Mas porque Almas Castelos? Eu conheci algumas. São pessoas cujas almas se parecem com um castelo. São fortes e combativas, contendo no seu interior inúmeras salas, cada qual com sua particularidade e sua maravilha. Conversar, ouvir uma história... é como passear pelas salas de sua alma, de seu castelo. Cada sala uma história, cada conversa uma sala. São pessoas de fé flamejante que, por sua palavra, levam ao próximo: fé, esperança e caridade. São verdadeiras fortalezas como os muros de um Castelo contra a crise moral e as tendências desordenadas do mundo moderno. Quando encontramos essas pessoas, percebemos que conhecer sua alma, seu interior, é o mesmo que visitar um castelo com suas inúmeras salas. São pessoas que voam para a região mais alta do pensamento e se elevam como uma águia, admirando os horizontes e o sol... Vivem na grandeza das montanhas rochosas onde os ventos são para os heróis... Eu conheci algumas dessas águias do pensamento. Foram meus professores e mestres, meus avós e sobretudo meus Pais que enriqueceram minha juventude e me deram a devida formação Católica Apostolica Romana através das mais belas histórias.

A arte de contar histórias está sumindo, infelizmente.

O contador de histórias sempre ocupou um lugar muito importante em outras épocas.

As famílias não têm mais a união de outrora, as conversas entre amigos se tornaram banais. Contar histórias: Une as famílias, anima uma conversa, torna a aula agradável, reata as conversas entre pais e filhos, dá sabedoria aos adultos, torna um jantar interessante, aguça a inteligência, ilustra conferências... Pense nisso.

Há sempre uma história para qualquer ocasião.

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15)

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinava por parábolas. Peço a Nossa Senhora que recompense ao cêntuplo, todas as pessoas que visitarem este Blog e de alguma forma me ajudarem a divulga-lo. Convido você a ser um seguidor. Autorizo a copiar todas as matérias publicadas neste blog, mas peço a gentileza de mencionarem a fonte de onde originalmente foi extraída. Além de contos, estórias, histórias e poesias, o blog poderá trazer notícias e outras matérias para debates.
Agradeço todos os Sêlos, Prêmios e Reconhecimentos que o Blog Almas Castelos recebeu. Todos eles dou para Nossa Senhora, sem a qual o Almas Castelos não existiria. Por uma questão de estética os mesmos foram colocados na barra lateral direita do Blog. Obrigado. Que a Santa Mãe de Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

São João, o Teólogo



Há um mistério sobre São João, o discípulo amado de Jesus. Uns dizem que São João não passou pela morte, outros dizem que sim. Estaria São João no paraíso terrestre, juntamente com Santo Elias, sendo alimentado pelo fruto da vida? Ou será que está no céu e ainda retornará à Terra para uma missão especial?

Segundo bispo Polícrates de Éfeso em 190 (atestada por Eusébio de Cesareia na sua História Eclesiástica, 5, 24), o Apóstolo "dormiu" (faleceu) em Éfeso. Contudo, conta-se que a mesma estava vazia quando foi aberta por Constantino para edificar-lhe uma igreja.

Controvérsias são suscitadas baseadas nos próprios textos bíblicos que afirmam que este discípulo não passou pela morte, segundo a interpretação de alguns. Com efeito é possível ler:

Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu Reino. (Mateus 16,28)

De outra parte está também escrito nos Evangelhos:

Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: "Senhor, quem é o traidor?" Vendo-o, pois, Pedro perguntou a Jesus: "E quanto a este?" Respondeu-lhe Jesus: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me."
Então, se tornou corrente entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não morreria. Ora, "Jesus não dissera que tal discípulo não morreria", mas: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?
(João 21,18-25)

No apocalipse, nas visões de São João, consta claramente:

Tomei então o pequeno livro da mão do anjo e o comi. De fato, em minha boca tinha a doçura do mel, mas depois de o ter comido, amargou-me nas entranhas.
Então foi-me explicado: Urge que ainda profetizes de novo a numerosas nações, povos, línguas e reis.
(Apocalipse, 10: 10-11)

Assim, com esta introdução farei mais duas postagens sobre a vida de São João Evangelista, o teólogo.

