A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.
O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.
As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.
Há sempre uma história para qualquer ocasião.
“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)
Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.
domingo, 28 de agosto de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
Ícones bordados de Nossa Senhora – Parte 1
A palavra ícone vem do Grego "eikon" e significa imagem. Normalmente são pinturas em superfície de madeira ou em outro material. Poucos conhecem sua existência, mas quem entra na Igreja de São Bento, no centro da cidade de São Paulo (Brasil) há um ícone russo muito precioso da Madona de Kasperovo.
Trata-se do ícone de “Nossa Senhora de Kasperovskaia” que está embutido na primeira coluna à direita de quem entra pela porta principal da Basílica do mosteiro. Originalmente este ícone estava acomodado em um pequeno estojo em formato de pequeno oratório. O ícone foi doado ao Abade Dom Miguel Kruse, por um oficial russo, no início do Século XX em testemunho da gratidão pelos benefícios concedidos pelo abade aos refugiados do comunismo após a Revolução Russa de 1917.
Detalhes do ícone: Trata-se de uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus em seus braços. A imagem está envolta num magnífico véu composto de seis mil minúsculas pérolas de tamanhos diferentes e formas irregulares, que cobre a cabeça e o corpo do menino Jesus. Nos resplendores de metal esmaltado que circundam as cabeças de Nossa Senhora e do Menino Jesus, estão incrustados rubis e turquesas. À direita e à esquerda do quadro, no alto, vêem-se as palavras gregas “Mether Theou” – Mãe de Deus. Na parte inferior há uma legenda que identifica o ícone “Kasperovskaia P. B.” – Kasperovskaia quer dizer “da cidade de Kasperovo”, localizada a 10 km da província da Kherson na confluência do rio Danúbio com o mar Negro e P. B. são abreviaturas das palavras Presviataia Bogoroditza que significa “Santíssima Mãe de Deus”.
Eu estava preparando uma postagem com esse assunto, quando recebi um e-mail tendo em anexo um pps, com os mais belos ícones de Nossa Senhora bordados com contas. Trabalho magnífico, sem dúvida. Desconheço o autor de tal trabalho, mas coloco os créditos de quem os formatou na forma de pps (compaginación albanandy@hotmail.com). Deixo de fazer qualquer outro comentário, pois as fotos abaixo falam por si. Fica aqui uma sugestão para quem gosta de artesanato e quer ornar a imagem de Nossa Senhora. Vejamos.
Iconos bordados com cuentas:
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
O anjo da guarda salva São Paulo
A missão do Anjo da Guarda é nos acompanhar e proteger nesta nossa vida. Muitas vezes temos a intervenção direta do nosso Anjo da Guarda e não percebemos isso. Em "Atos dos Apóstolos" 27, 22-24, vemos uma bonita narrativa de como o Santo Anjo da Guarda salvou São Paulo e outras 276 pessoas.
O Anjo de Deus preserva São Paulo e outras 276 pessoas do perigo iminente de naufrágio. Ia o Apóstolo a caminho de Roma, em um navio, mas um vento impetuoso tornou arriscada a navegação. Jogou-se a carga no mar; nem assim, meio da confusão geral, Paulo manteve-se calmo, sem temor. Por fim disse à tripulação:
Agora porém vos admoesto que tenhais coragem, pois não perecerá nenhum de vós... Esta noite apareceu-me um Anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, o qual me disse: Não temas, Paulo. Comparecerás diante de César, e Deus te concede a vida dos que navegam contigo.
E ninguém pereceu.
do livro: "Esta é a Hora dos Anjos..." Padre Pio e os Anjos - Giovanni P. Siena, páginas 50/51. Serviço de Animação Eucarística Mariana - Anápolis - Goias
terça-feira, 16 de agosto de 2011
São Vicente Ferrer, o Anjo do Apocalípse
São Vicente Ferrer nasceu em 1350, em Valência na Espanha. Estudou filosofia, teologia, exegese bíblica e sabia falar hebraico. Foi um religioso da ordem dos dominicanos.
Certo dia, estando em Avignon (França), caiu gravemente doente a ponto de quase falecer. Foi quando teve a visão de Nosso Senhor Jesus Cristo, acompanhado de São Domingos e São Francisco, conferindo-lhe a missão de pregar pelo mundo. Assim, repentinamente, recuperou a saúde.
Sua oratória, brilhante e cheia de fogo, mantinha entretanto a lógica imperturbável das argumentações escolásticas. Mas a atração que as pessoas sentiam por suas palavras era devida principalmente a dois fatores: a percepção da presença de Deus nele e o enlevo, cheio de consolações, ocasionado pela graça divina.
Ao chegar perto de uma cidade, a população vinha ao seu encontro, e todos disputavam um lugar próximo dele. E só escapava de ser esmagado porque andava no meio de pranchões sustentados por homens possantes. Em várias cidades, enquanto durava sua pregação, os negócios paravam, as lojas fechavam, as audiências dos próprios tribunais eram suspensas.
São Vicente trabalhou ardentemente pela conversão dos judeus e dos maometanos. Há historiadores que afirmam que converteu 25.000 judeus e 8.000 mouros. Exagero? Com milagres tão abundantes e portentosos, a pergunta não deve se pôr a um espírito sério e objetivo.
No Domingo de Ramos de 1407, na igreja de Ecija (Espanha), uma dama judia, rica e poderosa, que seguia seus sermões por curiosidade e desafio, sem ocultar os sarcasmos que fazia a meia voz, atravessou de improviso a multidão para sair. Não conseguia conter-se de raiva. O povo, explicavelmente, ficou indignado. "Deixai-a sair, disse o Santo, porém afastai-vos do pórtico", o qual caiu sobre ela, matando-a.
"Mulher, em nome de Cristo, volte à vida!", ordenou ele, e assim se fez. Após um tal milagre, não é de causar estranheza que essa senhora tenha prontamente se convertido à verdadeira Religião...
Naquela cidade, uma procissão anual passou a comemorar a morte, ressurreição e conversão da judia.
Quando se encontrava na Bretanha (França), percebeu que sua vida estava chegando ao fim, por causa de uma chaga que lhe envenenara a perna.
Depois de dez dias de agonia, assistido pelos amigos, pelos irmãos dominicanos e pelas damas da corte da Duquesa da Bretanha, entregou sua bela e combativa alma a Deus, com 69 anos de idade e várias décadas de luta no cumprimento de sua missão. Era o dia 5 de abril de 1419.
O processo de canonização começou no dia seguinte à sua morte e Roma reconheceu como fidedignos 873 milagres. Foi elevado à honra dos altares em 1455 pelo Papa Calisto III, o qual recebera, muito antes de ocupar a Sé de Pedro, uma profecia do Santo. Com efeito, durante uma das pregações que este último fez em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam de São Vicente Ferrer para se encomendar às suas orações, prestou atenção em um sacerdote, que lhe pedia também a caridade de uma prece, ao qual o grande taumaturgo dirigiu as seguintes palavras: "Eu te felicito, meu filho. Tendes presente que és chamado a ser um dia a glória de tua pátria e de tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade a que pode chegar um homem mortal. E eu mesmo serei, após minha morte, objeto de tua particular veneração".
NOTA: São Vicente Ferrer costumava chamar-se a sí próprio de "Anjo do Apocalípse".
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Fontes de referência:
* Frei Vicente Justiniano Antist, Vida de San Vicente Ferrer, in Biografía y Escritos de San Vicente Ferrer, BAC, Madrid, 1956.
* Ludovico Pastor, Historia de los Papas, vol. II, Ediciones G. Gili, Buenos Aires, 1948.
* José Leite S.J., Santos de Cada Dia, vol. I, Editorial A.O., Braga, 1987.
* Matthieu-Maxime Gorce, Saint Vincent Ferrier, Librairie Plon, Paris, 1924.
* Henri Gheon, San Vicente Ferrer, Ediciones e Publicaciones Espanholas S.A., Madrid, 1945.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Estou Condenada
Entre os papéis deixados por uma jovem que morreu num convento como freira, foi encontrado o seguinte depoimento:
“Tinha eu uma amiga. Quer dizer, éramos mutuamente achegadas como companheiras e vizinhas de trabalho no mesmo escritório M. Quando mais tarde Âni se casou, nunca mais a vi. Desde que nos conhecêramos, reinava entre nós, no fundo, mais amabilidade que amizade. Por isso eu sentia dela pouca falta, quando, após seu casamento, ela foi morar no bairro elegante das vilas, bem longe do meu casebre. Quando no outono de 1937 passei minhas férias no lago Garda, minha mãe escreveu-me, em meados de setembro:
“Imagine, Âni N. morreu. Num desastre de automóvel perdeu a vida. Ontem foi enterrada no cemitério do Mato”.
Essa notícia espantou-me. Sabia eu que Âni nunca fora propriamente religiosa. Estava ela preparada, quando Deus a chamou de repente?
Na outra manhã assisti na capela da casa do pensionato das irmãs, onde eu morava, à santa missa em sua intenção. Rezava fervorosamente por seu descanso eterno e nessa mesma intenção ofereci também a Santa Comunhão. Mas o dia todo eu sentia certo mal estar, que foi aumentando mais ainda pela tarde. Dormia inquieta. Acordei de repente, ouvindo como se sacudida a porta do quarto. Liguei a luz. O relógio, no criado mudo, marcava meia noite e dez minutos. Nada, porém, eu podia ver. Nenhum barulho havia na casa. Apenas as ondas do lago Garda batiam, quebrando-se monotonamente, no muro do jardim do pensionato. De vento, nada eu ouvia.
[...]
Refleti um momento, se devia levantar-me. Ah! Tudo não passa de cisma, disse-me resoluta. Não é senão produto de minha fantasia sobressaltada pela notícia da morte. Virei-me, rezei alguns Pai-Nossos pelas almas, e adormeci de novo.
Sonhei então que me levantava de manhã às 6 horas, indo à capela da casa. Quando abri a porta do quarto, dei com o pé num maço de folhas de carta. Levantá-las, reconhecer a escrita de Âni e dar um grito, foi coisa de um segundo.
Tremendo, segurei as folhas nas mãos. Confesso que fiquei tão apavorada, que nem podia proferir o Pai-Nosso. Fiquei presa de uma quase sufocação.
[...]
Sem a mínima dúvida era a escrita de Âni.
[...]
Eis aí A CARTA DO ALÉM DE ANI, V., palavra por palavra, tal qual a li no sonho:
“Clara! Não rezes por mim. Sou condenada. Se te comunico isso e se a respeito de algumas circunstâncias da minha condenação te dou pormenorizadas informações, não creias que eu o faça por amizade. Aqui não amamos a ninguém mais. Faço-o, como “Parcela daquele Poder que sempre quer o Mal e sempre produz o Bem”. Em verdade, eu queria também ver-te aqui, onde eu para sempre vim parar. [S. Tomas de Aquino, Summa Theológica (S. Th.) Supplementum (Suppl.) q. 98, a. 4: "Os réprobos querem que todos os bons sejam condenados".]
