foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28:12,13]

ONDE VOCÊ MORAVA?
Lúcifer : No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28:13]

QUAL ERA SUA FUNÇÃO NO REINO DE DEUS?
Lúcifer: Como serafim, minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Varri, com minha calda, um terço deles e os atirei à terra. [Ezequiel 28:14; Apocalipse 12:4]

ALGUMA COISA FALTAVA A VOCÊ?
Lúcifer : (reflexivo, diminuiu o tom de voz) Não, nada!

O QUE ACONTECEU QUE O AFASTOU DA FUNÇÃO DE MAIOR HONRA QUE UM ANJO PODERIA TER?
Lúcifer : Não aconteceu de repente. Um dia eu me vi, como num espelho, e percebi que sobrepujava os outros anjos (talvez não a Miguel ou Gabriel) em inteligência, beleza e força. Comecei então desejar ser adorado como deus. Do desejo passei à revolta contra Deus, com o brado “Non serviam” (Não servirei). Travei, com meus seguazes, uma enorme batalha no Céu, contra São Miguel e seus seguidores. Num determinado instante fomos precipitados para a terra e para o inferno, expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14:13,14; Ezequiel 28: 15-17]

O QUE DETONOU FINALMENTE A SUA REBELIÃO?
Lúcifer : Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por conseqüência, superior a mim, não consegui aceitar. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu espírito. [Isaías 14:12-14]

O QUE ACONTECEU COM OS ANJOS SEUS SEQUAZES?
Lúcifer : Eles me seguiram e também foram expulsos. Formamos, juntos, o império das trevas. [Apocalipse 12:3,4]

COMO ENCARAS O HOMEM?
Lúcifer : (com raiva) Tenho ódio de toda criatura humana e faço tudo para perdê-las, pois eu as invejo. Eu é que deveria ser semelhante a Deus. [1Pedro 5:8]

QUAIS SÃO SUAS ESTRATÉGIAS PARA PERDER OS HOMENS?
Lúcifer : Meu objetivo maior é afastá-los de Deus. Eu estimulo a praticar o mal e confundo suas idéias com um mar de filosofias, pensamentos e religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades. Envio meus mensageiros travestidos, para confundir aqueles que querem buscar a Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto. E tem mais. Faço com que a verdadeira mensagem de Jesus Cristo pareça anacrônica, tento estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para desvirtuar e enfraquecer a verdadeira igreja, lançando divisões, desânimo, adultério, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de dedicação (ri às escaras). Tento destruir a vida dos pastores, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus e orgulho. [1Pedro 5:8; Tiago 4:7; Gálatas 5:19-21; 1 coríntios 3:3; 2 Pedro 2:1; 2 Timóteo 3:1-8; Apocalipse 12:9]

E SOBRE O FUTURO?
Lúcifer : (com o semblante de ódio) Eu sei que não posso vencer a Deus e por fim irei definitivamente ao lago de fogo, minha prisão eterna. Eu e meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas conosco. [Ezequiel 28:19; Judas 6; Apocalipse 20:10,15]

(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Mercador de Sonhos

Entrei e no meio da sala, mal iluminada e forrada de tapetes amarelos, avistei um homem alto, pálido, de barbas grisalhas, que se dirigiu para mim vagarosamente. Ostentava largo turbante de seda branca, onde cintilava uma pedra que não pude classificar. No seu semblante havia cansaço e esse não sei quê de misterioso notado em todos quantos mercadejavam com a magia. Era o famoso feiticeiro hindu. Os marroquinos do bairro, com aquela precisão com que o vulgo geralmente apelida os tipos populares, haviam-no denominado “o mercador de sonhos”.

— Que desejais, ó jovem? — perguntou, fitando em mim os seus olhos negros e perspicazes.

— Afirmaram-me — respondi — que o senhor possui, graças a certos fluidos mágicos, o estranho poder oculto de fazer com que uma pessoa tenha o sonho que quiser. Sou curioso. Quero experimentar os encantos de sua magia, a força de seus fluidos maravilhosos. Quero sonhar.

— É verdade! É verdade — confirmou o mago indiano. — Tenho, realmente, esse dom raro e precioso de poder proporcionar às pessoas que me procuram todas as alegrias e todos os prazeres de um sonho desejado.

E, apontando para uma larga poltrona escura que estava a um canto, disse-me com gentileza:

— Senta-te e dize-me: com quem desejas sonhar? Que espécie de sonho mais te agrada, ó maometano?

Contei-lhe então o motivo único da minha visita àquele antro misterioso da magia-negra.

— Antes de tudo — comecei — devo dizer-lhe que sou um indivíduo excessivamente romântico e idealista. Sempre senti a forte atração das fantasias. Ultimamente, durante uma festa militar em Marraqueche, conheci certa jovem cristã, filha de um francês de alta linhagem, que exerce funções diplomáticas na corte do sultão. Apaixonei-me loucamente por ela, mas não sei ainda se sou correspondido. Não obstante, desejo sonhar uma vez ao menos com a minha amada, um sonho claro e perfeito! Nesse sentido já fiz o possível, mas os meus sonhos povoam-se de imagens quase sempre desconexas, em meio das quais nunca vislumbrei a dona dos meus enlevos, a inspiradora do meu grande amor!

— E qual é o nome dessa jovem ideal? — perguntou-me o feiticeiro.

— Susana de Plassy.

— Curioso — observou o famoso ocultista, passando vagarosamente a mão larga pela testa bronzeada — muito curioso! Ontem, ao cair da tarde, fui procurado por uma jovem cristã que aqui apareceu acompanhada por uma escrava moura: a minha formosa visitante pediu-me que a fizesse sonhar com um dos oficiais da guarda do sultão, Omar Ben-Riduan! Indaguei do seu nome e soube que a jovem se chamava Susana de Plassy!

Ao ouvir semelhante revelação, um frêmito me percorreu o corpo todo e levantei-me como se fosse impelido por alguma possante mola de aço.

— Omar Ben-Riduan? Omar Ben-Riduan é o meu nome! Omar Ben-Riduan sou eu! Se ela pediu que a fizesse sonhar comigo, é certo que me ama também.

— Felicito-o, ó jovem — replicou o indiano, batendo-me, carinhoso, no ombro. — É muito raro ver-se uma formosa cristã apaixonada por um muçulmano. Bem sabes o imenso abismo que separa os adeptos de Mafoma daqueles que professam a religião de Jesus!

Louco de alegria, atirei um punhado de ouro ao velho feiticeiro e corri para casa. Sentia-me alucinado como se estivesse sob a ação perturbadora de forte dose de haxixe.

Reuni alguns de meus mais íntimos, contei-lhes o que havia ocorrido e pedi-lhes que me ajudassem a encontrar uma solução para o meu caso sentimental.

El Hadj Ben Cherak, homem sensato e muito relacionado na alta-sociedade marroquina, disse-me, sem hesitar:

— Conheço muito bem o pai de tua apaixonada. É um cristão mau como um emir e mais orgulhoso do que um paxá. Detesta os árabes e jamais consentirá que sua filha se case com um muçulmano! Só vejo, portanto, uma solução: terás de raptar a jovem Susana! E isso só conseguirás com a sua cumplicidade!

Seguindo o conselho do prudente Ben-Cherak, fiz, naquela mesma tarde, os preparativos para a minha fuga.

Já tarde da noite, chegou à minha casa, de volta, o portador que eu enviara ao rico palacete do nobre francês. Fui então informado de que Susana oito dias antes havia partido para a Europa, a fim de lá se casar com um fidalgo escocês.

Percebi, no mesmo instante, que fora vítima de vergonhosa mistificação do indiano.

Revoltado e furioso por causa do papel ridículo que havia feito, voltei novamente ao antro do intrujão, resolvido a tirar tremenda desforra.

O velho hindu — depois de atender a vários clientes que o esperavam — recebeu-me calmo, cínico, o semblante plácido de quem nunca praticara ação censurável.

Gritei-lhe, ameaçando-o com o punho fechado:

— Miserável! Por que mentiu? Susana nunca veio aqui a este antro nojento!

— Vamos devagar, meu jovem amigo — replicou o charlatão, imperturbável, segurando-me pela mão que o ameaçava. — Não fiz senão o que tu me pediste. Vi, casualmente, o teu nome gravado no cabo do rico punhal que trazes à cinta. Jogando facilmente com o teu nome, pude proporcionar-te o encanto de uma ilusão efêmera. Menti para que pudesses não somente sonhar com um amor impossível como também acreditar nele!

E concluiu, sardônico, terrível:

— Afinal, o que vieste buscar aqui? Não foi um sonho? Não foi uma ilusão? Pois bem, eis, precisamente, o que te vendi: Um sonho... uma ilusão...

(Fonte: Minha Vida Querida – Os segredos da alma feminina nas lendas do Oriente – Malta Tahan.)