(ilustração de Gustave Dore)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Olhe para cima


Recebí de um amigo um e-mail com um pequeno texto, mas muito interessante. Desconheço o autor. Segue o texto:

Se você colocar um falcão em um cercado de um metro quadrado e inteiramente aberto em cima ele se tornará um prisioneiro, apesar de sua habilidade para o vôo. A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida, nessa pequena cadeia sem teto.

O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso totalmente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar.

Um zangão, se cair em um pote aberto ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto atirar-se contra as paredes do vidro.

Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se obstinadamente contra os obstáculos , sem perceber que a saída está logo acima.

Se você está como um zangão, um morcego ou um falcão, cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima!

E lá estará Deus e Cristo Jesus, à distância apenas de uma oração!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nossa Senhora do Ó


Certos nomes ou invocações de Nossa Senhora, pelo fato de os termos ouvido sempre, desde a infância, não nos chamam a atenção. Mas, para quem nunca os ouviu, parecem um tanto estranhos.

Fato muitas vezes embaraçoso para quem reside ao lado de uma imagem que sempre invocou e nem sabe qual a origem do nome. Foi o que aconteceu a um amigo com a invocação de Nossa Senhora do Ó. Tantas vezes a ouviu, e quando lhe perguntaram o significado dela, que perplexidade!

Ó Menino Jesus!

Após o pecado original, Deus prometeu a Adão que viria um Redentor. A humanidade ficou séculos esperando o nascimento dAquele que nos abriria as portas do Céu. Especialmente no povo eleito, havia os que aguardavam o nascimento desse Salvador, o Messias. E sobretudo esperava-O ardentemente uma donzela pertencente ao povo judeu: Maria Santíssima.

Para celebrar essa expectativa de Nossa Senhora, o anseio e a alegria com que Ela aguardava o nascimento de seu divino Filho, determinou a Igreja que a última semana antes do Natal fosse denominada “da expectação” ou “da esperança”. E que esses desejos estivessem refletidos nas antífonas do Ofício ou Breviário que devem rezar sacerdotes e religiosos.

Por coincidência, nessa mesma semana elas começavam todas por Ó!. Assim eram lidas as antífonas Ó! Sabedoria, Ó! Emmanuel, Ó! Rex Gentium, Ó! Adonai, Ó! Radix Jesse, Ó! Clavis David etc. Antífonas que terminavam todas com a invocação “Veni”, vinde.

Tais súplicas ardentes para que viesse logo o Salvador do mundo, a Santa Igreja as extraiu das mais notáveis passagens da Sagrada Escritura, nas quais os Patriarcas e Profetas manifestam seus desejos de que nascesse o quanto antes o Redentor.

Se eles manifestavam assim tais desejos, quanto mais não os manifestaria Nossa Senhora, que sabia estar tão próximo o nascimento do Messias! E se eles diziam: Ó! Senhor, vinde logo, com quanta mais fé Nossa Senhora não diria o mesmo! Desse pensamento piedoso nasceu a devoção a Nossa Senhora do Ó.

Uma devoção que sobrevive à transformação da cidade de São Paulo

Na capital paulista, a paróquia da Freguesia do Ó, e o bairro nascido em torno dela, devem seu nome a essa invocação. Já em 1618, havia sido construída uma capela com tal nome numa aldeia de índios próxima a Piratininga pelo bandeirante Manuel Preto. Mas com o aumento da população foi necessário edificar novo templo, concluído em 1795. Essa nova igreja incendiou-se no final do século XIX, tendo sido substituída pela atual, que data de 1901.

Se esse templo falasse, poderia narrar as incríveis transformações que viu se realizarem a seu redor... Em todo caso, é reconfortante ver ainda hoje a torre da igreja com seus anjos tocando trombeta para celebrar a alegria da Virgem que vai dar à luz.
Devoção antiga em três outros Estados brasileiros

Se bem não haja documentos que o comprovem, parece ter sido em Olinda que começou essa devoção no Brasil. Isto porque existe uma imagem que consta ter sido levada lá por ocasião da fundação da cidade. Talvez a tenha conduzido algum devoto português de Évora ou Torres Novas, locais onde tal devoção é muito difundida. Em todo caso, é certo que já em 1709 a imagem encontrava-se no local.