Não estranhes esta minha intenção. Aqui pensamos todos da mesma forma. A nossa vontade está petrificada no mal – no que vós chamais “mal”. Mesmo quando fazemos algo de “bem”, como eu agora, descerrando-te os olhos sobre o Inferno, não o fazemos com boa intenção. [S. Th. Suppl. q. 98, a. 1: "Neles o autodeterminado querer é sempre de todo perverso".]
Trechos do livro: A Carta do Além – de Theol. Bernhardin Krempel, C.P - Imprimatur do original alemão; Brief aus dem Jenseits: Treves, 9/11/1953. N. 4/53. Aprov. Ecles. Deste opúsculo: Taubaté - est. De S. Paulo - 2/11/1955.
Quem quiser ler a íntegra deste livro pode faze-lo nos seguintes sites:
http://www.lepanto.com.br/dados/higgcart.html
ou
http://www.mariamaedaigreja.net/Biblioteca.html
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
O corvo e a raposa
Hoje não trago uma história religiosa, apenas uma estória comum. A estória nos ensina muito bem que a Vaidade somente nos leva ao prejuízo:
O senhor corvo numa árvore empoleirado
Segurava no seu bico um queijo.
A senhora raposa, pelo odor atraída,
Dirigiu-se-lhe mais ou menos com estas palavras:
Olá! bom-dia, senhor corvo,
Como sois bonito! Como me pareceis belo!
Sem mentir, se o vosso gorjeio
For semelhante à vossa plumagem,
Vós sois a fénix dos habitantes destes bosques.
Com estas palavras o corvo não cabe em si de contente;
E para mostrar a sua bela voz,
Ele abre o grande bico e deixa cair a sua presa.
A raposa apodera-se dela e diz: "Meu bom senhor,
Aprendei que todo o bajulador
Vive às custas daquele que o escuta:
Esta lição vale bem um queijo, sem dúvida."
O corvo, envergonhado e confuso,
Jurou, mas um pouco tarde, que não o apanhariam mais.
Maître corbeau, sur un arbre perché,
Tenait en son bec un fromage.
Maître renard par l'odeur alléché ,
Lui tint à peu près ce langage :
«Et bonjour Monsieur du Corbeau.
Que vous êtes joli! que vous me semblez beau!
Sans mentir, si votre ramage
Se rapporte à votre plumage,
Vous êtes le phénix des hôtes de ces bois»
A ces mots le corbeau ne se sent pas de joie;
Et pour montrer sa belle voix,
Il ouvre un large bec laisse tomber sa proie.
Le renard s'en saisit et dit: "Mon bon Monsieur,
Apprenez que tout flatteur
Vit aux dépens de celui qui l'écoute:
Cette leçon vaut bien un fromage sans doute."
Le corbeau honteux et confus
Jura mais un peu tard , qu'on ne l'y prendrait plus.
Fabulas de La Fontaine
(Illustration de Gustave Doré)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
O ódio a Santo Amadour
Rocamadour foi sem dúvida escolhido pela Providência para ser um desses lugares onde grandes prodígios se sucedem. Desde os primeiros tempos do cristianismo sabia-se que por ali repousava o corpo de Amadour. Mas onde exatamente? Numa das grutas, um oratório, dedicado ao Santo, é há séculos lugar de oração e milagres. Roc (em francês = rocha), portanto Rocamadour é a rocha, a gruta onde viveu Santo Amadour.
A lista de milagres ocorridos em Rocamadour é interminável. O monge Alberico publicou crônicas narrando, nas suas mais belas páginas, os inúmeros milagres.
No entanto as Revoluções Anti-Cristãs odiavam esse lugar santo. E de forma especial a Revolução Francesa que perseguiu cruelmente os católicos, fazendo com que muitas igrejas ficassem abandonadas, esquecidas e “encerradas” nas florestas francesas. Já narrei anteriormente a famosa e belíssima história do Pinta-Roxo (o pássaro que Nossa Senhora quis dar ao Menino Jesus).
http://almascastelos.blogspot.com/2010/04/o-pinta-roxo.html
Mas voltemos a Rocamadour e o fim trágico de Santo Amadour.
Ódio Revolucionário
Terrivelmente impressionante é o relato deixado nos arquivos de Rocamadour por uma paroquiana, a respeito da pilhagem do santuário, praticada pelos protestantes em 1562: “quando os huguenotes [calvinistas franceses] fizeram uma fogueira dentro da igreja paroquial de Santo Amadour, desejando assim queimar o seu corpo, Deus não o permitiu. Eles o despedaçaram então, roubando o relicário de prata”.
O santuário foi pois saqueado, e por dois séculos aqueles lugares veneráveis se degradaram. Do corpo de Amadour, incorrupto e flexível como em vida, nunca mais se ouviu falar. Diante de sua perfeição, não se detiveram as mãos sacrílegas dos que alegavam “reformar” a Religião. Sem ele, as peregrinações diminuíram enormemente. E quase desapareceram.
A Revolução Francesa de 1789 não fez senão agravar o estado de ruína daqueles lugares.
Animado pelas aparições de Nossa Senhora – sobretudo em La Salette, na rue du Bac (Paris) e em Lourdes – o fervor católico se reacende no século XIX. Oratórios e capelas de Rocamadour passam por restaurações, e hoje podem ser vistos em bom estado. E ainda envoltos na aura de santidade que não os abandonou jamais.
Assim Nelson Ribeiro Fragelli termina seu artigo: “Não foi fácil deixar Rocamadour no dia seguinte.” [...] “Tentava discernir à distância, num ultimo olhar, aquela aldeia grandiosa, de pedras brancas envoltas na névoa. Sem poder explicar o que são saudades, pois não se encontra vocábulo equivalente na língua francesa, eu já estava dominado por esse sentimento.”
(Trecho do escrito por Nelson R. Fragelli na Revista “Catolicismo” de junho de 1991)
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Rocamadour dos milagres
Um nobre cavaleiro, muito arrogante e orgulhoso, soube pelos seus comandados que havia uma grande movimentação no caminho de São Tiago de Compostela. Isso por que todo o cavaleiro cristão que peregrinava até a Igreja de São Tiago, era atribuído-lhe grande prestígio e trazia-lhe as bênçãos de Nossa Senhora, pois iria agradecer as grandes vitórias alcançadas.Ora, o nobre arrogante passou a pensar que se não fosse em tal peregrinação, seria por que não tivesse obtido grandes vitórias nos combates. E assim, por mero orgulho, e no intuito de querer ser reconhecido como “grande vitorioso”, resolveu ir com sua cavalaria toda em tal jornada.
Assim, partiu com seus cavaleiros no caminho de Compostela.
Viajaram por dias. E em todos os lugares pelos quais passava, contava suas bravatas e que ia a Compostela para receber as honrarias de suas vitórias.
No caminho, havia uma pequena aldeia incrustada numa montanha. Era Rocamadour. A sua Igreja era famosa por seus milagres. Todo o cavaleiro ali parava e rezava, para depois continuar a viagem. Não poderia ser diferente com o arrogante nobre.
Porém aconteceu um fato espetacular. Ao se aproximar da Igreja foi barrado por uma força invisível. Era como se houvesse uma parede de vidro entre o nobre arrogante e a Igreja.
O cavaleiro fez de tudo para tentar entrar na Igreja, mas não conseguia.
Seus gritos de raiva foram atraindo as pessoas da região, bem como o padre que estava dentro da Igreja. Todos observavam sem entender porque o nobre não conseguia entrar na Igreja. Diante de todos, e já com sua arrogância estremada e envergonhado porque havia grande quantidade de pessoas, o nobre deu uma ordem aos seus cavaleiros.
Pediu a todos que descessem de seus cavalos, formassem uma fila, e empurrassem o nobre para dentro da Igreja. No entanto mesmo assim, o nobre como que prensado nessa parede invisível, não conseguia entrar na Igreja.
O padre que da porta da Igreja tudo via, teve uma visão e anunciou-a ao Nobre arrogante:
- Senhor, em vão gastareis de força para entrar neste lugar Santo, pois é a própria Virgem que lhe impede de entrar. Se não vos arrependerdes de seus pecados, jamais entrarás aqui.
Furioso, o nobre pedia ainda mais forças aos seus soldados, até que sangue lhe escorre pela boca.
Diante dessa situação, o nobre envergonhado pelo estado de sua alma, pede ao padre que, então, lhe receba em confissão. E lá mesmo confessou seus pecados.
Depois disso, olhando para a porta da Igreja, se dirigiu a ela e conseguiu entrar. Se ajoelhou, e profundamente arrependido de suas faltas, agradeceu a Nossa Senhora por ter lhe livrado do inferno.
Esta é uma pequena história narrada nas cantigas de Santa Maria do Rei Alfonso X.
No entanto o que é Rocamadour?
Pequena para ser considerada uma cidade, uma vila também não é. Os grandes fatos que nela se deram a colocaram acima dos povoados comuns. Incrustada numa montanha, sua configuração mítica reproduz a seu modo o personagem que lhe deu o nome: Amadour, que tendo vivido ao lado da Santíssima Virgem, como seu criado, tornou-se grande e miraculoso santo.
Zaqueu, judeu de Jericó, era tão pequeno que, dele dizem os Evangelhos, para melhor contemplar a passagem do Mestre por sua cidade, subiu numa árvore.
Notando seu enlevo, Jesus o chamou e lhe disse que pernoitaria em sua casa. Essa honra marcou sua conversão.
Segundo imemorial tradição existentes entre os católicos franceses, após a Ressureição de Jesus, não podendo mais servir o Mestre, Zaqueu tornou-se criado de sua santa Mãe.
Após a Assunção aos Céus de Maria Santíssima, não podendo mais servir à Mãe do Mestre, fez Zaqueu como fizeram Lázaro e Maria Madalena: veio servir àquela que futuramente seria, entre as nações, a primogênita da Igreja, a França, então denominada Gália. Nesse território de missão, Zaqueu era chamado de Amadour.
Viveu no sudoeste francês, não longe da fronteira espanhola, solitário, nas grutas do penhasco hoje conhecido como ROCAMADOUR.
Eis o que relata o abade do mosteiro-fortaleza do Mont Saint-Michel, Robert de Torigny, em 1170:
“No ano da Encarnação de 1166, um habitante da região, achando-se em seus últimos instantes, pediu aos seus, sem dúvida por inspiração divina, de enterra-lo à entrada do oratório. Cavando a terra, encontrou-se o corpo de Amadour, bem inteiro; foi colocado na Igreja, junto ao altar, e assim é exposto, íntegro, aos peregrinos”.
A descoberta do corpo de Santo Amadour multiplicou as peregrinações. Reis e santos ali foram rezar ao longo dos séculos. Multidões passaram contritas por aquelas rochas. São Francisco de Assis lá esteve. São Luis com sua mãe, Branca de Castela, e seus irmãos juntaram-se ao longo cortejo dos peregrinos.
(O trecho abaixo da Cantiga de Santa Maria, foi extraído na Revista “Catolicismo” de junho de 1991 – escrito por Nelson R. Fragelli)
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Quem é mais forte?
Deus
Eu me lembro! Eu me lembro! Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.
E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?”
Minha mãe, a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: “Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos
Mais forte que o tufão, meu filho, É Deus!”
(Casemiro de Abreu)
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
As Catacumbas e Santa Filomena