(Ilustrações de : Calmon Barreto, Solon Botelho e Renato Silva)

NOTA DO BLOG: Outro dia uma amiga veio até mim cheia de tristeza, dizendo que havia conhecido uma pessoa pela internet e se apaixonado. Posteriormente ao marcar um encontro percebeu que as palavras doces que facilmente eram “tecladas” não correspondiam à realidade da pessoa que conheceu. Meus amigos e minhas amigas, a internet também não é um “mercador de sonhos”? Fiquemos atentos. Veja também:
http://jovensenamoros.blogspot.com/2010/12/principe-encantado-ou-princesa.html

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cristo Redentor - 80 anos


ALMAS CASTELOS DEIXA UMA NOTA: O Cristo Redentor que está no alto do Corcovado é o símbolo da fé brasileira. Por mais que circunstâncias adversas possam fazer parecer que os nossos dias estão entregues às forças do mal, a Fé do povo brasileiro é ainda maior; pois, por sua Fé, o povo brasileiro escreveu sua própria história e é por sua Fé imensa que os horizontes históricos nos prometem a grandeza deste Brasil de dimensões continentais.

A imagem do Cristo Redentor que está no alto do Morro do Corcovado, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, foi inaugurada no dia 12 de outubro de 1931, exatamente às 19 horas e 15 minutos, depois de cinco anos de obras. Está a 709 metros do nível do mar. A imagem tem 38 metros de altura, sendo que oito são do pedestal, e tendo a largura (mão a mão) de 30 metros, sendo a segunda maior estátua de Cristo no mundo, atrás apenas da Estátua de Cristo Rei, na Polônia.

O padre lazarista Pedro Maria Boss, ao chegar da França, ficou encantado com as belezas naturais do Rio de Janeiro, de tal forma que, em 1859, sugeriu à Princesa Isabel a colocação de uma imagem de Jesus Cristo no alto do Morro no Rio de Janeiro. O projeto ia muito bem quando houve a proclamação da república e a nossa grande Princesa Isabel teve que sair do Brasil. Logo depois o padre Pedro faleceu. E assim o projeto ficou parado somente sendo retomado em 1921, quando se iniciaram os preparativos para as comemorações do centenário da Independência. Na época o episcopado, na figura maior do Cardeal Arcebispo Sebastião Leme, fez um abaixo assinado exigindo a construção do Cristo Redentor. A inauguração suscitou uma onda de fé jamais vista no país. Peregrinos chegavam de todas as partes para reunir-se em cortejos, orações e missas ministradas em diferentes pontos da cidade.
Uma liturgia pela reafirmação de Cristo como rei do Brasil, condição coibida logo após a proclamação da República, quando, com a decretação da separação entre a Igreja e o Estado, garantiu-se a liberdade religiosa.

A estrada de rodagem que dá acesso ao local onde hoje se situa o Cristo Redentor foi construída em 1824, e em 1882 Dom Pedro II autoriza a construção da Estrada de Ferro do Corcovado, que começa a funcionar em 1884 no trecho Cosme Velho Paineiras. Um ano mais tarde é inaugurado o trecho final da estrada de ferro, ligando as Paineiras ao topo do morro. A extensão total da ferrovia é de 3800 metros, foi a primeira ser eletrificada no Brasil em 1906.

A construção do Cristo Redentor ainda é considerada uma dos grandes capítulos da engenharia civil brasileira. O dono do projeto levou sua vida inteira construindo a estátua, que foi construída em concreto armado e revestida de pedra sabão.

Dentre as pessoas que colaboraram para a realização, podem ser citados o engenheiro Heitor da Silva Costa (autor do projeto escolhido em 1923), o artista plástico Carlos Oswald (autor do desenho final do monumento) e o escultor francês de origem polonesa Paul Max Landowski.

Na cerimônia de inauguração, no dia 12 de outubro de 1931, estava previsto que a iluminação do monumento seria acionada a partir da cidade de Nápoles, de onde o cientista italiano Guglielmo Marconi emitiria um sinal elétrico que seria retransmitido para uma antena situada no bairro carioca de Jacarepaguá, via uma estação receptora localizada em Dorchester, Inglaterra, tudo a convite de Assis Chateaubriand. No entanto, o mau tempo impossibilitou a façanha e a iluminação foi acionada diretamente do local. O sistema de iluminação original foi substituído duas vezes: em 1932 e no ano 2000.

Antes mesmo de ser construído, o Cristo Redentor era motivo de acaloradas discussões que dividiam o país entre católicos, protestantes e cidadãos sem religião. Foi preciso muita Fé e muita oração.

FONTES:

Wikipédia, a enciclopédia livre

Rádio FM: CBN (dia 04/10/2011)

Desconheço a autoria da foto - retirada da internet.

sábado, 1 de outubro de 2011

O cego Bartimeu


Ninguém sabe quanto tempo se assentou na estrada poeirenta de Jericó, com a mão estendida, em busca de esmolas, o pobre cego Bartimeu. Acostumara-se com as rudes multidões que passavam gritando e praguejando; de vez em quando recebia de um viajante piedoso uma ou outra moeda. Naquele dia, porém, havia uma agitação geral e desusada. Transeuntes se apressavam, falando em altas vozes.
O cego indaga.

- É Jesus, o Nazareno, que vai passar – responderam.

A vibração do nome de Jesus trouxe grande esperança ao coração do mendigo Era Jesus o amigo dos cegos, dos pobres, dos transviados! Era Jesus, o grande Médico.

Então clamou, com a alma invadida pela fé:

- Jesus, filho de David! Tem misericórdia de mim!

Os indiferentes riem-se dele e ferem-no com chacotas.
Nenhuma força, porém pode abater o ânimo do pobre:

- Jesus, filho de David! Tem misericórdia de mim!

Um fariseu que passava empurra-o impiedoso com o pé:

- Cala-te, miserável!

Nada, porém, seria capaz de abalar a fé que vivia no coração do cego. Ei-lo que continuava, com fervor:

- Jesus, filho de David! Tem misericórdia de mim!

Alguém da multidão, dele se aproxima, e diz-lhe:

- Levanta-te, Bartimeu, que Ele acaba de chamar por ti!

E o infeliz Bartimeu, lançando de si a capa que trazia ao ombro, levantou-se e foi ter com Jesus.

- Que queres que te faça? – perguntou-lhe Jesus.

- Eu quero ver, Senhor! Eu quero ver!

Respondeu o Mestre:

- A tua fé te salva!

E a treva que esmagava os olhos de Bartimeu se transformou em luz!

Somos hoje gratos ao Bartimeu, pela importante lição de fé que nos legou. Ela nos ajuda a reconhecer que Jesus, o Salvador, passa ainda e passará sempre; que toma cuidado de nós, e responde a cada sincero clamor que Lhe é dirigido.

Em Vós, meu bom Jesus, tenho posto toda a minha vida, todos os meus sonhos e toda a minha esperança; em Vós confio e tenho confiado sempre, em Vós perco de tudo o medo. Só o Vosso Nome adorado livra o meu espírito das dúvidas e traz alívio ao meu coração. Por Vós, Senhor, esqueço e bendigo as dores que afligem o meu pobre corpo. E quando tudo for contra mim, Vós, meu bom Jesus, sereis por mim.

(Lendas do céu e da terra)

NOTA DO BLOG: Não só a cegueira do corpo nos faz mal, mas a cegueira da alma. Quantas vezes pedimos cura de uma dor, para que continuemos nossa vida de pecados? Queremos ter saúde para continuar vivendo nossa vida de felicidades e prazeres. A maior ferida é a ferida da alma. Peçamos a Deus para que nos cure dessa ferida, dessa cegueira da alma e que a graça nos faça ter uma vida de virtudes e toda dedicada a Deus.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Povo e Massa


Achei que deveria fazer esta postagem para tentar explicar a importância do contador de história. O contador de história, na conotação que dou, tem a pretensão de formar, de orientar, de instruir. Deus criou o homem para que governasse esse mundo, e no entanto os males do mundo escravizaram o homem e o diminuíram para um “mero número na massa”.

Nosso Senhor Jesus REINA sobre seu POVO, não sobre a MASSA.

E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo (Miq 5,2). (São Mateus 2,6)

No entanto o que é o ser humano de hoje? Já ouviram essas expressões: Televisão = meio de comunicação de Massas. Ônibus ou metrô = meio de transporte de Massas, etc...?

VEJAMOS O ENSINAMENTO DOS PAPAS:

Povo e massa, na descrição de Pio XII:

O contraste entre as duas concepções foi magnificamente exposto por Pio XII quando descreveu a diferença entre povo e massa:

O Estado não contém em si e não reúne mecanicamente num dado território uma aglomeração amorfa de indivíduos. Ele é, e na realidade deve ser, a unidade orgânica e organizadora de um verdadeiro povo.
Povo e multidão amorfa, ou, como se costuma dizer, “massa”, são dois conceitos diversos. O povo vive e se move por vida própria; a massa é de si inerte, e não pode ser movida senão por fora. O povo vive da plenitude da vida dos homens que o compõem, cada um dos quais – em seu próprio posto e a seu próprio modo – é uma pessoa consciente das próprias responsabilidades e das próprias convicções. A massa, ao invés, espera o impulso de fora, fácil joguete nas mãos de quem quer que desfrute seus instintos ou impressões, pronta a seguir, vez por vez, hoje esta, amanhã aquela bandeira. Da exuberância de vida de um verdadeiro povo a vida se difunde, abundante, rica, no Estado e em todos os seus órgãos, infundindo-lhes com vigor incessantemente renovado a consciência da própria responsabilidade, o verdadeiro senso do bem comum. Da força elementar da massa, habilmente manejada e utilizada, o Estado pode também servir-se: nas mãos ambiciosas de um só ou de vários que as tendências egoísticas tenham agrupado artificialmente, o mesmo Estado pode, com o apoio da massa, reduzida a não mais que uma simples máquina, impor seu arbítrio à parte do verdadeiro povo: em conseqüência, o interesse comum fica gravemente e por largo tempo atingido e a ferida é bem freqüentemente de cura difícil.