No Rio de Janeiro, existiu uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora do Ó, na Várzea, junto ao morro de São Januário e da praia, que foi construída após a reconquista da cidade das mãos dos franceses calvinistas.

Na cidade de Sabará, em Minas Gerais, a devoção foi levada àquela região pela família do bandeirante Bartolomeu Bueno, a qual construiu no século XVIII uma igreja com a mesma invocação.

Portanto, em vários lugares do território nacional a devoção tem origem muito antiga.

E se, infelizmente, em alguns locais a devoção desapareceu, em outros mantém-se até o presente.

Também na América hispânica a devoção se difundiu, o que não é de estranhar, uma vez que foi um espanhol do século VII, Santo Ildefonso, Bispo de Toledo, na Espanha, quem pela primeira vez mandou festejar tal invocação.

E foi especialmente no Peru que a devoção vingou, graças ao empenho dos padres jesuítas. Estes fundaram em Lima, na igreja de San Pedro y San Pablo, uma confraria à qual pertenceu grande parte da classe alta da cidade, tendo vários Vice-reis ingressado nela. Esta confraria, que começou com apenas 12 pessoas e poucos recursos, foi crescendo até contar atualmente com centenas de associados e um capital considerável.

Infelizmente, tanto no exterior quanto no Brasil a devoção foi decaindo, por motivos vários. Dentre eles, convém assinalar o fato de o homem moderno ter o coração fechado para as alegrias inocentes, como é a alegria do Natal, ou a alegria da mãe que espera o nascimento de seu filho. Quantos homens não sentem mais nenhuma alegria no Natal, quando antes o esperavam ansiosos na infância!

Concluímos com uma proposta: assim como Nossa Senhora, na expectativa do nascimento do Salvador, rogava Ó! Senhor, vinde logo! – também nós devemos, hoje mais do que nunca, suplicar: “Ó! Senhora, vinde logo! Antes havia a expectativa da vinda de Vosso divino Filho. Hoje, grande é a expectativa de que se cumpram as profecias que anunciastes em Fátima no ano de 1917. Não tardeis!”

Bibliografia:
Ruben Vargas Ugarte, S.J. Historia del Culto de María en Iberoamérica y de sus Imágenes y Santuarios más celebrados, Madrid, 1956, Tomo II, 3a edição.
Nilza Botelho Megale, Cento e doze invocações da Virgem Maria no Brasil, Ed. Vozes, 2a edição, Petropolis, 1986.
Edésia Aducci, Maria e seus gloriosos títulos, Ed. Lar Católico, 1a edição, 1958.


(Revista Catolicismo: fevereiro de 2000)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O demônio esclareceu


Nem o demônio é ateu, pois ele viu Deus. Mas uma coisa é certa: a maior "armadilha" do demônio é fazer crer que ele mesmo não existe. Por isso ele se esconde, não quer aparecer, apesar do seu desejo profundo: ser "senhor" deste mundo. Se ele aparecesse, certamente os homens veriam que ele existe e portanto se converteriam e isso o demônio jamais quereria. Por isso, se ele aparecesse, deveria aparacer como um "homem bom", para que pudesse atrair o maior numero de pessoas para suas falsas doutrinas (muito bem pensadas e articuladas). Portanto, não se iludam com as aparencias, não se iludam com "charmes" ou "cara de bonzinho". AS VERDADES DE SEMPRE SÃO ETERNAS. Deus não muda - diz Santa Teresa.

Recebí um e-mail muito interessante, embora não dissesse o autor do texto, resolvi publicá-lo:

Entrevista com o demônio:

QUEM O CRIOU?
Lúcifer : Fui criado pelo próprio Deus, bem antes da criação do homem. [Ezequiel 28:15]

COMO VOCÊ ERA QUANDO FOI CRIADO?
Lúcifer : Vim à existência já na forma completa e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e minhas “vestes” foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28:12,13]

ONDE VOCÊ MORAVA?
Lúcifer : No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28:13]

QUAL ERA SUA FUNÇÃO NO REINO DE DEUS?
Lúcifer: Como serafim, minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Varri, com minha calda, um terço deles e os atirei à terra. [Ezequiel 28:14; Apocalipse 12:4]

ALGUMA COISA FALTAVA A VOCÊ?
Lúcifer : (reflexivo, diminuiu o tom de voz) Não, nada!