A Catacombe de San Callisto é muito interessante, mas a melhor de todas para se visitar, sem dúvida é a de San Sebastiano. Ao entrar nelas o guia já informa: quem tiver claustrofobia, avise.

Todas elas são formadas por galerias intermináveis sob o chão, estreitas e profundas formando um emaranhado de corredores, quase que intermináveis, com “andares” subterrâneos. O guia que acompanha conta a história da catacumba e dos santos mártires que lá estiveram.
Na catacumba de San Sebastiano há fragmentos dos pratos onde comiam São Pedro e São Paulo, entre outras relíquias preciosíssimas. Mas isso é matéria para uma outra postagem.
No entanto falei das catacumbas, por que numa delas foram encontrados os ossos de Santa Filomena (catacumba de Santa Priscila).

Santa Filomena foi uma princesinha grega, torturada e morta aos 13 anos de idade, por Diocleciano, imperador de Roma, no 3o. século da era cristã. Foi chicoteada e atravessada por flechas, quase até a morte, sendo milagrosamente curada por Deus na prisão. Condenada a se afogar com uma âncora presa no pescoço foi novamente salva por dois anjos. Toda essa fúria do imperador devia-se à recusa da princesa em casar-se com ele, por ter feito voto de castidade, tornando-se esposa de Jesus Cristo aos 12 anos. Nem os pedidos de seus pais, cujo reino estava ameaçado pelo exército do imperador, nem toda a tortura sofrida, conseguiram faze-la desistir de seus votos. Santa Filomena soube cumprir como ninguém o 1o. Mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Cansado pelas tentativas inúteis e furiosas, por ver que os sucessivos milagres convertiam muita gente, até os próprios soldados, Diocleciano mandou que cortassem a cabeça da princesinha, que se tornou assim mais uma Virgem Mártir do Cristianismo.
Viveu apenas 13 anos de idade... Que diriam disso os que querem desesperadamente viver e ter saúde para gozar a vida, como acontece muito em nossos dias?
Seus restos mortais foram encontrados nas Catacumbas de Santa Priscila, nos arredores de Roma, em 24 de maio de 1802 e foram levados para Mugnano Del Cardinali entre Nola e Avelino, perto de Nápoles, em 1805, no dia 10 de agosto, dia e mês em que coincidem com os de sua morte. Estão lá até hoje, e são incontáveis os milagres que ela já fez em favor de seus devotos. Milhares de fiéis no mundo inteiro atestam, maravilhados, o poder desta Santinha que não deixa nenhum de seus devotos ao desamparo. O Papa Pio IX foi milagrosamente curado por ela.
Foi nomeada uma das Padroeiras das Filhas de Maria em 1894. Leão XIII antes de ser papa, fez duas peregrinações a Mugnano. Pio X mandou por um enviado especial, um rico anel de ouro e outros presentes magníficos ao Santuário da Santinha, em Mugnano.
O CORDÃO DE SANTA FILOMENA
São João Batista Maria Vianney, o Cura d'Ars, foi o maior difusor do uso do Cordão de Santa Filomena. O Papa Leão XIII aprovou o uso do Cordão em 1893 e concedeu indulgências a todos os que o usarem e rezarem esta oração:
Ó Santa Filomena, Virgem e Mártir, rogai por nós para que, por meio de vossa poderosa intercessão, possamos obter a pureza de alma e de coração, que conduz ao perfeito amor de Deus.
Para lucrar as indulgências plenárias com o Cordão é preciso confessar-se, comungar, e visitar alguma igreja ou um doente, rezando pelas intenções do Papa.
Qualquer pessoa pode fazer o Cordão de Santa Filomena, que deve ser feito com fios de linho ou lã ou de algodão. Em suas extremidades, de um lado, o Cordão tem dois nós, e na outra 3 nós, simbolizando a Santíssima Trindade e as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os fios devem ter quantidades mais ou menos iguais em cores branco e vermelho. O branco simboliza a virgindade de Santa Filomena, e o vermelho seu martírio.
A faculdade para benzer os cordões de Santa Filomena foi dada aos Padres de São Vicente de Paulo, mas atualmente qualquer padre pode benzê-lo validamente. A oração oficial da bênção do Cordão é:
S- "Senhor Jesus, concedei que todos os que usem este cordão mereçam ser preservados de qualquer perigo e recebam a saúde da alma e do corpo."
O cordão deve ser usado na cintura, sob a roupa, e se possível não ser retirado. Se não for possível usá-lo na cintura, pode-se usá-lo no braço ou na perna.
O ÓLEO DE SANTA FILOMENA
Esse óleo milagroso é retirado de qualquer lamparina que esteja iluminando uma imagem ou estampa de Santa Filomena, para passar no local da enfermidade.
sábado, 30 de julho de 2011
As flechas e a ironia