(Pio XII. Radiomensagem de Natal de 1944 – Discorsi e Radiomessaggi, vol. VI, págs. 238-239)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A tristeza má


A tristeza má abate a alma, faz perder a confiança em Deus, o gosto da oração e dos outros tantos exercícios, e procura os recursos exteriores, para distrair-se do que interiormente sofre. A tristeza boa, pelo contrário, se quereis chamar tristeza a esta pena cristã, conduz à oração e ao fervor no serviço de Deus, derrama na alma uma unção divina, e fá-la procurar solidão e a conversa com Deus. Com Quem acha a mais suave consolação.

Afastemos de nós a tristeza má nos momentos em que o nosso coração se enche de sombras e de dúvidas.

Não se nega a existência do Sol, por estar o dia escuro nem se deixa de contar com o Sol para outros dias. Os momentos tristes são nuvens em nosso céu espiritual. Não devemos dar-lhes importância excessiva. É claro que ninguém deve deixar de confiar em Deus, por nos ficar provisoriamente obscurecido por essas nuvens.

“A tristeza que vem de Deus, diz São Paulo, opera o arrependimento para a salvação: e a tristeza que vem do mundo, opera a morte”. A tristeza pode, pois, ser boa ou má, segundo os efeitos que em nós produz. É verdade que há mais efeitos maus do que bons: porque só há dois bons: arrependimento e misericórdia, e seis maus: angústia, preguiça, indignação, inveja, impaciência e ciúme.

É por isso que diz o sábio: “A tristeza mata muita gente e nada com ela ganhamos”.

(Lendas do Céu e da Terra)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um presente - um selo

Esse selo foi idealizado por Jonathan Cruz, no intuito de incentivar os comentários. Acredito que "comentar" não seja apenas escrever na postagem do Blog, mas também comentar com outras pessoas sobre as publicações ajudando assim no apostolado. O comentário na própria postagem tanto serve para o autor do Blog quanto para quem visita; o comentário é uma complementação da postagem.
Porém a difusão das postagens, torna o Blog conhecido e atrai outras pessoas para as quais o conteúdo do blog possa fazer algum bem.

Quem me presenteou com este significativo selo foi o amigo João Batista do maravilhoso Blog
http://jbpsverdade.blogspot.com/

Agradeço o presente e repasso este selo a todos os que visitarem meu blog. Eu seria injusto se indicasse apenas alguns blog para receber o selo. Todos os meus amigos e amigas tem blogs maravilhosos, portanto presenteio a todos que quiserem com esse significativo selo.

domingo, 4 de setembro de 2011

O despertar da águia


Um caçador canadense descobriu, casualmente, um ninho de águias, construído numa alta rocha nas vizinhanças da choupana a que se abrigava.

Tirando, do ninho, um filhote ainda implume, levou-o para casa e deixou-o no terreiro entre os pintinhos. Ali, contentando-se em viver com os filhotes de galinha, esqueceu, por algum tempo, o fero instinto de ave de rapina.

Um dia, quando repousava tranqüila à luz do sol, outra águia passou em garboso vôo sobre o terreiro. Estranha agitação dominou a nossa aguiazinha aquintalada; desdobrou as asas, saltitou nas pontas dos pés, e, vibrando agudo grito, voou no encalço da irmã, e em breve não era mais que um ponto negro na curva longínqua do horizonte.

Descobrira a prisioneira que não fora criada para viver nas estreitezas de um terreiro, senão para guindar-se às ampliações do céu, para pousar nas rochas ínvias e agasalhar-se nas lapas dos píncaros abruptos, vivendo, enfim, a vida plena de uma águia, para lá das nuvens, para além das tempestades.

Felicidade suprema, quando a criatura ouve o rumor das vozes divinas e sua alma é levada pelas grandiosas realizações da vida: quando sente as chamas do Amor de Deus e os seus santos apelos e deseja atingir as amplidões da Infinita Verdade!

Peço-Vos, piedosíssimo Deus meu, que me preserveis dos cuidados desta vida, para que neles não me embarace demasiadamente; das muitas necessidades corporais, para que não me torne escravo do pecado; de todos os óbices, que estorvam a alma, para que não sucumba ao peso de tantas angústias.

(autor: D. – “Lendas do Céu e da Terra”)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Cruz mais leve

Reza uma antiga lenda cristã que um jovem, convertido ao Evangelho, recebeu sua cruz para seguir, juntamente com outros peregrinos, pela estrada da Jerusalém Celeste. Torturava-o, porém, o peso da cruz que lhe fora confiada. E fatigava-o tanto a carga que ele se via forçado a descansar de quando em vez.

- Má sorte a minha – lamentava o moço – deram-me a mais pesada das cruzes.

Movido por um sentimento egoístico, lembrou-se, numas das moradas, de trocar a sua cruz por outra mais leve, dentre as que conduziam seus companheiros de jornada.

Aproveitando a escuridão da noite, pé ante pé, sem ser pressentido, foi ter ao sítio em que se achavam depositadas as cruzes e sopesando-as uma a uma, escolheu a que lhe parecia mais leve e tomou-a para si.

Ao outro dia, reiniciada a viagem, notou que ninguém se dizia prejudicado com a troca. Só então verificou que a cruz que ele escolhera, por ser a mais leve de todas era, justamente, a sua.

(Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Os quatro graus do amor humano


Sempre gostei muito de ler sobre a história da Igreja. E quantos livros temos sobre o assunto! Cada autor descreve com sua arte a trajetória brilhante da Santa Igreja Católica Apostólica Romana – fundada pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém um livro me chamou a atenção de uma forma particular: “Pelos Caminhos do Amor”, onde o autor começa descrevendo a História da Igreja com a narrativa de como poderia ter sido a Coroação de Nossa Senhora no Céu. O encontro com São José, seu castíssimo esposo; o encontro com seus pais São Joaquim e Santa Ana; as saudações dos profetas e todos os santos; um coro de anjos da mais alta hierarquia e uma música de indizível beleza de toda a corte celeste...

Logo em seguida o livro trata das atividades dos apóstolos, as heresias, os concílios, a conversão dos bárbaros, a Idade Média, até Lutero. Após comenta as intervenções de Nossa Senhora ao longo da História e suas diversas aparições.

Mas hoje vou transcrever apenas um trecho do seu prelúdio que trata dos quatro graus do amor humano, segundo São Bernardo de Claraval. Vejamos:

“São Bernardo de Claraval assim se manifestou: Desejais pois conhecer por mim, porque motivo e em que medida se deve amar a Deus? Eu lhes direi: o verdadeiro motivo para amar a Deus é que Ele é Deus.; a medida em que deveis amá-Lo, é amá-Lo sem medida. Terei dito bastante? Sim, talvez para os sensatos.”

Os quatro graus do amor humano:

“Primeiramente o homem ama-se a si próprio apenas por si; em seguida, ao descobrir que não pode estar só e que Deus lhe é necessário, principia a procurar o seu Criador e a amá-Lo como fonte de benefício para ele próprio; por fim, obrigado pelas suas necessidades a um convívio freqüente com Deus, em meditação, leitura, oração e obediência, termina por compreender a doçura do Senhor e atinge o terceiro grau, onde Deus é amado puramente por Si próprio, embora não amado exclusivamente. No quarto grau, o homem não se ama sequer a si próprio, senão por causa de Deus. Na verdade ignoro se este grau foi alguma vez plenamente alcançado na vida presente”.

“E ainda São Bernardo de Claraval demonstra, relativamente a intensidade do Amor Divino: E em que grau nos amou Deus? Deixemos que responda São João Evangelista: Tanto amou Deus o mundo que lhe deu o seu Filho Unigênito.” [...] “E o Filho (Nosso Senhor Jesus Cristo) diz DELE próprio: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”.

“Pelos Caminhos do Amor” de Jusan F. Novaes – 1ª edição, ano 1983 – com aprovação eclesiástica – NIHIL OBSTAT, IMPRIMATUR de Dom Antonio Afonso de Miranda SDN, Bispo Diocesano de Taubaté (Estado de São Paulo – Brasil).

sábado, 27 de agosto de 2011

Ícones bordados de Nossa Senhora – Parte 1


A palavra ícone vem do Grego "eikon" e significa imagem. Normalmente são pinturas em superfície de madeira ou em outro material. Poucos conhecem sua existência, mas quem entra na Igreja de São Bento, no centro da cidade de São Paulo (Brasil) há um ícone russo muito precioso da Madona de Kasperovo.