O QUE ACONTECEU QUE O AFASTOU DA FUNÇÃO DE MAIOR HONRA QUE UM ANJO PODERIA TER?
Lúcifer : Não aconteceu de repente. Um dia eu me vi, como num espelho, e percebi que sobrepujava os outros anjos (talvez não a Miguel ou Gabriel) em inteligência, beleza e força. Comecei então desejar ser adorado como deus. Do desejo passei à revolta contra Deus, com o brado “Non serviam” (Não servirei). Travei, com meus seguazes, uma enorme batalha no Céu, contra São Miguel e seus seguidores. Num determinado instante fomos precipitados para a terra e para o inferno, expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14:13,14; Ezequiel 28: 15-17]

O QUE DETONOU FINALMENTE A SUA REBELIÃO?
Lúcifer : Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por conseqüência, superior a mim, não consegui aceitar. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu espírito. [Isaías 14:12-14]

O QUE ACONTECEU COM OS ANJOS SEUS SEQUAZES?
Lúcifer : Eles me seguiram e também foram expulsos. Formamos, juntos, o império das trevas. [Apocalipse 12:3,4]

COMO ENCARAS O HOMEM?
Lúcifer : (com raiva) Tenho ódio de toda criatura humana e faço tudo para perdê-las, pois eu as invejo. Eu é que deveria ser semelhante a Deus. [1Pedro 5:8]

QUAIS SÃO SUAS ESTRATÉGIAS PARA PERDER OS HOMENS?
Lúcifer : Meu objetivo maior é afastá-los de Deus. Eu estimulo a praticar o mal e confundo suas idéias com um mar de filosofias, pensamentos e religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades. Envio meus mensageiros travestidos, para confundir aqueles que querem buscar a Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto. E tem mais. Faço com que a verdadeira mensagem de Jesus Cristo pareça anacrônica, tento estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para desvirtuar e enfraquecer a verdadeira igreja, lançando divisões, desânimo, adultério, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de dedicação (ri às escaras). Tento destruir a vida dos pastores, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus e orgulho. [1Pedro 5:8; Tiago 4:7; Gálatas 5:19-21; 1 coríntios 3:3; 2 Pedro 2:1; 2 Timóteo 3:1-8; Apocalipse 12:9]

E SOBRE O FUTURO?
Lúcifer : (com o semblante de ódio) Eu sei que não posso vencer a Deus e por fim irei definitivamente ao lago de fogo, minha prisão eterna. Eu e meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas conosco. [Ezequiel 28:19; Judas 6; Apocalipse 20:10,15]

(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Mercador de Sonhos

Entrei e no meio da sala, mal iluminada e forrada de tapetes amarelos, avistei um homem alto, pálido, de barbas grisalhas, que se dirigiu para mim vagarosamente. Ostentava largo turbante de seda branca, onde cintilava uma pedra que não pude classificar. No seu semblante havia cansaço e esse não sei quê de misterioso notado em todos quantos mercadejavam com a magia. Era o famoso feiticeiro hindu. Os marroquinos do bairro, com aquela precisão com que o vulgo geralmente apelida os tipos populares, haviam-no denominado “o mercador de sonhos”.

— Que desejais, ó jovem? — perguntou, fitando em mim os seus olhos negros e perspicazes.

— Afirmaram-me — respondi — que o senhor possui, graças a certos fluidos mágicos, o estranho poder oculto de fazer com que uma pessoa tenha o sonho que quiser. Sou curioso. Quero experimentar os encantos de sua magia, a força de seus fluidos maravilhosos. Quero sonhar.

— É verdade! É verdade — confirmou o mago indiano. — Tenho, realmente, esse dom raro e precioso de poder proporcionar às pessoas que me procuram todas as alegrias e todos os prazeres de um sonho desejado.