Passou por ele um chefe inimigo que fora aprisionado e os soldados que o escoltavam diziam-lhe zombarias e insultos. O prisioneiro, apesar da triste situação em que se achava, ao ver passar o guerreiro ferido, murmurou algumas palavras de piedade e simpatia.
O guerreiro ouvia-as e respondeu-lhe:
- Sofre menos o homem golpeado por uma flecha do que aquele que é ferido por insultos e zombarias. Tenho, igualmente, muita pena de vós!
Poucos são, na vida, aqueles que sabem resistir ao escárnio e à ironia.
É difícil lutar contra essa coisa à qual poucos resistem: a ironia. Saber resistir a um sorriso de desprezo é sinal de inteira força moral. Mais medo deverás ter do indivíduo que te ridiculariza do que daquele que te ataca brutalmente; este revolta-te, aquele perturba-te, e esta perturbação é, muitas vezes, o primeiro indício da derrota.
(Lendas do Céu e da Terra – autor D.)
quinta-feira, 28 de julho de 2011
O elefante e o pequenino

Para observa-lo, pus-me a segui-lo a pequena distância.
Junto a uma fonte ele parou e fez parar, também, o monstruoso paquiderme.
A seguir gritou para o elefante:
- Deita-te, Baluque!
O paciente e pesado animal obedeceu no mesmo instante.
Que fez, então, o pequeno? Tomou de um pedaço de corda, feita grosseiramente de talos de palmeira, e amarrou uma das patas do elefante a uma árvore que se erguia à margem da estrada. E a seguir disse, muito sério, ao Baluque:
- Fica quietinho, ouviste? Voltarei daqui a pouco. Se te levantares daí levarás uma surra daquelas!
E repetiu:
- Estás ouvindo?
Sim. Baluque ouviu. Ouviu e compreendeu, pois daquele lugar, junto à árvore, não saiu enquanto o menino esteve ausente.
E que prendia, afinal, o elefante? Uma simples embira que qualquer cachorro poderia, facilmente, rebentar.
As paixões da alma são como as brutas feras da Índia.
Confia em Deus, segue os ensinamentos do Evangelho, e poderás aprender com a tua energia todos os Baluques do pecado, que enchem de tanto horror os incrédulos.
(Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan)
A Benção da Medalha de São Bento

Da mesma forma o uso do escapulário. Para impor o escapulário o Padre deve ter autorização para isso.
Sua Santidade o Papa Bento XIV escreveu um BREVE em 12 de março de 1742, aprovando a Medalha com a Cruz, a efígie de São Bento e os caracteres que ela apresenta. Sancionou a fórmula da benção que lhe deve ser aplicada, e concedeu numerosas indulgências aos que a levassem consigo.
Trechos do BREVE de Sua Santidade o Papa Bento XIV:
Bento XIV, Papa
PARA PERPÉTUA MEMÓRIA DO ATO E PARA AUMENTAR A DEVOÇÃO DOS FIÉIS A JESUS CRISTO
[...]
Nosso amado filho Bennon Löbl, Monge professo da Ordem de São Bento e presentemente Abade do mosteiro de Brzewnow in Brauna, na diocese de Praga, mosteiro nullius, livre, isento e sujeito imediatamente à Sé Apostólica, e além disso Preboste de Wahlstad na Silésia, Prelado mitrado do reino da Boêmia e Visitador perpétuo da referida Ordem da Boêmia, Morávia e Silésia, mandou expor-Nos recentemente que em outra ocasião pediu-Nos, para seus sucessores, bem como para todos e cada um dos Abades, Priores e outros Monges da mesma Ordem sujeitos a ele e a seus sucessores que exercerem o mesmo direito de Visitador, a faculdade de benzer, segundo a fórmula expressa na petição, as Medalhas ou Cruzes chamadas de São Bento, de distribuí-las respectivamente para se ganharem as indulgências que lhes foram liberalmente anexadas; com proibição feita a qualquer outra pessoa eclesiástica de intervir nessa obra pia: a qual faculdade lhe foi benignamente concedida e outorgada por Decreto da Sagrada Congregação dos Cardeais da Santa Igreja Romana, preposta às Indulgências a 23 do mês de dezembro do ano de 1741, decreto esse que é do teor seguinte:
DECRETO PARA A ORDEM DE SÃO BENTO NA BOÊMIA, MORÁVIA E SILÉSIA:
V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit coelum et terram.
Exorciso vos, numismata, per Deum Patrem + omnipotentem, qui fecit coelumet terram, mare et omnia quae in eis sunt: omnis virtus adversarii, omnis exercitus diaboli, et omnis incursus; omne phantasma Sathanae, eradicare et effugare ab his numismatibus, ut fiant omnibus, qui eis usuri sunt, salus mentis et corporis, in nomine Dei Patris + omnipotentis, et Jesu Christi + Filii ejus, Domini Nostri, et Spiritus Sancti + Paracliti, et in charitate ejusdem Domini Nostri Jesu Christi, qui venturus est judicare vivos et mortuos et saeculum per ignem.
R. Amen.
Kyrie eleison, Criste eleison, Kyrie eleison. Pater Noster, etc.
V. Et ne nos inducas in tentationem.
R. Sed libera nos a malo.
V. Salvos fac servos tuos.
R. Deus meus, sperantes in te.
V. Esto nobis, Domine, turris fortitudinis.
R. A facie inimici.
V. Deus virtutem populo suo dabit.
R. Dominus benedicet populum suum in pace.
V. Mitte eis, Domine, auxilium de Sancto.
R. Et de Sion tuere eos.
V. Domine, exaudi orationem meam.
R. Et clamor meus ad te veniat.
V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
Oremus. Deus omnipotens, omnium bonorum largitor, supplices te rogamus ut per intercessionem sancti Patris Benedicti his sacris numismatibus, litteris et characteribus a te designatis, tuam benedictionem + infundas, ut omnes, qui ea gestaverint, ac bonis operibus intenti fuerint, sanitatem mentis et corporis, et gratiam sanctificationis, atque indulgentias nobis concessas consequi mereantur, omnesque diaboli insidias et fraudes per auxilium misericordiae tuae effugere valeant, et in conspectu tuo sancti et immaculati appareant. Per Dominum, etc.
Oremus. Domine Jesu, qui voluisti pro totius mundi redemptione, de Virgine nasci, circumcidi, a Judaeis reprobari, Judae osculo tradi, vinculis alligari, spinis coronari, clavis perforari, inter latrones crucifigi, lancea vulnerare et tandem in cruce mori: per tuam sanctissimam Passionem humiliter exoro, ut omnes diabólicas insidias et fraudes expellas ab eo, qui Nomen sanctum tuum his litteris et characteribus a te designatis devote invocaverit, et eum ad salutis portum perducere digneris. Qui vivis et regnas, etc.
Benedictio Dei Patris + omnipotentis, et Filii +, et Spiritus + Sancti descendat super haec numismata, ac ea gestantes, et maneat semper. In nomini Patris + et Filii + et Spiritus + Sancti. Amen.
(Aspergatur aqua benedicta).
Eis aí, então, o texto da Benção da Medalha de São Bento.
Continuando, literalmente, no que consta no BREVE de Sua Santidade o Papa Bento XIV:
“Não obstante qualquer prescrição em contrário, Sua Santidade declarou que as Medalhas de que se trata, se não tiverem sido bentas pelos Monges acima designados, ou por aqueles a quem a Santa Sé por privilégio especial conceder essa faculdade, não gozarão absolutamente de indulgência alguma”
[...]
“Além disso Sua Santidade proíbe expressamente que algum Sacerdote, ou secular, ou de qualquer Ordem, Congregação ou Instituto regular, e qualquer que seja a dignidade, ou cargo de que esteja investido, à exceção dos ditos Monges acima designados, ou daqueles a quem a Santa Sé houver concedido um Indulto por especial privilégio, se atreva ou presuma benzer as ditas Medalhas ou Cruzes, ou distribuí-las aos fiéis, sob as penas que, além da nulidade da benção e das indulgências, forem infligidas, a arbítrio dos respectivos Ordinários dos lugares ou dos Inquisidores da fé, segundo a gravidade da culpa. Não obstante qualquer coisa em contrário, e devendo as presentes ter valor perpétuo.”
É o que consta nos documentos da Igreja.
(“A Medalha de São Bento” – Dom Próspero Gueranger O.S.B. – Abade de Solesmes – Editora Artpress – São Paulo)
A velha no hospital