Trata-se do ícone de “Nossa Senhora de Kasperovskaia” que está embutido na primeira coluna à direita de quem entra pela porta principal da Basílica do mosteiro. Originalmente este ícone estava acomodado em um pequeno estojo em formato de pequeno oratório. O ícone foi doado ao Abade Dom Miguel Kruse, por um oficial russo, no início do Século XX em testemunho da gratidão pelos benefícios concedidos pelo abade aos refugiados do comunismo após a Revolução Russa de 1917.

Detalhes do ícone: Trata-se de uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus em seus braços. A imagem está envolta num magnífico véu composto de seis mil minúsculas pérolas de tamanhos diferentes e formas irregulares, que cobre a cabeça e o corpo do menino Jesus. Nos resplendores de metal esmaltado que circundam as cabeças de Nossa Senhora e do Menino Jesus, estão incrustados rubis e turquesas. À direita e à esquerda do quadro, no alto, vêem-se as palavras gregas “Mether Theou” – Mãe de Deus. Na parte inferior há uma legenda que identifica o ícone “Kasperovskaia P. B.” – Kasperovskaia quer dizer “da cidade de Kasperovo”, localizada a 10 km da província da Kherson na confluência do rio Danúbio com o mar Negro e P. B. são abreviaturas das palavras Presviataia Bogoroditza que significa “Santíssima Mãe de Deus”.

Eu estava preparando uma postagem com esse assunto, quando recebi um e-mail tendo em anexo um pps, com os mais belos ícones de Nossa Senhora bordados com contas. Trabalho magnífico, sem dúvida. Desconheço o autor de tal trabalho, mas coloco os créditos de quem os formatou na forma de pps (compaginación albanandy@hotmail.com). Deixo de fazer qualquer outro comentário, pois as fotos abaixo falam por si. Fica aqui uma sugestão para quem gosta de artesanato e quer ornar a imagem de Nossa Senhora. Vejamos.

Iconos bordados com cuentas:




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O anjo da guarda salva São Paulo


A missão do Anjo da Guarda é nos acompanhar e proteger nesta nossa vida. Muitas vezes temos a intervenção direta do nosso Anjo da Guarda e não percebemos isso. Em "Atos dos Apóstolos" 27, 22-24, vemos uma bonita narrativa de como o Santo Anjo da Guarda salvou São Paulo e outras 276 pessoas.

O Anjo de Deus preserva São Paulo e outras 276 pessoas do perigo iminente de naufrágio. Ia o Apóstolo a caminho de Roma, em um navio, mas um vento impetuoso tornou arriscada a navegação. Jogou-se a carga no mar; nem assim, meio da confusão geral, Paulo manteve-se calmo, sem temor. Por fim disse à tripulação:

Agora porém vos admoesto que tenhais coragem, pois não perecerá nenhum de vós... Esta noite apareceu-me um Anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, o qual me disse: Não temas, Paulo. Comparecerás diante de César, e Deus te concede a vida dos que navegam contigo.

E ninguém pereceu.

do livro: "Esta é a Hora dos Anjos..." Padre Pio e os Anjos - Giovanni P. Siena, páginas 50/51. Serviço de Animação Eucarística Mariana - Anápolis - Goias

terça-feira, 16 de agosto de 2011

São Vicente Ferrer, o Anjo do Apocalípse

São Vicente Ferrer nasceu em 1350, em Valência na Espanha. Estudou filosofia, teologia, exegese bíblica e sabia falar hebraico. Foi um religioso da ordem dos dominicanos.

Certo dia, estando em Avignon (França), caiu gravemente doente a ponto de quase falecer. Foi quando teve a visão de Nosso Senhor Jesus Cristo, acompanhado de São Domingos e São Francisco, conferindo-lhe a missão de pregar pelo mundo. Assim, repentinamente, recuperou a saúde.

Sua oratória, brilhante e cheia de fogo, mantinha entretanto a lógica imperturbável das argumentações escolásticas. Mas a atração que as pessoas sentiam por suas palavras era devida principalmente a dois fatores: a percepção da presença de Deus nele e o enlevo, cheio de consolações, ocasionado pela graça divina.

Ao chegar perto de uma cidade, a população vinha ao seu encontro, e todos disputavam um lugar próximo dele. E só escapava de ser esmagado porque andava no meio de pranchões sustentados por homens possantes. Em várias cidades, enquanto durava sua pregação, os negócios paravam, as lojas fechavam, as audiências dos próprios tribunais eram suspensas.

São Vicente trabalhou ardentemente pela conversão dos judeus e dos maometanos. Há historiadores que afirmam que converteu 25.000 judeus e 8.000 mouros. Exagero? Com milagres tão abundantes e portentosos, a pergunta não deve se pôr a um espírito sério e objetivo.

No Domingo de Ramos de 1407, na igreja de Ecija (Espanha), uma dama judia, rica e poderosa, que seguia seus sermões por curiosidade e desafio, sem ocultar os sarcasmos que fazia a meia voz, atravessou de improviso a multidão para sair. Não conseguia conter-se de raiva. O povo, explicavelmente, ficou indignado. "Deixai-a sair, disse o Santo, porém afastai-vos do pórtico", o qual caiu sobre ela, matando-a.

"Mulher, em nome de Cristo, volte à vida!", ordenou ele, e assim se fez. Após um tal milagre, não é de causar estranheza que essa senhora tenha prontamente se convertido à verdadeira Religião...

Naquela cidade, uma procissão anual passou a comemorar a morte, ressurreição e conversão da judia.

Quando se encontrava na Bretanha (França), percebeu que sua vida estava chegando ao fim, por causa de uma chaga que lhe envenenara a perna.

Depois de dez dias de agonia, assistido pelos amigos, pelos irmãos dominicanos e pelas damas da corte da Duquesa da Bretanha, entregou sua bela e combativa alma a Deus, com 69 anos de idade e várias décadas de luta no cumprimento de sua missão. Era o dia 5 de abril de 1419.

O processo de canonização começou no dia seguinte à sua morte e Roma reconheceu como fidedignos 873 milagres. Foi elevado à honra dos altares em 1455 pelo Papa Calisto III, o qual recebera, muito antes de ocupar a Sé de Pedro, uma profecia do Santo. Com efeito, durante uma das pregações que este último fez em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam de São Vicente Ferrer para se encomendar às suas orações, prestou atenção em um sacerdote, que lhe pedia também a caridade de uma prece, ao qual o grande taumaturgo dirigiu as seguintes palavras: "Eu te felicito, meu filho. Tendes presente que és chamado a ser um dia a glória de tua pátria e de tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade a que pode chegar um homem mortal. E eu mesmo serei, após minha morte, objeto de tua particular veneração".

NOTA: São Vicente Ferrer costumava chamar-se a sí próprio de "Anjo do Apocalípse".
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Fontes de referência:

* Frei Vicente Justiniano Antist, Vida de San Vicente Ferrer, in Biografía y Escritos de San Vicente Ferrer, BAC, Madrid, 1956.
* Ludovico Pastor, Historia de los Papas, vol. II, Ediciones G. Gili, Buenos Aires, 1948.
* José Leite S.J., Santos de Cada Dia, vol. I, Editorial A.O., Braga, 1987.
* Matthieu-Maxime Gorce, Saint Vincent Ferrier, Librairie Plon, Paris, 1924.
* Henri Gheon, San Vicente Ferrer, Ediciones e Publicaciones Espanholas S.A., Madrid, 1945.

(Trechos do que foi escrito por Roberto Alves Leite na Revista Catolicismo de abril de 1997)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estou Condenada


Quem salva uma alma, torna segura sua eterna salvação. Com os homens, Deus se comunica por muitos modos. Além de ser a própria Sagrada Escritura a Carta Magna de Deus aos homens, escrita e transmitida por homens autorizados, narra ela muitas comunicações divinas feitas por visões, inclusive sonhos. Deus continua a prevenir, ainda, por sonhos. É que sonhos não são sempre meros sonhos sem base.

Entre os papéis deixados por uma jovem que morreu num convento como freira, foi encontrado o seguinte depoimento:

“Tinha eu uma amiga. Quer dizer, éramos mutuamente achegadas como companheiras e vizinhas de trabalho no mesmo escritório M. Quando mais tarde Âni se casou, nunca mais a vi. Desde que nos conhecêramos, reinava entre nós, no fundo, mais amabilidade que amizade. Por isso eu sentia dela pouca falta, quando, após seu casamento, ela foi morar no bairro elegante das vilas, bem longe do meu casebre. Quando no outono de 1937 passei minhas férias no lago Garda, minha mãe escreveu-me, em meados de setembro:

“Imagine, Âni N. morreu. Num desastre de automóvel perdeu a vida. Ontem foi enterrada no cemitério do Mato”.

Essa notícia espantou-me. Sabia eu que Âni nunca fora propriamente religiosa. Estava ela preparada, quando Deus a chamou de repente?