E, apontando para uma larga poltrona escura que estava a um canto, disse-me com gentileza:

— Senta-te e dize-me: com quem desejas sonhar? Que espécie de sonho mais te agrada, ó maometano?

Contei-lhe então o motivo único da minha visita àquele antro misterioso da magia-negra.

— Antes de tudo — comecei — devo dizer-lhe que sou um indivíduo excessivamente romântico e idealista. Sempre senti a forte atração das fantasias. Ultimamente, durante uma festa militar em Marraqueche, conheci certa jovem cristã, filha de um francês de alta linhagem, que exerce funções diplomáticas na corte do sultão. Apaixonei-me loucamente por ela, mas não sei ainda se sou correspondido. Não obstante, desejo sonhar uma vez ao menos com a minha amada, um sonho claro e perfeito! Nesse sentido já fiz o possível, mas os meus sonhos povoam-se de imagens quase sempre desconexas, em meio das quais nunca vislumbrei a dona dos meus enlevos, a inspiradora do meu grande amor!

— E qual é o nome dessa jovem ideal? — perguntou-me o feiticeiro.

— Susana de Plassy.

— Curioso — observou o famoso ocultista, passando vagarosamente a mão larga pela testa bronzeada — muito curioso! Ontem, ao cair da tarde, fui procurado por uma jovem cristã que aqui apareceu acompanhada por uma escrava moura: a minha formosa visitante pediu-me que a fizesse sonhar com um dos oficiais da guarda do sultão, Omar Ben-Riduan! Indaguei do seu nome e soube que a jovem se chamava Susana de Plassy!

Ao ouvir semelhante revelação, um frêmito me percorreu o corpo todo e levantei-me como se fosse impelido por alguma possante mola de aço.

— Omar Ben-Riduan? Omar Ben-Riduan é o meu nome! Omar Ben-Riduan sou eu! Se ela pediu que a fizesse sonhar comigo, é certo que me ama também.

— Felicito-o, ó jovem — replicou o indiano, batendo-me, carinhoso, no ombro. — É muito raro ver-se uma formosa cristã apaixonada por um muçulmano. Bem sabes o imenso abismo que separa os adeptos de Mafoma daqueles que professam a religião de Jesus!

Louco de alegria, atirei um punhado de ouro ao velho feiticeiro e corri para casa. Sentia-me alucinado como se estivesse sob a ação perturbadora de forte dose de haxixe.

Reuni alguns de meus mais íntimos, contei-lhes o que havia ocorrido e pedi-lhes que me ajudassem a encontrar uma solução para o meu caso sentimental.

El Hadj Ben Cherak, homem sensato e muito relacionado na alta-sociedade marroquina, disse-me, sem hesitar:

— Conheço muito bem o pai de tua apaixonada. É um cristão mau como um emir e mais orgulhoso do que um paxá. Detesta os árabes e jamais consentirá que sua filha se case com um muçulmano! Só vejo, portanto, uma solução: terás de raptar a jovem Susana! E isso só conseguirás com a sua cumplicidade!

Seguindo o conselho do prudente Ben-Cherak, fiz, naquela mesma tarde, os preparativos para a minha fuga.

Já tarde da noite, chegou à minha casa, de volta, o portador que eu enviara ao rico palacete do nobre francês. Fui então informado de que Susana oito dias antes havia partido para a Europa, a fim de lá se casar com um fidalgo escocês.

Percebi, no mesmo instante, que fora vítima de vergonhosa mistificação do indiano.

Revoltado e furioso por causa do papel ridículo que havia feito, voltei novamente ao antro do intrujão, resolvido a tirar tremenda desforra.

O velho hindu — depois de atender a vários clientes que o esperavam — recebeu-me calmo, cínico, o semblante plácido de quem nunca praticara ação censurável.

Gritei-lhe, ameaçando-o com o punho fechado:

— Miserável! Por que mentiu? Susana nunca veio aqui a este antro nojento!

— Vamos devagar, meu jovem amigo — replicou o charlatão, imperturbável, segurando-me pela mão que o ameaçava. — Não fiz senão o que tu me pediste. Vi, casualmente, o teu nome gravado no cabo do rico punhal que trazes à cinta. Jogando facilmente com o teu nome, pude proporcionar-te o encanto de uma ilusão efêmera. Menti para que pudesses não somente sonhar com um amor impossível como também acreditar nele!