Em 1854, uma mulher idosa morava num hospital de doentes incuráveis, onde estava sempre na cama em conseqüência de uma paralisia quase total. Seus sentimentos eram os de uma ímpia furiosa, e de sua boca brotavam incessantemente as mais nojentas conversas, misturadas com atrevidas blasfêmias, a tal ponto que muitos a consideravam endemoniada. Desconfiava-se de que ela guardava na cama certos objetos maus, aptos a conserva-la em tão perversas disposições.
Um dia, desocupou-se o dormitório para limpa-lo; tiraram-na para uma sala vizinha, apesar dos uivos que soltava. Debaixo de seu colchão, as irmãs encontraram um saquinho com objetos de origem e destino mais do que suspeitos. Colocaram no mesmo lugar uma medalha de São Bento, e daí a pouco levaram a enferma de novo para a cama, sem lhe avisarem do que se havia feito em sua ausência. Mas sem dúvida algo lhe revelou o espírito mau; pois ela, quando ia ela chagando perto da cama, começou a gritar violentamente com as Irmãs, queixando-se de que lhe haviam roubado o saquinho.
Deitaram-na, entretanto e, de repente, um sossego extraordinário sucedeu aos costumeiros gritos. A alegria lhe transparece na fisionomia que até então só apresentava traços horrivelmente crispados. A pobre criatura pede um padre. Alguns dias depois, na enfermaria transformada em Capela, toda resplandecente de luzes e enfeitada com flores, recebia a Nosso Senhor que vinha consolar e curar aquela alma, escapada, como uma avezinha, da armadilha infernal rompida.
(Livro: A Medalha de São Bento - Dom Próspero Guéranger O.S.B. - Abade de Solesmes - Artpress - São Paulo)
terça-feira, 26 de julho de 2011
A Medalha de São Bento
A Medalha de São Bento é um objeto sagrado examinado e aprovado pela Igreja, e que reúne a força triunfante da Santa Cruz, que nos salvou, à recordação de São Bento, um dos mais ilustres servidores de Deus.Basta que o cristão considere a virtude soberana da Cruz de Jesus Cristo para compreender a dignidade de uma medalha na qual ela vem representada.
A Cruz foi, na realidade, o instrumento da redenção do mundo; ela é a árvore da salvação sobre a qual foi expiado o pecado original. Depois do Santíssimo Sacramento, nada há sobre a terra mais digno de nosso respeito do que a Cruz.
A honra de figurar na mesma medalha com a imagem da Santa Cruz foi concedida a São Bento, com a finalidade de indicar a eficácia que aquele sagrado sinal teve em suas mãos.
São Gregório Magno, que escreveu a vida do Patriarca São Bento, o representa dissipando com o sinal da Cruz suas próprias tentações, e quebrando com o mesmo sinal, feito sobre uma bebida envenenada, o cálice que a continha.
Se o espírito maligno, para aterrorizar os monges, lhes faz parecer em chamas o mosteiro de Monte Cassino, São Bento logo dissipa esse prodígio diabólico fazendo sobre as chamas fantásticas o mesmo sinal da Paixão do Salvador.

Quando seus discípulos andam interiormente agitados pelas sugestões do tentador, indica-lhes como remédio o traçarem sobre o coração a imagem da Cruz.
Assim, inúmeros exemplos e fatos se tiveram pelo uso eficaz do sinal da Cruz.
A Medalha de São Bento deve ser benta por uma oração especial, própria para a medalha. Normalmente muitas pessoas não sabem disso. Compram a Medalha e já logo colocam ao pescoço, ou ainda pedem para o padre benze-la com uma benção comum de objeto religioso. Porém é necessário que a Medalha receba uma benção especial própria da medalha. Há uma benção própria para isso. Como se trata de uma benção longa, os padres normalmente pedem para reunir todas as Medalhas e assim poder benzer todas de uma só vez.
Uma certa vez, uma senhora estava com problemas sérios em sua família. Desacertos com seu marido, filhos rebeldes, vida financeira ruim... Ficou sabendo da Medalha de São Bento, comprou-a e pediu para o sacerdote benze-la com a oração exorcística própria da medalha. Em sua casa havia um filtro de barro para colocar água. Toda a vez que enchia o filtro, ela mergulhava a medalha na água e com fé pedia a São Bento que ajudasse sua família. Ao cabo de alguns dias tudo começou a melhorar, pois a água santificada pelo contato com a Medalha de São Bento trouxe grandes graças para todos que a bebiam.
Numa localidade da Sabóia, pelos idos 1861, uma menina de seis anos era atormentada por dores agudas. Seus nervos tinham de tal modo se contraído que não se podia toca-la com a ponta do dedo se que ela sentisse fortíssimas dores. Neste estado, não podia aceitar alimento ou bebida de espécie alguma.
Duas religiosas foram visitar a menina doente, para levar a sua mãe algum conforto. Levavam consigo algumas medalhas de São Bento.
Chegando lá recomendaram que colocassem a medalha de São Bento no pescoço da menina, e tentassem faze-la engulir alguma bebida em que se houvesse mergulhado a Medalha.A mãe da enferma cumpriu fielmente a piedosa prescrição, e imediatamente se fez sentir um notável alívio. Ao Cabo de Alguns dias, levanta-se a menina perfeitamente curada.
Na frente da medalha aparece uma cruz e as letras C S P B gravadas. Estas letras são abreviações da frase em latim:Cruz Sancti Patris Benedicti (Cruz do Santo Pai Bento).
Na haste vertical da cruz estão gravadas as letras: C S S M L que significam:
Crux Sacra Sit Mihi Lux (A cruz sagrada seja minha luz).
Na haste horizontal, as iniciais N D S M D:
Non Draco Sit Mihi Dux (Não seja o dragão (demônio) meu guia).
No alto da cruz está gravada a palavra PAX (Paz), que é o lema da Ordem de São Bento.
As letras: V R S N S M V que significam:
Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana
(Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs).
E as letras S M Q L I V B:
Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas
(É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno).
A imagem de São Bento aparece no verso da medalha. Ele segura na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges beneditinos. Na outra mão, ele segura a cruz. Ao redor da medalha, lê-se:Eius in Obitu nro Praesentia Muniamur
(Que São Bento nos conforte na hora da nossa morte).
“A Cruz Sagrada seja a minha luz,
Não seja o dragão o meu guia.
Retira-te Satanás,
Nunca me aconselhes coisas vãs.
É mal o que tu me ofereces,
Bebe tu mesmo o teu veneno.”
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Nossa Senhora e as Modas

Em revelações a Jacinta, Nossa Senhora previu uma decadência moral espantosa em modas:
"Os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne."
"Hão de vir umas modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor."
"As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo."
(Antonio A. Borelli Machado, "As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia", 31ª edição, p. 66)
domingo, 24 de julho de 2011
A Morte e o Lenhador

“Santa Maria, rogai por nós agora, e na hora de nossa morte. Amém”

A morte do lenhador:
Um velhinho, muito velho, vivia de tirar lenha na mata. Os feixes, porém, cada vez lhe pareciam mais pesados. Tropicava com eles, quase caía, e um dia, caindo de verdade, perdeu a paciência e lamentou-se amargamente:
- Antes morrer! De que me vale a vida, se nem com este miserável feixe posso? Vem, ó Morte, vem aliviar-me do peso desta vida inútil.
Tentou erguer a lenha. Não pode e, desanimado, invocou pela segunda vez a Magra.
- Por que demoras tanto, Morte? Vem, já pedi, vem aliviar-me do fardo da vida. Andas pelo mundo a colher criancinhas e esqueces de mim que te chamo...
Ao vê-la de perto o homem estremeceu de pavor, e mais ainda quando a Magra lhe disse, batendo os ossos do queixo:
O velho tremia, suava... E para sair-se dos apuros só teve esta:
- Chamei-te, sim, mas para me ajudares a botar esta lenha às costas...
(autoria: Monteiro Lobato. Do livro Florilégio Nacional – de Português 4ª Série – ano de 1944, que pertenceu ao meu falecido pai)
sábado, 23 de julho de 2011
Milagres do Céu

DEPOIS DA MORTE DE SANTA CLARA:
Um menino de Perussa, chamado Jacobino, parecia não tanto doente, mas antes possesso de um espírito mau. Pois às vezes jogava-se desesperadamente no fogo, outras vezes debatia-se no chão ou mordia as pedras, até quebrar os dentes. Feria assim terrivelmente a sua cabeça e manchava o corpo com sangue. Ficava de boca torta e com a língua de fora. Dobrava os membros com tanta facilidade, colocando uma perna no pescoço. Duas vezes por dia o menino era atacado por essa loucura. Dois homens nem sequer eram capazes de impedir que ele se despisse.
Já fora pedida ajuda de médicos afamados, mas não se encontrou alguém que pudesse resolver o caso.
O pai dele, Guidoloto, não achando entre os homens solução para tanta desgraça, recorreu aos méritos de Santa Clara:
- Ó Clara, santíssima virgem, digna de veneração de todo mundo, ofereço-te o meu filho infeliz; peço-te com toda confiança: devolve-lhe a saúde.
Cheio de fé, dirigiu-se apressadamente ao túmulo dela, levando consigo o menino e colocando-o sobre a sepultura da virgem. E no mesmo momento que pediu o favor o obteve. Pois logo o menino ficou curado daquela doença e também mais tarde nunca mais foi molestado por aquela enfermidade.