Na outra manhã assisti na capela da casa do pensionato das irmãs, onde eu morava, à santa missa em sua intenção. Rezava fervorosamente por seu descanso eterno e nessa mesma intenção ofereci também a Santa Comunhão. Mas o dia todo eu sentia certo mal estar, que foi aumentando mais ainda pela tarde. Dormia inquieta. Acordei de repente, ouvindo como se sacudida a porta do quarto. Liguei a luz. O relógio, no criado mudo, marcava meia noite e dez minutos. Nada, porém, eu podia ver. Nenhum barulho havia na casa. Apenas as ondas do lago Garda batiam, quebrando-se monotonamente, no muro do jardim do pensionato. De vento, nada eu ouvia.

[...]

Refleti um momento, se devia levantar-me. Ah! Tudo não passa de cisma, disse-me resoluta. Não é senão produto de minha fantasia sobressaltada pela notícia da morte. Virei-me, rezei alguns Pai-Nossos pelas almas, e adormeci de novo.

Sonhei então que me levantava de manhã às 6 horas, indo à capela da casa. Quando abri a porta do quarto, dei com o pé num maço de folhas de carta. Levantá-las, reconhecer a escrita de Âni e dar um grito, foi coisa de um segundo.

Tremendo, segurei as folhas nas mãos. Confesso que fiquei tão apavorada, que nem podia proferir o Pai-Nosso. Fiquei presa de uma quase sufocação.


[...]

Sem a mínima dúvida era a escrita de Âni.

[...]

Eis aí A CARTA DO ALÉM DE ANI, V., palavra por palavra, tal qual a li no sonho:

“Clara! Não rezes por mim. Sou condenada. Se te comunico isso e se a respeito de algumas circunstâncias da minha condenação te dou pormenorizadas informações, não creias que eu o faça por amizade. Aqui não amamos a ninguém mais. Faço-o, como “Parcela daquele Poder que sempre quer o Mal e sempre produz o Bem”. Em verdade, eu queria também ver-te aqui, onde eu para sempre vim parar.
[S. Tomas de Aquino, Summa Theológica (S. Th.) Supplementum (Suppl.) q. 98, a. 4: "Os réprobos querem que todos os bons sejam condenados".]

Não estranhes esta minha intenção. Aqui pensamos todos da mesma forma. A nossa vontade está petrificada no mal – no que vós chamais “mal”. Mesmo quando fazemos algo de “bem”, como eu agora, descerrando-te os olhos sobre o Inferno, não o fazemos com boa intenção. [S. Th. Suppl. q. 98, a. 1: "Neles o autodeterminado querer é sempre de todo perverso".]

Trechos do livro: A Carta do Além – de Theol. Bernhardin Krempel, C.P - Imprimatur do original alemão; Brief aus dem Jenseits: Treves, 9/11/1953. N. 4/53. Aprov. Ecles. Deste opúsculo: Taubaté - est. De S. Paulo - 2/11/1955.

Quem quiser ler a íntegra deste livro pode faze-lo nos seguintes sites:

http://www.lepanto.com.br/dados/higgcart.html

ou

http://www.mariamaedaigreja.net/Biblioteca.html

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O corvo e a raposa


Hoje não trago uma história religiosa, apenas uma estória comum. A estória nos ensina muito bem que a Vaidade somente nos leva ao prejuízo:

O senhor corvo numa árvore empoleirado
Segurava no seu bico um queijo.
A senhora raposa, pelo odor atraída,
Dirigiu-se-lhe mais ou menos com estas palavras:
Olá! bom-dia, senhor corvo,
Como sois bonito! Como me pareceis belo!
Sem mentir, se o vosso gorjeio
For semelhante à vossa plumagem,
Vós sois a fénix dos habitantes destes bosques.
Com estas palavras o corvo não cabe em si de contente;
E para mostrar a sua bela voz,
Ele abre o grande bico e deixa cair a sua presa.
A raposa apodera-se dela e diz: "Meu bom senhor,
Aprendei que todo o bajulador
Vive às custas daquele que o escuta:
Esta lição vale bem um queijo, sem dúvida."
O corvo, envergonhado e confuso,
Jurou, mas um pouco tarde, que não o apanhariam mais.

Maître corbeau, sur un arbre perché,
Tenait en son bec un fromage.
Maître renard par l'odeur alléché ,
Lui tint à peu près ce langage :
«Et bonjour Monsieur du Corbeau.
Que vous êtes joli! que vous me semblez beau!
Sans mentir, si votre ramage
Se rapporte à votre plumage,
Vous êtes le phénix des hôtes de ces bois»
A ces mots le corbeau ne se sent pas de joie;
Et pour montrer sa belle voix,
Il ouvre un large bec laisse tomber sa proie.
Le renard s'en saisit et dit: "Mon bon Monsieur,
Apprenez que tout flatteur
Vit aux dépens de celui qui l'écoute:
Cette leçon vaut bien un fromage sans doute."
Le corbeau honteux et confus
Jura mais un peu tard , qu'on ne l'y prendrait plus.


Fabulas de La Fontaine
(Illustration de Gustave Doré)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O ódio a Santo Amadour


Na última postagem escrevi sobre Rocamadour, a aldeia dos milagres. Agora restava escrever sobre o que restou de Santo Amadour e o ódio revolucionário que queria destruí-lo.

Rocamadour foi sem dúvida escolhido pela Providência para ser um desses lugares onde grandes prodígios se sucedem. Desde os primeiros tempos do cristianismo sabia-se que por ali repousava o corpo de Amadour. Mas onde exatamente? Numa das grutas, um oratório, dedicado ao Santo, é há séculos lugar de oração e milagres. Roc (em francês = rocha), portanto Rocamadour é a rocha, a gruta onde viveu Santo Amadour.

A lista de milagres ocorridos em Rocamadour é interminável. O monge Alberico publicou crônicas narrando, nas suas mais belas páginas, os inúmeros milagres.

No entanto as Revoluções Anti-Cristãs odiavam esse lugar santo. E de forma especial a Revolução Francesa que perseguiu cruelmente os católicos, fazendo com que muitas igrejas ficassem abandonadas, esquecidas e “encerradas” nas florestas francesas. Já narrei anteriormente a famosa e belíssima história do Pinta-Roxo (o pássaro que Nossa Senhora quis dar ao Menino Jesus).

http://almascastelos.blogspot.com/2010/04/o-pinta-roxo.html

Mas voltemos a Rocamadour e o fim trágico de Santo Amadour.

Ódio Revolucionário

Terrivelmente impressionante é o relato deixado nos arquivos de Rocamadour por uma paroquiana, a respeito da pilhagem do santuário, praticada pelos protestantes em 1562: “quando os huguenotes [calvinistas franceses] fizeram uma fogueira dentro da igreja paroquial de Santo Amadour, desejando assim queimar o seu corpo, Deus não o permitiu. Eles o despedaçaram então, roubando o relicário de prata”.

O santuário foi pois saqueado, e por dois séculos aqueles lugares veneráveis se degradaram. Do corpo de Amadour, incorrupto e flexível como em vida, nunca mais se ouviu falar. Diante de sua perfeição, não se detiveram as mãos sacrílegas dos que alegavam “reformar” a Religião. Sem ele, as peregrinações diminuíram enormemente. E quase desapareceram.

A Revolução Francesa de 1789 não fez senão agravar o estado de ruína daqueles lugares.

Animado pelas aparições de Nossa Senhora – sobretudo em La Salette, na rue du Bac (Paris) e em Lourdes – o fervor católico se reacende no século XIX. Oratórios e capelas de Rocamadour passam por restaurações, e hoje podem ser vistos em bom estado. E ainda envoltos na aura de santidade que não os abandonou jamais.

Assim Nelson Ribeiro Fragelli termina seu artigo: “Não foi fácil deixar Rocamadour no dia seguinte.” [...] “Tentava discernir à distância, num ultimo olhar, aquela aldeia grandiosa, de pedras brancas envoltas na névoa. Sem poder explicar o que são saudades, pois não se encontra vocábulo equivalente na língua francesa, eu já estava dominado por esse sentimento.”

(Trecho do escrito por Nelson R. Fragelli na Revista “Catolicismo” de junho de 1991)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Rocamadour dos milagres

Um nobre cavaleiro, muito arrogante e orgulhoso, soube pelos seus comandados que havia uma grande movimentação no caminho de São Tiago de Compostela. Isso por que todo o cavaleiro cristão que peregrinava até a Igreja de São Tiago, era atribuído-lhe grande prestígio e trazia-lhe as bênçãos de Nossa Senhora, pois iria agradecer as grandes vitórias alcançadas.

Ora, o nobre arrogante passou a pensar que se não fosse em tal peregrinação, seria por que não tivesse obtido grandes vitórias nos combates. E assim, por mero orgulho, e no intuito de querer ser reconhecido como “grande vitorioso”, resolveu ir com sua cavalaria toda em tal jornada.

Assim, partiu com seus cavaleiros no caminho de Compostela.