E concluiu, sardônico, terrível:

— Afinal, o que vieste buscar aqui? Não foi um sonho? Não foi uma ilusão? Pois bem, eis, precisamente, o que te vendi: Um sonho... uma ilusão...

(Fonte: Minha Vida Querida – Os segredos da alma feminina nas lendas do Oriente – Malta Tahan.)

(Ilustrações de : Calmon Barreto, Solon Botelho e Renato Silva)

NOTA DO BLOG: Outro dia uma amiga veio até mim cheia de tristeza, dizendo que havia conhecido uma pessoa pela internet e se apaixonado. Posteriormente ao marcar um encontro percebeu que as palavras doces que facilmente eram “tecladas” não correspondiam à realidade da pessoa que conheceu. Meus amigos e minhas amigas, a internet também não é um “mercador de sonhos”? Fiquemos atentos. Veja também:
http://jovensenamoros.blogspot.com/2010/12/principe-encantado-ou-princesa.html

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cristo Redentor - 80 anos


ALMAS CASTELOS DEIXA UMA NOTA: O Cristo Redentor que está no alto do Corcovado é o símbolo da fé brasileira. Por mais que circunstâncias adversas possam fazer parecer que os nossos dias estão entregues às forças do mal, a Fé do povo brasileiro é ainda maior; pois, por sua Fé, o povo brasileiro escreveu sua própria história e é por sua Fé imensa que os horizontes históricos nos prometem a grandeza deste Brasil de dimensões continentais.

A imagem do Cristo Redentor que está no alto do Morro do Corcovado, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, foi inaugurada no dia 12 de outubro de 1931, exatamente às 19 horas e 15 minutos, depois de cinco anos de obras. Está a 709 metros do nível do mar. A imagem tem 38 metros de altura, sendo que oito são do pedestal, e tendo a largura (mão a mão) de 30 metros, sendo a segunda maior estátua de Cristo no mundo, atrás apenas da Estátua de Cristo Rei, na Polônia.

O padre lazarista Pedro Maria Boss, ao chegar da França, ficou encantado com as belezas naturais do Rio de Janeiro, de tal forma que, em 1859, sugeriu à Princesa Isabel a colocação de uma imagem de Jesus Cristo no alto do Morro no Rio de Janeiro. O projeto ia muito bem quando houve a proclamação da república e a nossa grande Princesa Isabel teve que sair do Brasil. Logo depois o padre Pedro faleceu. E assim o projeto ficou parado somente sendo retomado em 1921, quando se iniciaram os preparativos para as comemorações do centenário da Independência. Na época o episcopado, na figura maior do Cardeal Arcebispo Sebastião Leme, fez um abaixo assinado exigindo a construção do Cristo Redentor. A inauguração suscitou uma onda de fé jamais vista no país. Peregrinos chegavam de todas as partes para reunir-se em cortejos, orações e missas ministradas em diferentes pontos da cidade.
Uma liturgia pela reafirmação de Cristo como rei do Brasil, condição coibida logo após a proclamação da República, quando, com a decretação da separação entre a Igreja e o Estado, garantiu-se a liberdade religiosa.

A estrada de rodagem que dá acesso ao local onde hoje se situa o Cristo Redentor foi construída em 1824, e em 1882 Dom Pedro II autoriza a construção da Estrada de Ferro do Corcovado, que começa a funcionar em 1884 no trecho Cosme Velho Paineiras. Um ano mais tarde é inaugurado o trecho final da estrada de ferro, ligando as Paineiras ao topo do morro. A extensão total da ferrovia é de 3800 metros, foi a primeira ser eletrificada no Brasil em 1906.

A construção do Cristo Redentor ainda é considerada uma dos grandes capítulos da engenharia civil brasileira. O dono do projeto levou sua vida inteira construindo a estátua, que foi construída em concreto armado e revestida de pedra sabão.

Dentre as pessoas que colaboraram para a realização, podem ser citados o engenheiro Heitor da Silva Costa (autor do projeto escolhido em 1923), o artista plástico Carlos Oswald (autor do desenho final do monumento) e o escultor francês de origem polonesa Paul Max Landowski.