A FÚRIA:
Um jovem francês que fazia parte da corte papal foi tomado de fúria, de tal forma, que não conseguia mais falar e seu corpo tremia terrivelmente, De maneira alguma havia quem pudesse dominá-lo. Pelo contrário, ele se soltava, de um modo pavoroso, das mãos dos que queriam segura-lo. Por isso seus compatriotas amarraram-no com cordas numa maca e levaram-no, contra sua vontade, para a igreja de Santa Clara. Lá foi colocado diante do túmulo dela e logo ficou totalmente curado por causa da fé daqueles que o haviam levado.
EPILÉTICO:
Valentino de Spello sofria tanto de epilepsia que caía seis vezes por dia onde quer que estivesse. Além disso, não podia andar normalmente, pois uma de suas pernas era mais curta do que a outra. Foi levado em lombo de burro ao túmulo de Santa Clara. Lá ficou deitado durante dois dias e três noites. No terceiro dia, sem que ninguém o tocasse, sua perna deu um forte estalo e imediatamente ficou curado de ambas as doenças.
OS LOBOS:A ferocidade sinistra de lobos cruéis castigava a região, havia muito tempo. Atacavam até pessoas e muitas vezes devoravam carne humana.
Certa mulher, de nome Bona, de Monte Galliano, na diocese de Assis, tinha dois filhos. Apenas tinha terminado o tempo de luto por um deles, morto pelos lobos, quando , com a mesma ferocidade, se precipitavam sobre o segundo. Enquanto a mãe estava dentro de casa, ocupada com os afazeres do lar, um lobo meteu os dentes no menino que brincava fora, mordendo-o no pescoço levando sua presa no mais rápido possível para a floresta.
Ouvindo os gritos do menino, alguns homens que estavam nos vinhedos gritavam para a mãe:
- Olha se o teu filho está em casa, pois acabamos de ouvir gemidos estranhos.
Percebendo a mãe que o seu filho fora raptados por um lobo, dirigiu seus clamores ao céu. E enchendo o ar com lamentações, invocou a virgem Clara dizendo:
- Ó gloriosa Santa Clara, devolve meu filho, coitado. Devolve a uma infeliz mãe o seu filhinho. Se não o fizerdes irei me afogar.
Correndo os vinhateiros atrás do lobo, encontraram a criancinha abandonada pelo lobo na floresta. Junto do menino viram um cachorro lambendo as feridas dele. A fera selvagem tinha botado primeiro seus dentes no pescoço do menino; depois, para carrega-lo melhor, o havia tomado pelo meio. Em ambas as partes deixara sinais bem visíveis de suas dentadas ferozes.
A mulher, vendo suas preces atendidas, apressou-se com os vizinhos para a sua protetora, mostrando a quantos queriam ver as chagas do menino. E ela agradeceu copiosamente a Deus e a Santa Clara.

- Socorro, Santa Clara, socorro. Recomendo-te esta menina.
O lobo colocou-a imediatamente e com todo o cuidado no chão. E como um ladrão, pego em fragrante, sumiu depressa.
(Esses milagres foram testemunhados e levados a exames, cujo resultados foram fixados no Processo de Canonização. O Papa Inocêncio IV havia encarregado, aos 18 de outubro de 1253, ao Bispo Bartolomeu de Espoleto de examinar a vida e os milagres de Clara.)
Morte de Santa Clara

As filhas, que logo ficarão órfãs, estão em torno do leito da mãe, a quem uma espada de dor lhe traspassa o coração. O sono não as faz retroceder nem a fome as afasta; mas, esquecidas do leito e da mesa, só lhes apraz chorar noite e dia.
Entre elas estava Inês, virgem devota, saturada de amargor das lágrimas, instava com sua irmã que não partisse abandonando-as. Mas Clara lhe respondeu:
- Irmã caríssima, apraz a Deus que eu me vá; tu porém deixa de chorar, pois chegarás diante do Senhor logo depois de mim, e Ele te concederá um grande consolo, antes que eu me aparte de ti.
(Inês era irmã de Clara e havia sido enviada em 1228 ou 1229 a Monticello, perto de Florença, onde foi abadessa. No inicio de 1253 Clara pediu que ela voltasse a S. Damião. Aí Inês faleceu pouco tempo depois de sua irmã.)
Por fim, viram-na debater-se na agonia durante muitos dias, nos quais cresceu a fé de muita gente e a devoção popular; os cardeais a visitavam assiduamente, de modo que era honrada como verdadeira santa. O mais maravilhoso, porém, é que, não podendo durante dezessete dias tomar alimento algum, foi sustentada pelo Senhor com tal fortaleza, que a todos os visitantes confortava no serviço de Cristo.
Estava entre os presentes, Frei Junípero, famoso por suas ardentes jaculatórias dirigidas ao Senhor. Ela lhe perguntou se tinha algo de novo a respeito do Senhor. Abrindo então a boca, ele deixou sair da fornalha de seu coração ardente as chispas de suas palavras chamejantes, e a virgem de Deus, ouvindo-as, recebeu um grande consolo.
Quanto ao resto: quem poderá relatar sem chorar? Estavam presente aqueles dois companheiros de São Francisco: Ângelo e Leão. Em todos havia muita tristeza e devoção à Clara.
Com seus olhos carnais ela contemplou, entre lágrimas, uma visão feliz. Traspassada por uma lança de profunda dor, dirigiu ela os olhos em direção à porta da casa. Viu entrando um coro de virgens, vestidas de túnicas alvas; todas tinham sobre a cabeça uma coroa de ouro. Caminhava entre elas uma que era mais resplandecente que as demais, [...] se difundia tão grande esplendor, que dentro da casa converteu a noite em dia luminoso. Ela se inclinou sobre Clara lhe deu um suavíssimo abraço.
Na manhã do dia seguinte, festa de São Lourenço, aquela alma santíssima saiu do corpo para ser laureada com o prêmio eterno.
Imediatamente espalhou-se a notícia do falecimento da virgem. Toda a população, ao ouvir esse infausto acontecimento, ficou abalada. Homens e mulheres acodem ao lugar, A afluência de pessoas é tão grande que a cidade parece ter ficado deserta.
No dia seguinte, toda a Cúria se põe em movimento:o Vigário de Cristo com os cardeais chegam ao local, e toda a população da cidade se dirige a São Damião.
Erguem o corpo do chão e o conduzem honorificamente, entre hinos e cânticos, entre sons de trombeta e jubilo festivo, a São Jorge. Pois este é o lugar em que o corpo de Santo Pai Francisco foi sepultado primeiro.
Poucos dias depois, sua irmã de sangue Inês também foi para a eternidade. Santa Inês foi ao encontro de Santa Clara.
“Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM)
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Uma vida feita de milagres

Na Bula de Canonização de Santa Clara, número 15, consta o seguinte episódio: O PÃO.
Havia no mosteiro apenas um pão, quando a fome já se fazia sentir e chegara a hora de comer . A Santa chama a despenseira e ordena-lhe que divida o pão em duas partes iguais, envie uma parte aos irmãos e reserve a outra para as irmãs. Em seguida, manda que da metade reservada faça cinqüenta fatias, conforme o número das irmãs, e as ponha na mesa da pobreza. E como a devota filha lhe respondesse que seriam então necessários os antigos milagres de Cristo para que tão escasso pão pudesse dar cinqüenta fatias, a mãe replicou-lhe:
- Filha, faze com toda confiança o que eu te digo.
A filha apressa-se a cumprir a ordem da mãe; e esta dirige pressurosa a Cristo piedosos suspiros em favor das filhas. Por divino favor cresceu aquela matéria entre as mãos da que cortava, de maneira que deu o suficiente para cada uma das irmãs da comunidade.
A PEDRA:
Um menino de três anos, chamado Mattiolo, da cidade de Espoleto, tinha introduzido uma pedrinha no nariz. Ninguém conseguia extraí-la do nariz, nem tampouco o menino conseguia expeli-la. Encontrando-se em grande perigo e angústia, é levado à Senhora Claram e enquanto é por ela assinalado com o sinal da cruz, no mesmo momento é lançada fora a pedrinha, ficando salvo o menino.
TERROR DOS SARRACENOS:

Por volta de 1239, a cidade de Assis foi sitiada pelos sarracenos e o convento das clarissas ficava nas portas da cidade. Os guerreiros já galgavam o muro, quando Santa Clara, que estava enferma, foi avisada. Levantou-se logo, dirigiu-se ao altar do SS.Sacramento, tomou nas mãos a custodia com a Sagrada Hóstia e, assim munida de Deus Nosso Senhor, dirigiu-lhe o seguinte apelo em voz alta:
- Quereis, Senhor, entregar aos infiéis estas vossas servas indefesas, que nutri com vosso amor? Vinde em socorro de vossas servas, pois não as posso proteger.
Após essas palavras, ouviu-se distintamente uma voz dizer:
- Serei vossa proteção hoje e sempre.
Enfrentando o invasor com o Santíssimo Sacramento em mãos, o efeito das palavras divinas se fez logo sentir: um pânico inexplicável se apoderou dos sarracenos: grande parte deles fugiram as pressas: alguns, que já haviam galgado o cimo do muro, caíram para trás. A intervenção de Santa Clara salvara o convento e a cidade do assalto inimigo.
“Os Escritos de Santa Clara” (editora Vozes – CEFEPAL – Petrópolis – 1984, traduzido por Frei Geraldo Van Buul OFM e Frei Serafim Lunter OFM)
terça-feira, 19 de julho de 2011
Verdadeira face de Santa Clara