Viajaram por dias. E em todos os lugares pelos quais passava, contava suas bravatas e que ia a Compostela para receber as honrarias de suas vitórias.

No caminho, havia uma pequena aldeia incrustada numa montanha. Era Rocamadour. A sua Igreja era famosa por seus milagres. Todo o cavaleiro ali parava e rezava, para depois continuar a viagem. Não poderia ser diferente com o arrogante nobre.

Porém aconteceu um fato espetacular. Ao se aproximar da Igreja foi barrado por uma força invisível. Era como se houvesse uma parede de vidro entre o nobre arrogante e a Igreja.
O cavaleiro fez de tudo para tentar entrar na Igreja, mas não conseguia.

Seus gritos de raiva foram atraindo as pessoas da região, bem como o padre que estava dentro da Igreja. Todos observavam sem entender porque o nobre não conseguia entrar na Igreja. Diante de todos, e já com sua arrogância estremada e envergonhado porque havia grande quantidade de pessoas, o nobre deu uma ordem aos seus cavaleiros.

Pediu a todos que descessem de seus cavalos, formassem uma fila, e empurrassem o nobre para dentro da Igreja. No entanto mesmo assim, o nobre como que prensado nessa parede invisível, não conseguia entrar na Igreja.

O padre que da porta da Igreja tudo via, teve uma visão e anunciou-a ao Nobre arrogante:

- Senhor, em vão gastareis de força para entrar neste lugar Santo, pois é a própria Virgem que lhe impede de entrar. Se não vos arrependerdes de seus pecados, jamais entrarás aqui.

Furioso, o nobre pedia ainda mais forças aos seus soldados, até que sangue lhe escorre pela boca.

Diante dessa situação, o nobre envergonhado pelo estado de sua alma, pede ao padre que, então, lhe receba em confissão. E lá mesmo confessou seus pecados.

Depois disso, olhando para a porta da Igreja, se dirigiu a ela e conseguiu entrar. Se ajoelhou, e profundamente arrependido de suas faltas, agradeceu a Nossa Senhora por ter lhe livrado do inferno.

Esta é uma pequena história narrada nas cantigas de Santa Maria do Rei Alfonso X.

No entanto o que é Rocamadour?

Pequena para ser considerada uma cidade, uma vila também não é. Os grandes fatos que nela se deram a colocaram acima dos povoados comuns. Incrustada numa montanha, sua configuração mítica reproduz a seu modo o personagem que lhe deu o nome: Amadour, que tendo vivido ao lado da Santíssima Virgem, como seu criado, tornou-se grande e miraculoso santo.

Zaqueu, judeu de Jericó, era tão pequeno que, dele dizem os Evangelhos, para melhor contemplar a passagem do Mestre por sua cidade, subiu numa árvore.

Notando seu enlevo, Jesus o chamou e lhe disse que pernoitaria em sua casa. Essa honra marcou sua conversão.

Segundo imemorial tradição existentes entre os católicos franceses, após a Ressureição de Jesus, não podendo mais servir o Mestre, Zaqueu tornou-se criado de sua santa Mãe.

Após a Assunção aos Céus de Maria Santíssima, não podendo mais servir à Mãe do Mestre, fez Zaqueu como fizeram Lázaro e Maria Madalena: veio servir àquela que futuramente seria, entre as nações, a primogênita da Igreja, a França, então denominada Gália. Nesse território de missão, Zaqueu era chamado de Amadour.

Viveu no sudoeste francês, não longe da fronteira espanhola, solitário, nas grutas do penhasco hoje conhecido como ROCAMADOUR.

Eis o que relata o abade do mosteiro-fortaleza do Mont Saint-Michel, Robert de Torigny, em 1170:

“No ano da Encarnação de 1166, um habitante da região, achando-se em seus últimos instantes, pediu aos seus, sem dúvida por inspiração divina, de enterra-lo à entrada do oratório. Cavando a terra, encontrou-se o corpo de Amadour, bem inteiro; foi colocado na Igreja, junto ao altar, e assim é exposto, íntegro, aos peregrinos”.

A descoberta do corpo de Santo Amadour multiplicou as peregrinações. Reis e santos ali foram rezar ao longo dos séculos. Multidões passaram contritas por aquelas rochas. São Francisco de Assis lá esteve. São Luis com sua mãe, Branca de Castela, e seus irmãos juntaram-se ao longo cortejo dos peregrinos.

(O trecho abaixo da Cantiga de Santa Maria, foi extraído na Revista “Catolicismo” de junho de 1991 – escrito por Nelson R. Fragelli)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quem é mais forte?

O católico deve ser como um navio heróico que enfrenta os mares, depositando toda sua confiança em Deus, ou como uma Torre altiva e forte, pronta para resistir a tudo, apesar as ondas do mundo moderno.



Deus

Eu me lembro! Eu me lembro! Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?”

Minha mãe, a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: “Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos
Mais forte que o tufão, meu filho, É Deus!”

(Casemiro de Abreu)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

As Catacumbas e Santa Filomena


Para quem vai a Roma, não deve perder a oportunidade de visitar as catacumbas. De uma forma especial nos transportam para o início do cristianismo.

A Catacombe de San Callisto é muito interessante, mas a melhor de todas para se visitar, sem dúvida é a de San Sebastiano. Ao entrar nelas o guia já informa: quem tiver claustrofobia, avise.

Todas elas são formadas por galerias intermináveis sob o chão, estreitas e profundas formando um emaranhado de corredores, quase que intermináveis, com “andares” subterrâneos. O guia que acompanha conta a história da catacumba e dos santos mártires que lá estiveram.

Na catacumba de San Sebastiano há fragmentos dos pratos onde comiam São Pedro e São Paulo, entre outras relíquias preciosíssimas. Mas isso é matéria para uma outra postagem.

No entanto falei das catacumbas, por que numa delas foram encontrados os ossos de Santa Filomena (catacumba de Santa Priscila).

Santa Filomena foi uma princesinha grega, torturada e morta aos 13 anos de idade, por Diocleciano, imperador de Roma, no 3o. século da era cristã. Foi chicoteada e atravessada por flechas, quase até a morte, sendo milagrosamente curada por Deus na prisão. Condenada a se afogar com uma âncora presa no pescoço foi novamente salva por dois anjos. Toda essa fúria do imperador devia-se à recusa da princesa em casar-se com ele, por ter feito voto de castidade, tornando-se esposa de Jesus Cristo aos 12 anos. Nem os pedidos de seus pais, cujo reino estava ameaçado pelo exército do imperador, nem toda a tortura sofrida, conseguiram faze-la desistir de seus votos. Santa Filomena soube cumprir como ninguém o 1o. Mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Cansado pelas tentativas inúteis e furiosas, por ver que os sucessivos milagres convertiam muita gente, até os próprios soldados, Diocleciano mandou que cortassem a cabeça da princesinha, que se tornou assim mais uma Virgem Mártir do Cristianismo.

Viveu apenas 13 anos de idade... Que diriam disso os que querem desesperadamente viver e ter saúde para gozar a vida, como acontece muito em nossos dias?

Seus restos mortais foram encontrados nas Catacumbas de Santa Priscila, nos arredores de Roma, em 24 de maio de 1802 e foram levados para Mugnano Del Cardinali entre Nola e Avelino, perto de Nápoles, em 1805, no dia 10 de agosto, dia e mês em que coincidem com os de sua morte. Estão lá até hoje, e são incontáveis os milagres que ela já fez em favor de seus devotos. Milhares de fiéis no mundo inteiro atestam, maravilhados, o poder desta Santinha que não deixa nenhum de seus devotos ao desamparo. O Papa Pio IX foi milagrosamente curado por ela.

Foi nomeada uma das Padroeiras das Filhas de Maria em 1894. Leão XIII antes de ser papa, fez duas peregrinações a Mugnano. Pio X mandou por um enviado especial, um rico anel de ouro e outros presentes magníficos ao Santuário da Santinha, em Mugnano.

O CORDÃO DE SANTA FILOMENA

São João Batista Maria Vianney, o Cura d'Ars, foi o maior difusor do uso do Cordão de Santa Filomena. O Papa Leão XIII aprovou o uso do Cordão em 1893 e concedeu indulgências a todos os que o usarem e rezarem esta oração:

Ó Santa Filomena, Virgem e Mártir, rogai por nós para que, por meio de vossa poderosa intercessão, possamos obter a pureza de alma e de coração, que conduz ao perfeito amor de Deus.

Para lucrar as indulgências plenárias com o Cordão é preciso confessar-se, comungar, e visitar alguma igreja ou um doente, rezando pelas intenções do Papa.

Qualquer pessoa pode fazer o Cordão de Santa Filomena, que deve ser feito com fios de linho ou lã ou de algodão. Em suas extremidades, de um lado, o Cordão tem dois nós, e na outra 3 nós, simbolizando a Santíssima Trindade e as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os fios devem ter quantidades mais ou menos iguais em cores branco e vermelho. O branco simboliza a virgindade de Santa Filomena, e o vermelho seu martírio.