Na cerimônia de inauguração, no dia 12 de outubro de 1931, estava previsto que a iluminação do monumento seria acionada a partir da cidade de Nápoles, de onde o cientista italiano Guglielmo Marconi emitiria um sinal elétrico que seria retransmitido para uma antena situada no bairro carioca de Jacarepaguá, via uma estação receptora localizada em Dorchester, Inglaterra, tudo a convite de Assis Chateaubriand. No entanto, o mau tempo impossibilitou a façanha e a iluminação foi acionada diretamente do local. O sistema de iluminação original foi substituído duas vezes: em 1932 e no ano 2000.

Antes mesmo de ser construído, o Cristo Redentor era motivo de acaloradas discussões que dividiam o país entre católicos, protestantes e cidadãos sem religião. Foi preciso muita Fé e muita oração.

FONTES:

Wikipédia, a enciclopédia livre

Rádio FM: CBN (dia 04/10/2011)

Desconheço a autoria da foto - retirada da internet.

sábado, 1 de outubro de 2011

O cego Bartimeu


Ninguém sabe quanto tempo se assentou na estrada poeirenta de Jericó, com a mão estendida, em busca de esmolas, o pobre cego Bartimeu. Acostumara-se com as rudes multidões que passavam gritando e praguejando; de vez em quando recebia de um viajante piedoso uma ou outra moeda. Naquele dia, porém, havia uma agitação geral e desusada. Transeuntes se apressavam, falando em altas vozes.
O cego indaga.

- É Jesus, o Nazareno, que vai passar – responderam.

A vibração do nome de Jesus trouxe grande esperança ao coração do mendigo Era Jesus o amigo dos cegos, dos pobres, dos transviados! Era Jesus, o grande Médico.

Então clamou, com a alma invadida pela fé:

- Jesus, filho de David! Tem misericórdia de mim!

Os indiferentes riem-se dele e ferem-no com chacotas.
Nenhuma força, porém pode abater o ânimo do pobre:

- Jesus, filho de David! Tem misericórdia de mim!

Um fariseu que passava empurra-o impiedoso com o pé:

- Cala-te, miserável!

Nada, porém, seria capaz de abalar a fé que vivia no coração do cego. Ei-lo que continuava, com fervor:

- Jesus, filho de David! Tem misericórdia de mim!

Alguém da multidão, dele se aproxima, e diz-lhe:

- Levanta-te, Bartimeu, que Ele acaba de chamar por ti!

E o infeliz Bartimeu, lançando de si a capa que trazia ao ombro, levantou-se e foi ter com Jesus.

- Que queres que te faça? – perguntou-lhe Jesus.

- Eu quero ver, Senhor! Eu quero ver!

Respondeu o Mestre:

- A tua fé te salva!

E a treva que esmagava os olhos de Bartimeu se transformou em luz!

Somos hoje gratos ao Bartimeu, pela importante lição de fé que nos legou. Ela nos ajuda a reconhecer que Jesus, o Salvador, passa ainda e passará sempre; que toma cuidado de nós, e responde a cada sincero clamor que Lhe é dirigido.

Em Vós, meu bom Jesus, tenho posto toda a minha vida, todos os meus sonhos e toda a minha esperança; em Vós confio e tenho confiado sempre, em Vós perco de tudo o medo. Só o Vosso Nome adorado livra o meu espírito das dúvidas e traz alívio ao meu coração. Por Vós, Senhor, esqueço e bendigo as dores que afligem o meu pobre corpo. E quando tudo for contra mim, Vós, meu bom Jesus, sereis por mim.

(Lendas do céu e da terra)

NOTA DO BLOG: Não só a cegueira do corpo nos faz mal, mas a cegueira da alma. Quantas vezes pedimos cura de uma dor, para que continuemos nossa vida de pecados? Queremos ter saúde para continuar vivendo nossa vida de felicidades e prazeres. A maior ferida é a ferida da alma. Peçamos a Deus para que nos cure dessa ferida, dessa cegueira da alma e que a graça nos faça ter uma vida de virtudes e toda dedicada a Deus.