Já logo no prefácio lemos: “Sem dúvida, podemos dizer que Santa Clara foi a seguidora mais fiel de São Francisco”. [...] “Os escritos que ela deixou são a Regra, o Testamento, a Benção e cinco Cartas. Incluímos aqui alguns outros documentos de valor para melhor conhecimento da Plantinha do Bem-Aventurado Pai.”
Clara nasceu em 1194 na cidade de Assis. Provavelmente ouviu Francisco pregar pela primeira vez em 1211, na Catedral de São Rufino, perto de sua casa paterna. Desde então Clara começou a se interessar pela vida religiosa.
Quando ela iniciou sua nova vida, nem os irmãos de Francisco tinham uma Regra muito formal. A de 1221 nunca foi aprovada, pois nunca apresentada às autoridades eclesiásticas para este fim. A Regra definitiva foi aprovada pelo Papa Honório III em 1223, três anos antes da morte de Francisco.
No entanto, os frades menores tinham, desde 1209, uma forma de vida, mas esta não se conservou. A este documento Francisco se refere no seu Testamento. Esse era o propósito de vida: A Altíssima Pobreza. Foi escrito com simplicidade e com poucas palavras, sendo principalmente expressões do santo Evangelho.
A Regra que Clara escreveu para suas irmãs segue em linhas gerais o texto da Regra definitiva dos frades menores de 1223. Muita coisa foi copiada ao pé da letra. Naturalmente nem tudo podia ser aplicado à vida das irmãs, uma vez que os frades viviam uma “VIDA MISTA” (isto é, uma vida meia contemplativa, meia fazendo pregações, ou se quiserem: um pouco de clausura e um pouco sem clausura), enquanto a vida das pobres damas era uma vida exclusivamente contemplativa (ou seja, na mais estrita clausura).
A admirável mulher, Clara de nome e clara por suas virtudes, nasceu em Assis, de estirpe muito ilustre. Seu pai era cavaleiro e toda sua ascendência pertencia à nobreza dos cavaleiros. Sua casa era muito rica com abundancia de bens, que contrastavam com o nível de vida do lugar. Sua mãe Hortolana era também dotada de bons e abundantes frutos. Com efeito, ainda que submissa à vontade do marido e presa aos cuidados da casa, dispunha de tempo para se dedicar quanto podia ao culto de Deus e com zelo constante às obras de piedade.
Como Clara conheceu Francisco? Ouvindo neste tempo falar de Francisco, cujo nome era famoso e que como homem novo renovava com novas virtudes o caminho da perfeição esquecida no mundo, logo o quis conhecer e ver, movida a este propósito por Deus. E sabendo Francisco que Clara queria o conhecer, logo tratou de providenciar tal encontro, pois queria almas para Deus.
A jovem Clara saia da casa paterna, acompanhada tão somente duma companheira familiar, e repetidas vezes visitava a Francisco cujas palavras a levava a desejar viver santamente.
Segundo consta na declaração de Beatriz, irmã de Clara, no Processo da Igreja (XII, 2), foi São Francisco quem primeiro visitou Clara. Ainda no Processo da Igreja (XVII, 3) declara que foi Bona de Guelfuccio quem acompanhava Clara em suas entrevistas com São Francisco. São Francisco, por sua vez, sempre estava acompanhado por Frei Felipe (Cf. Biografia de Santa Clara 37 e Lazzeri, Il Processo 489).
O Pai Francisco a exorta a desprezar o mundo, demonstrando-lhe com expressões vivas a esperança vã e o atrativo enganoso do século, exortando-a a preservar a pureza virginal para Deus que deu seu Filho ao Mundo.
Clara se converte e começa sua vida devotada a Deus, juntamente com outras moças.
No entanto, quando a notícia chega aos seus parentes, estes, com o coração dilacerado, condenam o fato de sua decisão. Todos juntos correm ao lugar, procurando conseguir o que não podem. Usando força, violência, sugestão, conselhos e afago de promessas, tentam persuadi-la a desistir de tão grande aviltamento que não condiz com sua nobreza e do qual não se encontra exemplo semelhante nos arredores. Mas ela, apesar de tudo, agarrando-se as toalhas do altar, descobre a cabeça raspada, garantindo que de maneira alguma seria mais arrancada do serviço de Cristo. Cresce-lhe o ânimo, à proporção que aumenta a oposição dos seus, até que seus parentes acabam cedendo e desistindo.
Clara, o horror de sua família. Clara, a Glória de Deus.
Pouco tempo depois a fama de sua santidade se espalha pelas regiões vizinhas. Isso faz com que muitas moças sejam atraídas pelo mesmo tipo de vida de Clara. As virgens não abrem mão de sua virgindade. As casadas se esmeram em comportar-se mais castamente. As da nobreza e de ilustre classe, abandonando os amplos palácios, constroem para si mosteiros estreitos e têm por grande viver por amor a Cristo. Nesta inocente porfia lança-se o entusiasmo dos jovens, que movidos pelos exemplos expressivos do sexo mais fraco se animam a desprezar os enganos da carne. Enfim, muitos cônjuges vinculam-se de mútuo acordo à lei da continência entrando, os homens nas Ordens, e as mulheres nos Mosteiros, As mães convidam as filhas e as filhas convidam as mães a entrarem no Mosteiro. Logo as sobrinhas, as tias, enfim, todos querem ser religiosos.
A fama das virtudes de Clara entra pela porta das senhoras ilustres, chega até aos palácios das duquesas e penetra mesmo na mansão das rainhas. A parte mais alta da nobreza se abaixa para seguir suas pegadas e,com santa humildade, renega o orgulho do sangue nobre. Algumas merecedoras dum matrimônio com duques e reis, fazem penitência rigorosa ao convite da mensagem de Clara, e as que tinham casado com potentados imitam Clara conforme podem.
Os Mosteiros se multiplicam, a castidade aumenta, o estado virginal é colocado em evidência.
Isto foi Santa Clara.
Santa Clara, rogai por nós.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Voe como a águia
Foi através de uma visão que Isaías foi chamado por Deus para ser profeta. Viu o trono de Deus no templo, acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.
Não o sabes? Não o aprendeste? O Senhor é um Deus eterno. Ele cria os confins da terra, sem jamais fatigar-se nem aborrecer-se; ninguém pode sondar sua sabedoria. Dá forças ao homem acabrunhado, redobra o vigor do fraco.
Até os adolescentes podem esgotar-se, e jovens robustos podem cambalear,
mas aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar. (Isaías, capítulo 40: 28-31)
É interessante como o Profeta faz analogia com a águia.
Quem conhece essas aves sabem que elas vivem em montanhas rochosas, e até escarpadas, altíssimas, enfrentando fortes ventos e tempestades.
Símbolo do heroísmo singular, essas aves não tem medo.
Na morte, as águias também dão excelente lição de vida.
Você já viu o cadáver de uma águia? É possível que já tenha visto o de uma galinha, de um cachorro, de um pombo ou até de um gato. Mas, com certeza nunca encontrou um cadáver de águia.
Sabe por quê? Porque quando elas sentem que chegou a hora de partir, não se lamentam nem ficam com medo. Localizam o pico de uma montanha inatingível, usam as últimas forças de seu corpo cansado e voam naquela direção. E lá esperam, resignadamente, o momento final. Até para morrer, as águias são extraordinárias.
Quando os seus momentos difíceis chegarem, não desanime. Eleve-se às alturas, voe como uma águia em direção ao Sol. Se eleve pelas orações em direção a Deus, que certamente o confortará. Muitas vezes Deus nos manda provações para fazer-nos se elevar até Ele pela oração. Um convite às alturas.
Por mais que os ventos soprem com força, confie em Deus, pois conforme diz Isaias – o grande Profeta de Deus que viu o Céu: Deus “dá forças ao homem acabrunhado, redobra o vigor do fraco.” [...] “aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar.”
Recebido por e-mail, desconheço o autor.
Caleb e as estrêlas do céu