A faculdade para benzer os cordões de Santa Filomena foi dada aos Padres de São Vicente de Paulo, mas atualmente qualquer padre pode benzê-lo validamente. A oração oficial da bênção do Cordão é:

S- "Senhor Jesus, concedei que todos os que usem este cordão mereçam ser preservados de qualquer perigo e recebam a saúde da alma e do corpo."

O cordão deve ser usado na cintura, sob a roupa, e se possível não ser retirado. Se não for possível usá-lo na cintura, pode-se usá-lo no braço ou na perna.

O ÓLEO DE SANTA FILOMENA

Esse óleo milagroso é retirado de qualquer lamparina que esteja iluminando uma imagem ou estampa de Santa Filomena, para passar no local da enfermidade.

sábado, 30 de julho de 2011

As flechas e a ironia


Traziam no combate, numa padiola, um guerreiro que muitas flechadas haviam mal-ferido. E o seu sangue ardente e generoso ia marcando pelo chão o seu caminho de dor.

Passou por ele um chefe inimigo que fora aprisionado e os soldados que o escoltavam diziam-lhe zombarias e insultos. O prisioneiro, apesar da triste situação em que se achava, ao ver passar o guerreiro ferido, murmurou algumas palavras de piedade e simpatia.

O guerreiro ouvia-as e respondeu-lhe:

- Sofre menos o homem golpeado por uma flecha do que aquele que é ferido por insultos e zombarias. Tenho, igualmente, muita pena de vós!

Poucos são, na vida, aqueles que sabem resistir ao escárnio e à ironia.

É difícil lutar contra essa coisa à qual poucos resistem: a ironia. Saber resistir a um sorriso de desprezo é sinal de inteira força moral. Mais medo deverás ter do indivíduo que te ridiculariza do que daquele que te ataca brutalmente; este revolta-te, aquele perturba-te, e esta perturbação é, muitas vezes, o primeiro indício da derrota.

(Lendas do Céu e da Terra – autor D.)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O elefante e o pequenino


Ao regressar, certa vez de uma excursão às florestas de Keroh, na Índia, encontrei, na estrada, um menino que puxava um enorme elefante. O garotinho caminhava ligeiro, e a alegria de sua fisionomia revelava a despreocupação de seu espírito. Devia ter, no máximo, oito ou nove anos.

Para observa-lo, pus-me a segui-lo a pequena distância.

Junto a uma fonte ele parou e fez parar, também, o monstruoso paquiderme.

A seguir gritou para o elefante:

- Deita-te, Baluque!

O paciente e pesado animal obedeceu no mesmo instante.

Que fez, então, o pequeno? Tomou de um pedaço de corda, feita grosseiramente de talos de palmeira, e amarrou uma das patas do elefante a uma árvore que se erguia à margem da estrada. E a seguir disse, muito sério, ao Baluque:

- Fica quietinho, ouviste? Voltarei daqui a pouco. Se te levantares daí levarás uma surra daquelas!

E repetiu:

- Estás ouvindo?

Sim. Baluque ouviu. Ouviu e compreendeu, pois daquele lugar, junto à árvore, não saiu enquanto o menino esteve ausente.

E que prendia, afinal, o elefante? Uma simples embira que qualquer cachorro poderia, facilmente, rebentar.

As paixões da alma são como as brutas feras da Índia.

Confia em Deus, segue os ensinamentos do Evangelho, e poderás aprender com a tua energia todos os Baluques do pecado, que enchem de tanto horror os incrédulos.

(Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan)

A Benção da Medalha de São Bento


Já foi visto a grande eficácia da Medalha de São Bento. Mas para que os fiéis obtenham todos os benefícios da Medalha é necessário que ela seja benta com uma benção especial.

Há que se fazer uma distinção sobre as bênçãos. O Sacerdote pode benzer um objeto religioso, porém para certos tipos de atos é necessária uma benção especial que é devidamente aprovada para isso. E mesmo assim, não é todo o Sacerdote que está autorizado a dar referida benção especial. Por exemplo: quando a pessoa vai usar o escapulário do Carmo, a imposição do escapulário é precedida de uma benção sobre o escapulário que somente Sacerdotes devidamente autorizados por um privilégio especial podem faze-lo. Da mesma forma a Medalha de São Bento. Além dos Beneditinos, alguns outros Sacerdotes podem benzer a Medalha de São Bento, mas necessitando para isso uma autorização ou obter um privilégio da Igreja para esse fim.

Da mesma forma o uso do escapulário. Para impor o escapulário o Padre deve ter autorização para isso.

Sua Santidade o Papa Bento XIV escreveu um BREVE em 12 de março de 1742, aprovando a Medalha com a Cruz, a efígie de São Bento e os caracteres que ela apresenta. Sancionou a fórmula da benção que lhe deve ser aplicada, e concedeu numerosas indulgências aos que a levassem consigo.

Trechos do BREVE de Sua Santidade o Papa Bento XIV:

Bento XIV, Papa

PARA PERPÉTUA MEMÓRIA DO ATO E PARA AUMENTAR A DEVOÇÃO DOS FIÉIS A JESUS CRISTO

[...]
Nosso amado filho Bennon Löbl, Monge professo da Ordem de São Bento e presentemente Abade do mosteiro de Brzewnow in Brauna, na diocese de Praga, mosteiro nullius, livre, isento e sujeito imediatamente à Sé Apostólica, e além disso Preboste de Wahlstad na Silésia, Prelado mitrado do reino da Boêmia e Visitador perpétuo da referida Ordem da Boêmia, Morávia e Silésia, mandou expor-Nos recentemente que em outra ocasião pediu-Nos, para seus sucessores, bem como para todos e cada um dos Abades, Priores e outros Monges da mesma Ordem sujeitos a ele e a seus sucessores que exercerem o mesmo direito de Visitador, a faculdade de benzer, segundo a fórmula expressa na petição, as Medalhas ou Cruzes chamadas de São Bento, de distribuí-las respectivamente para se ganharem as indulgências que lhes foram liberalmente anexadas; com proibição feita a qualquer outra pessoa eclesiástica de intervir nessa obra pia: a qual faculdade lhe foi benignamente concedida e outorgada por Decreto da Sagrada Congregação dos Cardeais da Santa Igreja Romana, preposta às Indulgências a 23 do mês de dezembro do ano de 1741, decreto esse que é do teor seguinte:

DECRETO PARA A ORDEM DE SÃO BENTO NA BOÊMIA, MORÁVIA E SILÉSIA:

Às humildes e repetidas súplicas de Dom Bennon Löbl, Abade do Mosteiro livre e isento de Brzewnow na Brauna, da Ordem de São Bento, Preboste de Wahlstad na Silésia, Prelado mitrado do reino da Boêmia e Visitador perpétuo da referida Ordem da Boêmia, Morávia e Silésia: o Nosso Santíssimo Padre Bento XIV houve por bem conceder e outorgar ao mesmo Bennon e a seus sucessores, bem como a todos e a cada um dos Abades, Priores e outros Monges Sacerdotes, que lhe estão presentemente sujeitos como Visitador perpétuo, a faculdade particular de benzer as Medalhas ou Cruzes conhecidas pelo nome Cruzes de São Bento, das quais uma face representa a imagem do mesmo São Bento, e a outra uma Cruz tendo em redor estas letras ou caracteres, [segue as letras e o significado de cada uma delas] e cuja benção se fará segundo a fórmula seguinte:

V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit coelum et terram.
Exorciso vos, numismata, per Deum Patrem + omnipotentem, qui fecit coelumet terram, mare et omnia quae in eis sunt: omnis virtus adversarii, omnis exercitus diaboli, et omnis incursus; omne phantasma Sathanae, eradicare et effugare ab his numismatibus, ut fiant omnibus, qui eis usuri sunt, salus mentis et corporis, in nomine Dei Patris + omnipotentis, et Jesu Christi + Filii ejus, Domini Nostri, et Spiritus Sancti + Paracliti, et in charitate ejusdem Domini Nostri Jesu Christi, qui venturus est judicare vivos et mortuos et saeculum per ignem.
R. Amen.
Kyrie eleison, Criste eleison, Kyrie eleison. Pater Noster, etc.
V. Et ne nos inducas in tentationem.
R. Sed libera nos a malo.
V. Salvos fac servos tuos.
R. Deus meus, sperantes in te.
V. Esto nobis, Domine, turris fortitudinis.
R. A facie inimici.
V. Deus virtutem populo suo dabit.
R. Dominus benedicet populum suum in pace.
V. Mitte eis, Domine, auxilium de Sancto.
R. Et de Sion tuere eos.
V. Domine, exaudi orationem meam.
R. Et clamor meus ad te veniat.
V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.

Oremus. Deus omnipotens, omnium bonorum largitor, supplices te rogamus ut per intercessionem sancti Patris Benedicti his sacris numismatibus, litteris et characteribus a te designatis, tuam benedictionem + infundas, ut omnes, qui ea gestaverint, ac bonis operibus intenti fuerint, sanitatem mentis et corporis, et gratiam sanctificationis, atque indulgentias nobis concessas consequi mereantur, omnesque diaboli insidias et fraudes per auxilium misericordiae tuae effugere valeant, et in conspectu tuo sancti et immaculati appareant. Per Dominum, etc.