Há uma diferença entre História e Estória. História são fatos da vida real, fatos históricos. Mas Estórias são contos criados para entreter. Normalmente as Estórias tem um fundo moral que educa. Hoje trago uma estória:
Alguém já ouviu falar de Caleb? Acredito que não, pois era um homem desconhecido até em sua época. Vivendo na mais estrita pobreza, alimentado por parentes e amigos que lhe traziam comida, morava ele nas margens do Mar Negro, estudando os antigos pergaminhos. Era tido como um sábio, pelos poucos que o conheciam.
A paisagem era propícia para pensamentos elevados. A brisa vinda do mar, se elevava até o monte onde numa pequena cavidade rochosa, Caleb fazia suas preces ao Altíssimo e estudava.
Um filósofo grego chamado Pitágoras, havia escrito que os planetas e as estrelas produziam uma música inaudível, chamada por ele de "harmonia das esferas". Platão teria seguido essa idéia conforme confirmam os historiadores. Assim como uma corda que ao girar na mão fortemente produz um som pelo atrito com o ar, da mesma forma os planetas ao fazerem seu movimento de rotação também produziriam um som... era a sinfonia celeste, inaudível ao ouvido humano.
Caleb ficava olhando a noite e as maravilhas do céu: as estrêlas.
Uma noite, vencido pelo cansaço acabou adormecendo ao relento.
A noite alta já ia longe quando uma suave música o despertou. Olhou em volta e não sabia dizer de onde vinha tal harmonia sonora.
Mas do mar, vinha pelas águas uma luz. Assustado Caleb não sabia o que fazer. O que seria aquilo?
Mas era um Anjo do Senhor que se aproximava e ao ver tal bela criatura, se prostrou no chão. Ao que o Anjo lhe disse:
- Caleb, você é um homem justo. Me dê a mão que te levarei ver maravilhas.

Assim fez; e num instante estava Caleb mergulhado no profundo e imenso universo. Era de lá que vinha tal música suave: a música das estrêlas.
Não se pode descrever o seu encantamento. Não há palavras para isso.
E ouvindo tal música, o Anjo foi lhe explicando:
- Veja o Sol. Majestoso, Cheio de Luz, a todas os outros planetas ilumina e sustenta. Símbolo da Força de Deus.
- Vê Mercúrio? É o mais próximo do Sol, símbolo do fervor religioso. Aquele outro, Vênus: é a “estrela” mais brilhante do céu e por isso nos ensina como devem brilhar os que crêem em Deus. Depois vem a Terra, símbolo da Vida e da fertilidade....
Caleb estava totalmente absorvido pelas maravilhas e pela música celeste.
O Anjo continuou:
- Marte, o planeta vermelho, guerreiro, símbolo da luta, pois é nessa região que estão os meteoros... Logo acima, a Grandeza de Júpiter, feito para enfrentar as grandes tempestades atmosféricas. Saturno: seus anéis são alianças com Deus.
O Anjo ia continuar, mas de repente silenciou....
Aliás até a música celeste não havia mais...
Tudo era só silencio...
Parecia que tudo havia parado....
- O que aconteceu? – perguntou Caleb
O Anjo apontou com a mão direita para o centro do universo.
Caleb ficou embasbacado. Pois se aproximava uma estrela de singular beleza, tão grande, tão cheia de luz, tão maravilhosa que era impossível descreve-la. Só sabia que todo o universo parou para ver passar aquela estrela de beleza sem par.
Caleb jamais tinha visto tal coisa. Beleza sem igual.
- Que estrela é essa que supera todas as demais em luz e beleza? Que faz todo o universo parar? Que toda a natureza a reverencia? – perguntou Caleb.
Ao que o Anjo respondeu:
- Essa é a Estrela de Belém, criada especialmente por Deus, para anunciar o Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
NOTA DO BLOG: Essa estória é muito antiga, não se sabendo o autor. Mas serve para mostrar a beleza da Estrela de Belém que levou os Reis Magos até a Gruta onde nasceu o Menino Deus.
A teoria da música celeste criada por Pitágoras e depois seguida por Platão, não é verdadeira. Os cientistas modernos rejeitaram essa teoria. Os símbolos dos planetas também foram criados para ilustrar a estória.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O Mundo pertence a Cristo Rei

quarta-feira, 13 de julho de 2011
São Columbano e sua história

A pedido de algumas pessoas que me enviaram e-mail, resolvi publicar um resumo da vida de São Columbano.
Monge extraordinário, esteio da Cristandade medieval nascente. Tendo fundado muitos mosteiros, nos quais imprimiu seu vigoroso caráter, esse heróico religioso deixou atrás de si um sulco de radicalidade na vida monástica e no combate à heresia ariana. Séculos depois, sua ação contribuiria para o apogeu medieval.
Poucos dados há sobre o nascimento e os primeiros anos desse Santo que tanta influência exerceria na vida monacal do Ocidente, em seu século e na baixa Idade Média. Sabe-se que nasceu em Leinster, Irlanda, em 540, mesmo ano em que o patriarca São Bento falecia em Monte Cassino.
O que é ressaltado na primeira biografia de Columbano, escrita por um de seus monges, Jonas de Bobbio, é que sua educação e instrução foram esmeradíssimas, tendo ele muito cedo se iniciado no estudo das Sagradas Escrituras. Fala também que era notável por sua beleza moral e física.
Adolescente, sentia em si, como São Paulo, os aguilhões da carne. Para não cair em sua escravidão, procurou conselho junto a uma piedosa reclusa que vivia em odor de santidade nas cercanias. Expôs-lhe suas tentações, pedindo que indicasse um remédio seguro para nelas não cair.
“Inflamado pelo fogo da adolescência - respondeu-lhe ela - tentarás em vão escapar de tua própria fragilidade enquanto permaneceres em teu solo natal. Para te salvares, é preciso fugir”.
Columbano, sempre determinado a fazer o que via ser seu dever, decidiu partir em seguida. Sua mãe, para detê-lo, deitou-se na soleira da porta. Saltando heroicamente sobre seu corpo, ele fugiu para o famoso mosteiro de Bangor. Com seus três mil monges, este brilhava iluminado por seu abade São Congal, discípulo de São Finiano, reputados ambos pela austeridade e severidade na direção de seus discípulos.
Como o heroísmo católico atrai e contagia, a vida desses monges começou a impressionar os povos que viviam em redor do mosteiro. Em breve, muitos nobres e plebeus para lá acorreriam para juntar-se aos monges, ou pelo menos para deles receber uma bênção para si, suas famílias e suas colheitas.
Entretanto, por vezes São Columbano sentia necessidade de afastar-se até do convívio dos seus, para afervorar-se mais. Retirava-se então para um lugar deserto, levando consigo só as Sagradas Escrituras e vivendo pacificamente no meio das feras. Nos fins-de-semana participava do Ofício Divino com sua comunidade.
São Columbano dizia aos seus monges:
“Que o monge viva no mosteiro sob a lei de um só e a companhia de muitos, para aprender de uns a humildade e de outros a paciência. Que não faça o que lhe agrade; que coma o que lhe é mandado; que não tenha senão o que lhe dêem e que obedeça a quem o desagrada. Irá ao leito esgotado de cansaço, dormindo já ao dirigir-se a ele, deixando-o sem terminar o sono. Se sofre alguma injúria, que se cale; tema ao superior como a Deus, e ame-o como a um pai. Não julgue as decisões dos anciãos. Avance sempre, reze sempre, trabalhe sempre, estude sempre”.
Retirando-se a uma caverna que havia transformado em capela dedicada a Nossa Senhora, o grande batalhador terminou seus dias em jejum e orações, a 21 de novembro do ano 615.
fonte: http://www.lepanto.com.br/dados/HagColumb.html
sábado, 9 de julho de 2011
Sincero, eis aqui a palavra

Quem a teria inventado?
Ora, foram os romanos, “Sincero” vem do velho, do velhíssimo latim. Eis a poética e tranqüila viagem que fez o “sincero” para vir de Roma até a letra “S” dos nossos bons dicionários.
Os romanos fabricam certos tipos de vasos de uma cera especial. Esta cera, era às vezes tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes. Em alguns casos chegava-se a distinguir um objeto (um colar, uma pulseira ou um dado) que estivesse colocado no interior do vaso. Para o vaso, assim fino e límpido, dizia o romano vaidoso:
- Como é lindo! Parece até que não tem cera! é um vaso “sine cera”.
“Sine” em latim quer dizer “sem” – como “sine die” (em latim), ou seja, “sem dia certo”
Assim “sine cera” queria dizer: sem cera!
“Sine cera” era, pois, uma certa qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes.
Da antiga cerâmica romana o vocábulo “sine cera” passou a ter significação, muito mais elevada. “Sincero” é aquele que é franco, leal, verdadeiro; que não oculta; que não usa disfarce, malícia ou dissimulação. O sincero, à semelhança do vaso romano, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração.
A sinceridade (ensinava o saudoso professor Silva Ramos) deve vir sempre ligada à delicadeza e à bondade.
Há muita gente, pouco educada, que confunde “sinceridade” com “grosseria”!
O sincero, à semelhança dos preciosos vasos romanos, deve ser fino e delicado.
A Delicadeza e a Sinceridade não são só irmãs: são também cunhadas. A Educação as uniu de tal modo que elas jamais poderão deixar de ser boas amigas e companheiras.
(Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan)