Oremus. Domine Jesu, qui voluisti pro totius mundi redemptione, de Virgine nasci, circumcidi, a Judaeis reprobari, Judae osculo tradi, vinculis alligari, spinis coronari, clavis perforari, inter latrones crucifigi, lancea vulnerare et tandem in cruce mori: per tuam sanctissimam Passionem humiliter exoro, ut omnes diabólicas insidias et fraudes expellas ab eo, qui Nomen sanctum tuum his litteris et characteribus a te designatis devote invocaverit, et eum ad salutis portum perducere digneris. Qui vivis et regnas, etc.

Benedictio Dei Patris + omnipotentis, et Filii +, et Spiritus + Sancti descendat super haec numismata, ac ea gestantes, et maneat semper. In nomini Patris + et Filii + et Spiritus + Sancti. Amen.
(Aspergatur aqua benedicta).


Eis aí, então, o texto da Benção da Medalha de São Bento.

Continuando, literalmente, no que consta no BREVE de Sua Santidade o Papa Bento XIV:

“Não obstante qualquer prescrição em contrário, Sua Santidade declarou que as Medalhas de que se trata, se não tiverem sido bentas pelos Monges acima designados, ou por aqueles a quem a Santa Sé por privilégio especial conceder essa faculdade, não gozarão absolutamente de indulgência alguma”
[...]
“Além disso Sua Santidade proíbe expressamente que algum Sacerdote, ou secular, ou de qualquer Ordem, Congregação ou Instituto regular, e qualquer que seja a dignidade, ou cargo de que esteja investido, à exceção dos ditos Monges acima designados, ou daqueles a quem a Santa Sé houver concedido um Indulto por especial privilégio, se atreva ou presuma benzer as ditas Medalhas ou Cruzes, ou distribuí-las aos fiéis, sob as penas que, além da nulidade da benção e das indulgências, forem infligidas, a arbítrio dos respectivos Ordinários dos lugares ou dos Inquisidores da fé, segundo a gravidade da culpa. Não obstante qualquer coisa em contrário, e devendo as presentes ter valor perpétuo.”

É o que consta nos documentos da Igreja.

(“A Medalha de São Bento” – Dom Próspero Gueranger O.S.B. – Abade de Solesmes – Editora Artpress – São Paulo)

A velha no hospital


Em 1854, uma mulher idosa morava num hospital de doentes incuráveis, onde estava sempre na cama em conseqüência de uma paralisia quase total. Seus sentimentos eram os de uma ímpia furiosa, e de sua boca brotavam incessantemente as mais nojentas conversas, misturadas com atrevidas blasfêmias, a tal ponto que muitos a consideravam endemoniada. Desconfiava-se de que ela guardava na cama certos objetos maus, aptos a conserva-la em tão perversas disposições.

Um dia, desocupou-se o dormitório para limpa-lo; tiraram-na para uma sala vizinha, apesar dos uivos que soltava. Debaixo de seu colchão, as irmãs encontraram um saquinho com objetos de origem e destino mais do que suspeitos. Colocaram no mesmo lugar uma medalha de São Bento, e daí a pouco levaram a enferma de novo para a cama, sem lhe avisarem do que se havia feito em sua ausência. Mas sem dúvida algo lhe revelou o espírito mau; pois ela, quando ia ela chagando perto da cama, começou a gritar violentamente com as Irmãs, queixando-se de que lhe haviam roubado o saquinho.

Deitaram-na, entretanto e, de repente, um sossego extraordinário sucedeu aos costumeiros gritos. A alegria lhe transparece na fisionomia que até então só apresentava traços horrivelmente crispados. A pobre criatura pede um padre. Alguns dias depois, na enfermaria transformada em Capela, toda resplandecente de luzes e enfeitada com flores, recebia a Nosso Senhor que vinha consolar e curar aquela alma, escapada, como uma avezinha, da armadilha infernal rompida.

(Livro: A Medalha de São Bento - Dom Próspero Guéranger O.S.B. - Abade de Solesmes - Artpress - São Paulo)

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Medalha de São Bento

A Medalha de São Bento é um objeto sagrado examinado e aprovado pela Igreja, e que reúne a força triunfante da Santa Cruz, que nos salvou, à recordação de São Bento, um dos mais ilustres servidores de Deus.

Basta que o cristão considere a virtude soberana da Cruz de Jesus Cristo para compreender a dignidade de uma medalha na qual ela vem representada.

A Cruz foi, na realidade, o instrumento da redenção do mundo; ela é a árvore da salvação sobre a qual foi expiado o pecado original. Depois do Santíssimo Sacramento, nada há sobre a terra mais digno de nosso respeito do que a Cruz.

A honra de figurar na mesma medalha com a imagem da Santa Cruz foi concedida a São Bento, com a finalidade de indicar a eficácia que aquele sagrado sinal teve em suas mãos.

São Gregório Magno, que escreveu a vida do Patriarca São Bento, o representa dissipando com o sinal da Cruz suas próprias tentações, e quebrando com o mesmo sinal, feito sobre uma bebida envenenada, o cálice que a continha.

Se o espírito maligno, para aterrorizar os monges, lhes faz parecer em chamas o mosteiro de Monte Cassino, São Bento logo dissipa esse prodígio diabólico fazendo sobre as chamas fantásticas o mesmo sinal da Paixão do Salvador.

Quando seus discípulos andam interiormente agitados pelas sugestões do tentador, indica-lhes como remédio o traçarem sobre o coração a imagem da Cruz.

Assim, inúmeros exemplos e fatos se tiveram pelo uso eficaz do sinal da Cruz.

A Medalha de São Bento deve ser benta por uma oração especial, própria para a medalha. Normalmente muitas pessoas não sabem disso. Compram a Medalha e já logo colocam ao pescoço, ou ainda pedem para o padre benze-la com uma benção comum de objeto religioso. Porém é necessário que a Medalha receba uma benção especial própria da medalha. Há uma benção própria para isso. Como se trata de uma benção longa, os padres normalmente pedem para reunir todas as Medalhas e assim poder benzer todas de uma só vez.

Uma certa vez, uma senhora estava com problemas sérios em sua família. Desacertos com seu marido, filhos rebeldes, vida financeira ruim... Ficou sabendo da Medalha de São Bento, comprou-a e pediu para o sacerdote benze-la com a oração exorcística própria da medalha. Em sua casa havia um filtro de barro para colocar água. Toda a vez que enchia o filtro, ela mergulhava a medalha na água e com fé pedia a São Bento que ajudasse sua família. Ao cabo de alguns dias tudo começou a melhorar, pois a água santificada pelo contato com a Medalha de São Bento trouxe grandes graças para todos que a bebiam.

Numa localidade da Sabóia, pelos idos 1861, uma menina de seis anos era atormentada por dores agudas. Seus nervos tinham de tal modo se contraído que não se podia toca-la com a ponta do dedo se que ela sentisse fortíssimas dores. Neste estado, não podia aceitar alimento ou bebida de espécie alguma.
Duas religiosas foram visitar a menina doente, para levar a sua mãe algum conforto. Levavam consigo algumas medalhas de São Bento.
Chegando lá recomendaram que colocassem a medalha de São Bento no pescoço da menina, e tentassem faze-la engulir alguma bebida em que se houvesse mergulhado a Medalha.A mãe da enferma cumpriu fielmente a piedosa prescrição, e imediatamente se fez sentir um notável alívio. Ao Cabo de Alguns dias, levanta-se a menina perfeitamente curada.

Assim, são inúmeros os casos de curas, de milagres, de graças recebidas através do poder exorcístico da Medalha de São Bento.
Na frente da medalha aparece uma cruz e as letras C S P B gravadas. Estas letras são abreviações da frase em latim:
Cruz Sancti Patris Benedicti (Cruz do Santo Pai Bento).

Na haste vertical da cruz estão gravadas as letras: C S S M L que significam:
Crux Sacra Sit Mihi Lux (A cruz sagrada seja minha luz).

Na haste horizontal, as iniciais N D S M D:
Non Draco Sit Mihi Dux (Não seja o dragão (demônio) meu guia).

No alto da cruz está gravada a palavra PAX (Paz), que é o lema da Ordem de São Bento.

As letras: V R S N S M V que significam:
Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana
(Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs).

E as letras S M Q L I V B:
Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas
(É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno).
A imagem de São Bento aparece no verso da medalha. Ele segura na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges beneditinos. Na outra mão, ele segura a cruz. Ao redor da medalha, lê-se:
Eius in Obitu nro Praesentia Muniamur
(Que São Bento nos conforte na hora da nossa morte).

“A Cruz Sagrada seja a minha luz,
Não seja o dragão o meu guia.
Retira-te Satanás,
Nunca me aconselhes coisas vãs.
É mal o que tu me ofereces,
Bebe tu mesmo o teu veneno.”

("A história maravilhosa e a eficácia comprovada da Medalha de São Bento - Dom Próspero Guéranger - Abade de Solesmes)